Tag: Pittsburgh Penguins

Puck na cara #7 – Top 30 Goal Horns

Puck na cara #7 – Top 30 Goal Horns

Olá caros leitores do Puck Brasil, @lucas_flames aqui e sejam bem vindos a mais uma edição do Puck na Cara, dessa vez um pouco diferente. Vamos fazer um top 30 aqui, sobre uma das coisas que mais gosto na atmosfera das arenas de hóquei: as goal horns.

Eu tenho nutrido um gosto muito grande pelas horns, tendo até colocado a horn do Flames como alarme do telefone, e como estamos na offseason, sem muita coisa acontecendo na NHL, pensei: por que não?

As horns vão ser avaliadas pelo som da sirene, música e pelo som na arena. Todos os vídeos são do canal Famous Goal Horns, do Youtube. Sem mais delongas, vamos a lista!

 

#30 – New York Islanders

Torcedores do Isles, culpem o Barclays Center por isso. A horn do Isles é considerada a pior da liga dentro de uma arena, e faturou o troféu lanterninha do nosso rank. Uma pena, pois adoro Crowd Chant como goal song.

#29 – Carolina Hurricanes

Essa horn é considerada por muitos como pior até que a do Islanders. Parabéns, Hurricanes. #SQN

#28 – Winnipeg Jets

Pessoalmente acho essa horn muito estridente (além do normal, quero dizer) e  também, a musica não combina em nada com o time. VOLTA HELL YEAH.

#27 – Edmonton Oilers

Juro que não é meu clubismo atuando aqui. A música é bem legal, por sinal, mas a horn é tão gritante quanto a do Jets.

#26 – Colorado Avalanche

Por favor, voltem com aquela horn que parecia alarme de avalanche. Era tão legal… (Para quem não se lembra, foi usada de 2000 a 2003).

#25 – Buffalo Sabres

Essa horn é bem “meh”. Podia ser bem melhor.

#24 – New Jersey Devils

Goal Song até legalzinha, mas não o suficiente para chegar mais no topo da lista. Poderia ser pior se não tivesse o “YOU SUCK” da torcida.

#23 – Washington Capitals

Essa sirene de polícia no meio da horn… eu não consigo gostar de forma alguma. Se não fosse isso, estava no top 15.

#22 – Philadelphia Flyers

Horn semelhante e goal song igual a de Tampa Bay, a diferença que a do Bolts é melhor.

#21 – Ottawa Senators

Essa versão eletrônica de Song 2 não me desse pela garganta. Fica melhor quando usam a versão original no throwback thursday.

#20 – Vancouver Canucks

Só está aqui por causa de Holiday. Com as outras songs é horrível.

#19 -Detroit Red Wings

A horn é boa, mas a música não empolga tanto a torcida na minha opinião.

#18 – Montreal Canadiens

Acho legal ter a música em francês, devido a localização do time, lembrando que em Quebéc se fala francês. Allez Montreal!

#17 – Boston Bruins

Até certo ponto, icônico, mas superestimada. Não deixa de ser legal.

#16 – Los Angeles Kings

Kings marca, soa a horn e começa com I Love LA. Parece ser ruim, mas de repente a musica se adequa a atmosfera da torcida. 16º lugar está bom para a horn do Kings, fechando a primeira metade da lista.

#15 – Dallas Stars

Abrindo o Top 15. A horn é boa, a torcida gritando o nome do time é legal também. 15º lugar para eles.

#14 – Florida Panthers

Gosto bastante dessa horn. Mas não consigo não pensar na imitação de onça do Serjão Berranteiro quanto se ouve o rugido durante a goal song.

#13 – San Jose Sharks

Um clássico das músicas de torcida. Boa escolha para o Sharks. 14º lugar para eles.

#12 – Arizona Coyotes

Esse uivo após a horn é bem simpático, e a música combina com o time. Howling for You é uma boa.

#11 – Minnesota Wild

Boa horn no geral. Merece o 11º lugar.

#10 – Columbus Blue Jackets

UM PUTA CANHÃO NO MEIO DA HORN. Como não gostar? Abre o top 10!

#9 – Toronto Maple Leafs

OOOOOH OOOOOOH OOOOOH GO LEAFS GO!

#8 – Nashville Predators

Começa com música country, o que combina com Nashville, mas a participação da torcida na segunda parte é a essência do time.

#7 -St Louis Blues

When the Blues Go Marching In, histórico e combina com o time.

#6 — Tampa Bay Lightning

Bobinas de Tesla durante a horn, genial. Como disse antes, uma versão melhorada da horn do Flyers.

#5 – Calgary Flames

YEEEEEEEEAH, I’M ON FIRE! A horn combina demais com o time, a música também. Essa combinação vale demais o top 5.

#4 -Chicago Blackhawks

CHELSEA DAGGER! Essa música é excelente e a horn muito boa. 4º lugar pra eles

#3 -Pittsburgh Penguins

LET’S GET A PARTY STARTED! Combina bastante com a festa que os torcedores do Penguins fazem a 2 temporadas. PARTY HARD!

#2 -New York Rangers

Esse riff de guitarra com a participação da torcida chega a dar arrepios de tão boa.

#1 -Anaheim Ducks

Unica coisa boa do time. Brincadeiras a parte, acho a música a melhor atualmente. Bem cativante. A horn também é excelente. Primeiro lugar da lista para o Ducks.

Chegamos ao fim do Top 30. Vocês fariam alguma mudança? Qual é o top 10 de vocês, caros leitores? Comentem, opinem, e, mais importante, cornetem! Grande abraço e até o próximo Puck na Cara!

20 Minutos – Edição 14

1. E no oitavo dia, Deus disse: Voltarás a escrever.
2. Lá se foi um mês e poucos dias desde a conquista da Stanley Cup pelo Pittsburgh Penguins. A 5* copa conquistada pela franquia, 3* com o comando da dupla Crosby e Malkin, coloca o time como uma das melhores franquias da liga nessa década. E nos proporcionou fotos magnificas como essa:

(Créditos: NHL.com)

3. O Penguins de 16-17 conseguiu o 1* bicampeonato em 19 anos na NHL. Antes de Crosby e companhia conquistarem o doblete, o último time que tinha alcançado o feito foi o Detroit Red Wings de Steve Yzerman, Sergei Fedorov e companhia nas temporadas 96-97 e 97-98. As equipes tem suas semelhanças e diferenças (é claro, sempre se levando em conta que a NHL de 1997 é um bicho e a NHL de 2017 é outro bicho completamente diferente e evoluído). Crosby/Malkin foram Yzerman/Fedorov (ironicamente, um canadense e um russo), Phil Kessel assumiu o papel de Brendan Shanahan e Kris Letang encorporando Nicklas Lidstrom. Nos “coadjuvantes”, enquanto o Red Wings contou com Slava Kozlov, Martin LaPointe, Darren McCarthy, Kris Draper e Larry Murphy, o Penguins teve em sua esquadra Patric Hornqvist, Chris Kunitz, Connor Sheary, Bryan Rust e Justin Schultz. Entre as goleiras, Pittsburgh achou o homem de seu futuro em Matt Murray (mandando o homem do passado descansar em Vegas), Detroit sobreviveu entre o modo besta e bestial de Mike Vernon (temporada 96-97) e Chris Osgood (temporada 97-98).

3b. Eu não sei se existe uma estatística pra isso mas Chris Osgood deve ser o goleiro que mais tomou gols do meio do rink em um ano de playoff. Um deles foi esse de Jamie Langenbrunner:

4. Depth scoring foi tudo para ambas as equipes na conquista do doblete. O Wings de 96-97 teve sete jogadores que marcaram 40+ pontos (Shanahan, Yzerman, Fedorov, Lidstrom, Igor Larionov, McCarthy e Kozlov) e quatro jogadores com 20+ gols (Shanahan, Fedorov, Kozlov e Yzerman). No ano seguinte, sete jogadores marcaram 40+ pontos (Yzerman, Lidstrom, Shanahan, Kozlov, Murphy, Larionov e Doug Brown) e três marcaram 20+ gols (Shanahan, Kozlov e Yzerman). Se você sentiu falta de Sergei Fedorov nas listas de 1998, devo dizer que o russo ficou fora de 80% da temporada depois de ficar fora por motivos contratuais. No caso do Penguins, 15-16 tiveram seis jogadores com 40+ pontos (Crosby, Letang, Kessel, Malkin, Hornqvist e Kunitz) e quatro com 20+ gols (Crosby, Malkin, Kessel e Hornqvist). Na última temporada, seis passaram de 40+ pontos (Crosby, Malkin, Kessel, Sheary, Schultz e Hornqvist) e cinco balançaram as redes por 20 ou mais vezes (Crosby, Malkin, Kessel, Sheary e Hornqvist).

5. São monstros diferentes mas Phil Kessel foi para Pittsburgh o mesmo que Brendan Shanahan foi para o Red Wings. Um All-Star scorer que pudesse carregar o piano ofensivo junto com o dragão de duas cabeças que estavam de centers. Adquirir snipers (ou marcadores consistentes) via free agency ou trade é uma fórmula que vem dando certo para muitos dos campeões nos últimos 20 anos, eis alguns exemplos: Stars de 1999 (Brett Hull), Devils de 2000 e 2003 (Claude Lemieux e Jeff Friesen respectivamente), o mesmo Red Wings em 2002 (Brett e Luc Robitaille), Hurricanes de 2006 (Mark Recchi, Ray Whitney e Cory Stillman), Penguins de 2009 (Bill Guerin), Blackhawks em 2010 (Marian Hossa), Bruins de 2011 (Nathan Horton), Kings de 2012 e 2014 (Jeff Carter e Marian Gaborik respectivamente). Fiquem de olho nos colocadores de puck na rede.

Adquirido via free agency, Brett Hull foi uma das estrelas de um dos melhores times da história. (Créditos na imagem)

6. Brendan Shanahan ficou 10 anos em Detroit e teve suas melhores temporadas em Hockeytown. Não dá pra dizer que o mesmo acontecerá com Kessel. O nome do gordinho foi atirado na fogueira das trocas mais uma vez na semana passada. Phil é um jogador miseravelmente durável (não perde uma partida desde 2009-2010, jogou as últimas 7 temporadas completas) que vem de 9 temporadas seguidas marcando 20+ gols e 50+ pontos. Também provou ser crucial nos playoffs com 18 gols e 45 pontos nas 49 partidas do bicampeonato do Penguins. Diferente de seus tempos em Toronto, Kessel agora tem um papel de suporte as estrelas da equipe. O problema de trocar Kessel é o seu alto salário além de ter poucos clubes disponíveis a receber o camisa #81, fiquemos de olho.
7. We all love Russian players. A revista russa Sport-Express escolheu os 50 melhores jogadores russos que já atuaram na NHL, tendo como critérios o nível de jogo da liga enquanto eles jogaram, consistência, longevidade e títulos. A eleição não levou em conta a carreira dos jogadores na Rússia ou pela seleção, com isso nomes estrelados como Valeri Kharlamov e Vladislav Tretiak ficaram de fora. O top 10, liderado pelo tricampeão Evgeni Malkin teve também Sergei Fedorov, Alexander Ovechkin, Pavel Bure, Pavel Datsyuk, Sergei Zubov, Nikolai Khabibulin, Alexander Mogilny, Sergei Gonchar e Serei Bobrovsky. O nosso russo preferido, o glorioso Ilya Bryzgalov, ficou apenas em 32*. What a shame.

8. Wayne Gretzky foi, é e para sempre será o melhor jogador da história do esporte. Se fossemos fazer um ranking juntando jogadores da NHL, competições internacionais e outras ligas, quais as chances reais de Vladislav Tretiak ficar em 2* nessa lista?

(Créditos: http://www.britannica.com)

9. Tretiak foi draftado em 1983 pelo Montreal Canadiens, um ano antes de Patrick Roy estrear na NHL. Dá pra imaginar uma dupla de goleiros como Tretiak e Roy? Infelizmente, o russo não foi autorizado pelo regime soviético a jogar pela NHL e se aposentou em 1984 com apenas 32 anos. O goleiro foi o primeiro jogador soviético/russo a entrar no Hall da Fama (como jogador) sem nunca ter jogado uma partida na NHL, além de ter sido escolhido como o melhor jogador russo do século 20.
10. One more from Putinland, com a NHL provavelmente ficando em casa para as olimpíadas de inverno em 2018, essa é com certeza a melhor chance de ouro para a seleção russa nos últimos 25 anos. Ficar fora do pódio em Sochi foi um golpe duro mas caso a NHL veja Pyongcheng de casa, nada que não seja o ouro será embaraçoso.

11. Jaromir Jagr e Jaromir Iginla continuam sem emprego, what a shame x2.

12. Nenhum time na liga passou por uma limpeza maior que o sempre problemático e enigmático Arizona Coyotes. Andrew Barroway assumiu o papel de dono único da franquia, John Chayka foi promovido à presidente de operações de hóquei (Chayka também é o GM da equipe) e apresentou Steve Patterson como novo presidente e CEO. Patterson tem um currículo deveras invejável. Como GM construiu o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon campeão da NBA em 1993-1994, ele esteve no grupo liderado por Bob McNair que comprou o Houston Texans e levou o SuperBowl 38 para a cidade, além de ter sido presidente do Portland Trail Blazers (NBA). Com as adições de Patterson e de Rick Tocchet como novo treinador, o objetivo n* 1 de Barroway agora passa a ser a construção de uma nova arena para a franquia.

