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Puck na cara #7 – Top 30 Goal Horns

Puck na cara #7 – Top 30 Goal Horns

Olá caros leitores do Puck Brasil, @lucas_flames aqui e sejam bem vindos a mais uma edição do Puck na Cara, dessa vez um pouco diferente. Vamos fazer um top 30 aqui, sobre uma das coisas que mais gosto na atmosfera das arenas de hóquei: as goal horns.

Eu tenho nutrido um gosto muito grande pelas horns, tendo até colocado a horn do Flames como alarme do telefone, e como estamos na offseason, sem muita coisa acontecendo na NHL, pensei: por que não?

As horns vão ser avaliadas pelo som da sirene, música e pelo som na arena. Todos os vídeos são do canal Famous Goal Horns, do Youtube. Sem mais delongas, vamos a lista!

 

#30 – New York Islanders

Torcedores do Isles, culpem o Barclays Center por isso. A horn do Isles é considerada a pior da liga dentro de uma arena, e faturou o troféu lanterninha do nosso rank. Uma pena, pois adoro Crowd Chant como goal song.

#29 – Carolina Hurricanes

Essa horn é considerada por muitos como pior até que a do Islanders. Parabéns, Hurricanes. #SQN

#28 – Winnipeg Jets

Pessoalmente acho essa horn muito estridente (além do normal, quero dizer) e  também, a musica não combina em nada com o time. VOLTA HELL YEAH.

#27 – Edmonton Oilers

Juro que não é meu clubismo atuando aqui. A música é bem legal, por sinal, mas a horn é tão gritante quanto a do Jets.

#26 – Colorado Avalanche

Por favor, voltem com aquela horn que parecia alarme de avalanche. Era tão legal… (Para quem não se lembra, foi usada de 2000 a 2003).

#25 – Buffalo Sabres

Essa horn é bem “meh”. Podia ser bem melhor.

#24 – New Jersey Devils

Goal Song até legalzinha, mas não o suficiente para chegar mais no topo da lista. Poderia ser pior se não tivesse o “YOU SUCK” da torcida.

#23 – Washington Capitals

Essa sirene de polícia no meio da horn… eu não consigo gostar de forma alguma. Se não fosse isso, estava no top 15.

#22 – Philadelphia Flyers

Horn semelhante e goal song igual a de Tampa Bay, a diferença que a do Bolts é melhor.

#21 – Ottawa Senators

Essa versão eletrônica de Song 2 não me desse pela garganta. Fica melhor quando usam a versão original no throwback thursday.

#20 – Vancouver Canucks

Só está aqui por causa de Holiday. Com as outras songs é horrível.

#19 -Detroit Red Wings

A horn é boa, mas a música não empolga tanto a torcida na minha opinião.

#18 – Montreal Canadiens

Acho legal ter a música em francês, devido a localização do time, lembrando que em Quebéc se fala francês. Allez Montreal!

#17 – Boston Bruins

Até certo ponto, icônico, mas superestimada. Não deixa de ser legal.

#16 – Los Angeles Kings

Kings marca, soa a horn e começa com I Love LA. Parece ser ruim, mas de repente a musica se adequa a atmosfera da torcida. 16º lugar está bom para a horn do Kings, fechando a primeira metade da lista.

#15 – Dallas Stars

Abrindo o Top 15. A horn é boa, a torcida gritando o nome do time é legal também. 15º lugar para eles.

#14 – Florida Panthers

Gosto bastante dessa horn. Mas não consigo não pensar na imitação de onça do Serjão Berranteiro quanto se ouve o rugido durante a goal song.

#13 – San Jose Sharks

Um clássico das músicas de torcida. Boa escolha para o Sharks. 14º lugar para eles.

#12 – Arizona Coyotes

Esse uivo após a horn é bem simpático, e a música combina com o time. Howling for You é uma boa.

#11 – Minnesota Wild

Boa horn no geral. Merece o 11º lugar.

#10 – Columbus Blue Jackets

UM PUTA CANHÃO NO MEIO DA HORN. Como não gostar? Abre o top 10!

#9 – Toronto Maple Leafs

OOOOOH OOOOOOH OOOOOH GO LEAFS GO!

#8 – Nashville Predators

Começa com música country, o que combina com Nashville, mas a participação da torcida na segunda parte é a essência do time.

#7 -St Louis Blues

When the Blues Go Marching In, histórico e combina com o time.

#6 — Tampa Bay Lightning

Bobinas de Tesla durante a horn, genial. Como disse antes, uma versão melhorada da horn do Flyers.

#5 – Calgary Flames

YEEEEEEEEAH, I’M ON FIRE! A horn combina demais com o time, a música também. Essa combinação vale demais o top 5.

#4 -Chicago Blackhawks

CHELSEA DAGGER! Essa música é excelente e a horn muito boa. 4º lugar pra eles

#3 -Pittsburgh Penguins

LET’S GET A PARTY STARTED! Combina bastante com a festa que os torcedores do Penguins fazem a 2 temporadas. PARTY HARD!

#2 -New York Rangers

Esse riff de guitarra com a participação da torcida chega a dar arrepios de tão boa.

#1 -Anaheim Ducks

Unica coisa boa do time. Brincadeiras a parte, acho a música a melhor atualmente. Bem cativante. A horn também é excelente. Primeiro lugar da lista para o Ducks.

Chegamos ao fim do Top 30. Vocês fariam alguma mudança? Qual é o top 10 de vocês, caros leitores? Comentem, opinem, e, mais importante, cornetem! Grande abraço e até o próximo Puck na Cara!

