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Impressões Sobre a Stanley Cup 2017

Impressões Sobre a Stanley Cup 2017

Pela centésima vigésima segunda (122ª) ocasião, a Stanley Cup foi disputada e entregue, em seus 124 anos de existências apenas por duas vezes o cálice sagrado do hóquei sobre o gelo não foi entregue (1919 e 2005). Nesse momento, todos sabemos quem venceu, mas vamos ter como ponto de partida o momento em que Penguins e Predators foram ao gelo pela primeira vez da série para iniciarmos nossa discussão sobre a série final da temporada 2016-17.

A série não foi tão disputada quanto esperado e ansiado, todos os jogos foram decididos por mais de 1 gol. Não tivemos grandes jogos, o melhor em minha opinião foi o sexto e último, o que é muito recorrente para a Stanley Cup, mas tivemos grandes passeios, o que não é normal. A temporada regular da NHL é muito desgastante, os 82 jogos fazem os times minarem suas forças e a corrida nos playoffs pode ser mais desgastante ainda, por isso muitas vezes não vemos grandes jogos nas finais, mas não é normal vermos domínios amplos de ambos os times nos jogos em que cada um deles venceu respectivamente.

Nos cinco primeiros jogos o time da casa venceu o jogo, a menor diferença nesses jogos foi de 2 gols, placar final de 5-3 em favor do time de Pittsburgh no jogo 1 da série. Foi estranho ver que simplesmente o dono da casa passar por cima do adversário, especialmente no jogo 5 em que o Penguins marcou 3 gols no primeiro período, 3 no segundo e garantiu a vitória com muita facilidade.

Se nas fases anteriores Pekka Rinne foi um herói, nas finais acabou sofrendo muito, falar que ele poderia fazer mais é, além de uma análise simplória, seria injusta com o poder de fogo do adversário. A verdade é que não só Rinne, mas como todo o Nashville Predators enfrentou algo que não havia enfrentado antes, uma equipe capaz de criar e achar espaços absurdamente mínimos, em que apenas não errar é menos do que o mínimo, e que para tornar tudo pior, é um time que tem provavelmente o melhor poder de fogo da NHL. E em alguns momentos Rinne foi feito injustamente de bode expiatório porque o Predators como um todo não conseguiu impedir o adversário de criar, de contra atacar com precisão, de achar o espaço mínimo, ou seja, fazer o que nenhuma outra equipe faz na NHL.

Por outro lado, Matt Murray conseguiu ser novamente uma ancora de segurança, não só voltou a substituir muito bem Marc-Andre Fleury, que era seu substituto, como foi uma peça decisiva com dois shutouts em sequência, nos jogos 5 e 6. Murray foi novamente muito ajudado pelo sistema defensivo que se portou muito bem a sua frente, no jogo 6 da série isso ficou muito claro e exposto, mais uma vez Mike Sullivan soube comandar a equipe como um todo de modo brilhante. Sempre comento isso, mas vale a repetição aqui: por mais que o goleiro seja incrível, se a defesa na sua frente falha, ou não consegue dar proteção suficiente contra o adversário, o goleiro terá muitos problemas e isso ficou claro nessas finais.

Antes de chegar ao jogo 6, eu gostaria de abrir um parêntese rápido para o caso Crosby vs Subban, que na quinta partida teve seu ápice. Eles não se gostam, se provocaram o tempo todo, deram hits fortes um no outro, mas no jogo 5 a rivalidade/briga/implicância chegou ao ápice quando em um lance os dois caíram no gelo. Crosby ficou, como se fala na gíria do jiu-jitsu, montado em Subban e em algum momento empurrou a cabeça do adversário contra o gelo. Enquanto isso, Subban tentou dar uma chave de perna no Crosby. Resultado: os dois pegaram 2 minutos por holding (a famosa segurada), o que acho que saiu barato para quem empurrou a cabeça do adversário contra o gelo, mas na NHL parece ter uma regra que protege as estrelas a todo custo, não só o Crosby como muita gente fala. Nada acontece feijoada, segue a série.

Então chegamos ao jogo 6, onde o Pittsburgh Penguins poderia vencer a Stanley Cup pela quinta vez, e pela quinta vez fora de casa. Esse jogo teve um momento que pode ter pesado muito no desfecho da partida, me refiro ao gol que não aconteceu, mas em teoria teria acontecido caso o árbitro não tivesse apitado. Aí você pode estar pensando “mas o jogo terminou 2-0 para o Penguins, deveria ao menos ter sido 1-1 no tempo regulamentar e tido prorrogação”. Poderia, deveria, seria… Tudo apenas teoria, não sabemos o que teria acontecido caso o árbitro não tivesse apitado e o gol tivesse acontecido, pode ser que o Nashville tivesse vencido o jogo, pode ser que não. Não temos como saber com certeza o que iria acontecer, nossa mente não tem essa capacidade, não temos máquinas para suprir isso, então qualquer conjectura é mera especulação e perda de tempo. Temos que nos concentrar ao que aconteceu e não as probabilidades que teríamos a partir de algo que não ocorreu.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
O gol que não existiu (Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports)

O que aconteceu foi que o Predators não conseguiu marcar o gol, mesmo tendo volume de jogo muito maior. O que aconteceu foi a visão e inteligência de Patrick Hornqvist ao ver o puck bater na borda e o goleiro adversário fora de posição, utilizando-se dessas vantagens para marcar o primeiro gol do jogo. O que aconteceu foi Carl Hagelin ganhar o disco na velocidade e com paciência empurrar o puck até o gol para sacramentar o destino. O que aconteceu foi uma vitória de 2-0 por parte do Pittsburgh Penguins no jogo, chegando a quarta vitória na série.

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Os jogadores do Pittsburgh Penguins celebram ao término do jogo (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

Chegar as finais da Stanley Cup foi o ponto máximo para o Nashville Predators, que não conseguiu se superar. O time encontrou um adversário melhor, mais preparado, talvez até mais bem organizado e treinado, e esbarrou em problemas mais internos. É verdade que em alguns momentos o Predators se deu por vencido quando poderia ter lutado mais, afinal de contas é a Stanley Cup, você não deve desistir, mas falar isso quando está de fora é fácil. Foi uma ótima campanha, que para o time e os torcedores, infelizmente não conseguiu alcançar o desejado, o último passo foi impossível.

Com todos os méritos do mundo o time de Pittsburgh alcançou a Stanley Cup pela quinta vez, igualando-se ao Edmonton Oilers no número de conquistas. Penguins deixou seus rivais de Nova Iorque para trás e agora está empatado como o 5º maior vencedor da copa de Lord Stanley entre as franquias ativas, 6º maior de todos os tempos. Pela primeira vez na era do salary cap uma franquia consegue um bicampeonato consecutivo, além de ser a primeira vez desde o Detroit Red Wings 1996-97/1997-98 que qualquer equipe conseguiu esse feito. Essa temporada coroou o Pittsburgh Penguins como, discutivelmente, a maior franquia dessa era atual da NHL, são 3 Stanley Cups e 4 finais, além de outros bons desempenhos nesse período.

Sidney Crosby foi novamente agraciado com o Conn Smythe Trophy, para o jogador mais valioso dos playoffs. Ele foi o terceiro em toda a história do troféu, desde 1965, a conseguir tal feito, antes dele apenas Bernie Parent (Flyers 1974/1975) e Mario Lemieux (Penguins 1991/1992) foram agraciados com o troféu em anos seguidos. Não acho que foi uma decisão acertada, mesmo Crosby tendo sido fundamental, talvez dar o Conn Smyth para Evgeni Malkin fosse o mais correto, com tudo acho que o mais justo seria uma divisão entre os dois goleiros, Marc-Andre Fleury e Matt Murray acabaram sendo decisivos em muitos momentos e como os dois dividiram a posição, seria justa a vitória conjunta. Mas novamente Sidney Crosby foi escolhido, então nada podemos fazer além de expor uma opinião que em nada irá impactar, no final das contas.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
Sidney Crosby recebe o troféu Conn Smyth, para o jogador mais valioso dos playoffs (Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports)

E assim se encerrou a temporada 2016-17 da NHL, com a Stanley Cup voltando para as mãos do Pittsburgh Penguins. Parabéns ao time e aos torcedores! Será que a 3ª copa consecutiva, a sexta 6ª em toda história, vem pela frente? Não sabemos, mas sabemos que em outubro a NHL retorna.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
Aquela foto tradicional com os jogadores ao redor do troféu (Foto: Christopher Hanewinckel-USA TODAY Sports)
Impressões sobre a temporada da NHL – Pausa para o ASG

Impressões sobre a temporada da NHL – Pausa para o ASG

Mais de um mês se passou quando eu publiquei o artigo Impressões sobre o primeiro quarto da temporada, muita coisa mudou nesse tempo, times melhoraram, jogadores começaram a produzir bem, equipes e jogadores caíram de rendimento, muito mudou nesse período. Isso faz com que outro texto daqueles moldes seja bem vindo. Então vamos às impressões deixadas por alguns times, jogadores, técnicos e outras questões, sejam positivas ou negativas, e minhas opiniões sobre isso.

Destaques Coletivos

– Minnesota Wild: Com 69 pontos conquistados em 48 jogos, o melhor time da conferência oeste nessa parada para o All Star Game. Atrás do Washington Capitals, o Wild chegou a ter uma sequência de 12 vitórias, hoje tem o quarto melhor ataque com 160 gols marcados e a segunda melhor defesa com 109 gols sofridos. Devan Dubnyk é o grande destaque individual do time, com números dignos de concorrer ao Vezina até aqui, Dubnyk é o goleiro que ninguém dava nada e tem melhorado temporada após temporada e está em um momento incrível. Outro jogador que tem pesado muito no time é Eric Staal, após ter ido mal na temporada passada e ter começado devagar essa temporada, engrenou junto ao time e hoje é o segundo maior pontuador, a frente dele está Mikael Granlund. O grande destaque entre os defensores do time é Ryan Suter, ao menos com o viés de produção ofensiva, Suter tem 23 assistências e 7 gols, auxilia muito bem o time quando ataca, o que não é novidade alguma.

Jason Pominville
O Minnesota Wild é um dos times em melhor momento nessa parada para o ASG(Foto: APPhoto/Matt Marton)

O Minnesota Wild é uma equipe muito equilibrada, que faz tudo o que o manual manda. Comandada pelo sempre vencedor, ao menos no quesito divisão, Bruce Boudreau, é um time que vai se colocando entre os melhores e favoritos, sabemos que o campeonato muda e na pós-temporada coisas acontecem, mas hoje o Minnesota Wild é o melhor time da conferência oeste e não atoa, tem um elenco bom, um bom técnico e um goleiro que parece ter muito a mostrar ainda. Quem sabe o que o futuro reserva para a franquia?