13. Steve Patterson é uma ótima adição, Andrew Barroway assumindo o comando da franquia traz uma estabilidade que não é conhecida pelo Coyotes faz tempo e John Chayka está em controle completo do hóquei. Mas na humilde opinião desse pobre rapaz, a principal esperança da franquia tem nome e sobrenome: Rick Tocchet. He knows what a hell he’s doing. Tocchet ganhou duas copas como jogador e está vindo de um bicampeonato como assistente técnico de Mike Sullivan em Pittsburgh. Tocchet, que será o 6* treinador do Coyotes desde que a franquia se mudou para o Arizona, se destaca por sua forte presença no vestiário, algo que foi destacado por John Chayka: “Ele tem uma grande liderança. Ele entra no vestiário e comanda o vestiário, ele exige o mais alto nível de excelência”. Tocchet, que apresentou um multimídia de 5 horas explicando qual seu estilo de jogo e como ele quer que o Coyotes jogue, venceu outros 24 candidatos pelo emprego.

Uma nova era com uma camisa velha e linda. Nada pode ser melhor. (Créditos: NHL.com)

14. 25 candidatos por uma equipe que teve a 3* pior campanha da liga. Nunca se sabe quando a oportunidade de ouro aparece.
15. Em seu tempo como assistente técnico (Avalanche, Coyotes e Penguins) e técnico (Lightning), Tocchet já trabalhou com grandes jogadores. Sakic e Forsberg, Lecavalier e St. Louis, Crosby e Malkin para citar alguns. Esse Coyotes pode representar algo especial na carreira de Tocchet. John Chayka fez sua parte ao limpar a casa inteira (demitiu o treinador Dave Tippett, “dispensou” o antigo capitão Shane Doan e trocou o veterano Mike Smith), passou o comando do ônibus para Oliver Ekman-Larsson; trouxe Derek Stepan, Antti Raanta e Nicklas Hjalmarsson para melhorar posições cruciais da equipe além de ter diamantes prontos para serem lapidados em Max Domi, Dylan Strome, Christian Dvorak e Clayton Keller. Tocchet tem todas as peças do mundo para construir um futuro brilhante.

16. Connor McDavid pediu 13.25M, levou 12.5M e todo mundo ficou feliz. McJesus é um homem rico, o Oilers salvou 750 mil dólares (que devem ir para Leon Drasailt) e Peter Chiarelli manteve a banda junto por mais uma temporada.

17. Hoje é 20/07, estamos todos com saudades da NHL e eu não tenho medo de lançar bold predictions. Assumindo o risco de errar miseravelmente, não se surpreendam caso John Tavares deixe o Islanders após outra temporada de desgraça, sofrimento e arena vazia.

18. Essa é mais uma pergunta do que uma opinião. Se o amigo e amiga pudesse criar uma estatística avançada para definir o quão importante é determinado jogador para sua equipe, qual você criaria e porque?

19. Com o frio que faz na maioria do Brasil, Gary Bettman está perdendo uma chance de ouro para trazer Penguins x Capitals para o Brasil. JUST DO IT, GARY!

20. Quando Chester Bennington e o Linkin Park cruzaram o meu caminho, eu era um jovem de 15 anos que estava começando a usar meus fones de ouvidos (sempre altos) no meu ipod (único apple que tive na vida) e sem um estilo musical preferido. Hoje com 22, posso dizer que sou amante de um bom rock cristão (e rock em geral) graças ao LP e a outras bandas. Quando soube da morte de Chester e principalmente do que a causou, fiquei muito triste. Hoje (20/07) é comemorado o dia do amigo no mundo e as vezes, um amigo nosso pode estar vivendo um caso de depressão e nós nem desconfiamos. A depressão é uma dos problemas psicológicos mais devastadores do século e causador de uma boa parte dos suicídios cometidos no mundo. E o caso da depressão entre homens é ainda mais grave porque existe o velho (e burro) estigma que homens não devem expressar seus sentimentos. Você não está sozinho nem sozinha. Procure ajuda. Descanse em paz, Chester.

Impressões Sobre a Stanley Cup 2017

Impressões Sobre a Stanley Cup 2017

Pela centésima vigésima segunda (122ª) ocasião, a Stanley Cup foi disputada e entregue, em seus 124 anos de existências apenas por duas vezes o cálice sagrado do hóquei sobre o gelo não foi entregue (1919 e 2005). Nesse momento, todos sabemos quem venceu, mas vamos ter como ponto de partida o momento em que Penguins e Predators foram ao gelo pela primeira vez da série para iniciarmos nossa discussão sobre a série final da temporada 2016-17.

A série não foi tão disputada quanto esperado e ansiado, todos os jogos foram decididos por mais de 1 gol. Não tivemos grandes jogos, o melhor em minha opinião foi o sexto e último, o que é muito recorrente para a Stanley Cup, mas tivemos grandes passeios, o que não é normal. A temporada regular da NHL é muito desgastante, os 82 jogos fazem os times minarem suas forças e a corrida nos playoffs pode ser mais desgastante ainda, por isso muitas vezes não vemos grandes jogos nas finais, mas não é normal vermos domínios amplos de ambos os times nos jogos em que cada um deles venceu respectivamente.

Nos cinco primeiros jogos o time da casa venceu o jogo, a menor diferença nesses jogos foi de 2 gols, placar final de 5-3 em favor do time de Pittsburgh no jogo 1 da série. Foi estranho ver que simplesmente o dono da casa passar por cima do adversário, especialmente no jogo 5 em que o Penguins marcou 3 gols no primeiro período, 3 no segundo e garantiu a vitória com muita facilidade.

Se nas fases anteriores Pekka Rinne foi um herói, nas finais acabou sofrendo muito, falar que ele poderia fazer mais é, além de uma análise simplória, seria injusta com o poder de fogo do adversário. A verdade é que não só Rinne, mas como todo o Nashville Predators enfrentou algo que não havia enfrentado antes, uma equipe capaz de criar e achar espaços absurdamente mínimos, em que apenas não errar é menos do que o mínimo, e que para tornar tudo pior, é um time que tem provavelmente o melhor poder de fogo da NHL. E em alguns momentos Rinne foi feito injustamente de bode expiatório porque o Predators como um todo não conseguiu impedir o adversário de criar, de contra atacar com precisão, de achar o espaço mínimo, ou seja, fazer o que nenhuma outra equipe faz na NHL.

Por outro lado, Matt Murray conseguiu ser novamente uma ancora de segurança, não só voltou a substituir muito bem Marc-Andre Fleury, que era seu substituto, como foi uma peça decisiva com dois shutouts em sequência, nos jogos 5 e 6. Murray foi novamente muito ajudado pelo sistema defensivo que se portou muito bem a sua frente, no jogo 6 da série isso ficou muito claro e exposto, mais uma vez Mike Sullivan soube comandar a equipe como um todo de modo brilhante. Sempre comento isso, mas vale a repetição aqui: por mais que o goleiro seja incrível, se a defesa na sua frente falha, ou não consegue dar proteção suficiente contra o adversário, o goleiro terá muitos problemas e isso ficou claro nessas finais.

Antes de chegar ao jogo 6, eu gostaria de abrir um parêntese rápido para o caso Crosby vs Subban, que na quinta partida teve seu ápice. Eles não se gostam, se provocaram o tempo todo, deram hits fortes um no outro, mas no jogo 5 a rivalidade/briga/implicância chegou ao ápice quando em um lance os dois caíram no gelo. Crosby ficou, como se fala na gíria do jiu-jitsu, montado em Subban e em algum momento empurrou a cabeça do adversário contra o gelo. Enquanto isso, Subban tentou dar uma chave de perna no Crosby. Resultado: os dois pegaram 2 minutos por holding (a famosa segurada), o que acho que saiu barato para quem empurrou a cabeça do adversário contra o gelo, mas na NHL parece ter uma regra que protege as estrelas a todo custo, não só o Crosby como muita gente fala. Nada acontece feijoada, segue a série.

Então chegamos ao jogo 6, onde o Pittsburgh Penguins poderia vencer a Stanley Cup pela quinta vez, e pela quinta vez fora de casa. Esse jogo teve um momento que pode ter pesado muito no desfecho da partida, me refiro ao gol que não aconteceu, mas em teoria teria acontecido caso o árbitro não tivesse apitado. Aí você pode estar pensando “mas o jogo terminou 2-0 para o Penguins, deveria ao menos ter sido 1-1 no tempo regulamentar e tido prorrogação”. Poderia, deveria, seria… Tudo apenas teoria, não sabemos o que teria acontecido caso o árbitro não tivesse apitado e o gol tivesse acontecido, pode ser que o Nashville tivesse vencido o jogo, pode ser que não. Não temos como saber com certeza o que iria acontecer, nossa mente não tem essa capacidade, não temos máquinas para suprir isso, então qualquer conjectura é mera especulação e perda de tempo. Temos que nos concentrar ao que aconteceu e não as probabilidades que teríamos a partir de algo que não ocorreu.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
O gol que não existiu (Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports)

O que aconteceu foi que o Predators não conseguiu marcar o gol, mesmo tendo volume de jogo muito maior. O que aconteceu foi a visão e inteligência de Patrick Hornqvist ao ver o puck bater na borda e o goleiro adversário fora de posição, utilizando-se dessas vantagens para marcar o primeiro gol do jogo. O que aconteceu foi Carl Hagelin ganhar o disco na velocidade e com paciência empurrar o puck até o gol para sacramentar o destino. O que aconteceu foi uma vitória de 2-0 por parte do Pittsburgh Penguins no jogo, chegando a quarta vitória na série.

penguins_celebrando_patrickSmith_gettyimages
Os jogadores do Pittsburgh Penguins celebram ao término do jogo (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

Chegar as finais da Stanley Cup foi o ponto máximo para o Nashville Predators, que não conseguiu se superar. O time encontrou um adversário melhor, mais preparado, talvez até mais bem organizado e treinado, e esbarrou em problemas mais internos. É verdade que em alguns momentos o Predators se deu por vencido quando poderia ter lutado mais, afinal de contas é a Stanley Cup, você não deve desistir, mas falar isso quando está de fora é fácil. Foi uma ótima campanha, que para o time e os torcedores, infelizmente não conseguiu alcançar o desejado, o último passo foi impossível.

Com todos os méritos do mundo o time de Pittsburgh alcançou a Stanley Cup pela quinta vez, igualando-se ao Edmonton Oilers no número de conquistas. Penguins deixou seus rivais de Nova Iorque para trás e agora está empatado como o 5º maior vencedor da copa de Lord Stanley entre as franquias ativas, 6º maior de todos os tempos. Pela primeira vez na era do salary cap uma franquia consegue um bicampeonato consecutivo, além de ser a primeira vez desde o Detroit Red Wings 1996-97/1997-98 que qualquer equipe conseguiu esse feito. Essa temporada coroou o Pittsburgh Penguins como, discutivelmente, a maior franquia dessa era atual da NHL, são 3 Stanley Cups e 4 finais, além de outros bons desempenhos nesse período.

Sidney Crosby foi novamente agraciado com o Conn Smythe Trophy, para o jogador mais valioso dos playoffs. Ele foi o terceiro em toda a história do troféu, desde 1965, a conseguir tal feito, antes dele apenas Bernie Parent (Flyers 1974/1975) e Mario Lemieux (Penguins 1991/1992) foram agraciados com o troféu em anos seguidos. Não acho que foi uma decisão acertada, mesmo Crosby tendo sido fundamental, talvez dar o Conn Smyth para Evgeni Malkin fosse o mais correto, com tudo acho que o mais justo seria uma divisão entre os dois goleiros, Marc-Andre Fleury e Matt Murray acabaram sendo decisivos em muitos momentos e como os dois dividiram a posição, seria justa a vitória conjunta. Mas novamente Sidney Crosby foi escolhido, então nada podemos fazer além de expor uma opinião que em nada irá impactar, no final das contas.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
Sidney Crosby recebe o troféu Conn Smyth, para o jogador mais valioso dos playoffs (Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports)

E assim se encerrou a temporada 2016-17 da NHL, com a Stanley Cup voltando para as mãos do Pittsburgh Penguins. Parabéns ao time e aos torcedores! Será que a 3ª copa consecutiva, a sexta 6ª em toda história, vem pela frente? Não sabemos, mas sabemos que em outubro a NHL retorna.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
Aquela foto tradicional com os jogadores ao redor do troféu (Foto: Christopher Hanewinckel-USA TODAY Sports)
Puck na cara #5 – Stanley Cup Playoffs #2 e A Grande Final

Puck na cara #5 – Stanley Cup Playoffs #2 e A Grande Final

Olá caros leitores do Puck Brasil! No dia em que se inicia a final, depois de ter falhado miseravelmente nos palpites da primeira rodada e sofrer com a famosa falta de tempo, eu, Lucas Mendes, estou aqui de volta pra falar sobre os amados playoffs da NHL, mas antes de tudo, quero mandar um TANKA MAIS pro meu caro amigo Canuck, Andrei Henrique.

Embora esses playoffs estejam levemente manchados por erros crassos de arbitragem, que definiram o andamento de algumas séries, tivemos duas ENORMES surpresas, uma pipocada que todo mundo espera (alô Capitals), além da volta dos canadenses, que ficaram fora na última temporada, chegamos ao clímax, a grande final, onde um time chorará, e outro alcançará a glória máxima do hóquei, inclusive, podendo ser um campeão inédito.