Puck na cara #6 – Draft e offseason

Puck na cara #6 – Draft e offseason

Olá de novo, caros leitores do Puck Brasil! Mais uma vez eu, Lucas Mendes (@lucas_flames), estou aqui, dessa vez para falar sobre a offseason da NHL. Não vou falar sobre a Stanley Cup Final dessa vez, mas vocês podem ler o texto que o grande amigo Thiago Farias (@thiagoof39) brilhantemente escreveu aqui.

Bem, indo direto ao assunto, essa é umas das partes mais interessantes do ano, pra quem gosta de rumores sobre trocas e mock drafts, claro. Afinal, temos que ter algo para entretenimento já que não temos jogos até setembro, quando temos a pré-temporada (CHEGA LOGO PELO AMOR DE DEUS).

O draft começa hoje a noite, com as escolhas de primeira rodada, e teremos sua continuação amanhã, quando as demais escolhas ocorrem. Essa classe de 2017 não é tão forte quanto a do ano passado, em relação ao ataque. Ainda assim tem bons jogadores, como Nolan Patrick, cotado para ser a primeira escolha geral. Entretanto, uma coisa chamou a atenção após o draft de expansão na ultima quarta. O grande numero de escolhas possuídas pelo Golden Knights e podem ser um grande alvo de trocas esse ano. Falando em trocas, temos sempre aquela expectativa de uma grande troca durante o draft, como a ida de Brian Elliott para o Flames no ano passado. E basta uma rápida busca para ver os possíveis rumores desse ano.

Mas não para por aí. No primeiro dia de julho abre a janela de free agency, os contratos de alguns jogadores expiram e viram free agents, restritos e irrestritos. O que geram ainda mais rumores e expectativas em todos nós, loucos para ver aquele breaking news sobre trocas ou contratações.

O Puck Brasil não vai parar, meus caros. Essa offseason promete ser muito boa. Prepare seu salary cap, a sua corneta pro GM do seu time, e olhos atentos para qualquer trade. A época dos negócios está apenas começando!

Impressões Sobre a Stanley Cup 2017

Impressões Sobre a Stanley Cup 2017

Pela centésima vigésima segunda (122ª) ocasião, a Stanley Cup foi disputada e entregue, em seus 124 anos de existências apenas por duas vezes o cálice sagrado do hóquei sobre o gelo não foi entregue (1919 e 2005). Nesse momento, todos sabemos quem venceu, mas vamos ter como ponto de partida o momento em que Penguins e Predators foram ao gelo pela primeira vez da série para iniciarmos nossa discussão sobre a série final da temporada 2016-17.

A série não foi tão disputada quanto esperado e ansiado, todos os jogos foram decididos por mais de 1 gol. Não tivemos grandes jogos, o melhor em minha opinião foi o sexto e último, o que é muito recorrente para a Stanley Cup, mas tivemos grandes passeios, o que não é normal. A temporada regular da NHL é muito desgastante, os 82 jogos fazem os times minarem suas forças e a corrida nos playoffs pode ser mais desgastante ainda, por isso muitas vezes não vemos grandes jogos nas finais, mas não é normal vermos domínios amplos de ambos os times nos jogos em que cada um deles venceu respectivamente.

Nos cinco primeiros jogos o time da casa venceu o jogo, a menor diferença nesses jogos foi de 2 gols, placar final de 5-3 em favor do time de Pittsburgh no jogo 1 da série. Foi estranho ver que simplesmente o dono da casa passar por cima do adversário, especialmente no jogo 5 em que o Penguins marcou 3 gols no primeiro período, 3 no segundo e garantiu a vitória com muita facilidade.

Se nas fases anteriores Pekka Rinne foi um herói, nas finais acabou sofrendo muito, falar que ele poderia fazer mais é, além de uma análise simplória, seria injusta com o poder de fogo do adversário. A verdade é que não só Rinne, mas como todo o Nashville Predators enfrentou algo que não havia enfrentado antes, uma equipe capaz de criar e achar espaços absurdamente mínimos, em que apenas não errar é menos do que o mínimo, e que para tornar tudo pior, é um time que tem provavelmente o melhor poder de fogo da NHL. E em alguns momentos Rinne foi feito injustamente de bode expiatório porque o Predators como um todo não conseguiu impedir o adversário de criar, de contra atacar com precisão, de achar o espaço mínimo, ou seja, fazer o que nenhuma outra equipe faz na NHL.

Por outro lado, Matt Murray conseguiu ser novamente uma ancora de segurança, não só voltou a substituir muito bem Marc-Andre Fleury, que era seu substituto, como foi uma peça decisiva com dois shutouts em sequência, nos jogos 5 e 6. Murray foi novamente muito ajudado pelo sistema defensivo que se portou muito bem a sua frente, no jogo 6 da série isso ficou muito claro e exposto, mais uma vez Mike Sullivan soube comandar a equipe como um todo de modo brilhante. Sempre comento isso, mas vale a repetição aqui: por mais que o goleiro seja incrível, se a defesa na sua frente falha, ou não consegue dar proteção suficiente contra o adversário, o goleiro terá muitos problemas e isso ficou claro nessas finais.

Antes de chegar ao jogo 6, eu gostaria de abrir um parêntese rápido para o caso Crosby vs Subban, que na quinta partida teve seu ápice. Eles não se gostam, se provocaram o tempo todo, deram hits fortes um no outro, mas no jogo 5 a rivalidade/briga/implicância chegou ao ápice quando em um lance os dois caíram no gelo. Crosby ficou, como se fala na gíria do jiu-jitsu, montado em Subban e em algum momento empurrou a cabeça do adversário contra o gelo. Enquanto isso, Subban tentou dar uma chave de perna no Crosby. Resultado: os dois pegaram 2 minutos por holding (a famosa segurada), o que acho que saiu barato para quem empurrou a cabeça do adversário contra o gelo, mas na NHL parece ter uma regra que protege as estrelas a todo custo, não só o Crosby como muita gente fala. Nada acontece feijoada, segue a série.