– Columbus Blue Jackets: Talvez a maior surpresa da temporada até agora, um time que tem todas jogadores muito bons no geral, alguns nem tanto, um bom técnico, mas que foi muito subestimado por ser o Columbus Blue Jackets e continua sendo subestimado por isso. A terceira melhor campanha da liga, segunda melhor da conferência leste e divisão Metropolitana, atrás apenas do Washington Capitals. Chegou a ter uma sequência de 16 vitórias consecutivas, teve a chance de empatar com a sequência de 17 vitórias consecutivas que o Pittsburgh Penguins teve na temporada de 1992-93, mas perdeu para o Washington Capitals. Figura entre os melhores ataques e as melhores defesas da liga, tem alguns pontos fracos individuais que são cobertos pelo ótimo sistema implementado por John Tortorella, um sistema que parece ser a evolução do que o próprio Tortorella aplicou no New York Rangers e o levou a melhor campanha da conferência e a final da conferência leste em 2011-12. Até onde esse Blue Jackets pode ir? Talvez o time caia de produção, talvez volte a melhorar e voltar a ponta da liga, mas se tem algo que eu tenho absoluta certeza é que os comandados de John Tortorella estão se preparando para ir longe e com a experiência do técnico e jogadores do time pode ser que a temporada dure até o final de maio, ou mais.

– Edmonton Oilers: Outro time que enfrenta um momento incrível, tem bons jogadores e pode ser uma surpresa. Ninguém apostava que o Edmonton Oilers chegaria a parada para o All Star Game coliderando a divisão, e ele fez isso após uma vitória em San Jose no último jogo antes da pausa. Em teoria se o time conseguir um grande defensor, pode ir muito longe nessa temporada, a verdade é que o problema defensivo persiste, mas Cam Talbot vai segurando as pontas atrás enquanto o ataque liderado por Connor McDavid produz gols em escala industrial quase todas as noites para vencer jogos, uma combinação muito arriscada. O Oilers está em um momento incrível, é muito talentoso e pode tentar uma aposta mais arriscada visando uma duração maior da temporada, tem uma boa margem de erro e cacife para isso.

New York Islanders: O New York Islanders começou muito mal a temporada, foi citado como destaque negativo no artigo anterior, porém tudo mudou após demitirem Jack Capuano. O que parecia ser um reforço para a próxima temporada virou reforço imediato, o time mudou a chave e começou a vencer jogos, anotar pontos e hoje está na briga pela vaga de wild card, no meio de uma briga que envolve muitos times. A vantagem que tem são os jogos a menos, chegando a 3 em alguns casos, o Islanders pode manter o momento e tem um time para isso. Quando os 82 jogos forem completados, não será surpresa se a temporada do New York Islanders continuar.

Washington Capitals, Pittsburgh Penguins e Chicago Blackhawks: Os três são isso há algumas temporadas, brigam pelas melhores posições na liga e vem mantendo isso. Não tem muito o que falar, mas vale a pena cita-los aqui.

– New Jersey Devils: O New Jersey Devils começou bem a temporada, caiu um pouco de rendimento e time acabou afundando e hoje amarga o vigésimo oitavo lugar na liga. O elenco não é tão ruim quanto parece, o treinador mostrou muito potencial, mas talvez para essa temporada a realidade seja realmente amarga. Talvez mentalmente o time não esteja na melhor forma, além de algumas carências pontuais, essa era uma equipe para brigar por uma vaga de playoffs, mas hoje está a 7 pontos do Philadelphia Flyers, o segundo wild card da conferência leste. É uma distância ainda alcançável, mas difícil de ser superada pelo momento da equipe.

– Dallas Stars: Citado anteriormente como destaque negativo, pouco mudou. O time tem problema com os goleiros, defensores, atacantes, todos estão jogando abaixo do que podem. Apesar de tudo, ainda briga por vaga na pós-temporada, o time precisa se encaixar e os jogadores acordarem, tendo 32 jogos pela frente é muito possível ainda dar a volta por cima.

Destaques individuais

– Devan Dubnyk: Já citado anteriormente nesse mesmo artigo, Dubnyk é um dos grandes goleiros nessa temporada. Com a menor média de gols contra por jogo (1,88) e percentual de defesas em relação aos disparos enfrentados (93,6%), Dubnyk surpreende e cala os críticos, mas não é nenhuma surpresa. Evoluindo a cada temporada, o goleiro principal do Minnesota Wild tem 30 anos e com a experiência foi se moldando e cobrindo suas fraquezas, muito injustiçado por um bom tempo pela crítica da torcida e imprensa, faz uma temporada incrível e digna de ser premiada se continuar assim.

Sergei Bobrovsky: Bobrovky volta a ter um desempenho digno de Vezina, estando saudável o goleiro do Columbus Blue Jackets tem feito partidas muito boas, algumas incríveis. Com 92,9% de defesas em relação aos disparos enfrentados, Bobrovsky é um dos grandes nomes dessa temporada no quesito defender seu gol e é uma peça muito importante na campanha de seu time.

– Cam Talbot: Quando foi para o Edmonton Oilers, Talbot era uma promessa quase cumprida, hoje vemos que a promessa foi cumprida. É um goleiro muito sólido, que defende muito bem e só não tem números melhores porque em muitas ocasiões fica exposto e sabemos muito bem que não adianta ser Henrik Lundqvist ou Dominik Hasek, um goleiro exposto aos disparos do adversário é tão frágil quanto uma peça de cristal. Muitas das vitórias do Edmonton Oilers tiveram Talbot como a peça principal, a maioria dos grandes times começam com um grande goleiro e o Edmonton Oilers já tem isso.

NHL: Arizona Coyotes at Edmonton Oilers
Talbot deixa o rótulo de promessa e passa a ser realidade (Foto: USATSI)

Antti Niemi e Kari Lehtonen: Não teria como citar um sem falar do outro, a dupla de goleiros do Dallas Stars vem fazendo uma temporada ruim. Niemi tem 90 % de defesas em relação aos disparos enfrentados, já Lehtonen 90,2%, para os padrões da NHL são números ruins e não para por aí, Lehtonen leva em média 2,81 gols por jogo, já niemi 3,2. O time está numa má fase desde o princípio da temporada e não poderia ser diferente com seus goleiros, mas eles dois que muitas vezes foram criticados injustamente, hoje são de maneira justa.

– Ryan McDonagh: Esse é talvez o defensor mais equilibrado da NHL atualmente quando se fala em habilidades defensiva e ofensiva. McDonagh auxilia o New York Rangers muito bem no ataque e o time tem números absurdos de aproveitamento defensivo quando seu capitão está no gelo, mesmo que em muitas vezes McDonagh tenha Dan Girardi como seu companheiro de par defensivo. Pensando no conceito “melhor defensor nas duas extremidades do gelo”, Ryan McDonagh é um candidato ao troféu Norris até aqui, mas na prática as coisas são diferentes, o que não apaga mais uma temporada incrível do capitão dos blueshirts.

– Oliver Ekman-Larsson: Outro grande defensor, mas esse é realmente esquecido pela imprensa a ponto de as vezes ser tratado como uma surpresa. OEL é outro que brigaria facilmente pelo título de defensor mais equilibrado, o Arizona Coyotes depende muito dele para defender e quando vai ao ataque, Ekman-Larsson faz um jogo inteligente passando e finalizando, sabe aproveitar muito bem o momento. Novamente se credencia para ser vencedor do troféu Norris, mas quem vota… Melhor deixar isso para depois.

– Victor Hedman: Mais um que parece ser esquecido e subestimado, mas com grande habilidade como passador e um bom comportamento quando não tem o puck. Hedman é um dos principais nomes da defesa do Tampa Bay Lightning, ao lado de Anton Stralman, tem 31 assistências, é o sétimo melhor de toda a liga no quesito assistências e disputando posições jogo a jogo com nomes como Evgeni Malkin, Phil Kessel, Nicklas Backstrom e o quarterback Erik Karlsson.

– Dan Girardi: Esse nome é comumente citado pela torcida do New York Rangers e não por coisas boas. Girardi é um grande problema para o time e não é de hoje, chegou a ser eleito allstar e merecidamente, o time deu um contrato longo, caro e com clausula de não-movimento, ou seja, ele não pode ser trocado ou mandado para AHL. Então seu jogo começou a desandar, ficou mais lento do que era, virou um desastre no gelo. Hoje Dan Girardi é muito provavelmente o pior defensor da NHL e virou um peso por conta de seu contrato, é o novo Wade Redden para o New York Rangers.

Deryk Engeland: Outro terror, mas de outra torcida. Engeland talvez não seja tão desastroso quanto Dan Girardi, mas ele é muito questionado e com razão em Calgary. A pesar de ele ter um +- (estatística inútil, eu sei) de 6, o impacto dele ofensivamente é ridículo e defensivamente é terrível. Engeland no 5 contra 5 está envolvido em muitas jogadas que tem impacto negativo para o time defensivamente, ou seja, ele falha na hora de defender. É simples assim, um defensor que não tem impacto ofensivo e que falha defensivamente, tem muito a ver com Dan Girardi.

Sidney Crosby: Crosby é novamente o líder da NHL em gols, nessa para o jogo das estrelas ele se encontra com 28, 4 gols a mais que Cam Atkinson e Jeff Carter, os vice-líderes no quesito. Ele tem uma média incrível de 0,6666666… gol marcado por jogo nessa temporada, ou seja, quando Crosby entra no jogo ele tem mais de 60% de chances de marcar um gol. Faltam adjetivos para defini-lo, Crosby é realmente o melhor atacante de nossos tempos ao lado de certo russo, mas até quando? A nova geração já ameaça a posição.

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Eichel é o tipo de jogador que faz total diferença para seu time (Foto: Dan Hickling/Olean Times Herald)

Jack Eichel: Existiram dois Buffalo Sabres nessa temporada: sem Eichel e com Eichel. O time é limitado, mas com o Eichel se colocou na disputa por vaga nos playoffs. Eichel disputou 27 jogos e anotou 21 pontos, isso dá uma média de 0,77 ponto por jogo, o impacto que ele tem no time em que joga é inacreditável. Injustiçado na premiação para calouros da temporada passada, Eichel continua a provar porque foi o número 2 no draft em que foi selecionado.

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Connor McDavid: Com 59 pontos em 51 jogos disputados nessa temporada. McDavid não é normal, não é acima da média, é espetacular, fantástico, mágico, um fenômeno e mais ainda. McDavid jogou 96 jogos na NHL e já passou da marca de 100 pontos. Mcdavid é o melhor candidato ao troféu Hart, na minha opinião, e também vai garantindo o troféu Art Ross, dado ao maior pontuador da temporada regular.

Eric Staal: Esse é um jogador que demorou a começar a jogar bem nessa temporada, mas agora produz gols e assistências em quase todos os jogos. Staal chegou com desconfiança por conta das temporadas abaixo do normal, por ter sido a cara do Carolina Hurricanes se esperava mais, então fechou um contrato de 3 temporadas recebendo 3,5 milhões de trumps em cada uma delas, um valor até baixo pelo status que possui. Staal e o Wild ganharam força e momento na temporada, então o mais velho dos irmãos Staal subiu sua produção e hoje tem 41 pontos, 16 gols e 25 assistências, é o segundo melhor do time em número de pontos.