Destrinchando um pouco, vamos falar primeiro da conferência Oeste, onde tivemos a maior surpresa talvez da história da NHL. Quem, em sã consciência apostaria que o último time a se classificar aos playoffs anularia totalmente e varreria o melhor time classificado em sua conferência? Sério, aplausos de pé para o Nashville Predators. Enquanto isso, o Chicago Blackhawks ficou só na espera de #OneGoal em casa. No outro lado dessa chave, tivemos outra varrida, mas nesse caso, teve muita polêmica. O Ducks varreu o Flames sim, mas erros de arbitragem nos três primeiros jogos colocaram em dúvida o resultado da série. Ainda nesse lado, tivemos o Oilers vencendo uma série de playoffs depois de 800 anos em rebuild e tank. Na segunda rodada ainda tivemos Ducks vencendo jogo 7 em casa (!!!) e o Predators vencendo o Blues. Na final de conferência, vimos o Predators chegando na grande final pela primeira vez na história. Smashville tem plenas condições de festejar como nunca visto antes. Só precisam de mais 4 vitórias.

PKSubWF
PK e Nashville estão como predadores em busca da taça. (Foto: Frederic Breedon/Getty Images)

Do lado leste, quem apostava no Ottawa Senators? Passando pelo Bruins e pelo Rangers, que eliminou Carey Price e cia na primeira rodada (PK Subban está assim: minha ex tá bem, só não está melhor que eu), mas parou no 2º overtime do jogo 7 na final de conferência contra o Penguins, que passou da sensação Blue Jackets e mais uma exaustiva vez, contra o time da pipoca anual, o Washington Capitals (Ovie nunca vai ganhar uma Stanley Cup mesmo, infelizmente) que tinha vencido o Toronto Maple Leafs, com sufoco. O Penguins volta a final e vai defender seu título, querendo levantar a Stanley pela 5ª vez.

SidEF
O olhar de quem quer levantar mais uma taça. (Foto: NHL)

O Penguins vem com certo favoritismo nessa final, pelo fato de ser um time mais acostumado com finais e mais experiente nos playoffs. Do outro lado, o Predators vem com o apoio imenso da torcida, que parece uma torcida sul-americana em jogo de libertadores, além de ter um baita goleiro em Rinne, uma defesa extremamente sólida liderada pelo negro maravilhoso PK Subban, sem falar no bom ataque.

A defesa deve ser o fator desequilíbrio, o que pode decidir o campeão nessa final. O Penguins sofreu bastante com erros defensivos nesses playoffs e precisa que seus 3 pares joguem de maneira sólida, evitando erros e impedindo o bom ataque de Smashville.

YellowSC
Quem comemora? Quem chora? A final começa HOJE (29/05)! (Foto: NHL)

Mas, cá entre nós, temos uma certeza. A Stanley Cup desse ano, com certeza será amarela.

Impressões Sobre as Finais de Conferência 2017

Impressões Sobre as Finais de Conferência 2017

A macha até a Stanley Cup chega a sua etapa final, mas antes disso aconteceram as finais de conferências. Quatro times tinham chances de erguer lorde Stanley, mas apenas dois mantem o sonho de fazer isso ainda em 2017. Antes de chegarmos a etapa final, vamos falar sobre as finais de conferência e como o time A venceu, como o time B não venceu, como o time C jogou muito bem, mas não foi sua vez, como o time D tem um bufê… Acho que não vamos tão longe assim.

Penguins a fim de voltar a Stanley Cup e ser bicampeões ou penta, considerado toda a história da franquia, Ducks e Senators querendo voltar a disputar o título máximo da NHL após 10 anos desde que fizeram isso pela última vez (a primeira para o time de Ottawa), além do Predators querendo colocar o pé na fase final pela primeira vez em sua relativamente curta história (o que são 20 anos para uma franquia?). Quem chegou a Stanley Cup? Como esses dois times venceram suas respectivas conferências? Por que não foram os adversários a vencer? As respostas estão a seguir, não necessariamente ou completamente corretas:

Pittsburgh Penguins 4-3 Ottawa Senators Quem diria que o Ottawa Senators chegaria tão longe? Sem clubismo, creio que ninguém, de verdade imaginava isso. Já o Pittsburgh Penguins tinha uma ótima chance de chegar até essa etapa, o fez e avançou a Stanley Cup novamente, como parece ser a tradição da franquia (o time fez isso em 1991-1992, 2008-2009 e 2016-2017). O gol de Chris Kunitz na segunda prorrogação fez o time de Pittsburgh voltar as finais, mas como chegamos até aí?

Uma série de altos e baixos, de ambos os times, por vezes um dominava dois períodos e o adversário “aparecia” para o jogo apenas no período final. Tanto Penguins quanto Senators variaram muito, isso proporcionou uma goleada para cada time. Nos demais jogos, houve equilíbrio, ao menos no placar, em muitos momentos vimos o time de Pittsburgh dominar, mas parar em Anderson. Aliás, Craig Anderson foi o grande jogador do time na série, graças a ele, além de outros fatores, tudo foi definido apenas na segunda prorrogação do jogo 7. Do lado do Penguins, tivemos bons momentos de Sidney Crosby, Marc-Andre Fleury, Matt Murray, que voltou a titularidade durante a série, mas principalmente Evgeni Malkin. A vontade do Ottawa Senators pareceu não ser o suficiente dessa vez, além de em alguns momentos o time ter tomado algumas decisões erradas, do outro lado tinha um time superior em habilidade, técnica, tática e até na vontade, o conto de fadas do Ottawa Senators terminou com um choque de realidade não tão duro quanto poderia ter sido.

penguins
Novamente Sidney Crosby levanta o troféu Prince of Wales (Via: https://twitter.com/penguins/status/867959607414501380)

Anaheim Ducks 2-4 Nashville Predators A série teve seis jogos que, em alguns casos, pareciam ter jogos dentro de si mesmos. Dois times muito concentrados e focados em lutar, em disputar, em se doar e derrotar o adversários, não necessariamente os dois ao mesmo tempo, mas vontade não faltou as representações de Anaheim e Nashville. Além da vontade, fatores coletivos e individuais pesaram, obviamente, em muitos momentos o Ducks produziu em quantidade, mas novamente o Predators mostrou que a qualidade prevalece.

Não adianta disparar 50 vezes ao gol por jogo se 40 são disparos sem muito perigo, assim o time de Nashville vem jogando, se porta bem defensivamente a ponto de o adversário passar maior parte do tempo com o disco e, na maioria das vezes, não conseguir achar o espaço para disparar. O Anaheim Ducks em alguns momentos achou o espaço, mas em muitas boas oportunidades parou na muralha finlandesa chamada Pekka Rinne, que novamente brilhou muito. Em outras oportunidades, o Ducks bateu Rinne e fez gols, venceu jogos, foi um time muito bravo que caiu de pé contra um adversário taticamente superior e em momento melhor. O Nashville Predators, por outro lado, encontrou os caminhos, soube se segurar e contra atacar, soube pressionar, fez tudo o que havia feito nas séries anteriores. Roman Josi, P.K. Subban e Ryan Ellis fizeram o trabalho sujo lá atrás e apoiaram o ataque muito bem, os atacantes auxiliaram nos momentos de defesa e tiveram visão e criatividade para superar o adversário. E mesmo no momento que Ryan Johansen, um dos grandes talentos ofensivos do time, se machucou, o time arrumou maneiras de superar, incluindo a heroica performance de Colton Sissons com direito a hat-trick no jogo 6 (o herói improvável e a NHL tem um caso eterno de amor).

preds_Mark Humphrey-AP
Senhoras e senhores, o Nashville Predators campeão da conferência oeste 2016-17 (Foto: Mark Humphrey-AP)

Uma prévia do que pode vir por aí

Pittsburgh Penguins e Nashvile Predators vão decidir quem vence a Stanley Cup no ano de 2017 da era cristã, ou comum, se preferir. Ou teremos o time de Pittsburgh vencendo pela quinta vez, ou o time de Nashville pela primeira, Sem dúvidas espero uma grande Stanley Cup, muito disputada e que termine na quinta prorrogação do jogo 7 (para desespero dos torcedores dos dois times).

É tecnicamente impossível realmente prever o que vai acontecer aos mínimos detalhes, mas se pararmos para pensar no modo de jogo das duas equipes na pós-temporada, deveremos ter o Penguins procurando espaços no incrível sistema defensivo do Predators, assim como tendo que persistir muito para vencer Pekka Rinne, o time de Nashville contra golpeando e dominando o jogo em alguns momentos, procurando passes para vencer o esquema de Mike Sulivan e bater Matt Murray. Penguins tem mais qualidade no ataque, Predators na defesa, os dois tem goleiros incríveis, se tudo correr bem nos aspectos de saúde dos jogadores e momento, teremos uma grande partida de shogi (jogo de tabuleiro inventado no Japão, chamado as vezes de “xadrez japonês”, que por natureza é muito mais dinâmico do que o xadrez em si)  entre Mike Sulivan e Peter Laviolette, já que como as peças de shogi, os jogadores podem voltar ao jogo e fazer toda diferença a qualquer momento.

Quatro ou sete jogos, não sabemos o que vai acontecer, mas tudo indica que será uma guerra. Novamente digo isso, tudo pode acontecer no gelo, inclusive nada, com tudo as expectativas estão lançadas para que essa seja a melhor Stanley Cup de todos os tempos, com tudo, se não chegar a isso, pode ser que não fiquemos decepcionados. Os dois times tem material humano e aplicação tática para fazer algo muito especial acontecer, mas um deles apenas vai ser o campeão.

preds_pens_Getty Images
Penguins e Predators pronto para o duelo final da temporada, mas vamos com calma que só começa dia 29 (Via: Getty Images)

Que venha o dia 29 de junho! É hora da disputa final.

 

Impressões Sobre a Segunda Fase dos Playoffs da NHL

Impressões Sobre a Segunda Fase dos Playoffs da NHL

Mais uma fase está nos livros de História, oito times estavam vivos na disputa da Stanley Cup, agora apenas quatro são candidatos a erguer o santo Graal do hóquei sobre o gelo na temporada 2016-17. Como sempre, tivemos corações partidos, heróis improváveis aparecendo, o improvável e o que se tinha como impossível, aconteceu. Nada de novo em se tratando desse esporte, mas ainda sim fomos surpreendidos, ou, em alguns casos, vimos a história se repetir como se fosse Karma.

Vamos abordar, como feito anteriormente, série a série:

Ottawa Senators 4-2 New York Rangers Surpresa? Sim de certa forma, e fica mais surpreendente pelos contornos tomados na série. O New York Rangers liderou a maior parte do tempo e ainda sim perdeu a série, apenas no sexto jogo o Ottawa Senators saiu na frente. Aqui foi uma série decidida pela força mental e, por outro lado, perdida pelos mesmos erros cometidos repetidamente.

Se essa série teve um nome, esse nome foi Jean-Gabriel Pageau, Pageau fez 4 gols, incluindo o de empate e da vitória, no jogo 2 da série, fez o gol da vitória no jogo 5 e ainda selou o destino no jogo 6. Nada de Karlsson, Ryan, Turris ou Hoffman, que fizeram seu papel dentro do esperado, Pageau foi o herói improvável na série. Por outro lado, o time de Nova Iorque apresentou muitos problemas, muitas falhas, tanto sobre segurar placares nos momentos decisivos do jogo, quanto motivacionais, Mats Zuccarello após o jogo 6 comentou que os próprios jogadores haviam desanimado em um momento do jogo, quando o Rangers estava atrás do placar e precisava buscar uma virada para sobreviver. Por outro lado, na batalha dos técnicos, Guy Boucher soube motivar e organizar seus comandados nos momentos de dificuldade, Alain Vigneault não, por esse motivo, junto aos outros citados e talvez até outros mais, o Ottawa Senators acabou surpreendendo e derrubando o favorito.

sens_rangers_Frank Franklin II-The Associated Press
O aperto de mãos simbolizando o final do sonho de um e a continuidade do sonho de outro (Foto: Frank Franklin II/The Associated Press)

Washington Capitals 3-4 Pittsburgh Penguins Mais uma vez o Washington Capitals chega a segunda fase na pós-temporada, mais uma vez sua temporada termina nessa fase. Parece ser kármico, mas Alexander Ovechkin nunca passou dessa fase, não importa o quanto o time ao redor dele seja forte, mas o adversário parece sempre destinado a vencer.