Então chegamos ao jogo 6, onde o Pittsburgh Penguins poderia vencer a Stanley Cup pela quinta vez, e pela quinta vez fora de casa. Esse jogo teve um momento que pode ter pesado muito no desfecho da partida, me refiro ao gol que não aconteceu, mas em teoria teria acontecido caso o árbitro não tivesse apitado. Aí você pode estar pensando “mas o jogo terminou 2-0 para o Penguins, deveria ao menos ter sido 1-1 no tempo regulamentar e tido prorrogação”. Poderia, deveria, seria… Tudo apenas teoria, não sabemos o que teria acontecido caso o árbitro não tivesse apitado e o gol tivesse acontecido, pode ser que o Nashville tivesse vencido o jogo, pode ser que não. Não temos como saber com certeza o que iria acontecer, nossa mente não tem essa capacidade, não temos máquinas para suprir isso, então qualquer conjectura é mera especulação e perda de tempo. Temos que nos concentrar ao que aconteceu e não as probabilidades que teríamos a partir de algo que não ocorreu.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
O gol que não existiu (Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports)

O que aconteceu foi que o Predators não conseguiu marcar o gol, mesmo tendo volume de jogo muito maior. O que aconteceu foi a visão e inteligência de Patrick Hornqvist ao ver o puck bater na borda e o goleiro adversário fora de posição, utilizando-se dessas vantagens para marcar o primeiro gol do jogo. O que aconteceu foi Carl Hagelin ganhar o disco na velocidade e com paciência empurrar o puck até o gol para sacramentar o destino. O que aconteceu foi uma vitória de 2-0 por parte do Pittsburgh Penguins no jogo, chegando a quarta vitória na série.

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Os jogadores do Pittsburgh Penguins celebram ao término do jogo (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

Chegar as finais da Stanley Cup foi o ponto máximo para o Nashville Predators, que não conseguiu se superar. O time encontrou um adversário melhor, mais preparado, talvez até mais bem organizado e treinado, e esbarrou em problemas mais internos. É verdade que em alguns momentos o Predators se deu por vencido quando poderia ter lutado mais, afinal de contas é a Stanley Cup, você não deve desistir, mas falar isso quando está de fora é fácil. Foi uma ótima campanha, que para o time e os torcedores, infelizmente não conseguiu alcançar o desejado, o último passo foi impossível.

Com todos os méritos do mundo o time de Pittsburgh alcançou a Stanley Cup pela quinta vez, igualando-se ao Edmonton Oilers no número de conquistas. Penguins deixou seus rivais de Nova Iorque para trás e agora está empatado como o 5º maior vencedor da copa de Lord Stanley entre as franquias ativas, 6º maior de todos os tempos. Pela primeira vez na era do salary cap uma franquia consegue um bicampeonato consecutivo, além de ser a primeira vez desde o Detroit Red Wings 1996-97/1997-98 que qualquer equipe conseguiu esse feito. Essa temporada coroou o Pittsburgh Penguins como, discutivelmente, a maior franquia dessa era atual da NHL, são 3 Stanley Cups e 4 finais, além de outros bons desempenhos nesse período.

Sidney Crosby foi novamente agraciado com o Conn Smythe Trophy, para o jogador mais valioso dos playoffs. Ele foi o terceiro em toda a história do troféu, desde 1965, a conseguir tal feito, antes dele apenas Bernie Parent (Flyers 1974/1975) e Mario Lemieux (Penguins 1991/1992) foram agraciados com o troféu em anos seguidos. Não acho que foi uma decisão acertada, mesmo Crosby tendo sido fundamental, talvez dar o Conn Smyth para Evgeni Malkin fosse o mais correto, com tudo acho que o mais justo seria uma divisão entre os dois goleiros, Marc-Andre Fleury e Matt Murray acabaram sendo decisivos em muitos momentos e como os dois dividiram a posição, seria justa a vitória conjunta. Mas novamente Sidney Crosby foi escolhido, então nada podemos fazer além de expor uma opinião que em nada irá impactar, no final das contas.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
Sidney Crosby recebe o troféu Conn Smyth, para o jogador mais valioso dos playoffs (Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports)

E assim se encerrou a temporada 2016-17 da NHL, com a Stanley Cup voltando para as mãos do Pittsburgh Penguins. Parabéns ao time e aos torcedores! Será que a 3ª copa consecutiva, a sexta 6ª em toda história, vem pela frente? Não sabemos, mas sabemos que em outubro a NHL retorna.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
Aquela foto tradicional com os jogadores ao redor do troféu (Foto: Christopher Hanewinckel-USA TODAY Sports)
Puck na cara #5 – Stanley Cup Playoffs #2 e A Grande Final

Puck na cara #5 – Stanley Cup Playoffs #2 e A Grande Final

Olá caros leitores do Puck Brasil! No dia em que se inicia a final, depois de ter falhado miseravelmente nos palpites da primeira rodada e sofrer com a famosa falta de tempo, eu, Lucas Mendes, estou aqui de volta pra falar sobre os amados playoffs da NHL, mas antes de tudo, quero mandar um TANKA MAIS pro meu caro amigo Canuck, Andrei Henrique.