Bruce Boudreau: O treinador do Minnesota Wild ano após ano leva seus times a vencerem a divisão e por enquanto vai cumprindo a missão. Temporada passada o Wild terminou a temporada regular na segunda vaga de wild card da conferência oeste, sem mudar muita coisa no seu elenco e com um novo técnico, o desempenho da equipe é muito superior nessa temporada. Boudreau apesar de tudo parece ter um karma que é ser eliminado no jogo 7 dentro de casa, talvez com esse Minnesota Wild ele seja capaz de superar o karma e talvez ir mais longe do que já foi e para isso o trabalho está no caminho certo.

John Tortorella: A terceira melhor campanha da liga tem por trás dela a mente de John Tortorella. Citado no predecessor desse texto, Tortorella não só fez o time manter o bom nível, mas melhorar ainda seu desempenho e por isso vale ser citado novamente. Tortorella e o time do Columbus Blue Jackets tem uma missão até o final da temporada regular: classificar em uma boa posição para os playoffs para talvez fazer uma campanha histórica, mas tudo indica que o caminho da divisão metropolitana será um dos mais difíceis e uma possível queda precoce na pós-temporada pode não ser um fracasso dependendo do contexto.

– Barry Trotz: Entra ano, sai ano, Barry Trotz consegue fazer o Washington Capitals ser uma equipe competitiva. Apoiado em um bom momento, hoje o Washington Capitals lidera a liga e tem que lidar com muito mais do que a pressão normal para a situação. Todo o histórico e os estigmas que o time tem devem ser deixados de lado e Trotz é quem deve administrar isso como técnico do time, esse Washington Capitals merece uma Stanley Cup, mas não é o único time e nunca será, por isso Trotz tem a missão de não apenas ficar no mereceu, mas de gerenciar o time para finalmente conquistarem a copa.

Outras impressões:

A NHL adora fazer médias e quase sempre comete injustiças enormes por conta disso. Listas, premiações, sempre são polêmicas e discutíveis, porém existem casos onde a injustiça fica clara, ou talvez pior, que o desentendimento do que deveriam estar fazendo é evidente. Como Jack Eichel não esteve entre os três melhores calouros da temporada passada? E os vencedores do Norris, será que realmente os votantes entendem que é o desempenho do defensor em todo o gelo e não só análise de gols e assistências? Até hoje lembro do Crosby levantando o Conn Smythe Trophy, dado para o jogador mais valioso nos playoffs, e eu pensando na injustiça feita a Phil Kessel, isso foi a liga fazendo média e nada mais, pobre Kessel. Daqui algum tempo os votos para os prêmios serão registrados e eu tenho quase certeza que quando a premiação for entregue, alguém será deixado para trás seja por jogar em um time de menos nome ou porque a crítica não vai com a cara do jogador.

Nessa madrugada (estou escrevendo esse trecho após as 3 horas da manhã pelo horário de Brasília, já no sábado dia 28/01) a NHL terminou de divulgar sua lista dos 100 melhores jogadores em 100 anos (a liga completou 99 anos recentemente), primeiro foram divulgados 33 nomes de jogadores anteriores a década de 1970, então os 67 restantes foram divulgados em uma grande cerimônia em Hollywood na noite da sexta-feira. Sem ordem, apenas separados pro suas épocas, vimos nomes indiscutíveis como Bobby Orr, Mario Lemieux, Wayne Gretzky, Patrick Roy, Chris Chelios e outros aparecerem. O porém foi quando chegaram aos anos 2000: Teemu Selanne, Chris Pronger, Nicklas Lidstrom, Pavel Datsyuk e Martin Brodeur entre os jogadores já aposentados, ou em outra liga no caso do Datskyuk, todos merecedores realmente. Mas aí vieram os jogadores ativos, Jaromir Jagr, Sidney Crosby, Alexander Ovechkin, Duncan Keith, Patrick Kane e Jonathan Toews. Jagr, Crosby e Ovechkin pertencem a essa lista, Kane, Toews e Keith não. Eles são grandes jogadores, importantíssimos para os 3 títulos do Chicago Blackhawks nos últimos anos, mas Jarome Iginla, Joe Thornton e alguns ativos tiveram carreiras melhores do que eles, além de outros já aposentados há pouco ou muito tempo. Esses jogadores ainda tem muito tempo pela frente, mas no momento seus nomes não deveriam estar incluídos.

Vai acontecer o All-Star Game esse final de semana, ano passado num período desses havia muita curiosidade para saber o que seria de John Scott no evento, sua aclamação popular foi um movimento incrível e interessante contra certas atitudes da liga. Para esse ano parece não haver expectativa alguma, eu entendo os motivos da liga ter criado regras novas para eleição de jogadores, mas um pouco poder para o público se divertir não faz mal. Fora que alguns nomes entre os selecionados são não só questionáveis como quase que risíveis pela temporada que vem fazendo, era melhor chamar o John Scott de volta.

NHL: All Star Game
John Scott foi uma atração e um símbolo para os fãs da liga no All Star Game de 2016 (Foto: USATSI)

Aqui vai uma opinião extremamente impopular: a liga acertou em não aprovar a expansão em Quebec. Eles precisam de uma franquia nova no oeste e não no leste, certamente não seria bom para Detroit Red Wings ou Columbus Blue Jackets voltarem para a conferência oeste, assim como não seria bom para um time de Quebec também, é simples assim. Não importa o quanto a cidade seja apaixonada e mereça um time, existem motivos pelo qual a liga precisa prezar antes de tudo e esses motivos fizeram Quebec ser rejeitada como expansão. A alternativa para a cidade é alguém comprar um time e levar a franquia para lá, talvez o Carolina Hurricanes, já que alegadamente Peter Karmanos estaria aceitando vender a franquia para qualquer um que pagasse.

Pegando o gancho, é provável que o Carolina Hurricanes não sobreviva muito tempo, nessa temporada está com uma média menor do que 12 mil expectadores por público em casa. A cidade nunca abraçou a franquia realmente e os maus momentos comprovam isso, mas esse não é o maior dos problemas. Há algum tempo circulam boatos de procedência até confiável que Peter Karmanos Jr quer vender a franquia, mas sempre dizendo que ele quer vender para alguém que se comprometa a mantê-la no estado da Carolina do Norte, só que algumas fontes relataram que Karmanos agora aceitaria vender o time para qualquer pessoa, mesmo que tirasse da Carolina no final das contas. Os problemas não param por aí, os filhos mais velhos o estão processando em uma quantia milionária por alegadamente não ter reposto dinheiro de outras empresas para financiar o Carolina Hurricanes. A melhor solução é se livrar do time mesmo, uma pena para quem é fã, mas negócios são negócios.

 

E essas foram minhas impressões acerca da temporada 2016-17 da NHL até a parada para o All Star Game, além de outras questões de dento da liga. Vemo-nos ao final da temporada regular, então, e em outros textos, além de sempre na minha coluna semanal Do Velho Mundo.

Ovechkin ou Crosby? – Precisamos é parar com essa bobagem

Ovechkin ou Crosby? – Precisamos é parar com essa bobagem

Desde que o mundo é mundo, a tal da raça humana nunca se conteve e se conformou com certos aspectos. Lá na criação, Adão e Eva – já me empolguei – se sentiam tão realizados que cometeram o ato de pecar e serem expulsos do Paraíso pelo “simples” fato de ter um desafio em suas vidas. Ou seja, algo novo, diferente, fora da curva, etc.

Na área dos esportes, as comparações sempre assolaram e geraram dúvidas, perguntas e questionamentos sobre quem é melhor que vem. Quem nunca se deparou com: “Cristiano Ronaldo é melhor que Messi“, “Kobe Bryant sempre foi e sempre será mais completo que LeBron James“. Claro, existem alguns termos/esportes que são inquestionáveis, como por exemplo, Pelé ser o melhor da história do futebol, ou para o nosso amado hóquei, Wayne Gretzky ser incontestável.

Ainda há aqueles que contestem isso, do qual eu sinto pena…

Hoje a discussão mais sadia que envolve jogadores em atividade é a amarga decisão de escolher quem é melhor: Alex Ovechkin ou Sidney Crosby. Sabe quando criança, na hora de montar um time de futebol pra jogar na rua, você tem que tirar par ou ímpar e tem pelo menos dois garotos que se destacam e mesmo que você perca a disputa do mesmo, você ficará (em tese) com o segundo melhor? Então, é isso – o que não é pouca coisa.

Pois bem… Chegamos ao ponto de tentar dissecar qual seria a melhor escolha para seu time, no caso você vença a disputa no par ou ímpar e terá a “triste missão” de escolher Ovechkin ou Crosby. – Espera ai, eu disse isso mesmo? “Triste missão”, sabe se lá de onde eu tirei isso.

Para tentar argumentar, abaixo os prós e contras – se é que existe – de cada um deles:

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Alex Ovechkin, 31 anos. Na liga desde 2005 e 1001 pontos na carreira.

Pró: Fisicamente Ovi é um animal – no bom sentido. Tem um vigor físico invejável. Há uma história que diz que quando o jogador se mudou para os Estados Unidos, ele fez questão de escolher um prédio que não tinha elevador para que ele pudesse subir e descer as escadas nas horas vagas para manter o físico. O que deu certo.

Individualmente é um dos jogadores mais letais do planeta a tal ponto da equipe do Washington Capitals “desenhar” um power play para aderir ao seu poderoso onetimer slapshot – foram inúmeros gols assim. Os adversários sempre sabem como será o PP dos Caps, mas sempre acabam levando gol mesmo assim.

Contra: O que sobra do camisa 8 da capital americana, falta no quesito coletivo. Não que isso seja exclusivamente uma falha de si como um toda. Até hoje foram apenas três títulos coletivos e não fora na NHL que isso veio. Foram três conquistas com a seleção russa no Mundial da IIHF em 2008 (Canadá), 2012 (Finlândia) e 2014 (Bielorrússia).

Outro argumento que complica a vida do russo, é os recentes “fracassos” nos playoffs da NHL, o que pesa contra e leva consigo o termo de pipoqueiro – do qual eu discordo plenamente.

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Sidney Crosby, 29 anos. Na liga desde 2006 e 983 pontos. Dois títulos de Stanley Cup.

Pró: Se o único argumento de Sid The Kid fosse os dois títulos de Copa Stanley (Pittsburgh Penguins) seria o suficiente, mas o mesmo é uma máquina de títulos. Atual campeão da NHL, Crosby já ergueu a taça em 2009 e também foi campeão Olímpico com a seleção canadense por mais duas oportunidades: 2010 Vancouver (Canadá) e 2014 Sochi (Rússia).