Nessa série o Washington Capitals disparou mais ao gol, mas o Pittsburgh Penguins conseguiu criar mais perigo, o time de Pittsburgh foi o segundo que conseguiu criar mais chances de disparo sem bloqueio no 5 contra 5 (High Danger Score Chances ou HDSC) tomando como base a fase anterior, enquanto o Capitals foi apenas o décimo na primeira rodada dos playoffs (Fonte – em inglês ). Não basta ter o puck, não basta disparar a esmo, tem que criar chance de perigo real, tem que fazer o goleiro adversário trabalhar de verdade, tem que dar espaço real para suas armas fazerem a diferença. E foi isso o que o Penguins fez, isso que o Capitals falhou em fazer. Aquele que conseguiu usar melhor suas armas venceu, mais uma vez o Washington Capitals caiu em um jogo 7 para o Pittsburgh Penguins, mais uma vez essa foi a barreira intransponível para Alexander Ovechkin. Como diria o poeta: Karma is a bi…

penguins_Patrick Smith-Getty Images
Crosby e Fleury se cumprimentam, Penguins avança (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

St Louis Blues 2-4 Nashville Predators Mais uma vez o time de Nashville seguiu fazendo seu jogo de se ajustar muito bem ao adversário. Defende para contra atacar quando tem o puck, sabe pressionar na zona ofensiva, dessa vez encontrou mais dificuldades, mas ainda sim passou para as finais de conferência.

preds_blues
Johansen marcando sobre Allen (Crédito da foto)

O St Louis Blues fez o que poderia, mas o time de Nashville veio embalado pelo momento, tem a já citada capacidade de se adaptar ao jogo, seus atacantes e defensores sabem criar chances perigosas quando tem o disco. Os grandes destaques tem sido Pekka Rinne e Ryan Ellis, o goleiro tem atuado de maneira espetacular, o defensor é um leão na defesa e no ataque. Do lado de St Louis, mesmo tendo trocado o melhor defensor no meio da temporada, o time se comportou muito bem e não está muito longe de ser uma equipe melhor, basta o gerenciamento tomar as decisões certas (o que é difícil).

preds
Nashville pode comemorar, o Predators está nas finais de conferência pela primeira vez na sua história! (Crédito da Foto)

Anaheim Ducks 4-3 Edmonton Oilers O time do futuro contra o time desacreditado, foi uma grande série, teve a maior polêmica de toda a pós-temporada, até agora, e tudo terminou com os demônios do time de Anaheim sendo exorcizados. Se o Washington Capitals teve um destino que parece até ser o Karma dessa equipe atualmente, o Anaheim Ducks conseguiu superar o que parecia ser seu Karma e vencer um jogo 7.

A série começou maluca, Oilers venceu os 2 primeiros jogos em Anaheim, Ducks empatou a série com duas vitórias em Edmonton e tudo chegou ao jogo 5 e seu lance polêmico. O time de Edmonton vencia por 3 gols, o Ducks marcou o primeiro faltando 3 minutos e 17 segundo para o final do jogo, o segundo faltando 2 minutos e 41, então faltando 15 segundos, Rickard Rakell empatou, a confusão em frente ao gol com Nurse empurrando Kesler na direção de Talbot. O desafio foi feito, a marcação de gol foi mantida, alguns acharam que Kesler puxou o pad do goleiro, outros acham que não houve a interferência porque o jogador foi empurrado sobre Talbot, eu faço parte dessa segunda corrente, não creio que houve interferência na jogada, mas não é e nunca será uma unanimidade, de qualquer modo, Perry marcou o gol vencedor na segunda prorrogação. No sexto jogo o Oilers passou o carro, fez o ETERNO 7 a 1, mas no sétimo jogo o Anaheim Ducks mostrou vontade para virar a partida, raça para segurar, enquanto o time de Edmonton pareceu ter cedido a pressão e ao nervosismo, a inexperiência pareceu ter falado mais alto.

perry_Chris Carlson-AP
Corey Perry celebra o gol vencedor no jogo 5 da série (Foto: Chris Carlson/AP)

Balanço final

Quatro séries, 26 jogos, 148 gols, uma média de 5,7 gols por jogo, 5 jogos decididos na prorrogação. Foram quatro séries acirradas, decidida em detalhes na maioria das vezes, tudo o que se espera dos playoffs da NHL. O campeão atual voltou as finais de conferência, o Pittsburgh Penguins tenta manter a escrita de ir a Stanley Cup e voltar no ano seguinte, pela frente vai encontrar um valente Ottawa Senators querendo voltar a disputar a Stanley Cup após 10 anos. Do outro lado temos o Nashville Predators tentando alcançar as finais pela primeira vez em sua história, seu embate será contra o Anaheim Ducks, que busca alcançar as finais pela terceira vez e conquistar o troféu mais sagrado do esporte pela segunda vez. Apenas dois desses quatro irão sobreviver a avançar até o estágio final da temporada 2016-17, quem serão os dois? Descobriremos em alguns dias…

Impressões sobre a primeira fase de playoffs da NHL

Impressões sobre a primeira fase de playoffs da NHL

Depois de dois textos mais ou menos nesse formato e milhares (0 no total) pedidos de retorno, aqui estamos novamente. A primeira fase dos playoffs pela Stanley Cup está nos livros de História, mas vamos fazer uma análise do que se passou em cada série e porque certos times avançaram e outros não. Em algumas séries é um trabalho óbvio, em outras é mais minucioso, isso simplesmente porque muitas vezes as coisas ficam escancaradas para todos verem, mas às vezes não.

Mas antes de tudo, o que aconteceu? O caos, como sempre, não poderia ser diferente quando o primeiro gol dos playoffs sai num backhand topshelf de Tanner Glass sobre Carey Price, depois disso coisas estranhas aconteceram, outras até esperadas também aconteceram. Hora de tratar série a série:

Canadiens 2-4 Rangers Foi aqui que o caos começou, pode-se dizer que o New York Rangers segurou o pé na temporada regular para ir parar no lado da divisão do Atlântico na chave dos playoffs e deu certo.

No que foi anunciado como um duelo de goleiros, o que é óbvio quando se tem Henrik Lundqvist de um lado e Carey Price do outro, na verdade foi mais sobre os ataques. Nenhum dos dois times tem um conjunto de defensores incrível, mas no geral os defensores se comportaram bem e isso foi o bastante, os goleiros dispensam comentários. A grande questão é que o New York Rangers tem melhores jogadores no seu ataque e isso pesou muito, tirando o terceiro período e prorrogação do jogo 2 e o jogo 3, em ambos os casos o Rangers esqueceu de jogar e foi justamente onde perdeu 2 jogos. Nos 4 jogos restantes, o ataque do time de Nova Iorque falou mais alto, Alain  Vigneault achou combinações de linhas para atormentar os defensores de Montreal e Carey Price. Os goleiros fizeram o que puderam e no final das contas foi o poder para superar esses monstros que contou para o destino final da série, poder que o Canadiens não demonstrou, enquanto do outro lado os atacantes liderados por Mats Zuccarello, Mika Zibanejad e Rick Nash construíram o caminho.

canadiens-rangers-Frank Franklin II-AP
Rick Nash e Jimmy Vesey celebram (Foto: Frank Franklin II/AP)

Senators 4-2 Bruins Uma série decidida pelo equilíbrio dos times, o Boston Bruins tinha o melhor goleiro e o melhor jogador de linha, mas o Senators tinha mais equilíbrio em seu elenco. Para um time em reconstrução, o Boston Bruins foi realmente bem, mas o Ottawa Senators estava passos a frente e no final das contas isso pesou muito no destino da série.

A série foi disputada em 6 jogos com direito a prorrogação em 4 deles e todos os jogos foram definidos por 1 gol. Jogadores como Bobby Ryan, Derick Brassard e mesmo Clarke Macarthur, que marcou 2 gols vitoriosos no tempo extra, incluindo o gol que venceu a série, além deles também tivemos um impacto grande do quarterbarck Erik Karlsson, especialmente com lançamentos para os atacantes em velocidade. Se o Ottawa Senators teve isso, o Bruins teve muita vontade e intensidade, Brad Marchand, David Pastrnak, David Backes, os atacantes fizeram o que poderiam fazer, Tuukka Rask roubou gols, mas simplesmente o adversário era mais forte e conseguiu impor a força em momentos decisivos, o tipo de coisa que acontece muito nos esportes.

senators_Michael Dwyer-Associated Press
Jogadores do Ottawa Senators comemoram o gol vencedor da série marcado por Clarke Macarthur (Foto:Michael Dwyer/Associated Press)

Capitals 4-2 Maple Leafs O Capitals era amplo favorito na série e venceu. Poderia parar por aí, mas as coisas foram muito além disso, muito além de 6 jogos dos quais 5 foram decididos na prorrogação, uma das 3 séries recordistas de prorrogação na história da NHL (as outras duas foram Phoenix/Arizona Coyotes vs Chicago Blackhawks em 2012 e Montreal Canadiens vs Toronto Maple Leafs na Stanley Cup em 1951), e todos os jogos sendo definidos por 1 gol apenas. Essa série mostrou que o Toronto tem Futuro e que o Capitals não é uma máquina invencível.

Um fator importante para o destino da série foi Auston Matthews, o jovem principiante na liga demonstrou uma boa capacidade de liderar sua equipe, de motivar os demais jogadores e a garotada seguiu o líder, pressionou o Washington Capitals o quanto pode. Do outro lado tivemos um time completo sendo pressionado em muitos momentos por uma equipe mais inexperiente, talvez a pressão que o time sofre pesou em alguns desses momentos, mas o Capitals conseguiu achar o caminho em alguns momentos, especialmente no último jogo da série. Enquanto o Toronto entrou despreocupado na série, o Washington tem um fardo muito grande para aguentar e é algo que vem atrapalhando sempre, ano após ano, essa série nos mostrou que se o Capitals pretende se livrar do fardo de não ter Stanley Cup, vai precisar deixa-lo de lado e não deixar que esse fardo o assombre.

johansson_leafs_Toni L. Sandys-The Washington Post
Marcus Johansson foi o herói no jogo 6 (Foto: Toni L. Sandys/The Washington Post)

Penguins 4-1 Blue Jackets Uma série surpreendente e não por motivos bons, o Columbus Blue Jackets decepcionou totalmente, mas ainda sim, não foi a grande decepção da pós-temporada. Em alguns momentos o Pittsburgh Penguins pareceu relaxado na série e com totais méritos, mas é mais fácil relaxar quando o adversário não pressiona você.

Há de se fazer uma ressalva de que nessa série aconteceu a primeira vitória do Blue Jackets em período regular (60 minutos) num jogo de playoffs, mas de resto tivemos domínio amplo do time de Pittsburgh. Vale ressaltar também que Marc-Andre Fleury fez uma ótima série, o goleiro teve que entrar de última hora no lugar de Murray e fez muitas defesas chave quando foi chamado ao trabalho. Além disso, o ataque do Penguins fez e teve liberdade para fazer tudo o que sabe, o tipo de coisa que termina desastrosamente quando se enfrenta Crosby, Malkin, Kessel, Kunitz, Rust…

pens_jackets
Penguins e Blue Jackets apertaram as mãos mais cedo que o esperado (Via: http://www.foxsports.com/nhl/gallery/columbus-blue-jackets-eliminated-by-pittsburgh-penguins-5-reasons-playoffs-042117)

Blackhawks 0-4 Predators SWEEP! SWEEP! SWEEP! SWEEP!, esse era o grito nos minutos finais do jogo número 4, em Nashville. A NHL é conhecida por ter muitas surpresas nos seus playoffs, mas ninguém no mundo imaginava que o Chicago Blackhawks 2016-17 seria varrido, de fato, o time era apontado como um dos grandes favoritos a vencer a Stanley Cup.

toews_associated press
Jonathan Toews e todo o Chicago Blackhawks estão tendo muita dor de cabeça após essa série desastrosa para o time (Foto: Associated Press)

A série começou de um modo estranho, os dois jogos em Chicago tiveram shutout de Pekka Rinne, o Nashville Predators mostrou ao mundo em apenas 2 jogos que o poderoso e temido ataque do time de Chicago não poderia apenas ser parado, mas completamente anulado. Rinne foi um fator importantíssimo nessa série e seu desfecho chocante, mas não foi o único fator, os jogadores de linha tiveram uma postura ótima durante os 4 jogos, não deram espaço para o Blackhawks usar suas poderosas armas, defendeu muito bem quando não teve o puck, pressionando, fazendo o adversário errar, isso deu espaço para o ataque aparecer e brilhar. Pela primeira vez na história dos playoffs de qualquer uma das 4 grandes ligas um time com a pior classificação da conferência varreu o time de melhor colocação, o Nashville Predators já fez história nessa série, mas certamente quer mais.

johansen_associated press
Marcus Johansen celebra gol no jogo 4 (Foto: Associated Press)

Wild 1-4 Blues Essa era uma série com muita pegadinha, o time do Minnesota Wild era muito bom, mas desde o começo eu vi o St Louis Blues como favorito. Questão de momento e do tal matchup, se teve um time na temporada regular que foi não simplesmente uma pedra, mas um monte Everest, no sapato do Wild, esse time foi o Blues. Temporada regular é uma coisa e playoffs outra, mas nesse caso não foi.

A verdade é que o Blues fez o que fez em todos os confrontos na temporada regular: contragolpes rápidos e mortais quando era pressionado, mas além disso, achou um modo de trabalhar bem o puck e não precisar contar com Jake Allen o tempo todo. Allen foi um diferencial na série, saiu do primeiro jogo com 51 defesas, o Blues brincou de mais com o perigo naquele dia, mas deu certo. Então foram mais duas vitórias até que o Wild vencesse o jogo 4, tudo foi definido na prorrogação de um emocionante jogo 5. Bruce Boudreau foi novamente superado taticamente na primeira rodada dos playoffs após uma grande temporada regular, novamente o St Louis Blues foi a montanha que o Minnesota Wild não conseguiu escalar na temporada 2016-17.

blues_Stacy Bengs — The Associated Press
Jogadores do St Louis Blues celebram a classificação (Foto:Stacy Bengs/The Associated Press)

Ducks 4-0 Flames Eu sinceramente achava que o Flames iria vencer ao menos um jogo, mas o Anaheim Ducks era franco favorito e confirmou isso no gelo. O Calgary Flames até apertou o jogo em 3 jogos, mas no final o melhor venceu.