Embora esses playoffs estejam levemente manchados por erros crassos de arbitragem, que definiram o andamento de algumas séries, tivemos duas ENORMES surpresas, uma pipocada que todo mundo espera (alô Capitals), além da volta dos canadenses, que ficaram fora na última temporada, chegamos ao clímax, a grande final, onde um time chorará, e outro alcançará a glória máxima do hóquei, inclusive, podendo ser um campeão inédito.

Destrinchando um pouco, vamos falar primeiro da conferência Oeste, onde tivemos a maior surpresa talvez da história da NHL. Quem, em sã consciência apostaria que o último time a se classificar aos playoffs anularia totalmente e varreria o melhor time classificado em sua conferência? Sério, aplausos de pé para o Nashville Predators. Enquanto isso, o Chicago Blackhawks ficou só na espera de #OneGoal em casa. No outro lado dessa chave, tivemos outra varrida, mas nesse caso, teve muita polêmica. O Ducks varreu o Flames sim, mas erros de arbitragem nos três primeiros jogos colocaram em dúvida o resultado da série. Ainda nesse lado, tivemos o Oilers vencendo uma série de playoffs depois de 800 anos em rebuild e tank. Na segunda rodada ainda tivemos Ducks vencendo jogo 7 em casa (!!!) e o Predators vencendo o Blues. Na final de conferência, vimos o Predators chegando na grande final pela primeira vez na história. Smashville tem plenas condições de festejar como nunca visto antes. Só precisam de mais 4 vitórias.

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PK e Nashville estão como predadores em busca da taça. (Foto: Frederic Breedon/Getty Images)

Do lado leste, quem apostava no Ottawa Senators? Passando pelo Bruins e pelo Rangers, que eliminou Carey Price e cia na primeira rodada (PK Subban está assim: minha ex tá bem, só não está melhor que eu), mas parou no 2º overtime do jogo 7 na final de conferência contra o Penguins, que passou da sensação Blue Jackets e mais uma exaustiva vez, contra o time da pipoca anual, o Washington Capitals (Ovie nunca vai ganhar uma Stanley Cup mesmo, infelizmente) que tinha vencido o Toronto Maple Leafs, com sufoco. O Penguins volta a final e vai defender seu título, querendo levantar a Stanley pela 5ª vez.

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O olhar de quem quer levantar mais uma taça. (Foto: NHL)

O Penguins vem com certo favoritismo nessa final, pelo fato de ser um time mais acostumado com finais e mais experiente nos playoffs. Do outro lado, o Predators vem com o apoio imenso da torcida, que parece uma torcida sul-americana em jogo de libertadores, além de ter um baita goleiro em Rinne, uma defesa extremamente sólida liderada pelo negro maravilhoso PK Subban, sem falar no bom ataque.

A defesa deve ser o fator desequilíbrio, o que pode decidir o campeão nessa final. O Penguins sofreu bastante com erros defensivos nesses playoffs e precisa que seus 3 pares joguem de maneira sólida, evitando erros e impedindo o bom ataque de Smashville.

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Quem comemora? Quem chora? A final começa HOJE (29/05)! (Foto: NHL)

Mas, cá entre nós, temos uma certeza. A Stanley Cup desse ano, com certeza será amarela.

Impressões Sobre as Finais de Conferência 2017

Impressões Sobre as Finais de Conferência 2017

A macha até a Stanley Cup chega a sua etapa final, mas antes disso aconteceram as finais de conferências. Quatro times tinham chances de erguer lorde Stanley, mas apenas dois mantem o sonho de fazer isso ainda em 2017. Antes de chegarmos a etapa final, vamos falar sobre as finais de conferência e como o time A venceu, como o time B não venceu, como o time C jogou muito bem, mas não foi sua vez, como o time D tem um bufê… Acho que não vamos tão longe assim.

Penguins a fim de voltar a Stanley Cup e ser bicampeões ou penta, considerado toda a história da franquia, Ducks e Senators querendo voltar a disputar o título máximo da NHL após 10 anos desde que fizeram isso pela última vez (a primeira para o time de Ottawa), além do Predators querendo colocar o pé na fase final pela primeira vez em sua relativamente curta história (o que são 20 anos para uma franquia?). Quem chegou a Stanley Cup? Como esses dois times venceram suas respectivas conferências? Por que não foram os adversários a vencer? As respostas estão a seguir, não necessariamente ou completamente corretas:

Pittsburgh Penguins 4-3 Ottawa Senators Quem diria que o Ottawa Senators chegaria tão longe? Sem clubismo, creio que ninguém, de verdade imaginava isso. Já o Pittsburgh Penguins tinha uma ótima chance de chegar até essa etapa, o fez e avançou a Stanley Cup novamente, como parece ser a tradição da franquia (o time fez isso em 1991-1992, 2008-2009 e 2016-2017). O gol de Chris Kunitz na segunda prorrogação fez o time de Pittsburgh voltar as finais, mas como chegamos até aí?

Uma série de altos e baixos, de ambos os times, por vezes um dominava dois períodos e o adversário “aparecia” para o jogo apenas no período final. Tanto Penguins quanto Senators variaram muito, isso proporcionou uma goleada para cada time. Nos demais jogos, houve equilíbrio, ao menos no placar, em muitos momentos vimos o time de Pittsburgh dominar, mas parar em Anderson. Aliás, Craig Anderson foi o grande jogador do time na série, graças a ele, além de outros fatores, tudo foi definido apenas na segunda prorrogação do jogo 7. Do lado do Penguins, tivemos bons momentos de Sidney Crosby, Marc-Andre Fleury, Matt Murray, que voltou a titularidade durante a série, mas principalmente Evgeni Malkin. A vontade do Ottawa Senators pareceu não ser o suficiente dessa vez, além de em alguns momentos o time ter tomado algumas decisões erradas, do outro lado tinha um time superior em habilidade, técnica, tática e até na vontade, o conto de fadas do Ottawa Senators terminou com um choque de realidade não tão duro quanto poderia ter sido.