Tais conquistas mostram que Crosby é um líder nato dentro da equipe defende, visto que, nas quatro conquistas mais importantes de sua carreira, foi capitão, MVP e tudo mais que tem direito.

Contra: O que Ovechkin esbanja saúde, Crosby fica a um pouco a desejar. Com inúmeras lesões na carreira, o camisa 87 perdeu muito tempo devida concussões e pequenas lesões que o afastaram dos rinks por várias vezes.

Esse argumento é bem subjetivo – eu sei, não me leve a mal -, e o fato de se lesionar com mais facilidade que o rival russo, não seja exatamente o que eu deixaria de escolhe-lo caso ganhasse o par ou impar. É apenas um argumento que precisa ser posto na balança já que está a uma “meia-concussão” de ter que encerrar a carreira, já que foram duas: 1º de janeiro de 2011 (do qual ficou de fora da pós temporada) e 10 de outubro de 2016.

Isso nos mostra que é praticamente impossível chegar a uma conclusão de qual jogador é melhor, ou qual é mais ou menos importante para suas respectivas equipes. Isso não existe. Vamos combinar uma coisa? – Deixe a história ser escrita, não perca tempo com isso e aproveite o que cada um pode render de melhor.

Puck de cristal: 15 previsões para 2017!

​Olá amigos e amigas! Um feliz 2017 para todos e todas! Estamos começando mais uma jornada de muita NHL, jornada especial já que a liga completará 100 anos em novembro de 2017. Que tal colocar o puck de cristal para funcionar e fazer alguns palpites que vão acabar sendo miseravelmente errados? Vamos nessa! 

1. 25 anos e nem um dia a mais.

Como foram gloriosos os tempos de Yzerman, Fedorov e Lidstrom. Esses infelizmente não voltarão para ajudar o Red Wings a manter viva sua streak de idas aos playoffs viva. A sequência começou na temporada 90-91 com Yzerman e Fedorov ainda jovens e Nick Lidstrom nem tinha estreado na NHL ainda. Desde lá, a equipe jogou 56 séries de playoffs, chegando na Stanley Cup Final seis vezes, vencendo quatro delas. A streak das asas vermelhas nunca esteve em tão grande perigo como agora, isso se deve aos poucos jogadores com diferencial ofensivo além dos problemas defensivos. Não teremos playoffs em Hockeytown.

2. Trevor Linden e/ou Jim Benning serão demitidos

O processo de rebuild é doloroso, penoso e nem sempre bem digerido pelos torcedores. A reconstrução do Canucks vem seguindo a parte principal (perder muito mais do que ganhar) do sistema mas vem falhando em outros pontos importantes. Jake Virtanen ainda não se tornou o goal scorer que se esperava dele, Loui Eriksson não é nem sombra do mesmo jogador que marcou 30 pelo Bruins em 15-16, isso sem falar nos veteranos que se lesionaram (casos de Alexander Edler e Erik Gudbranson) e nos que não vem produzindo como outrora (HELLO ALEX BURROWS). Somando a isso, as decisões questionáveis de Jim Benning e seu staff nos últimos drafts (I mean, ter Matthew Tkachuk – o tipo de jogador que o Canucks necessita – sobrando na mão e ir de Olli Juolevi não parece tão esperto ao primeiro olhar). Linden, apesar da má fase, conta com muita moral da alta cúpula do Canucks. Isso faz com que o pobre Benning tenha que proteger seu pescoço em 2017. Poor Sedins.

Por favor Trevor, salve meu pescoço! (Créditos: Vancouver Courier)

3. Teremos campeão inédito

Desde 2000, a NHL teve quatro campeões inéditos (Lightning 2004, Hurricanes 2006, Ducks 2017, Kings 2012) e acredito que existe possibilidade real em 2017 de termos um novo debutante. Até agora, o Columbus Blue Jackets de John Tortorella (HOW ABOUT THAT) parece ser o candidato mais gabaritado. Vale ficar de olho também em sonhadores antigos como Sharks, Predators, Blues e Capitals.

4. Marian Hossa será trocado

Essa é uma das previsões dessa lista que talvez não aconteça mas você amigo e amiga sabe que existe a real possibilidade e o potencial culpado disso é o salary cap do Chicago Blackhawks. Atualmente, a equipe tem um cap space de 436 mil trumps. Virtualmente nada. Patrick Kane e Jonathan Toews serão homens ricos por muito tempo e não vão para lugar algum. O mesmo pode se dizer para Corey Crawford, Duncan Keith e Brent Seabrook. Isso sem falar de Artemi Panarin que acabou de renovar com o Hawks. Isso acaba nos deixando com quatro suspeitos: Hossa, Artem Anisimov, Markus Krueger e Nicklas Hjalmarsson. Hjalmarsson é o mais novo do trio defensivo principal então não. Anisimov centra a linha de Kane e Panarin, esse também não. Isso nos deixa com Hossa e Krueger. Caso o #81 não seja trocado, porque não pensar como seria uma nova vida sob a luz do luar de Vegas?

Hossa foi peça crucial nos últimos três títulos do Blackhawks, pode esse ser o fim do ciclo? (Créditos: ESPN)

5. Ben Bishop será trocado
Com o talentoso Andrei Vasilevskiy na fila para assumir a goleira do Lightning por um ótimo período de tempo, é difícil pensar em uma vida muito longa para o camisa #30 em sua atual casa. Pra dizer a verdade, esse dilema quase foi resolvido em junho, quando Bishop esteve as portas de ser trocado para o Calgary Flames, troca esta que nunca se concretizou. Se ventila que a pedida de Bishop para seu novo contrato é de 7M por temporada (Bish é FA no fim dessa temporada) e como o Lightning sofre com problemas de cap space e tem contratos importantes para renovar, é o caminho natural a saída de Bishop.

Bish, please! (Créditos: alchotron.com)

6. Ben Bishop irá para o Dallas Stars
Seja em março na trade deadline ou em julho na free agency, Dallas é a casa perfeita para receber o atual #30 do Lightning. As estrelas texanas tem aspirações e talento para pensar em uma longa caminhada nos playoffs mas convenhamos que tudo isso fica difícil de ser alcançado com a dupla mortal Kari Lehtonen/Antti Niemi entre os postes. Apesar das lesões sofridas nas duas últimas temporadas, não podemos esquecer que Bishop liderou o Lightning para uma Stanley Cup Final e para a final do leste em 2016 com um cartel de 8-2 antes de se lesionar no jogo 1 da final vs Pittsburgh.

7. Alex Ovechkin não marcará 50 gols nesta temporada.

Correndo o risco de acordar um urso (assim como fiz no primeiro post da história desse blog em 2013), nada leva a crer que o russo repetirá as últimas três temporadas e vai alcançar o número mágico e isso tem lá seus motivos. O powerplay do Capitals segue bom mas já não é a máquina poderosa de antes (um tanto da má fase do PP se deve a temporada gelada de Evgeny Kuznetsov) e isso afeta a produção de pucks na rede de Ovechkin. Tomando as últimas três temporadas como base, Ovechkin marcou 154 gols em 238 partidas, média de 0.64 por partida. Desses 154 tentos, 68 deles foram marcados via powerplay, impressionantes 44.15%. Se esses números forem expandidos para a carreira, até o jogo desse domingo contra Ottawa, Ovechkin marcou 37.08% de seus gols (201 de 542) no powerplay. Nesta temporada, o russo marcou apenas 6 de seus 17 gols quando seu time estava com a vantagem numérica no gelo, isso dá 35.2%, ficando abaixo de suas médias normais. Ovechkin também está chutando menos a gol, até a partida deste domingo, o russo tinha realizado 140 disparos a gol em 35 partidas por ele disputadas, média de 4 por jogo. Ovie está no caminho para chutar aproximadamente 328 vezes a gol nessa temporada, o que seria a menor quantidade de disparos a gol em uma temporada completa desde 2011-2012. O camisa #8 também está acertando menos, o russo converteu apenas 12.1% de seus disparos até agora, sendo a pior porcentagem de sua carreira desde 2010-2011. Tudo isso pode ser somado ao fato de que Ovechkin também está entrando menos no gelo. Até a peleja desse domingo, Ovie tinha um TOI médio de 18:41 por jogo, essa é a pior marca de sua carreira em uma única temporada e fica quase três (!!!!) minutos abaixo de sua média.

Jogando menos, chutando menos e acertando menos. “The Great 8” precisará de uma segunda parte gloriosa para alcançar os 50 gols novamente. (Crédito: mymindonsports.com)

8. Darryl Sutter na corda bamba
Essa é mais conspiração do que necessariamente uma previsão mas vale a pena ficar de olho. É certo que a lesão de Jonathan Quick no início da temporada não o ajudou em nada e o ataque, tirando Jeff Carter, vem deixando a desejar, seja com produção baixa ou com lesões. Com tudo isso, os reis hoje estão fora da zona dos playoffs e correm algum risco de ficarem fora dos playoffs pela segunda vez em três anos na divisão mais acessível de toda NHL. Vale a pena ficar atento.

Bom como técnico e como meme, a vida sem Jonathan Quick não é tranquila para Sutter.

9. Toronto Maple Leafs nos playoffs.
Yeah baby, Matthews levará Toronto aos playoffs e eu tenho medo de zicar os garotos de Mike Babcock com esse palpite.

10. Outside games em Tampa Bay e Nashville

A NHL confirmou nesse domingo antes do Centennial Classic que tem planos para realizar três partidas ao ar livre em 2017. O Lightning já está algum tempo na lista de destinos possíveis para receber esse evento e não vejo motivos para ele não acontecer no ano que chegou, o mesmo pode se encaixar para Nashville. Se pudesse palpitar os jogos, porque não pensar em Lightning x Flames no Tropicana Field (ballpark do Tampa Bay Rays) e um Predators x Red Wings no estádio do Titans? I’m young, let me dream.

11. O Puck Brasil chegará aos 5.000 seguidores

Vamos trabalhar muito para isso e precisamos muito da ajuda de vocês para cumprir essa ousada meta, vamos aos 5k!

12. Rick Nash e/ou Marc-Andre Fleury irão para Vegas

Em entrevista no ano passado, George McPhee (GM dos cavaleiros dourados) disse que busca 5-6 bons jogadores para construir seu time em torno deles. Nash tem um contrato salgado e precisaria abrir mão de sua cláusula de não troca para ser exposto ao draft da expansão e o Rangers sonha em assinar com um bom defensor (cof cof KEVIN SHATTENKIRK cof cof) na free agency, faz algum sentido. Já Fleury, fora um meteoro vindo em direção a terra, deve ser o goleiro exposto por Pittsburgh no draft e Vegas adoraria ter um goleiro que apesar do problema com as lesões, ainda pode manter um bom nível por mais 3-4 anos.