Ducks teve mais tranquilidade e vontade nos momentos decisivos, isso pesa muito no momento de vencer o jogo e uma série. Corey Perry passou a maior parte da temporada sumido e voltou a jogar muito bem, mas o grande nome foi Ryan Kesler, esse fez a mágica acontecer. O time de Calgary conseguiu mostrar vontade também, mas esbarrou em alguns problemas como um goleiro não muito confiável, a falta de mais poder defensivo e a falta de cabeça para vencer um jogo. Onde um falhou, o outro teve sucesso e assim as coisas funcionam.

ducks_Sean M Haffey-Getty Images
Não foi tão tranquilo quanto pareceu, mas o Anaheim Ducks varreu e avançou (Foto: Sean M. Haffey/Via: Getty Images)

Sharks 2-4 Oilers Essa era uma série difícil, a balança estava equilibrada, mas o time de Edmonton conseguiu usar melhor suas armas e isso acabou decidindo a série. Não só o poderoso ataque, como o grande goleiro do Oilers fez a balança pesar para seu lado.

Aqui era uma das séries onde era tudo possível, experiência contra inexperiência, time sólido em todo o gelo contra um time que tem falhas defensivas, mas em 6 jogos o Edmonton Oilers conseguiu vencer 4 jogos, contando com a liderança do incível Connor McDavid, mas com outros jogadores como Leon Draisaitl e até mesmo Zack Kassian achou espaço para brilhar. Lá atrás, Cam Talbot teve dificuldades, mas segurou os pucks quando a pressão do Sharks aumentou. Mesmo com um jogo 4 péssimo, o time de Edmonton não se abalou, o jovem time conseguiu dar grandespassos para um futuro teoricamente brilhante.

draisaitl_jones_Tony Avelar_Associated Press
Leon Draisaitl abre a contagem no último jogo da série (Foto: Tony Avelar/Associated Press)

Outros assuntos relacionados:

Um ponto em que eu devo tocar e que sempre se tem reclamações aos muitos especialmente nos playoffs: arbitragem. É sempre polêmica, sempre o seu time foi assaltado e o adversário é sempre beneficiado (em poucos casos é realmente verdade), sempre tem um complô e sempre tem ânimos elevados. Posso dizer que a arbitragem fez muita besteira, especialmente deixando de marcar penalidades claras e algumas até graves, as vezes exagerando em lances que não eram penalidades. Mas nada que tenha realmente comprometido algum jogo ou série. Então não, seu time não foi assaltado, o adversário não foi beneficiado, não há complô, ninguém comprou a Stanley Cup, foram apenas seres humanos tomando decisões e fazendo julgamentos errados.

Relacionado a arbitragem temos as revisões. Outro ponto chato e polêmico, mas muitas decisões corretas foram tomadas, outras questionáveis, mas nada fora do esperado ou normal. Em específico tivemos dois lances envolvendo o Boston Bruins e possíveis impedimentos fizeram mais barulho, em um o gol foi validado devido a falta de certeza, no outro o gol foi anulado também em uma marcação controversa. Mas em muitos casos as reclamações vêm de falta de atenção a tudo que está acontecendo no lance, especialmente quando se trata de interferência nos goleiros, é um esporte complexo e muito dinâmico, mas antes de afirmar qualquer coisa é melhor prestar muita atenção. Detalhes fazem toda a diferença nas revisões, uma perna deixada pelo atacante ao lado do goleiro e que o impeça de se movimentar, onde está a lâmina do patins quando o jogador entra na zona ofensiva, entre tantas coisas, por isso não é um trabalho fácil ser árbitro e nem revisar jogadas.

offside
Impedido ou não? Impossível ter certeza (Via: http://www.sbnation.com/nhl/2016/4/9/11397808/bruins-goal-senators-pastrnak-flyers-red-wings-challenge-cameras-offsides)

Falando em coisas boas agora, 18 jogos foram para a prorrogação nessa primeira fase, é o recorde da NHL em qualquer fase de playoffs. Não tivemos jogos 7, tivemos 2 varridas, umas decepções, mas no geral foi um round equilibrado, com embates para serem lembrados no futuro.

Futuro e presente se chocaram, para alguns times foi o início de uma jornada de sucesso, outros estão vivendo o declínio assim a NHL foi desenhada para ser quando o teto salarial foi arquitetado e definido. Não há time invencível, a liga é nivelada pelo alto, quando o puck toca o gelo, não importa se seu time tem 3 dos 100 melhores jogadores do centenário da NHL, se ele venceu o Presidents Trophy, se está cheio de garotos, se o goleiro não é brilhante, o que importa é o que acontece no gelo durante os 60 minutos ou mais, a pós-temporada nos proporciona momentos incríveis imaginados por pouquíssimos ou ninguém. São esses tipos de coisa que fazem um Toronto Maple Leafs fazer uma série incrível, ou o Chicago Blackhawks ser varrido chocando o mundo, ou o duelo entre o time do futuro contra o time quase do passado ser vencido pelo futuro, tudo pode acontecer. E é isso que apaixona muita gente, que transforma os playoffs da NHL nesse local onde tudo parece possível, inclusive aquilo que ninguém imagina que irá acontecer.

Puck na cara #4 –  Stanley Cup Playoffs 2017 #1

Puck na cara #4 – Stanley Cup Playoffs 2017 #1

Olá leitores do Puck Brasil e fãs de hóquei! Lucas Mendes aqui, voltando de um longo e tenebroso inverno para falar da melhor parte do ano na NHL. Vai ser uma série de textos, um para cada rodada, com os meus palpites de cada confronto. Começando com a primeira rodada, que começa amanhã (12/04). Vamos aos palpites!

CONFERÊNCIA LESTE

(M1) Washington Capitals vs Toronto Maple Leafs (WC2)

O Capitals vem de novo como o melhor time, o mais forte e o principal favorito para levantar a taça. Se reforçou muito na deadline e tem o melhor elenco da liga. E todos sabemos o que vai acontecer. Sim, vão fazer o de sempre e pipocar, mas não na primeira rodada. Não para o Leafs, que é um time muito jovem e muito inexperiente. Vem comandado pelo brilhante calouro Auston Matthews que, pasmem, marcou mais que o Ovechkin nessa temporada e deve vencer o Calder Trophy. Mesmo que o Leafs tenha conseguido uma vaga nos playoffs, não vai ser agora que vão ir longe. Mas podem apostar nesse time para as próximas temporadas.

Palpite:  Capitals em 5

Porquê: Acho que o Leafs consiga vencer uma partida em Toronto, com o apoio da sua torcida mais que apaixonada. Mas o Capitals é um time muito superior, e liquidará a fatura logo.

 

(M2) Pittsburgh Penguins vs Columbus Blue Jackets (M3)

Junto com Habs vs Rangers, temos o confronto da Leste que será o mais legal de assistir. Os atuais campeões, Penguins, liderados por Sid the kid, contra o talentoso time do Blue Jackets sob a batuta do mestre Tortorella. Vai ser um confronto bem equilibrado e disputado, e decidido nos detalhes. Bobrovsky, provavelmente o vencedor do Vezina esse ano, junto com Cam Atkinson, Nick Foligno e cia vão fazer jogo duro contra Crosby, Malkin, Kessel.

Palpite: Blue Jackets em 7

Porquê: Como disse, esse confronto vai ser decidido nos detalhes, mas por mais que o Penguins tenha um time com muita experiência em playoffs, o Blue Jackets tem o elemento de ser a grande surpresa da temporada, além do Penguins estar sem o seu principal defensor, Letang, que está fora dos playoffs devido a uma cirurgia no pescoço.

PensJacks.jpg
Penguins vs Jackets promete demais. (Créditos: NHL)

 

(A2) Ottawa Senators vs Boston Bruins (A3)

Outro bom confronto. Senators conseguiu se superar várias vezes na temporada, enquanto o Bruins, desde que trocou de treinador, cresceu muito e vem jogando bem. Provavelmente terá Marchand de volta no jogo 2, e ele pode desequilibrar muito o confronto e levar o Bruins para a próxima fase.

Palpite: Bruins em 6

Porquê: Brad Marchand tem sido um dos melhores jogadores ultimamente, e chegou a competir com Crosby e McDavid pelo Hart. Está suspenso no jogo 1, mas fará a diferença nos confrontos restantes.

(A1) Montreal Canadiens vs  New York Rangers (WC1)

O confronto mais equilibrado da primeira fase. Habs e Rangers tiveram praticamente a mesma pontuação na temporada regular e ambos elencos tem muita qualidade. Price e Lundqvist dispensam apresentações. Tanto Byron quanto Grabner podem fazer a diferença. Montreal tem seu jovem e talentosos atacante Galchenyuk, o experiente defensor Shea Weber e ainda conta com Pacioretty. Rangers tem um bom poder ofensivo, é um time rápido, mas tem uma defesa que deixa a desejar, principalmente por conta de Dan Girardi.

Palpite: Canadiens em 7

Porquê: A defesa do Rangers será o fator principal do confronto, mas não por conta dos goleiros, e sim por causa dele, Girardi. Ele é o ponto fraco do Rangers e pode acabar cedendo na hora errada e eliminando o seu time.

HabsRangers.jpg
Anotem, Habs vs Rangers vai ser o confronto mais equilibrado da primeira rodada. (Imagem: Getty Images)

 

CONFERÊNCIA OESTE

(C1) Chicago Blackhawks vs  Nashville Predators (WC2)

Tirando os torcedores do Predators, sabemos que esse confronto é bem unanimidade. Por mais que o Preds tenha bons jogadores, como Subban, Forsberg e Rinne, o Blackhawks é uma máquina quando se trata de playoffs. Não sendo contender a toa.

Palpite: Blackhawks em 5

Porquê: O Blackhawks se reforçou após ser eliminado cedo na última temporada, e como sempre, cotado para chegar a, no mínimo, final de conferência. Palpite até fácil, com todo respeito ao Predators e seus torcedores

 

(C2) Minnesota Wild vs St. Louis Blues (C3)

Essa série vai ser bem apertada. São dois bons times. O confronto entre Allen e Dubnyk promete. Granlund vem de boa temporada e, com Parise, promete causar o inferno para a defesa do Blues, que vem sem Shattenkirk, que foi pro Capitals, e com Tarasenko sendo sua principal ameaça.

Palpite: Wild em 7

Porquê: Nesse momento, vejo os dois times praticamente no mesmo nivel, Wild deve levar esse confronto por causa do mando de campo a favor.

WildBlues
Wild x Blues tem tudo para ser o confronto mais equilibrado, do outro lado da chave. O confronto promete ser grandioso. (Imagem: Sportsnet)

 

 

(P2) Edmonton Oilers vs San Jose Sharks (P3)

Vai ser uma série muito interessante de assistir. De um lado temos o Oilers e McDavid, do outro temos o Sharks, que mesmo com um ótimo time, caiu muito de rendimento desde a deadline. Mas playoffs é um torneio a parte, e essa série promete ser bem imprevisível.

Palpite: Oilers em 7

Porquê: Primeiro porque quero ver Battle of Alberta nos playoffs. Segundo porque eu vejo o Oilers vindo mais forte que o Sharks, que vai endurecer o jogo e forçar o jogo 7.

 

(P1) Anaheim Ducks vs  Calgary Flames (WC1)

Chegou a parte em que vocês vão me xingar, chamar de clubista e tudo mais. De um lado temos o Ducks que se manteve na ponta ou próxima dela durante a temporada toda. De outro temos o Flames que, mesmo com o começo horrível de temporada, teve uma crescente muito grande desde o All Star Game e chegou a figurar entre os 3 melhores da Pacífica. Isso no considerado último ano de seu rebuild. Não se espantem, mas o Flames tem um bom time e subestimá-lo pode ser fatal, mesmo em uma série melhor de 7.

Palpite: Flames em 6

Porquê: SIM, A MALDIÇÃO DO HONDA CENTER VAI ACABAR! E espera-se que seja nessa série. Após os últimos jogos entre os times nas últimas semanas, o clima entre os times esquentou, e isso pode ajudar muito o Flames (trocadilho não proposital), principalmente  com os primeiros jogos lá em Anaheim.

FlamesDucks
Esse confronto vai pegar fogo! Flames e Ducks vem com sangue nos olhos para uma batalha recheada de emoção e cenas lamentáveis. (Foto: Lyle Aspinall/ Postmedia Network)

 

Essas são minhas considerações sobre a primeira rodada dos playoffs. Sintam-se a vontade para opinar, cornetar e tudo mais. Grande abraço!

20 Minutos – Edição 12 – Especial Trade Deadline (Parte 1)

​O tempo de trocar passou, como brinquei no twitter na manhã da quarta feira da deadline, seu GM pode ter acabado o dia como gênio ou burro ou os dois ao mesmo tempo. E apesar de nem todos os nomes ventilados terem sido trocados (a culpa disso é sua: Joe Sakic), foram dias divertidos. Esse 20 Minutos será mais curto que o habitual e será o primeiro de uma série de três falando sobre a deadline. No de hoje, falaremos sobre as trocas que só envolveram draft picks. O 2* falará sobre trocas que envolveram múltiplos jogadores e draft picks. E o 3* falará sobre as impressões que esse pobre homem teve da trade deadline. Nessa série, falaremos sobre as 31 trocas mais relevantes entre os dias 04/02 e 01/03. Vamos nessa!