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Novamente Sidney Crosby levanta o troféu Prince of Wales (Via: https://twitter.com/penguins/status/867959607414501380)

Anaheim Ducks 2-4 Nashville Predators A série teve seis jogos que, em alguns casos, pareciam ter jogos dentro de si mesmos. Dois times muito concentrados e focados em lutar, em disputar, em se doar e derrotar o adversários, não necessariamente os dois ao mesmo tempo, mas vontade não faltou as representações de Anaheim e Nashville. Além da vontade, fatores coletivos e individuais pesaram, obviamente, em muitos momentos o Ducks produziu em quantidade, mas novamente o Predators mostrou que a qualidade prevalece.

Não adianta disparar 50 vezes ao gol por jogo se 40 são disparos sem muito perigo, assim o time de Nashville vem jogando, se porta bem defensivamente a ponto de o adversário passar maior parte do tempo com o disco e, na maioria das vezes, não conseguir achar o espaço para disparar. O Anaheim Ducks em alguns momentos achou o espaço, mas em muitas boas oportunidades parou na muralha finlandesa chamada Pekka Rinne, que novamente brilhou muito. Em outras oportunidades, o Ducks bateu Rinne e fez gols, venceu jogos, foi um time muito bravo que caiu de pé contra um adversário taticamente superior e em momento melhor. O Nashville Predators, por outro lado, encontrou os caminhos, soube se segurar e contra atacar, soube pressionar, fez tudo o que havia feito nas séries anteriores. Roman Josi, P.K. Subban e Ryan Ellis fizeram o trabalho sujo lá atrás e apoiaram o ataque muito bem, os atacantes auxiliaram nos momentos de defesa e tiveram visão e criatividade para superar o adversário. E mesmo no momento que Ryan Johansen, um dos grandes talentos ofensivos do time, se machucou, o time arrumou maneiras de superar, incluindo a heroica performance de Colton Sissons com direito a hat-trick no jogo 6 (o herói improvável e a NHL tem um caso eterno de amor).

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Senhoras e senhores, o Nashville Predators campeão da conferência oeste 2016-17 (Foto: Mark Humphrey-AP)

Uma prévia do que pode vir por aí

Pittsburgh Penguins e Nashvile Predators vão decidir quem vence a Stanley Cup no ano de 2017 da era cristã, ou comum, se preferir. Ou teremos o time de Pittsburgh vencendo pela quinta vez, ou o time de Nashville pela primeira, Sem dúvidas espero uma grande Stanley Cup, muito disputada e que termine na quinta prorrogação do jogo 7 (para desespero dos torcedores dos dois times).

É tecnicamente impossível realmente prever o que vai acontecer aos mínimos detalhes, mas se pararmos para pensar no modo de jogo das duas equipes na pós-temporada, deveremos ter o Penguins procurando espaços no incrível sistema defensivo do Predators, assim como tendo que persistir muito para vencer Pekka Rinne, o time de Nashville contra golpeando e dominando o jogo em alguns momentos, procurando passes para vencer o esquema de Mike Sulivan e bater Matt Murray. Penguins tem mais qualidade no ataque, Predators na defesa, os dois tem goleiros incríveis, se tudo correr bem nos aspectos de saúde dos jogadores e momento, teremos uma grande partida de shogi (jogo de tabuleiro inventado no Japão, chamado as vezes de “xadrez japonês”, que por natureza é muito mais dinâmico do que o xadrez em si)  entre Mike Sulivan e Peter Laviolette, já que como as peças de shogi, os jogadores podem voltar ao jogo e fazer toda diferença a qualquer momento.

Quatro ou sete jogos, não sabemos o que vai acontecer, mas tudo indica que será uma guerra. Novamente digo isso, tudo pode acontecer no gelo, inclusive nada, com tudo as expectativas estão lançadas para que essa seja a melhor Stanley Cup de todos os tempos, com tudo, se não chegar a isso, pode ser que não fiquemos decepcionados. Os dois times tem material humano e aplicação tática para fazer algo muito especial acontecer, mas um deles apenas vai ser o campeão.

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Penguins e Predators pronto para o duelo final da temporada, mas vamos com calma que só começa dia 29 (Via: Getty Images)

Que venha o dia 29 de junho! É hora da disputa final.

 

Impressões Sobre a Segunda Fase dos Playoffs da NHL

Impressões Sobre a Segunda Fase dos Playoffs da NHL

Mais uma fase está nos livros de História, oito times estavam vivos na disputa da Stanley Cup, agora apenas quatro são candidatos a erguer o santo Graal do hóquei sobre o gelo na temporada 2016-17. Como sempre, tivemos corações partidos, heróis improváveis aparecendo, o improvável e o que se tinha como impossível, aconteceu. Nada de novo em se tratando desse esporte, mas ainda sim fomos surpreendidos, ou, em alguns casos, vimos a história se repetir como se fosse Karma.

Vamos abordar, como feito anteriormente, série a série:

Ottawa Senators 4-2 New York Rangers Surpresa? Sim de certa forma, e fica mais surpreendente pelos contornos tomados na série. O New York Rangers liderou a maior parte do tempo e ainda sim perdeu a série, apenas no sexto jogo o Ottawa Senators saiu na frente. Aqui foi uma série decidida pela força mental e, por outro lado, perdida pelos mesmos erros cometidos repetidamente.