Oponentes nos últimos três playoffs, 2017 pode reservar uma nova casa para Fleury e Nash. (Créditos: zimbio.com)

13. Liquidação no Avalanche.
Ninguém está salvo. Fora uma melhora e um milagre de proporções bíblicas, provavelmente o Avalanche ficará nas últimas colocações da liga e eu repito, ninguém está salvo. Joe Sakic e Jared Bednar são os primeiros candidatos a atualizar suas páginas no Linkedin. Matt Duchene, Jarome Iginla e Semyon Varlamov podem muito bem encontrar casas novas durante os 364 dias que ainda nos faltam.

Lenda como jogador, Joe Sakic agora experimenta a complicada vida de ser GM em um time que pouco alcançou. (Créditos: Denver Post)

14. Prêmios

Sidney Crosby levará o Hart Trophy (MVP da temporada), Lindsay Award (melhor jogador da temporada eleitos pelos jogadores), Art Ross (maior pontuador da temporada) e o Rocket Richard (maior artilheiro da temporada). Matthew Tkachuk ficará com o Calder (melhor rookie da temporada). Sergei Bobrovsky ficará com o Vezina (melhor goleiro da temporada). John Tortorella leva pra casa o prêmio de melhor treinador e Auston Matthews será a capa do NHL 2018.

15. Jaromir Jagr.

Ele seguirá jogando, batendo recordes, trabalhando mais do que qualquer jogador da liga e ainda vai encontrar tempo para seguir sendo o sex appeal número um da NHL. Forever young, Jags, forever young!

Jags e seu “irmão perdido” PK Subban durante o All-Star Game em janeiro de 2016. (Créditos: Philly Influencer)

20 Minutos – Edição 9!

​1. O 20 Minutos dessa semana é dedicado as famílias das vítimas do acidente aéreo que vitimou 71 pessoas na terça-feira passada. É complicado falar sobre esportes nessas condições mas pela honra daqueles que se foram, cá estamos.
2. Até a fatídica terça, o maior acidente aéreo envolvendo uma equipe esportiva havia acontecido 5 anos atrás, em setembro de 2011 com o Lokomotiv Yaroslavl, equipe da KHL. Dos 45 passageiros que estavam a bordo, apenas o comissário Alexander Sivov sobreviveu. Assim como tudo indica no caso do avião da Chape, o acidente do Yaroslavl também foi consequência de um grave erro humano.

3. Outra triste coincidência entre os acidentes foram as mortes de muitos jogadores jovens. Na tragédia de Yaroslavl, 14 dos 26 jogadores que faleceram no acidente tinham 25 anos ou menos. Jogadores de muita experiência na NHL como Pavol Demitra, Ruslan Salei e Karlis Skrastins também perderam a vida. Os últimos três iriam fazer sua estreia pelo Yaroslavl, algo que nunca aconteceu.

4. A semana passada marcou o aniversário de 11 anos da famosa e controversa troca de Joe Thornton do Boston Bruins para o San Jose Sharks por Wayne Primeau, Marco Sturm e Brad Stuart que faziam parte do young core do Sharks no longinquo dezembro de 2005. Desde lá, o Bruins ganhou uma Stanley Cup (2011), chegou ao final de outra (2013) e trocou três possíveis novas caras da franquia em Phil Kessel, Tyler Seguin e Dougie Hamilton. Já o Sharks só deixou de ir aos playoffs em uma temporada (14-15), chegou em duas finais de conferência (2010, 2011) e chegou na última Stanley Cup.

Joe novinho (Créditos: San Jose Sharks)

5. Speaking about Joe, no jogo contra o Montreal Canadiens na madrugada do sábado (3), Jumbo Joe chegou aos 1356 pontos, passando Brendan Shanahan (um carinha que ganhou 3 Stanley Cups e marcou 656 gols) e se tornou o 25* maior pontuador da história. E que comecem a contagem, faltam 23 assistências para Joe chegar aos 1000 passes para gol e faltam 64 para Thornton passar Joe Sakic, Mario Lemieux e Marcel Dionne para chegar ao top 10 dessa lista. Longa (barba) vida Joe!

Joe velhinho (Créditos: San Jose Sharks)

6. Máquina do tempo: Em 2015, o LA Kings mandou Martin Jones para o Boston Bruins por Milan Lucic e o Bruins mandou Martin Jones para o Sharks. É salvo dizer que a parte mais arrependida desse triângulo amoroso é o Kings. Colocando nossa máquina em ação: Assumindo que Jones mantivesse esse nível de hoje e com o draft de expansão batendo na porta. Se você fosse GM do Kings, quem protegeria, Jones ou Quick?

7. A vitória do Canadiens sobre o Kings por 5-4 no shootout em pleno Staples Center encerrou um jejum do Habs de 14 derrotas seguidas jogando contra times do oeste fora de casa. Os amigos de Carey Price ficaram de 30/10/2015 (vitória sobre o Flames em Calgary) até domingo sem bater nenhum time do oeste longe do Bell Centre. Se a estatística for puxada de 06/03/2014 até hoje, o Canadiens está 6-23-6 contra seus oponentes do lado esquerdo do mapa. Ainda falando em história, desde 2000-2001, o Canadiens está 8-18-4 jogando na Califórnia, incluindo um 0-8-2 jogando no Shark Tank. O último triunfo dos Habitantes em San Jose aconteceu no dia 23/11/1999, também conhecido como milênio passado. Essa música não deve fazer muito sucesso no locker room do Habs. (Stick taps para @StatsCentre e @SharksStats)

8. Números interessantes x2, agora com o Sharks. Brent Burns chegou a 10 gols na temporada e conquistou sua 4* temporada com 10+ gols, passando Dan Boyle (3 temporadas com 10+) nessa categoria. Desde o começo da temporada passada, o Sharks venceu 29 partidas contra times do leste, melhor desempenho entre as equipes do oeste. Se levarmos a estatística para o início da temporada 03-04 até antes da rodada do último sábado, o Sharks lidera os times do oeste com 138 vitórias sobre times do leste.
9. Seu momento Nelson Rubens da semana: Claude Giroux ficou noivo no último dia de novembro e marcou dois gols, incluindo o OT winner no primeiro dia de dezembro. O Flyers vem com uma sequência de 5 vitórias seguidas. Ah, o amor.

10. CBA, NHL, NHLPA e Pyeongchang 2018. Essa novela vai longe.

11. A votação para o All-Star Game começou no dia 01/12, incluindo uma “regra” para que não tenhamos um John Scott 2.0 em Los Angeles, casa do ASG 2017 em Janeiro. Para estar no jogo das estrelas, o jogador não pode ter atuado pela AHL em nenhum momento da temporada. Além disso ele tem de estar no roster principal da equipe entre 30/11/2016 e 26/01/2017. Perguntado sobre o que achou dessa nova regra, Scott disse: “Algo tinha de acontecer. Acredito que eles queriam que um caso como o meu não se repita”

12. Sidney Crosby tem 17 gols em 20 jogos. MVP! MVP! (pelo menos até agora)

13. A vitória do Flames por 8-3 sobre o Ducks no domingo marcou a oitava vitória nos últimos 12 jogos e colou na zona dos playoffs. Uma das histórias dessa arrancada é o goleiro Chad Johnson que chegou no começo da temporada para ser o backup de Brian Elliott (também conhecido como goleiro mais azarado da liga) mas com o desempenho ruim do titular, o garoto de Calgary assumiu a goleira e Glen Gulutzan vem fazendo o certo por deixar a mão quente seguir no comando. Depois de outro começo ruim de temporada, Dougie Hamilton vem se recuperando depois de ser colocado como par defensivo de Mark Giordano. Outro destaque é o desempenho da 3M line, composta pelo rookie Matthew Tkachuk, Mikael Backlund e Michael Frolik que vem dominando em ambos os lados do gelo. A volta de lesão da estrela Johnny Gaudreau e com Sean Monahan finalmente se achando, o Flames promete seguir perto na briga pelos playoffs.

Chad Johnson, chegou como backup e agora é uma das surpresas positivas da temporada (Créditos: fansided.com)

14. Falando sobre Dougie Hamilton, na última semana o presidente de operações Brian Burke deu uma entrevista um tanto explosiva sobre o rumor de uma possível troca do defensor. Burke disse que Brad Treliving (GM do Flames) recebeu uma ligação de um time não revelado e o GM teve de ouvir uma proposta, nas palavras de Burke, insultante. Burke disse que esse time contactou os outros dizendo que eles haviam feito uma oferta pelo defensor e o rumor se criou. Existe alguma chance de Hamilton ser trocado? Só se oferecerem 20 escolhas de 1* round ao Flames, palavras de Brian Burke.

15. Uma das maiores surpresas da atual temporada é o Columbus Blue Jackets. O time tem o melhor powerplay da liga, Sergei Bobrovsky voltou a forma de Vezina winner de 2013, outro que merece mérito nessa campanha é John Tortorella, um dos candidatos ao prêmio de John Tortorella. Estatisticamente, até a rodada do fim de semana, o Blue Jackets tinha o 5* melhor ataque da liga em gols marcados a cada 60 minutos em 5vs5 (2.46 GF/60), 7* melhor defesa em gols sofridos a cada 60 minutos de 5vs5 (1.84 GA/60), era o 3* em porcentagem de arremates certos em 5vs5 (8.46%) além de uma PDO em 5vs5 (porcentagem de chutes certos + porcentagem de defesas) de 101.9, ficando em 5* na liga. O mais surpreendente de todo esse bom desempenho: Até as partidas do último sábado, o Blue Jackets (que conquistou sua vitória de número 500 na NHL) havia jogado 1074:35 minutos de 5vs5, sendo apenas o 24* na liga nesse quesito.

16. No último sábado, antes da vitória por 3-2 no shootout contra o Maple Leafs, Trevor Linden (presidente de operações do Canucks) admitiu que o mesmo com o atual processo de rebuild da equipe, ele não irá trocar Daniel e Henrik Sedin. Ainda disse: “Eles ficarão aqui até quando eles decidirem não estar aqui”. Linden também falou que entende o porque da presença de público estar diminuindo na Rogers Arena, segundo ele, o público está a espera do próximo capítulo do clube.

Símbolos dos bons tempos do Canucks, caberá aos irmãos Sedins manterem a equipe competitiva. (Créditos: TheHockeyHouse.net)

17. “O que as pessoas não entendem é que o antigo grupo de jogadores que tinhamos aqui – os (Jason) Garrisons e os (Ryan) Keslers e os (Kevin) Bieksas e os (Chris) Higgins e os (Dan) Hamhuinses – e que não estão mais conosco, eles são boas pessoas, eles são líderes. Talvez em Toronto esse não seja o caso. Nós temos Daniel e Henrik Sedin aqui, eles são muito importantes para essa cidade. Eles não vão para lugar algum. Eu não sei como eu iria até o vestiário e dizer pra eles “joguem para perder”. Eu não sei se é justo com eles. […]” – Trevor Linden em entrevista ao SportsNet quando perguntado sobre a agressividade (ou a falta dela) do rebuild do Canucks.
18. Esse último domingo marcou o aniversário de 1* ano do Flames Brasil no twitter, comandado pelo amigo Lucas Mendes, colaborador desse pobre blog. Esse é um dos muitos perfis que nos ajudam na divulgação da liga para o Brasil e em apaixonar novos torcedores e torcedoras. Vida longa!