1. (04/02) Vernon Fiddler para o Nashville Predators (4* round pick em 2017 para o New Jersey Devils)

Fiddler é um produto do próprio Predators. Gols não são sua especialidade apesar de ter passado dos 10 nas últimas duas temporadas (13 em 14-15, 12 em 15-16), mas também é verdade que o veterano vem tendo a pior temporada da carreira em porcentagem de chutes certos (4.7%). Fiddler é o clássico quarta linha que pode jogar entre 12/13 minutos por partida e pode certamente ajudar em um setor: faceoffs. Em sua carreira, ele nunca ficou abaixo dos 50% em faceoffs além de quase 80% dos faceoffs que disputa serem na zona defensiva ou neutra em situações de 5vs5. Negativamente, com Fiddler no gelo em ocasiões de 5vs5 sua equipe toma quase 2+ gols do que produz a cada 60 minutos e tem uma porcentagem de chutes certos abaixo dos 4%. Fiddler pode ganhar um faceoff importante mas também pode ser esmagado na sua zona defensiva e produzir virtualmente nada no ataque.

Fiddler pode ajudar muito na última linha ofensiva do Predators. (Créditos: Nashville Predators)

2. (20/02) Michael Stone para o Calgary Flames (3* round pick em 2017 e escolha condicional de 5* round em 2018 para o Arizona Coyotes)

O defensor não é desconhecido de Brad Treliving, GM do Calgary Flames. Como GM assistente do Arizona Coyotes, Treliving foi que escolheu o defensor no draft de 2010. Stone também já é acostumado a cidade de Calgary, onde jogou e foi estrela nos juniors jogando pelo Calgary Hitmen. Stone teve uma ótima temporada em 15-16 fazendo par defensivo com Oliver Ekman-Larsson, alcançando a melhor marca de sua carreira em pontos com 36 em 75 jogos, mas a combinação lesão grave no joelho + jogando no Coyotes prejudicou a temporada do defensor. Se ofensivamente Michael Stone não é nenhum Brent Burns da vida, defensivamente o mesmo também não é um desastre apesar de jogar no time que jogou. Em mais de 800 minutos no gelo em ocasiões de 5vs5, sua equipe produz meio gol a mais que toma a cada 60 minutos de 5vs5, além de seu PDO (soma da porcentagem de defesas do goleiro e da porcentagem dos chutes certos que seu time dispara enquanto determinado jogador – nesse caso, Stone – está no gelo) estar acima dos 102%. Jogando em Calgary como o 4* defensor da equipe, Stone é uma adição pontual.

Stone chegou e já ajudou o Flames a melhorar sua defesa. (Créditos: Real Sports)

3. (23/02) Ron Hainsey para o Pittsburgh Penguins (2* round pick em 2017 + Danny Kristo para o Carolina Hurricanes)
Hainsey já foi um defensor ofensivo apesar de já ter algum tempo. Entre 2006 e 2009, Hainsey marcou mais de 30 pontos na temporada, contudo, o defensor não passa dos 20 pontos desde 2010-2011 quando ainda jogava no finado Atlanta Trashers (que descanse em paz). Apesar de não ser prolifico ofensivamente, Hainsey é um defensor que pode tranquilamente passar dos 20 minutos (juramos que não é um trocadilho com nossa coluna) por partida. De 2006-2007 até a temporada atual, apenas em 10-11 o defensor não acumulou média de tempo no gelo acima dos 20 minutos, Hainsey também acumulou uma porcentagem de corsi (chutes disparados pelo seu time ao gol + chutes bloqueados + chutes que não chegam no gol) acima dos 50%. Hainsey (que jogou em times feios durante a carreira) sempre teve problemas em sua zona defensiva, desde 11-12 que em ocasiões de 5vs5 com o defensor no gelo, o seu time sempre toma mais gols que marca. Nessa temporada, a cada 60 minutos de 5vs5 com Hainsey no gelo (lembremos, ele jogou 56 partidas pelo Hurricanes) seu time tomou pelo menos um gol a mais que marcou e seus companheiros tiveram uma porcentagem de chutes certos abaixo dos 6%. Essa aquisição foi feita muito por conta das lesões que os defensores Trevor Daley, Kris Letang e Olli Maataa sofreram, além de ser importante ter depth nos playoffs. Apesar de nunca ter jogado depois da 2* semana de abril, Hainsey já tem mais de 900 jogos na liga e não deve sentir tal pressão.

O veterano Hainsey chega para compor o sistema defensivo do atual campeão para a defesa de Lord Stanley. (Créditos: NHL)

4. (24/02) Patrick Eaves para o Anaheim Ducks (Escolha condicional de 2* round de 2017 para o Dallas Stars)
Antes de 2016-2017, Patrick Eaves só tinha marcado mais de 15 gols uma vez em sua carreira: Sua temporada de rookie em 2005-2006 quando marcou 20 gols. E eis que 11 anos depois, Eaves volta a alcançar tal marca. O garoto de Calgary com certeza pode ser considerado um belo canivete suíço nessa temporada. Eaves marcou 8 gols e 19 pontos em ocasiões de 5vs5 e no powerplay teve ainda mais destaque: Em 174 minutos de tempo no powerplay, Eaves marcou 10 gols em 37 chutes a gol, 27% de acerto. Em comparação com o glorioso e amado Alexander Ovechkin, a arma moderna no powerplay, tem 11 gols em 74 chutes com 226 minutos de PP time, 14.8% de acerto. Eaves não compromete as coisas na zona defensiva, pode produzir gols jogando na 2* ou na 3* linha, além de ter longas caminhadas nos playoffs com o Senators (chegou a Stanley Cup Final em 2007) e Hurricanes (chegou as finais da conferência leste em 2009).

O homem das barbas foi a única aquisição do Ducks na janela de trocas. (Créditos: Fansided)

5. (24/02) Tomas Jurco para o Chicago Blackhawks (3* round pick em 2017 para o Detroit Red Wings)
Jurco é um winger talentoso que ainda não embalou na NHL. Em 18 partidas na temporada, Jurco ainda não marcou um ponto e só tem 15 gols em 159 jogos na liga. Apesar da baixa produção, Jurco é jovem e uma mudança de cenário pode o ajudar a achar seu caminho na liga. E estando em um dos times que mais produz ofensivamente na liga, a aposta é válida.

Jovem e talentoso, na torcida que a mudança de clube faça sua carreira decolar, parte 1. (Créditos: Getty Images)

6. (27/02) Teemu Pulkkinen para o Arizona Coyotes (Futuras considerações para o Minnesota Wild)

Pulkkinen vive o mesmo dilema de Jurco com algumas diferenças. Pulkkinen era uma das maiores esperanças da base do Red Wings. Nas temporadas 13-14 e 14-15, o right winer marcou 65 gols em 117 partidas jogando na AHL (última liga profissional norte americana de desenvolvimento antes de chegar na NHL) e muitos achavam que o winger seria uma das novas estrelas da liga. Infelizmente, Pulkkinen não conseguiu repetir o desempenho na NHL. Daí em diante, a carreira do jovem finlandês não se estabilizou, foi para as waivers algumas vezes, em uma delas sendo pego pelo Wild onde também não brilhou. John Chayka sabe que seu time não é bom e apostar nesses “talentos queimados” pode gerar bom resultados no futuro. Uma aposta nunca faz mal.

Nota do editor: Pulkkinen marcou um gol na sua estreia pelo Coyotes.

Jovem e talentoso, na torcida que a mudança de clube decole sua carreira, parte 2. (Créditos: Arizona Coyotes)

7. (28/02) Brendan Smith para o New York Rangers (3* round pick em 2017, 2* round pick em 2018 para o Detroit Red Wings)

Apesar da frustração em ter “falhado” na missão de conseguir Kevin Shattenkirk, o NY Rangers foi para o plano B em adquirir o defensor Brendan Smith. Smith chega para compor o top 4 defensivo, mover o puck e absorver entre 20-22 minutos por partida. Já faz algum tempo da melhor temporada ofensiva de Smith (13-14) e o defensor só marcou dois pontos em quase 500 minutos de 5vs5, lembrando que Brendan perdeu algum tempo por lesão. Smith é um jogador que pode ser usado nas três zonas do rink sem ser atropelado em sua defesa, apesar dos adversários conseguirem gerar mais chutes e gols que seu próprio time com o mesmo no gelo. Um problema do defensor é com o jogo empatado. Nos utilizando das famigeradas estatísticas avançadas, em 170 minutos de ocasiões 5vs5 com o jogo empatado (antes da rodada de sábado) e com o defensor no gelo, os adversários conseguiram gerar 8 chutes a mais no gol e quase um gol a mais que seu time. Em seu 1* jogo pelo Rangers, Smith começou apenas 11% de seus shifts na zona ofensiva (sua média na carreira é de 56.2%) e o Capitals gerou o dobro de disparos a gol que o Rangers quando o defensor estava no gelo. Vale ficar de olho.

Com Dan Girardi e Kevin Klein lesionados, Smith deve ter papel importante nas próximas semanas da temporada. (Créditos: Yahoo Sports)

8. (28/02) Viktor Stalberg para o Ottawa Senators (3* round pick em 2017 para o Carolina Hurricanes)

Assim como Alexandre Burrows (que falaremos no próximo 20 minutos especial sobre a deadline), Stalberg é uma aquisição que vem para ajudar em depth scoring, principalmente nas ocasiões de 5vs5. Em toda sua carreira, Stalberg nunca marcou um golzinho sequer no powerplay e isso inclui uma temporada na qual jogou 102 minutos na 2* unidade de PP do Blackhawks e só marcou duas assistências. Mas em compensação, 78 dos 80 gols marcados por Stalberg em sua carreira foram em 5vs5, incluindo uma temporada de 18 gols e 39 pontos em tal departamento (22/43 no geral) em 2011-2012. Nesta temporada, Stalberg marcou 7 de seus 9 gols no even strength com o melhor percentual de chutes certos na carreira (12.3% em 16-17 vs 8.7% na média de sua carreira) com tempo no gelo inferior a 12 minutos por partida. Pode ser uma presença física, tem números decentes na produção de chutes contra/a favor e acumula 30 jogos de playoffs nas últimas 4 temporadas incluindo uma Stanley Cup com o Chicago Blackhawks em 2013.

Produtivo no 5vs5, Stalberg pode conseguir alguns gols importantes para o Senators na busca pelo título da divisão. (Créditos: Zimbio)


9. (01/03) Steve Ott para o Montreal Canadiens (6* round pick em 2018 para o Detroit Red Wings)

Steve Ott. O homem, o mito e a lenda. Essa troca foi complicada de entender e de tentar explicar mas acredito que conseguimos. Contextualizando, o Canadiens é um time que precisava de mais poder ofensivo, jogadores que pudessem tirar algum peso das costas de Max Pacioretty, Alexander Radulov e Alex Galchenyuk. A equipe é a 13* na liga em gols 5vs5, 15* em gols feitos a cada 60 minutos de 5vs5 (2.26), 10* em chutes disparados a gol (29.8 a cada 60 minutos de 5vs5) e 11* em porcentagem de chutes certos em 5vs5 (7.58%). São números decentes mais nada ameaçador. Quando estendemos esses números para todas as ocasiões, o Canadiens fica em 13*,17*, 24* (!!!!) e 10* em tais estatísticas. Então, se Ott não produz ocasiões ofensivas, no que diabos ele pode ser útil? Cito aqui três fatores: Jogo físico, faceoffs e penalty kill. Caso o Canadiens garanta o título da divisão, provavelmente a equipe deve cruzar com Rangers ou Blue Jackets no primeiro round dos playoffs, times que podem te punir fisicamente. Apesar de não ser um indivíduo grande, Ott é um cidadão que sabe jogar fisicamente (até meio sujo em determinadas situações) sem passar do “limite”. Falando do segundo motivo, Ott nunca teve uma temporada na carreira que ele ficasse abaixo dos 50% em faceoffs vencidos (250+ faceoffs disputados) e esse atributo pode ajudar no nosso terceiro motivo. Até o início da rodada desse sábado, o Canadiens era a 5* equipe da NHL com mais tempo shorthanded (349 minutos), a 5* que mais tomou gols (44), a 7* que mais sofreu PP gols por 60 minutos (8.09 gols sofridos) e tudo isso apesar de estar em 19* na lista de chutes cedidos a cada 60 minutos shorthanded (51.5). O glorioso Ott nos últimos 5 anos foi o 49* jogador de ataque (top 25 entre centrais) que mais matou penalidades na liga com 550 minutos de PK time. Quando está matando penalidades, Montreal começa 79.1% de seus faceoffs em sua zona defensiva, já Steve Ott nas últimas SETE temporadas tem uma média de quase 85% em tal estatística. Não espere produção ofensiva de Ott, o glorioso veio pra fazer o trabalho sujo.

Nota do editor: O Canadiens venceu o NY Rangers por 4-1 nesse sábado, um dos gols nasceu de um faceoff na zona ofensiva vencido por Steve Ott e que resultou em gol de Shea Weber.

Ott, a lenda. (Créditos: Detroit Red Wings)

10. (01/03) Dwight King para o Montreal Canadiens (Escolha condicional de 4* round em 2018 para o Los Angeles Kings)
King tem características parecidas com as de Steve Ott, sendo capaz de produzir um pouco mais ofensivamente. King vem tendo sua pior porcentagem de chutes certos (9%) desde a temporada 12-13. Apesar disso, King não é o tipo de jogador que será dominado pelo seu adversário. Durante sua carreira, King sempre teve números positivos de Corsi (chutes a gol + chutes que não foram ao gol + chutes bloqueados) e fenwick (chutes a gol + chutes que não foram ao gol), sendo verdade que muito desses bons números se devem ao esquema do Kings. Assim como Ott, King pode ser usado no penalty kill e adiciona ao jogo físico da equipe de Claude Julien.