Se essa série teve um nome, esse nome foi Jean-Gabriel Pageau, Pageau fez 4 gols, incluindo o de empate e da vitória, no jogo 2 da série, fez o gol da vitória no jogo 5 e ainda selou o destino no jogo 6. Nada de Karlsson, Ryan, Turris ou Hoffman, que fizeram seu papel dentro do esperado, Pageau foi o herói improvável na série. Por outro lado, o time de Nova Iorque apresentou muitos problemas, muitas falhas, tanto sobre segurar placares nos momentos decisivos do jogo, quanto motivacionais, Mats Zuccarello após o jogo 6 comentou que os próprios jogadores haviam desanimado em um momento do jogo, quando o Rangers estava atrás do placar e precisava buscar uma virada para sobreviver. Por outro lado, na batalha dos técnicos, Guy Boucher soube motivar e organizar seus comandados nos momentos de dificuldade, Alain Vigneault não, por esse motivo, junto aos outros citados e talvez até outros mais, o Ottawa Senators acabou surpreendendo e derrubando o favorito.

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O aperto de mãos simbolizando o final do sonho de um e a continuidade do sonho de outro (Foto: Frank Franklin II/The Associated Press)

Washington Capitals 3-4 Pittsburgh Penguins Mais uma vez o Washington Capitals chega a segunda fase na pós-temporada, mais uma vez sua temporada termina nessa fase. Parece ser kármico, mas Alexander Ovechkin nunca passou dessa fase, não importa o quanto o time ao redor dele seja forte, mas o adversário parece sempre destinado a vencer.

Nessa série o Washington Capitals disparou mais ao gol, mas o Pittsburgh Penguins conseguiu criar mais perigo, o time de Pittsburgh foi o segundo que conseguiu criar mais chances de disparo sem bloqueio no 5 contra 5 (High Danger Score Chances ou HDSC) tomando como base a fase anterior, enquanto o Capitals foi apenas o décimo na primeira rodada dos playoffs (Fonte – em inglês ). Não basta ter o puck, não basta disparar a esmo, tem que criar chance de perigo real, tem que fazer o goleiro adversário trabalhar de verdade, tem que dar espaço real para suas armas fazerem a diferença. E foi isso o que o Penguins fez, isso que o Capitals falhou em fazer. Aquele que conseguiu usar melhor suas armas venceu, mais uma vez o Washington Capitals caiu em um jogo 7 para o Pittsburgh Penguins, mais uma vez essa foi a barreira intransponível para Alexander Ovechkin. Como diria o poeta: Karma is a bi…

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Crosby e Fleury se cumprimentam, Penguins avança (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

St Louis Blues 2-4 Nashville Predators Mais uma vez o time de Nashville seguiu fazendo seu jogo de se ajustar muito bem ao adversário. Defende para contra atacar quando tem o puck, sabe pressionar na zona ofensiva, dessa vez encontrou mais dificuldades, mas ainda sim passou para as finais de conferência.

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Johansen marcando sobre Allen (Crédito da foto)

O St Louis Blues fez o que poderia, mas o time de Nashville veio embalado pelo momento, tem a já citada capacidade de se adaptar ao jogo, seus atacantes e defensores sabem criar chances perigosas quando tem o disco. Os grandes destaques tem sido Pekka Rinne e Ryan Ellis, o goleiro tem atuado de maneira espetacular, o defensor é um leão na defesa e no ataque. Do lado de St Louis, mesmo tendo trocado o melhor defensor no meio da temporada, o time se comportou muito bem e não está muito longe de ser uma equipe melhor, basta o gerenciamento tomar as decisões certas (o que é difícil).

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Nashville pode comemorar, o Predators está nas finais de conferência pela primeira vez na sua história! (Crédito da Foto)

Anaheim Ducks 4-3 Edmonton Oilers O time do futuro contra o time desacreditado, foi uma grande série, teve a maior polêmica de toda a pós-temporada, até agora, e tudo terminou com os demônios do time de Anaheim sendo exorcizados. Se o Washington Capitals teve um destino que parece até ser o Karma dessa equipe atualmente, o Anaheim Ducks conseguiu superar o que parecia ser seu Karma e vencer um jogo 7.

A série começou maluca, Oilers venceu os 2 primeiros jogos em Anaheim, Ducks empatou a série com duas vitórias em Edmonton e tudo chegou ao jogo 5 e seu lance polêmico. O time de Edmonton vencia por 3 gols, o Ducks marcou o primeiro faltando 3 minutos e 17 segundo para o final do jogo, o segundo faltando 2 minutos e 41, então faltando 15 segundos, Rickard Rakell empatou, a confusão em frente ao gol com Nurse empurrando Kesler na direção de Talbot. O desafio foi feito, a marcação de gol foi mantida, alguns acharam que Kesler puxou o pad do goleiro, outros acham que não houve a interferência porque o jogador foi empurrado sobre Talbot, eu faço parte dessa segunda corrente, não creio que houve interferência na jogada, mas não é e nunca será uma unanimidade, de qualquer modo, Perry marcou o gol vencedor na segunda prorrogação. No sexto jogo o Oilers passou o carro, fez o ETERNO 7 a 1, mas no sétimo jogo o Anaheim Ducks mostrou vontade para virar a partida, raça para segurar, enquanto o time de Edmonton pareceu ter cedido a pressão e ao nervosismo, a inexperiência pareceu ter falado mais alto.