19. Email enviado pelos torcedores Russos do HC Lokomotiv em solidariedade a Chapecoense:

“Naquele dia nós pensavamos, que chuva iria para sempre  … ”

Cinco anos atrás, no dia 07.09.2011, um  acidente de avião na cidade de Yaroslavl  (Rússia) matou toda nossa equipe querida de hóquei “Lokomotiv” – Yaroslavl. Chuva caia sem parrar durante onze dias … A natureza chorou conosco.

Nós sabemos em primeira mão o que significa perder entes queridos, amigos, jogadores e toda a equipe. A equipe, que deveria  se tornar um campeão …

Esta dor de perda atravessou  todos nós, em 2011, e essa dor para sempre permanecerá em nossos corações! A ferida não cicatrizou até agora …

Sejam firmes, irmãos e irmãs! Esperamos que vocês vão se sentir um pouco melhor pelo fato de que, do outro lado do mundo, há pessoas que estão sentindo a mesma dor agora, juntos  com vocês, com muita tristeza e força.

Nós lamentamos juntos com todo o povo brasileiro e com todos os fãs do FC Chapecoense essa perda irreparável. Somente todos juntos podemos superar e diminuir um pouco  essa dor. Nossos jogadores permanecerão para sempre em nossas memórias. Eles são os campeões dos nossos corações.

NOSSAS EQUIPES ESTARÃO CONOSCO PARA SEMPRE!

Eles são os nossos campeões!

Sejam firmes! Estamos com você!

Fãs  do clube de hóquei sobre gelo Lokomotiv  – Yaroslavl, Rússia.

#forcachape #chapecoense #HCLokomotiv

20. Quando você está crescendo e é apaixonado por esportes, você lembra de pessoas, jogos, dias e principalmente vozes. Minha mãe nunca foi apaixonada por esportes e muito menos com a ideia de ir aos estádios, então minha infância/adolescência/juventude é cercada com a influência dos narradores de rádio, seja de futebol ou qualquer outro esporte. No acidente da última terça, uma das vitimas foi o grande Deva Pascovicci, ao qual ouvi por muito tempo na rádio CBN, uma das vozes que mais me marcou nas transmissões esportivas na rádio, e estava na Fox Sports. Será difícil ouvir outro jogo na rádio por algum tempo e não ouvir o “PREEEEPARE-SEEEE” que Deva falava antes de todo lance perigoso ou de bola parada. Que os céus tenham te recebido bem! 

Impressões sobre o primeiro quarto da temporada

Pouco mais de um quarto de temporada se passou na NHL e com ele já é possível tirar algumas conclusões. Quem surpreende e quem decepciona, críticas e elogios, o que pode acontecer sobre muita coisa dentro da liga e do que a cerca. Esses são pontos que acho os mais relevante para serem tratados levando em conta o que acontece até então. Abaixo estão o que eu considero destaque, seja positivo ou negativo, entre times, jogadores, técnicos e outras questões que apareceram na liga e no que a envolve também.

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O primeiro quarto da temporada está cumprido, o que ficou de impressão? (Imagem: NHL.com)

Destaques coletivos

– Montreal Canadiens: O melhor time da NHL até agora começa com uma boa e sólida defesa. Tendo Shea Weber e Andrei Markov como seus âncoras, a defesa é sólida e constante, com algumas exceções, e vem protegendo muito bem o gol do time.

Agora imaginem que logo atrás da defesa comandada por Weber e Markov está Carey Price. É o terror definitivo para um atacante e essa máquina assustadora, por sua capacidade praticamente inigualável, vem pesando muito nos resultados do time até aqui. A defesa do Montreal Canadiens sofre 2,17 gols por jogo em média, mas considerando os jogos com Carey Price no gol esse número desce para 1,68 gol por jogo. Inegavelmente Price é o maior candidato ao Vezina e é até então um dos candidatos ao Hart.

Na frente Alexander Radulov faz toda a diferença, o retorno dele a NHL vem se mostrando muito fortuito e a torcida de Montreal já o abraçou. Mas o grande destaque da equipe entre os atacantes é Alex Galchenyuk e seus 22 pontos, quase 1 ponto por jogo disputado, seus gols e assistências tem sido muito importantes para a equipe até então.

– New York Rangers: Disseram que essa seria uma temporada difícil em Nova York para os Blueshirts. Quem disse isso não poderia estar mais errado, o New York Rangers é a segunda melhor equipe da liga, a melhor da concorrida divisão Metropolitana. Nem tudo são flores em Nova York, a defesa tem sido frágil e cedido muitos gols, mesmo com a melhora de alguns velhos perseguidos pela torcida, a verdade é que falta solidez no sistema.

Com tudo o time tem de longe o melhor ataque da liga com 88 gols marcados, 11 a mais que o segundo melhor ataque. A surpresa até então é ver Michael Grabner com 12 gols na temporada e artilheiro da equipe, mas dos 23 patinadores até então que atuaram na temporada apenas 6 não marcaram gols ainda. Alain Vigneault nessa temporada finalmente conseguiu o que queria: 4 linhas sem enforcers, não há espaço no New York Rangers em 2016-17 para quem não produza gols e assistências de modo satisfatório para o treinador. Rangers tem um dos destaques entre os calouros: Jimmy Vesey, quem foi muito concorrido após não querer jogar no Nashville Predators, time que o escolheu no draft. Vesey tem 8 gols e 6 assistências, ou seja, 14 pontos, são números satisfatórios e que vem surpreendendo alguns.

Ottawa Senators:

Esse é uma das grandes e boas surpresas da temporada, segunda melhor campanha da divisão do Atlântico, quarta melhor da conferência leste e sexta melhor da NHL. Ninguém esperava o Ottawa Senators nessas posições de frente, mas o time vem firme e forte nesse primeiro quarto e mais um pouco de temporada. Suas duas primeiras linhas e defensores ofensivos são os destaques no ataque sem inspiração do time, é apenas o 22º da liga, seu melhor pontuador é o quarterback Erik Karlsson com 19 pontos, sendo ele o melhor passador com 15 assistências. Os números defensivos colocam o Senators entre as 10 melhores defesas, mas não são impressionantes também, com tudo a fórmula até agora vem funcionando e os pontos vão sendo somados, se vai continuar a dar certo ou não, só o tempo dirá. Porém essa fórmula não é estável e, pelo contrário, é frágil e mesmo em boa fase é necessária atenção.

Columbus Blue Jackets: O quarto melhor time da divisão Metropolitana, sexto melhor da conferência leste e oitavo melhor da NHL. Surpreendente de mais, certamente a maior surpresa dessa temporada até então. O Blue Jackets terminou a temporada passada em 27º lugar na liga com 76 pontos e sem fazer grande barulho o trabalho de John Tortorella engrenou e agora agita a liga mais ou menos como o famoso canhão que tem na Nationwide Arena. Com 12 vitórias sendo ela 3 shutouts, Sergei Bobrovsky é o grande destaque individual desse Columbus Blue Jackets, o vencedor do troféu Vezina da temporada 2012-13 reencontrou a boa forma e vem segurando as pontas na retaguarda com louvor.

Com a segunda melhor defesa e o oitavo melhor ataque, esse Blue Jackets lembra um pouco o surpreendente New York Rangers de 2011-12, que também era comandado por Tortorella. O forte sistema defensivo e o bom goleiro fazem com que o time consiga segurar as ofensivas dos adversários e ainda sim é muito disciplinado e tem poucos minutos de penalidades, o que sempre auxilia.

O ataque liderado por Cam Atkinson e Alexander Wennberg tem ainda Brandon Saad e Nick Foligno como destaques também. Um dos maiores pontuadores do time é o defensor Zach Werenski, seus 16 pontos providos de 11 assistências e 5 gols, o colocam entre os melhores defensores ofensivamente da liga. Com as estrelas sendo apoiadas pelos coadjuvantes, o ataque do Blue Jackets tem tudo para dar muito certo se continuar assim.

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Zach Werenski é um dos principais nomes desse surpreendente Columbus Blue Jackets (Foto: Russell LaBounty-USA TODAY Sports)

New York Islanders: Esse é o primeiro e maior destaque negativo até então. Nesse momento o Islanders está no antepenúltimo lugar da NHL. É uma surpresa muito grande o estado e a fase em que se encontra, e de modo negativo, pelo potencial ofensivo e defensivo esse terço de temporada é um desastre para o time de Long Island. Muitos problemas o Islanders enfrenta, de uma casa inadequada até um técnico que não consegue fazer a equipe render. Talvez o pensamento da administração do Islanders deva ser preparar o time para a próxima temporada e planejar o futuro pós 2019, quando o contrato de uso do Barclays Center termina. Talvez de volta para o Nassau Coliseum, talvez em uma nova casa especulada no Queens, mas os pescadores precisam começar a trabalhar para seu futuro de qualquer modo.

Colorado Avalanche: O pior time da divisão central até aqui é uma decepção menor, mas ainda sim uma decepção. No papel tem um plantel bom o suficiente para brigar por uma posição melhor, mas é patético o desempenho do time de Denver. Um ataque fraco, apático e anêmico, o segundo pior da liga com apenas 47 gols marcados em 21 jogos, com 2,23 gols por jogo, a NHL tem até agora 5,41 gols em média por jogo. O Colorado Avalanche tem muito menos do que a média da liga, claro que os grandes ataques puxam essa média para cima, mas 2,23 é muito menos do que a metade de 5,41.

As fórmulas tem dado errado no Colorado e não é por falta de recursos humanos, é por esses recursos estarem mal utilizados. As saídas são inúmeras, se não há um planejamento ainda estão perdendo tempo.

– Dallas Stars: Vigésima segunda campanha na liga, um dos melhores elencos. Isso resume o estado atual do Dallas Stars, um time que não vem rendendo o que deveria render e é uma decepção até aqui. Com o mesmo número de pontos que o frágil Winnipeg Jets, mas recheado de ótimos jogadores que não rendem. Não há muito o que dizer, apenas que a situação não é irreversível, pelo contrário, a saída existe para essa temporada ainda, mas alguns jogadores vão ter que se dedicar mais, nomes como Patrick Sharp e Cody Eakin tem muito a provar nessa temporada.

Destaques individuais:

Connor McDavid: Capitão e melhor jogador do Edmonton Oilers e, discutivelmente, de toda a liga. McDavid 31 pontos em 24 jogos, sendo 11 gols e 20 assistências. São números incríveis e sem precedentes até então nessa temporada. Médias incríveis e espetaculares, era isso que se esperava e ele cumpre, mas cumpre com maestria e nos deslumbra com seu comportamento no gelo. Como é bom ver Connor McDavid jogar.