Com dois anéis de Stanley Cup, King tentará encerrar o jejum de 24 anos do Canadiens sem a Stanley. (Créditos: NHL)


11. (01/03) Jarome Iginla para o Los Angeles Kings (Escolha condicional de 4* round em 2017 para o Colorado Avalanche)

Iginla, com certeza um negão de tirar o chapéu que vem chegando no final de sua carreira. O futuro hall da fama nunca foi uma arma fora de série no powerplay (apesar de ser consistente) mas foi no 5vs5 que Iginla fez seu nome. Desde 2000, Iggy teve 12 temporadas na qual marcou 20 gols ou mais em ocasiões de 5vs5. Nessa temporada, Iginla vem tendo os piores números de sua ilustre carreira em gols, pontos e principalmente, porcentagem de chutes certos com apenas 6.7%, a média na carreira de Iginla é de 13.1%. Iginla também vem tendo os piores números da carreira em tempo no gelo por partida com 14:46, sua média na carreira é de 19:47, ugh. Mas se tem uma área que Iginla pode ajudar é produzir gols em 5vs5, o Los Angeles Kings é o 24* (!!!!) na liga em gols marcados a cada 60 minutos no even strength (1.98). E nos últimos 9 anos (entre 2007 e 2016), Iginla marcou 168 gols no 5vs5, ficando atrás apenas de Alex Ovechkin, Corey Perry, Phil Kessel e Rick Nash. Em pontos, Iginla marcou 357 (atrás de Sidney Crosby, Ovechkin, Patrick Kane, Henrik e Daniel Sedin, Perry e Joe Thornton) além de ter sido o 9* em disparos a gol com mais de 1.400. Iginla não é mais o mesmo enorme jogador do passado mas ainda pode bater seus homeruns.

Nota do editor: Em dois jogos com o Kings, Iginla jogou na linha principal do time junto com Anze Kopitar e Marian Gaborik, o winger teve mais penalidades que chutes a gol.

IGGY! IGGY! IGGY! (Créditos: Yahoo Sports)


12. (01/03) Mark Streit para o Pittsburgh Penguins (4* round pick em 2018 para o Tampa Bay Lightning)

Streit é um defensor ofensivo que já marcou 62 pontos (07-08 no Montreal Canadiens) e vinha colocando sólidas temporadas até que seus números despencaram miseravelmente em 15-16 e continuaram ruins em 16-17. O que mais afetou a produção de Streit foi a queda vertiginosa de seu poder de fogo no powerplay. Em 14-15, Streit marcou 25 pontos em 272 minutos jogados de powerplay, uma média dr 5.50 pontos a cada 60 minutos de PP. Esses números despencaram para 7 pontos em 15-16 e 7 pontos em 16-17 antes de jogar no Penguins. Entre 2007 e 2016, Streit foi o 3* defensor na NHL com mais pontos no powerplay com 170, perdendo apenas para Andrei Markov e Mike Green. Também foi o 4* defensor que mais deu a 1* assistência para o gol (o último passe antes do biscoito beijar a rede) com 69, ficando atrás de Markov, Keith Yandle e Erik Karlsson. Além disso, Streit foi o 3* defensor com mais PP time na liga, acumulando 2349:29, perdendo apenas para Dion Phaneuf e Ryan Suter. Assim como Hainsey, quando os lesionados voltarem, Streit pode alternar entre o 2* e o 3* par defensivo além de, em determinadas situações, participar da 2* unidade do powerplay.

Nota do editor: Em sua estreia pelo Penguins, Streit marcou um gol e deu uma assistência (no powerplay) contribuindo para o triunfo sobre o Lightning por 5-2.

Mesmo em baixa na produção, o suíço ainda pode ser perigoso no powerplay.

13. (01/03) PA Parenteau para o Nashville Predators (6* round pick em 2017 para o New Jersey Devils)
Assim como Patrick Eaves, Parenteau é outro jogador que pode ajudar a produzir gols tirando pressão da linha principal mas também pode ser colocado na linha de frente e não vai passar vergonha. Parenteau já teve 4 temporadas com 18+ gols e caminha para sua 5* mesmo tendo uma média de tempo no gelo abaixo dos 15 minutos. Apesar de ter jogado em times bem mais ou menos nesses últimos anos (o último bom time que Parenteau fez parte foi o Avalanche 13-14), Parenteau vem mantendo uma porcentagem de corsi e fenwick acima dos 50% desde 2011-2012. Parenteau vem mantendo sua média de chutes certos ao gol (11.9%), além de ter números satisfatórios no 5vs5 com 1.61 pontos a cada 60 minutos nessa situação. É valioso quando o jogo está empatado ou com um gol de diferença (contra ou a favor), marcando 10 gols e 20 pontos em tais ocasiões, podendo quebrar um galho no powerplay. Uma adição inteligente e barata.

PAP espera que Nashville seja a casa de sua 1* Stanley Cup. (Créditos: NHL)

14. (01/03) Drew Stafford para o Boston Bruins (Escolha condicional de 6* round em 2018 para o Winnipeg Jets)

Stafford já teve temporadas mais gloriosas que 2016-2017. Já tendo marcado mais de 20 gols por 4 temporadas em sua carreira, Stafford vem vivendo sua pior temporada ofensiva. Seu tempo no gelo caiu 4 minutos de 15-16 para 16-17, além de estar com a pior porcentagem de chutes na carreira com 5.9%, 5 pontos percentuais abaixo de sua média histórica na liga. Se levarmos para ocasiões de 5vs5, Stafford (antes da rodada desse sábado) só marcou dois gols em 54 chutes com 448 minutos de 5vs5, são pavorosos 3.70% de chutes certos, uma queda de quase 5% da temporada passada. Stafford também está começando menos shifts na zona ofensiva e com ele no gelo, seu time produzia menos de dois gols por 60 minutos de 5vs5, sem ele o time marcava quase 3. Vale a pena ficar de olho.

Em má fase no Jets, Stafford pode reviver sua carreira em um dos maiores times da liga. (Créditos: NHL)

15. Passando a régua nessa análise numerológica, acredito que essas 14 trocas tem virtualmente a mesma chance de dar certo ou não. Michael Stone tem algumas chances de renovar com o Calgary Flames depois do draft da expansão. É difícil fazer uma análise imediata nas trocas de Jurco e Pulkkinen, tendo em vista que ambos tem talento e podem explodir mais tarde nas carreiras. Dwight King também pode ficar no Canadiens por algum tempo. Os outros podem mudar de casa ou se aposentar ao fim da temporada.

16. Se tudo correr bem, ainda na segunda ou terça teremos a segunda e a terceira parte dessa analise. Espero que vocês tenham gostado! 

17. Todas as stats usadas nesse post foram extraídas do site Hockeyanalysis.com

Impressões sobre a temporada da NHL – Pausa para o ASG

Impressões sobre a temporada da NHL – Pausa para o ASG

Mais de um mês se passou quando eu publiquei o artigo Impressões sobre o primeiro quarto da temporada, muita coisa mudou nesse tempo, times melhoraram, jogadores começaram a produzir bem, equipes e jogadores caíram de rendimento, muito mudou nesse período. Isso faz com que outro texto daqueles moldes seja bem vindo. Então vamos às impressões deixadas por alguns times, jogadores, técnicos e outras questões, sejam positivas ou negativas, e minhas opiniões sobre isso.

Destaques Coletivos

– Minnesota Wild: Com 69 pontos conquistados em 48 jogos, o melhor time da conferência oeste nessa parada para o All Star Game. Atrás do Washington Capitals, o Wild chegou a ter uma sequência de 12 vitórias, hoje tem o quarto melhor ataque com 160 gols marcados e a segunda melhor defesa com 109 gols sofridos. Devan Dubnyk é o grande destaque individual do time, com números dignos de concorrer ao Vezina até aqui, Dubnyk é o goleiro que ninguém dava nada e tem melhorado temporada após temporada e está em um momento incrível. Outro jogador que tem pesado muito no time é Eric Staal, após ter ido mal na temporada passada e ter começado devagar essa temporada, engrenou junto ao time e hoje é o segundo maior pontuador, a frente dele está Mikael Granlund. O grande destaque entre os defensores do time é Ryan Suter, ao menos com o viés de produção ofensiva, Suter tem 23 assistências e 7 gols, auxilia muito bem o time quando ataca, o que não é novidade alguma.

Jason Pominville
O Minnesota Wild é um dos times em melhor momento nessa parada para o ASG(Foto: APPhoto/Matt Marton)

O Minnesota Wild é uma equipe muito equilibrada, que faz tudo o que o manual manda. Comandada pelo sempre vencedor, ao menos no quesito divisão, Bruce Boudreau, é um time que vai se colocando entre os melhores e favoritos, sabemos que o campeonato muda e na pós-temporada coisas acontecem, mas hoje o Minnesota Wild é o melhor time da conferência oeste e não atoa, tem um elenco bom, um bom técnico e um goleiro que parece ter muito a mostrar ainda. Quem sabe o que o futuro reserva para a franquia?

– Columbus Blue Jackets: Talvez a maior surpresa da temporada até agora, um time que tem todas jogadores muito bons no geral, alguns nem tanto, um bom técnico, mas que foi muito subestimado por ser o Columbus Blue Jackets e continua sendo subestimado por isso. A terceira melhor campanha da liga, segunda melhor da conferência leste e divisão Metropolitana, atrás apenas do Washington Capitals. Chegou a ter uma sequência de 16 vitórias consecutivas, teve a chance de empatar com a sequência de 17 vitórias consecutivas que o Pittsburgh Penguins teve na temporada de 1992-93, mas perdeu para o Washington Capitals. Figura entre os melhores ataques e as melhores defesas da liga, tem alguns pontos fracos individuais que são cobertos pelo ótimo sistema implementado por John Tortorella, um sistema que parece ser a evolução do que o próprio Tortorella aplicou no New York Rangers e o levou a melhor campanha da conferência e a final da conferência leste em 2011-12. Até onde esse Blue Jackets pode ir? Talvez o time caia de produção, talvez volte a melhorar e voltar a ponta da liga, mas se tem algo que eu tenho absoluta certeza é que os comandados de John Tortorella estão se preparando para ir longe e com a experiência do técnico e jogadores do time pode ser que a temporada dure até o final de maio, ou mais.

– Edmonton Oilers: Outro time que enfrenta um momento incrível, tem bons jogadores e pode ser uma surpresa. Ninguém apostava que o Edmonton Oilers chegaria a parada para o All Star Game coliderando a divisão, e ele fez isso após uma vitória em San Jose no último jogo antes da pausa. Em teoria se o time conseguir um grande defensor, pode ir muito longe nessa temporada, a verdade é que o problema defensivo persiste, mas Cam Talbot vai segurando as pontas atrás enquanto o ataque liderado por Connor McDavid produz gols em escala industrial quase todas as noites para vencer jogos, uma combinação muito arriscada. O Oilers está em um momento incrível, é muito talentoso e pode tentar uma aposta mais arriscada visando uma duração maior da temporada, tem uma boa margem de erro e cacife para isso.

New York Islanders: O New York Islanders começou muito mal a temporada, foi citado como destaque negativo no artigo anterior, porém tudo mudou após demitirem Jack Capuano. O que parecia ser um reforço para a próxima temporada virou reforço imediato, o time mudou a chave e começou a vencer jogos, anotar pontos e hoje está na briga pela vaga de wild card, no meio de uma briga que envolve muitos times. A vantagem que tem são os jogos a menos, chegando a 3 em alguns casos, o Islanders pode manter o momento e tem um time para isso. Quando os 82 jogos forem completados, não será surpresa se a temporada do New York Islanders continuar.

Washington Capitals, Pittsburgh Penguins e Chicago Blackhawks: Os três são isso há algumas temporadas, brigam pelas melhores posições na liga e vem mantendo isso. Não tem muito o que falar, mas vale a pena cita-los aqui.

– New Jersey Devils: O New Jersey Devils começou bem a temporada, caiu um pouco de rendimento e time acabou afundando e hoje amarga o vigésimo oitavo lugar na liga. O elenco não é tão ruim quanto parece, o treinador mostrou muito potencial, mas talvez para essa temporada a realidade seja realmente amarga. Talvez mentalmente o time não esteja na melhor forma, além de algumas carências pontuais, essa era uma equipe para brigar por uma vaga de playoffs, mas hoje está a 7 pontos do Philadelphia Flyers, o segundo wild card da conferência leste. É uma distância ainda alcançável, mas difícil de ser superada pelo momento da equipe.

– Dallas Stars: Citado anteriormente como destaque negativo, pouco mudou. O time tem problema com os goleiros, defensores, atacantes, todos estão jogando abaixo do que podem. Apesar de tudo, ainda briga por vaga na pós-temporada, o time precisa se encaixar e os jogadores acordarem, tendo 32 jogos pela frente é muito possível ainda dar a volta por cima.

Destaques individuais

– Devan Dubnyk: Já citado anteriormente nesse mesmo artigo, Dubnyk é um dos grandes goleiros nessa temporada. Com a menor média de gols contra por jogo (1,88) e percentual de defesas em relação aos disparos enfrentados (93,6%), Dubnyk surpreende e cala os críticos, mas não é nenhuma surpresa. Evoluindo a cada temporada, o goleiro principal do Minnesota Wild tem 30 anos e com a experiência foi se moldando e cobrindo suas fraquezas, muito injustiçado por um bom tempo pela crítica da torcida e imprensa, faz uma temporada incrível e digna de ser premiada se continuar assim.