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Corey Perry celebra o gol vencedor no jogo 5 da série (Foto: Chris Carlson/AP)

Balanço final

Quatro séries, 26 jogos, 148 gols, uma média de 5,7 gols por jogo, 5 jogos decididos na prorrogação. Foram quatro séries acirradas, decidida em detalhes na maioria das vezes, tudo o que se espera dos playoffs da NHL. O campeão atual voltou as finais de conferência, o Pittsburgh Penguins tenta manter a escrita de ir a Stanley Cup e voltar no ano seguinte, pela frente vai encontrar um valente Ottawa Senators querendo voltar a disputar a Stanley Cup após 10 anos. Do outro lado temos o Nashville Predators tentando alcançar as finais pela primeira vez em sua história, seu embate será contra o Anaheim Ducks, que busca alcançar as finais pela terceira vez e conquistar o troféu mais sagrado do esporte pela segunda vez. Apenas dois desses quatro irão sobreviver a avançar até o estágio final da temporada 2016-17, quem serão os dois? Descobriremos em alguns dias…

Impressões sobre a primeira fase de playoffs da NHL

Impressões sobre a primeira fase de playoffs da NHL

Depois de dois textos mais ou menos nesse formato e milhares (0 no total) pedidos de retorno, aqui estamos novamente. A primeira fase dos playoffs pela Stanley Cup está nos livros de História, mas vamos fazer uma análise do que se passou em cada série e porque certos times avançaram e outros não. Em algumas séries é um trabalho óbvio, em outras é mais minucioso, isso simplesmente porque muitas vezes as coisas ficam escancaradas para todos verem, mas às vezes não.

Mas antes de tudo, o que aconteceu? O caos, como sempre, não poderia ser diferente quando o primeiro gol dos playoffs sai num backhand topshelf de Tanner Glass sobre Carey Price, depois disso coisas estranhas aconteceram, outras até esperadas também aconteceram. Hora de tratar série a série:

Canadiens 2-4 Rangers Foi aqui que o caos começou, pode-se dizer que o New York Rangers segurou o pé na temporada regular para ir parar no lado da divisão do Atlântico na chave dos playoffs e deu certo.

No que foi anunciado como um duelo de goleiros, o que é óbvio quando se tem Henrik Lundqvist de um lado e Carey Price do outro, na verdade foi mais sobre os ataques. Nenhum dos dois times tem um conjunto de defensores incrível, mas no geral os defensores se comportaram bem e isso foi o bastante, os goleiros dispensam comentários. A grande questão é que o New York Rangers tem melhores jogadores no seu ataque e isso pesou muito, tirando o terceiro período e prorrogação do jogo 2 e o jogo 3, em ambos os casos o Rangers esqueceu de jogar e foi justamente onde perdeu 2 jogos. Nos 4 jogos restantes, o ataque do time de Nova Iorque falou mais alto, Alain  Vigneault achou combinações de linhas para atormentar os defensores de Montreal e Carey Price. Os goleiros fizeram o que puderam e no final das contas foi o poder para superar esses monstros que contou para o destino final da série, poder que o Canadiens não demonstrou, enquanto do outro lado os atacantes liderados por Mats Zuccarello, Mika Zibanejad e Rick Nash construíram o caminho.

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Rick Nash e Jimmy Vesey celebram (Foto: Frank Franklin II/AP)

Senators 4-2 Bruins Uma série decidida pelo equilíbrio dos times, o Boston Bruins tinha o melhor goleiro e o melhor jogador de linha, mas o Senators tinha mais equilíbrio em seu elenco. Para um time em reconstrução, o Boston Bruins foi realmente bem, mas o Ottawa Senators estava passos a frente e no final das contas isso pesou muito no destino da série.

A série foi disputada em 6 jogos com direito a prorrogação em 4 deles e todos os jogos foram definidos por 1 gol. Jogadores como Bobby Ryan, Derick Brassard e mesmo Clarke Macarthur, que marcou 2 gols vitoriosos no tempo extra, incluindo o gol que venceu a série, além deles também tivemos um impacto grande do quarterbarck Erik Karlsson, especialmente com lançamentos para os atacantes em velocidade. Se o Ottawa Senators teve isso, o Bruins teve muita vontade e intensidade, Brad Marchand, David Pastrnak, David Backes, os atacantes fizeram o que poderiam fazer, Tuukka Rask roubou gols, mas simplesmente o adversário era mais forte e conseguiu impor a força em momentos decisivos, o tipo de coisa que acontece muito nos esportes.

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Jogadores do Ottawa Senators comemoram o gol vencedor da série marcado por Clarke Macarthur (Foto:Michael Dwyer/Associated Press)

Capitals 4-2 Maple Leafs O Capitals era amplo favorito na série e venceu. Poderia parar por aí, mas as coisas foram muito além disso, muito além de 6 jogos dos quais 5 foram decididos na prorrogação, uma das 3 séries recordistas de prorrogação na história da NHL (as outras duas foram Phoenix/Arizona Coyotes vs Chicago Blackhawks em 2012 e Montreal Canadiens vs Toronto Maple Leafs na Stanley Cup em 1951), e todos os jogos sendo definidos por 1 gol apenas. Essa série mostrou que o Toronto tem Futuro e que o Capitals não é uma máquina invencível.

Um fator importante para o destino da série foi Auston Matthews, o jovem principiante na liga demonstrou uma boa capacidade de liderar sua equipe, de motivar os demais jogadores e a garotada seguiu o líder, pressionou o Washington Capitals o quanto pode. Do outro lado tivemos um time completo sendo pressionado em muitos momentos por uma equipe mais inexperiente, talvez a pressão que o time sofre pesou em alguns desses momentos, mas o Capitals conseguiu achar o caminho em alguns momentos, especialmente no último jogo da série. Enquanto o Toronto entrou despreocupado na série, o Washington tem um fardo muito grande para aguentar e é algo que vem atrapalhando sempre, ano após ano, essa série nos mostrou que se o Capitals pretende se livrar do fardo de não ter Stanley Cup, vai precisar deixa-lo de lado e não deixar que esse fardo o assombre.