– Sidney Crosby: Crosby perdeu alguns jogos no início de temporada, mas voltou e voltou com vontade, marcou 15 gols em 16 jogos disputados, são 20 pontos no total. O Capitão impulsiona seu time e a esperada força de Pittsburgh continua seu curso. É sempre importante que o líder dê o exemplo, isso é ensinado em toda e qualquer escola sobre liderança no mundo durante o curso da História, e no caso de Crosby ele vem fazendo o que se deve como capitão e grande estrela da esquadra que é atual campeã da NHL.

– Mark Scheifele: Scheifele é um dos vice artilheiros, e também o vice-líder em pontos da NHL. Com 13 gols e 13 assistências, é uma ótima produção ofensiva. Scheifele está sendo espetacular até então, com média de mais de 1 ponto por jogo, é um jogador para se ficar de olho.

Patrik Laine: Laine chegou como um meteoro na América do Norte e pegou de surpresa quem não conhecia, um jogador que é eleito o melhor da Liiga (principal liga finlandesa de hóquei no gelo) não deveria ser surpresa para ninguém. Jornalistas do Canadá e Estados Unidos, além de muitos fãs, ficaram impressionados com o desempenho dele no mundial organizado pela NHL, mas isso era só o começo. Laine está mostrando que tinha muito mais a provar, sua sede de demonstrar que deveria ter sido o primeiro escolhido no draft o move e se transforma em gols no gelo, são 13 no total, ele divide a vice-artilharia da NHL com seu companheiro de time citado a cima. Laine e Scheifele, além de outros bons jogadores, dão um viés positivo ao futuro do Winnipeg Jets e se depender da sede que tem o jovem Laine, o céu não será o limite. Laine é atualmente o maior candidato ao troféu Calder, para o melhor calouro.

NHL: Preseason-Edmonton Oilers at Winnipeg Jets
Patrik Laine, o principal calouro até então (Foto: Bruce Fedyck-USA TODAY Sports)

David Pastrnak: Carinhosamente apelidado de Pasta pela torcida do Boston Bruins, Pastrnak é outro grande artilheiro desse primeiro quarto e mais alguns jogos de temporada. Em sua terceira temporada na NHL, ele já tem quase o mesmo tanto de gols marcados na temporada passada, que é sua melhor marca até então dentro dessa liga. Pastrnak é um ótimo finalizador, muito habilidoso e perigoso, e que deve fazer uma grande temporada, assim espero sinceramente. Um grande jogador que vive seu melhor momento na NHL, ainda jovem, Pastrnak pode ser uma das grandes estrelas no futuro próximo.

Mitchell Marner: Entre os calouros é um dos que chegaram quase calados e estão fazendo muito barulho na NHL. Marner joga na primeira linha do time e capitalizou 19 pontos nos 22 jogos que disputou, com muita habilidade e disposição dentro do gelo acabou roubando um pouco das atenções que vinham dando a Auston Matthews, e com todo louvor e mérito. Para quem gosta de um jogador que tem muita habilidade, inteligência e ao mesmo tempo tem disposição defensiva, fique de olho em Mitchell Marner, é outro que pode ter um futuro muito brilhante se souber usar o potencial e a vontade que tem.

Zach Werenski. Não só um dos melhores calouros, mas um dos melhores defensores nesses vinte e poucos jogos. Werenski tem se destacado por sua inteligência defensiva e visão de jogo, ele tem uma capacidade notada desde cedo por olheiros de enxergar e compreender o jogo, muito importante em defensores ofensivos. Werenski chegou ao Lake Erie (Cleveland) Monsters, afiliado do Columbus Blue Jackets na AHL, no final da temporada passada, após terminar a temporada na Universidade de Michigan, fez os 7 jogos finais da temporada regular e marcou um gol. Com tudo nos playoffs foi de um impacto enorme anotando 14 pontos (5 gols e 4 assistências) nos 17 jogos disputados pelo time, foi um dos principais jogadores no título da Calder Cup. Agora na NHL está na corrida pelos troféus Calder e Norris, dado ao melhor defensor nas duas extremidades do gelo. Werenski é outro que se tudo correr como esperado, será estrela dessa liga.

Andrei Markov: Há muito tempo criticado, parece ter dado a volta por cima. Se a defesa de Montreal é digna de destaque, seu segundo melhor defensor deve ser citado aqui, com bons números ofensivos e defensivos, Markov está também na briga pelo troféu Norris. Voltando ao seu melhor e sendo muito importante para o Montreal Canadiens, Markov com quase 38 anos de idade, é uma das âncoras desse grande time que vem dominando a NHL.

Shea Weber: A troca entre Montreal e Nashville que acabou colocando Shea Weber no maior vencedor de Stanley Cups teve desaprovação da torcida e criticas da imprensa pela parte do Canadiens parecendo que Weber não estava entre os melhores defensores da NHL há muitos anos. E para a surpresa dessas pessoas, Weber ajudou a solidificar o sistema defensivo, além de apoiar muito bem o ataque com passes precisos e sua habilidade de acertar pancadas one-timer com muita precisão da linha azul. Sendo há alguns anos o melhor defensor que existe nesse jogo, na minha opinião, Weber foi injustiçado algumas vezes e talvez nessa temporada finalmente alcance o reconhecimento há tanto merecido de um troféu memorial James Norris.

Carey Price: Ainda em Montreal tem aquele que é um dos melhores goleiros da NHL nos últimos 5, 6 anos. Price fez muita falta na última temporada, sem ele a campanha do Montreal Canadiens foi pífia, mas sua volta está sendo gloriosa. Se Price é um dos melhores goleiros nos últimos 5 ou 6 anos, ao menos nos últimos 3 ele é indubitavelmente o melhor, ter vencido os troféus Vezina, Hart e Ted Lindsay (para o jogador mais espetacular eleito pelos jogadores) ao final da temporada 2014-16 é a prova disso. Um goleiro incrível que aos 29 anos de idade parece estar em seu melhor e assim vem sendo ano após ano. Price está novamente na corrida pelo Hart e é o principal candidato ao Vezina, esse último deve levar com todo mérito e honra.

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Carey Price e Shea Weber comandam a imponente defesa do Montreal Canadiens (Foto: Montreal Gazette)

Tukka Rask: Saindo de Montreal para Boston, temos outro grande goleiro. Rask é sólido e confiável, tendo 1,64 gols sofridos em média por jogo disputado da NHL, a menor de todas, além de uma boa média de 93,8 de defesas nos disparos sofridos. Disputou 17 jogos e venceu 12, tendo 3 shutouts entre esses jogos, Rask vive ótima fase e pesa muito na campanha de seu time.

John Hynes: O treinador do New Jersey Devils é o primeiro dessa classe a ser citado, ele é um visionário relativamente jovem para o cargo, porém vem mostrando muito potencial. O Devils tem boas peças, mas nada muito especial, com tudo ele comanda um time que joga muito bem, que trabalha o puck e tem um bom senso coletivo, se o Devils é um time interessante e divertido de se ver, Hynes é o responsável por isso. Em sua segunda temporada e dentro de uma reconstrução para o time voltar a ser um dos melhores da NHL, Hynes é o cérebro que comanda um candidato a vaga de playoffs até agora, tem um senso muito contemporâneo na aplicação tática do time e pode ser a cabeça de uma futura geração bem sucedida em New Jersey.

Michel Therrien: Por trás da melhor campanha da NHL há o comando de um homem contestado, mas que é fiel aos seus princípios e manteve-se no cargo e vem provando que merece a chance dada. Trabalha bem com os jogadores que possui, tira o que pode de cada um deles, não tem como ignorar um trabalho desses, não é perfeito, mas não há quem seja. Therrien levou o Pittsburgh Penguins a Stanley Cup em 2008, o Montreal Canadiens as finais de conferência em 2014, sua experiência e visão são confundidas muitas vezes com teimosia e defasagem, mas eu pergunto: Estaria o Montreal Canadiens em situação melhor ou igual a essa com outra pessoa no cargo? Creio que não.

Alain Vigneault: O treinador reinventou o New York Rangers, Vigneault sempre gostou de um hóquei ofensivo, com transição rápida, inteligência ao trabalhar o puck. Não é fácil montar um time assim na NHL ainda, mas a tendência é de que mais técnicos como Alain Vigneault apareçam nos próximos anos, mesmo Vigneault demorou algumas temporadas até ter um plantel que fosse totalmente de seu gosto. O ataque incrível do New York Rangers até agora tem AV como arquiteto e engenheiro, ele resolveu o que era o principal problema do Rangers há anos e pode ser que finalmente deixem de vê-lo como o técnico que perdeu duas Stanley Cups, que falha na hora H, porque ele é um técnico muito bom.

Mike Sullivan: Não tem como falar de técnicos da NHL na atualidade sem citar esse nome, Sullivan chegou durante a temporada passada e deu uma nova cara ao time, levou a conquista de sua quarta Stanley Cup e manteve a equipe motivada para essa temporada. O Pittsburgh Penguins está onde deveria estar, brigando na ponta da divisão, conferência e liga, e tudo isso passa pelo modo como Sullivan vê o jogo de um modo muito dinâmico, consegue ler a partida e dar soluções para os problemas que sua equipe enfrenta dentro do próprio jogo. Tendo uma passagem como técnico do Boston Bruins entre 2003 e 2006, Sullivan se reinventou e ganhou uma oportunidade na temporada passada como o técnico principal do Penguins, deu cara ao time e levou a Stanley Cup. Sua capacidade de se adaptar e adaptar o time o colocam como um dos grandes técnicos nessa temporada até aqui.

 – Joel Quenneville: Como vencer 3 Stanley Cups em 6 temporadas e continuar motivando seus jogadores a jogar seu melhor? Esse é um dos segredos do sucesso de Joel Quenneville, é um mérito muito grande o dele, mas também sabe fazer o Chicago Blackhawks se impor, isso é fundamental e vem sendo fundamental na campanha até aqui.

John Tortorella: Acreditavam que Tortorella não teria mais espaço na NHL, então ele assumiu o Columbus Blue Jackets. Então eis que chega a temporada 2016-17, o Columbus Blue Jackets começa sem destaque e vem vencendo alguns jogo, perdendo outros, nada até então especial aparentemente. Daí o time escala e chega ao 8º melhor lugar da NHL e jogando de modo muito bom, então tem que se reconhecer o trabalho do Torts aqui. Em alguns aspectos parece com o New York Rangers de 2011-12, que Tortorella comandou, tem bom ataque, mas uma defesa esplendorosa que vence jogos, rouba pontos. Chegando no meio da temporada passada, sem grandes diferenças para essa temporada, é de se louvar que o time consiga jogar desse modo. Se vai continuar assim não se pode dizer, mas até agora é um trabalho digno de estar entre os grandes destaques.