Sergei Bobrovsky: Bobrovky volta a ter um desempenho digno de Vezina, estando saudável o goleiro do Columbus Blue Jackets tem feito partidas muito boas, algumas incríveis. Com 92,9% de defesas em relação aos disparos enfrentados, Bobrovsky é um dos grandes nomes dessa temporada no quesito defender seu gol e é uma peça muito importante na campanha de seu time.

– Cam Talbot: Quando foi para o Edmonton Oilers, Talbot era uma promessa quase cumprida, hoje vemos que a promessa foi cumprida. É um goleiro muito sólido, que defende muito bem e só não tem números melhores porque em muitas ocasiões fica exposto e sabemos muito bem que não adianta ser Henrik Lundqvist ou Dominik Hasek, um goleiro exposto aos disparos do adversário é tão frágil quanto uma peça de cristal. Muitas das vitórias do Edmonton Oilers tiveram Talbot como a peça principal, a maioria dos grandes times começam com um grande goleiro e o Edmonton Oilers já tem isso.

NHL: Arizona Coyotes at Edmonton Oilers
Talbot deixa o rótulo de promessa e passa a ser realidade (Foto: USATSI)

Antti Niemi e Kari Lehtonen: Não teria como citar um sem falar do outro, a dupla de goleiros do Dallas Stars vem fazendo uma temporada ruim. Niemi tem 90 % de defesas em relação aos disparos enfrentados, já Lehtonen 90,2%, para os padrões da NHL são números ruins e não para por aí, Lehtonen leva em média 2,81 gols por jogo, já niemi 3,2. O time está numa má fase desde o princípio da temporada e não poderia ser diferente com seus goleiros, mas eles dois que muitas vezes foram criticados injustamente, hoje são de maneira justa.

– Ryan McDonagh: Esse é talvez o defensor mais equilibrado da NHL atualmente quando se fala em habilidades defensiva e ofensiva. McDonagh auxilia o New York Rangers muito bem no ataque e o time tem números absurdos de aproveitamento defensivo quando seu capitão está no gelo, mesmo que em muitas vezes McDonagh tenha Dan Girardi como seu companheiro de par defensivo. Pensando no conceito “melhor defensor nas duas extremidades do gelo”, Ryan McDonagh é um candidato ao troféu Norris até aqui, mas na prática as coisas são diferentes, o que não apaga mais uma temporada incrível do capitão dos blueshirts.

– Oliver Ekman-Larsson: Outro grande defensor, mas esse é realmente esquecido pela imprensa a ponto de as vezes ser tratado como uma surpresa. OEL é outro que brigaria facilmente pelo título de defensor mais equilibrado, o Arizona Coyotes depende muito dele para defender e quando vai ao ataque, Ekman-Larsson faz um jogo inteligente passando e finalizando, sabe aproveitar muito bem o momento. Novamente se credencia para ser vencedor do troféu Norris, mas quem vota… Melhor deixar isso para depois.

– Victor Hedman: Mais um que parece ser esquecido e subestimado, mas com grande habilidade como passador e um bom comportamento quando não tem o puck. Hedman é um dos principais nomes da defesa do Tampa Bay Lightning, ao lado de Anton Stralman, tem 31 assistências, é o sétimo melhor de toda a liga no quesito assistências e disputando posições jogo a jogo com nomes como Evgeni Malkin, Phil Kessel, Nicklas Backstrom e o quarterback Erik Karlsson.

– Dan Girardi: Esse nome é comumente citado pela torcida do New York Rangers e não por coisas boas. Girardi é um grande problema para o time e não é de hoje, chegou a ser eleito allstar e merecidamente, o time deu um contrato longo, caro e com clausula de não-movimento, ou seja, ele não pode ser trocado ou mandado para AHL. Então seu jogo começou a desandar, ficou mais lento do que era, virou um desastre no gelo. Hoje Dan Girardi é muito provavelmente o pior defensor da NHL e virou um peso por conta de seu contrato, é o novo Wade Redden para o New York Rangers.

Deryk Engeland: Outro terror, mas de outra torcida. Engeland talvez não seja tão desastroso quanto Dan Girardi, mas ele é muito questionado e com razão em Calgary. A pesar de ele ter um +- (estatística inútil, eu sei) de 6, o impacto dele ofensivamente é ridículo e defensivamente é terrível. Engeland no 5 contra 5 está envolvido em muitas jogadas que tem impacto negativo para o time defensivamente, ou seja, ele falha na hora de defender. É simples assim, um defensor que não tem impacto ofensivo e que falha defensivamente, tem muito a ver com Dan Girardi.

Sidney Crosby: Crosby é novamente o líder da NHL em gols, nessa para o jogo das estrelas ele se encontra com 28, 4 gols a mais que Cam Atkinson e Jeff Carter, os vice-líderes no quesito. Ele tem uma média incrível de 0,6666666… gol marcado por jogo nessa temporada, ou seja, quando Crosby entra no jogo ele tem mais de 60% de chances de marcar um gol. Faltam adjetivos para defini-lo, Crosby é realmente o melhor atacante de nossos tempos ao lado de certo russo, mas até quando? A nova geração já ameaça a posição.

eichel_dan-hickling_olean-times-herald
Eichel é o tipo de jogador que faz total diferença para seu time (Foto: Dan Hickling/Olean Times Herald)

Jack Eichel: Existiram dois Buffalo Sabres nessa temporada: sem Eichel e com Eichel. O time é limitado, mas com o Eichel se colocou na disputa por vaga nos playoffs. Eichel disputou 27 jogos e anotou 21 pontos, isso dá uma média de 0,77 ponto por jogo, o impacto que ele tem no time em que joga é inacreditável. Injustiçado na premiação para calouros da temporada passada, Eichel continua a provar porque foi o número 2 no draft em que foi selecionado.

]

 

Connor McDavid: Com 59 pontos em 51 jogos disputados nessa temporada. McDavid não é normal, não é acima da média, é espetacular, fantástico, mágico, um fenômeno e mais ainda. McDavid jogou 96 jogos na NHL e já passou da marca de 100 pontos. Mcdavid é o melhor candidato ao troféu Hart, na minha opinião, e também vai garantindo o troféu Art Ross, dado ao maior pontuador da temporada regular.

Eric Staal: Esse é um jogador que demorou a começar a jogar bem nessa temporada, mas agora produz gols e assistências em quase todos os jogos. Staal chegou com desconfiança por conta das temporadas abaixo do normal, por ter sido a cara do Carolina Hurricanes se esperava mais, então fechou um contrato de 3 temporadas recebendo 3,5 milhões de trumps em cada uma delas, um valor até baixo pelo status que possui. Staal e o Wild ganharam força e momento na temporada, então o mais velho dos irmãos Staal subiu sua produção e hoje tem 41 pontos, 16 gols e 25 assistências, é o segundo melhor do time em número de pontos.

Bruce Boudreau: O treinador do Minnesota Wild ano após ano leva seus times a vencerem a divisão e por enquanto vai cumprindo a missão. Temporada passada o Wild terminou a temporada regular na segunda vaga de wild card da conferência oeste, sem mudar muita coisa no seu elenco e com um novo técnico, o desempenho da equipe é muito superior nessa temporada. Boudreau apesar de tudo parece ter um karma que é ser eliminado no jogo 7 dentro de casa, talvez com esse Minnesota Wild ele seja capaz de superar o karma e talvez ir mais longe do que já foi e para isso o trabalho está no caminho certo.

John Tortorella: A terceira melhor campanha da liga tem por trás dela a mente de John Tortorella. Citado no predecessor desse texto, Tortorella não só fez o time manter o bom nível, mas melhorar ainda seu desempenho e por isso vale ser citado novamente. Tortorella e o time do Columbus Blue Jackets tem uma missão até o final da temporada regular: classificar em uma boa posição para os playoffs para talvez fazer uma campanha histórica, mas tudo indica que o caminho da divisão metropolitana será um dos mais difíceis e uma possível queda precoce na pós-temporada pode não ser um fracasso dependendo do contexto.

– Barry Trotz: Entra ano, sai ano, Barry Trotz consegue fazer o Washington Capitals ser uma equipe competitiva. Apoiado em um bom momento, hoje o Washington Capitals lidera a liga e tem que lidar com muito mais do que a pressão normal para a situação. Todo o histórico e os estigmas que o time tem devem ser deixados de lado e Trotz é quem deve administrar isso como técnico do time, esse Washington Capitals merece uma Stanley Cup, mas não é o único time e nunca será, por isso Trotz tem a missão de não apenas ficar no mereceu, mas de gerenciar o time para finalmente conquistarem a copa.

Outras impressões:

A NHL adora fazer médias e quase sempre comete injustiças enormes por conta disso. Listas, premiações, sempre são polêmicas e discutíveis, porém existem casos onde a injustiça fica clara, ou talvez pior, que o desentendimento do que deveriam estar fazendo é evidente. Como Jack Eichel não esteve entre os três melhores calouros da temporada passada? E os vencedores do Norris, será que realmente os votantes entendem que é o desempenho do defensor em todo o gelo e não só análise de gols e assistências? Até hoje lembro do Crosby levantando o Conn Smythe Trophy, dado para o jogador mais valioso nos playoffs, e eu pensando na injustiça feita a Phil Kessel, isso foi a liga fazendo média e nada mais, pobre Kessel. Daqui algum tempo os votos para os prêmios serão registrados e eu tenho quase certeza que quando a premiação for entregue, alguém será deixado para trás seja por jogar em um time de menos nome ou porque a crítica não vai com a cara do jogador.

Nessa madrugada (estou escrevendo esse trecho após as 3 horas da manhã pelo horário de Brasília, já no sábado dia 28/01) a NHL terminou de divulgar sua lista dos 100 melhores jogadores em 100 anos (a liga completou 99 anos recentemente), primeiro foram divulgados 33 nomes de jogadores anteriores a década de 1970, então os 67 restantes foram divulgados em uma grande cerimônia em Hollywood na noite da sexta-feira. Sem ordem, apenas separados pro suas épocas, vimos nomes indiscutíveis como Bobby Orr, Mario Lemieux, Wayne Gretzky, Patrick Roy, Chris Chelios e outros aparecerem. O porém foi quando chegaram aos anos 2000: Teemu Selanne, Chris Pronger, Nicklas Lidstrom, Pavel Datsyuk e Martin Brodeur entre os jogadores já aposentados, ou em outra liga no caso do Datskyuk, todos merecedores realmente. Mas aí vieram os jogadores ativos, Jaromir Jagr, Sidney Crosby, Alexander Ovechkin, Duncan Keith, Patrick Kane e Jonathan Toews. Jagr, Crosby e Ovechkin pertencem a essa lista, Kane, Toews e Keith não. Eles são grandes jogadores, importantíssimos para os 3 títulos do Chicago Blackhawks nos últimos anos, mas Jarome Iginla, Joe Thornton e alguns ativos tiveram carreiras melhores do que eles, além de outros já aposentados há pouco ou muito tempo. Esses jogadores ainda tem muito tempo pela frente, mas no momento seus nomes não deveriam estar incluídos.

Vai acontecer o All-Star Game esse final de semana, ano passado num período desses havia muita curiosidade para saber o que seria de John Scott no evento, sua aclamação popular foi um movimento incrível e interessante contra certas atitudes da liga. Para esse ano parece não haver expectativa alguma, eu entendo os motivos da liga ter criado regras novas para eleição de jogadores, mas um pouco poder para o público se divertir não faz mal. Fora que alguns nomes entre os selecionados são não só questionáveis como quase que risíveis pela temporada que vem fazendo, era melhor chamar o John Scott de volta.

NHL: All Star Game
John Scott foi uma atração e um símbolo para os fãs da liga no All Star Game de 2016 (Foto: USATSI)

Aqui vai uma opinião extremamente impopular: a liga acertou em não aprovar a expansão em Quebec. Eles precisam de uma franquia nova no oeste e não no leste, certamente não seria bom para Detroit Red Wings ou Columbus Blue Jackets voltarem para a conferência oeste, assim como não seria bom para um time de Quebec também, é simples assim. Não importa o quanto a cidade seja apaixonada e mereça um time, existem motivos pelo qual a liga precisa prezar antes de tudo e esses motivos fizeram Quebec ser rejeitada como expansão. A alternativa para a cidade é alguém comprar um time e levar a franquia para lá, talvez o Carolina Hurricanes, já que alegadamente Peter Karmanos estaria aceitando vender a franquia para qualquer um que pagasse.

Pegando o gancho, é provável que o Carolina Hurricanes não sobreviva muito tempo, nessa temporada está com uma média menor do que 12 mil expectadores por público em casa. A cidade nunca abraçou a franquia realmente e os maus momentos comprovam isso, mas esse não é o maior dos problemas. Há algum tempo circulam boatos de procedência até confiável que Peter Karmanos Jr quer vender a franquia, mas sempre dizendo que ele quer vender para alguém que se comprometa a mantê-la no estado da Carolina do Norte, só que algumas fontes relataram que Karmanos agora aceitaria vender o time para qualquer pessoa, mesmo que tirasse da Carolina no final das contas. Os problemas não param por aí, os filhos mais velhos o estão processando em uma quantia milionária por alegadamente não ter reposto dinheiro de outras empresas para financiar o Carolina Hurricanes. A melhor solução é se livrar do time mesmo, uma pena para quem é fã, mas negócios são negócios.

 

E essas foram minhas impressões acerca da temporada 2016-17 da NHL até a parada para o All Star Game, além de outras questões de dento da liga. Vemo-nos ao final da temporada regular, então, e em outros textos, além de sempre na minha coluna semanal Do Velho Mundo.