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Jack Capuano ainda é o técnico do New York Islanders. Até quando? (Foto: Jim McIsaac)

– Jack Capuano: Ele ainda está empregado? Parece que sim! Capuano tem um bom time em mãos e não consegue tirar o que se deve dele, um técnico que está muito mal e a qualquer hora pode ser demitido. Não vou ficar tripudiando ou chutando cachorro morto, como diz a expressão, apenas vou dizer que o Islanders não o demitir antes do final da temporada será uma grande surpresa.

– Jared Bednar: Bednar chegou a NHL após vencer a Calder Cup na AHL, com muita expectativa, com tudo vem decepcionando até aqui. Ele não tem conseguido tirar o melhor do Colorado Avalanche, que pode não figurar entre os melhores times no papel, mas é melhor do que a posição que ocupa atualmente. Acho que ele deve ter algum tempo para trabalhar e mostrar ao que veio, com tudo não é possível ignorar o que tem feito até aqui e que está devendo.

Outras impressões:

Por favor, parem de tentar viver no passado! É o que eu peço para membros da imprensa e fãs que acham que a NHL deveria ter muitos gols por jogo. A realidade é essa, os goleiros são muito mais efetivos, aceitar isso é muito melhor do que tentar banalizar gols e assistências numa tentativa de tentar reviver o passado. O passado se foi, ele foi glorioso e ecoará para sempre, porém nos últimos 22 anos, principalmente, tudo mudou, o estilo de jogo dos goleiros mudou, o comportamento defensivo mudou, então ao invés de tentar banalizar achando que placares como 9-4 tem que acontecer o tempo todo, vamos valorizar os homens que trabalham duro evitando gols, especialmente os goleiros.

Parem de tentarem forçar rivalidades, por favor! Entendo que as redes de televisão e a liga precisam vender os jogos, afinal eles são produtos também, mas artificializar as rivalidades é feio e tosco. Não, Crobsy x Ovechkin nunca foi uma rivalidade e nem será, imagina McDavid vs Matthews, que estão em conferências diferentes e devem se enfrentar duas vezes apenas por temporadas. Claro que todos esses jogadores e muitos outros sempre tentam brilhar, dar o seu melhor, mas acho essa abordagem mais do que desnecessária, ela é artificial e rivalidades não nascem artificialmente.

Sinto que algum bom time vai ficar de fora dos playoffs por conta desse sistema de classificação. Na verdade tenho essa impressão que vai acontecer a qualquer temporada desde que o sistema atual de classificação foi implementado, mas essa vem dando maior impressão de que uma equipe com campanha pior do que algum time que ficou de fora acabará entrando porque as divisões dão três vagas cada. Vou além, se isso acontecer tudo indica que será um time da divisão do Pacífico. Pode ser que não ocorra, mas cada vez mais esse infortúnio parece que acontecerá.

Estamos vivendo os últimos dias dos enforcers realmente, alguns times já nem contam mais com eles e não estão formando mais jogadores com essas características. Não vai demorar até que essa função seja parte do passado, o hóquei evolui para um jogo com menos gente dando porrada desnecessariamente para mais jogadores com versatilidade, claro que a parte física vai continuar, mas no futuro próximo ninguém vai ser contratado porque só sabe usar sua força física.

A NHL deveria cuidar melhor do esporte. Digo isso porque a liga tenta forçar o acordo de trabalho com a associação de jogadores em troca da participação da Olimpíada de 2018, além de não fazer absolutamente nada pelo esporte em outras áreas. A NHL deveria ver a Olimpíada como uma oportunidade de expor seus jogadores ao mundo, para mostrar a quem não conhece muito e instigar os curiosos a procurar sobre essas estrelas, isso atrai público e público pode consumir. Além disso, os jogadores indo aos jogos olímpicos podem inspirar crianças a serem jogadores e bem, a liga precisa de talentos sempre. Seria bom se esse pensamento pequeno de que somos os melhores, mesmo sendo realmente, fosse substituído por um pensamento de não só ser o melhor agora, mas como continuar sendo e continuar crescendo pelo mundo, atingindo novos mercados e ajudando a construir novos celeiros de jogadores que um dia poderão abastecer a própria NHL. Seria bom se tivessem um pensamento de fomentar o esporte, porque isso ajuda a liga a crescer, como a NBA e MLB tem, mas a NHL está longe até mesmo do pensamento que a NFL tem, que é o de fazer o mundo inteiro assistir a liga. Talvez um dia aprendam, mas a mentalidade do “nós que somos bons” precisa ser extinguida, mesmo sendo uma verdade até certo ponto.

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Poderemos não ver jogadores da NHL nas Olimpíadas de 2018 por conta de uma postura puramente mesquinha por parte da liga (Foto: Clive Mason/Getty Images)

 

Por enquanto é isso. Essas são minhas impressões sobre o primeiro quarto, e mais um pouco, da temporada 2016-17 da NHL. Volto a tratar disso na época do All Star Game, quem sabe, trazendo minha visão e opinião sobre essa grande liga que desperta tanto amor e paixão, mesmo não valendo nada.

97 vs 87 e porque isso (ainda) não é sobre passado e futuro

Connor McDavid e Sidney Crosby vão se encontrar pela primeira vez nos gelos da NHL. O capitão mais jovem da história da liga e seu Edmonton Oilers, donos da melhor campanha da divisão pacífica visitam Sidney Crosby e o atual campeão Pittsburgh Penguins que também vem em boa fase. Apesar de Connor McDavid já ser apontado por muitos como a estrela que substituirá Crosby como “cara da NHL” pelas próximas duas décadas, o camisa 87 está longe de ser posto no “passado”.

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"Passado" e futuro no mesmo gelo propiciando um belo presente. (Créditos: NHL.com)

Para começar, estamos falando de um dos jogadores mais completos e espetaculares da história de uma liga quase centenária. Crosby em 10 anos de liga tem em sua estante: 2 Art Ross Trophy’s (maior pontuador da temporada regular), 3 Ted Lindsay Award’s (melhor jogador da temporada regular eleito pelos jogadores) e 2 Hart Memorial Trophy’s (melhor jogador da temporada), isso sem falar de suas duas Stanley Cups e os dois ouros olímpicos conquistados com a esquadra canadense em 2010 (Vancouver) e 2014 (Sochi). Se lembrarmos seus últimos 5 meses, “The Kid” venceu sua 2* Stanley Cup, levou o Conn Smythe Trophy (prêmio de melhor jogador dos playoffs), venceu a copa do mundo com o Team Canadá e foi eleito o melhor jogador da copa. E apesar de ter perdido os seis primeiros jogos do Penguins na temporada por conta de sintomas de concussão, o capitão do atual campeão começou o sertame com 8 gols e 10 pontos nas primeiras 6 partidas que ele disputou

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Captain Sid celebrando a 2* Stanley de sua carreira conquistada em julho. (Créditos: Yahoo.com)

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E Crosby é mais do que isso. É um modelo para a franquia e a cidade de Pittsburgh, amado pelas pessoas da cidade, pelos anunciantes e por boa parte dos fãs do esporte (até você, torcedor e torcedora do Flyers). Muitos dizem que se Crosby não tivesse desembarcado em Pittsburgh no draft de 2005, o Penguins talvez estivesse bem longe da cidade. O camisa #87 é completo ofensiva e defensivamente, paga o preço para marcar o “dirty goal” que seu time precisa nos últimos cinco minutos de um jogo complicado ou pegar o disco na zona defensiva e simplesmente driblar todos os jogadores do time adversário como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Crosby é o que todo jogador de elite deseja ser um dia, além do extra. Extra esse pontuado por Michel Therrien, atual treinador do Montreal Canadiens e que treinou Crosby entre 2005 e 2009, incluindo a Stanley Cup run de 2008: “Ele deseja ser melhor em cada aspecto do jogo. É disso que eu lembro. Ele passa muito tempo no gelo. Sua dedicação é impossível de ser medida. Ele nunca quis descansar por um dia”

E então temos Connor McDavid. The next one. Aquele que será melhor que Crosby (pelo menos isso que afirma a Sportsnet em sua revista especial sobre o draft de 2015). Ou aquele que será melhor do que o camisa #87 já no final dessa temporada como afirmou Sean McIndoe da Sportsnet: “Ele talvez passe Crosby como o melhor jogador da liga no fim da temporada”. McDavid trás consigo a esperança de ser a peça final para o Edmonton Oilers sair da miséria que vive desde a Stanley Cup run de 2006. Desde o jogo 7 daquela final (derrota por 3-1 para o Carolina Hurricanes) os filhos de Gretzky nunca mais jogaram uma partida de playoffs, isso faz com que mesmo tão jovem o camisa #97 já carregue em seus ombros a expectativa de ser aquele que lidere o Oilers de volta a terra prometida, assim como fez um certo #99 durante os anos 80. É claro que os companheiros de McDavid não se chamam Messier, Anderson, Kurri, Coffey ou Fuhr porém o time que o Oilers tem hoje dá confiança aos torcedores da franquia que os bons tempos estão próximos de voltar. McDavid será um belíssimo jogador se nada de errado acontecer, dono de um conjunto de habilidades absurdamente bom e veloz como o filho do vento (Scotty Bowman, também conhecido como melhor treinador da história da liga, comparou a velocidade de McDavid ao lendário defensor Bobby Orr) é natural que os especialistas o coloquem em um patamar tão alto de comparações e talvez um dia, McDavid possa ser melhor do que Crosby…

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97 ou 99 2.0? (Créditos: ESPN.com)

… Mas quando 97 e 87 tocarem seus patins na casa do atual campeão Penguins na noite dessa terça (jogo que será transmitido pela ESPN), ainda não teremos duvidas de que o cara da camisa 87 é o “dono da rua” enquanto o dono da 97 é aquele vizinho novo que tem muito potencial pra assumir o comando do pedaço mas ainda precisa aprender a não chutar a bola na janela do tiozinho chato ou como se defender melhor dos valentões (nesse caso, McDavid precisa aprender a como se desmarcar de pestes feito Nazem Kadri que lhe anulou – muitas vezes de formas nada agradáveis – por boa parte do jogo Maple Leafs 3-2 Oilers, também conhecido como McDavid x Matthews I)

“É excitante para mim. Ele é alguém que cresci idolatrando e para mim isso será muito especial.” – Connor McDavid

No documentário “Ultimate Gretzky” de 2003 (pode ser achado no youtube), o maior da história fala sobre sua relação com Gordie Howe, seu ídolo de infância e detentor de boa parte dos recordes da NHL batidos por Gretzky durante sua carreira. Durante o documentário, Gretzky divide algo que Howe lhe disse: “Ninguém vai apagar o que fiz. Ninguém pode me tirar nada do que consegui”. É mais ou menos essa frase que, ao meu ver, resume esse e os próximos confrontos entre essas estrelas. Se McDavid será ou não melhor do que Crosby, só o tempo poderá dizer. Mas nada do que o camisa #97 fizer pelos próximos 20 anos, por mais espetacular que seja, será capaz de apagar o que o camisa #87 fez de fantástico nesses últimos 11 anos e fará pelos próximos dez.