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Marcus Johansson foi o herói no jogo 6 (Foto: Toni L. Sandys/The Washington Post)

Penguins 4-1 Blue Jackets Uma série surpreendente e não por motivos bons, o Columbus Blue Jackets decepcionou totalmente, mas ainda sim, não foi a grande decepção da pós-temporada. Em alguns momentos o Pittsburgh Penguins pareceu relaxado na série e com totais méritos, mas é mais fácil relaxar quando o adversário não pressiona você.

Há de se fazer uma ressalva de que nessa série aconteceu a primeira vitória do Blue Jackets em período regular (60 minutos) num jogo de playoffs, mas de resto tivemos domínio amplo do time de Pittsburgh. Vale ressaltar também que Marc-Andre Fleury fez uma ótima série, o goleiro teve que entrar de última hora no lugar de Murray e fez muitas defesas chave quando foi chamado ao trabalho. Além disso, o ataque do Penguins fez e teve liberdade para fazer tudo o que sabe, o tipo de coisa que termina desastrosamente quando se enfrenta Crosby, Malkin, Kessel, Kunitz, Rust…

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Penguins e Blue Jackets apertaram as mãos mais cedo que o esperado (Via: http://www.foxsports.com/nhl/gallery/columbus-blue-jackets-eliminated-by-pittsburgh-penguins-5-reasons-playoffs-042117)

Blackhawks 0-4 Predators SWEEP! SWEEP! SWEEP! SWEEP!, esse era o grito nos minutos finais do jogo número 4, em Nashville. A NHL é conhecida por ter muitas surpresas nos seus playoffs, mas ninguém no mundo imaginava que o Chicago Blackhawks 2016-17 seria varrido, de fato, o time era apontado como um dos grandes favoritos a vencer a Stanley Cup.

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Jonathan Toews e todo o Chicago Blackhawks estão tendo muita dor de cabeça após essa série desastrosa para o time (Foto: Associated Press)

A série começou de um modo estranho, os dois jogos em Chicago tiveram shutout de Pekka Rinne, o Nashville Predators mostrou ao mundo em apenas 2 jogos que o poderoso e temido ataque do time de Chicago não poderia apenas ser parado, mas completamente anulado. Rinne foi um fator importantíssimo nessa série e seu desfecho chocante, mas não foi o único fator, os jogadores de linha tiveram uma postura ótima durante os 4 jogos, não deram espaço para o Blackhawks usar suas poderosas armas, defendeu muito bem quando não teve o puck, pressionando, fazendo o adversário errar, isso deu espaço para o ataque aparecer e brilhar. Pela primeira vez na história dos playoffs de qualquer uma das 4 grandes ligas um time com a pior classificação da conferência varreu o time de melhor colocação, o Nashville Predators já fez história nessa série, mas certamente quer mais.

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Marcus Johansen celebra gol no jogo 4 (Foto: Associated Press)

Wild 1-4 Blues Essa era uma série com muita pegadinha, o time do Minnesota Wild era muito bom, mas desde o começo eu vi o St Louis Blues como favorito. Questão de momento e do tal matchup, se teve um time na temporada regular que foi não simplesmente uma pedra, mas um monte Everest, no sapato do Wild, esse time foi o Blues. Temporada regular é uma coisa e playoffs outra, mas nesse caso não foi.

A verdade é que o Blues fez o que fez em todos os confrontos na temporada regular: contragolpes rápidos e mortais quando era pressionado, mas além disso, achou um modo de trabalhar bem o puck e não precisar contar com Jake Allen o tempo todo. Allen foi um diferencial na série, saiu do primeiro jogo com 51 defesas, o Blues brincou de mais com o perigo naquele dia, mas deu certo. Então foram mais duas vitórias até que o Wild vencesse o jogo 4, tudo foi definido na prorrogação de um emocionante jogo 5. Bruce Boudreau foi novamente superado taticamente na primeira rodada dos playoffs após uma grande temporada regular, novamente o St Louis Blues foi a montanha que o Minnesota Wild não conseguiu escalar na temporada 2016-17.

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Jogadores do St Louis Blues celebram a classificação (Foto:Stacy Bengs/The Associated Press)

Ducks 4-0 Flames Eu sinceramente achava que o Flames iria vencer ao menos um jogo, mas o Anaheim Ducks era franco favorito e confirmou isso no gelo. O Calgary Flames até apertou o jogo em 3 jogos, mas no final o melhor venceu.

Ducks teve mais tranquilidade e vontade nos momentos decisivos, isso pesa muito no momento de vencer o jogo e uma série. Corey Perry passou a maior parte da temporada sumido e voltou a jogar muito bem, mas o grande nome foi Ryan Kesler, esse fez a mágica acontecer. O time de Calgary conseguiu mostrar vontade também, mas esbarrou em alguns problemas como um goleiro não muito confiável, a falta de mais poder defensivo e a falta de cabeça para vencer um jogo. Onde um falhou, o outro teve sucesso e assim as coisas funcionam.

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Não foi tão tranquilo quanto pareceu, mas o Anaheim Ducks varreu e avançou (Foto: Sean M. Haffey/Via: Getty Images)

Sharks 2-4 Oilers Essa era uma série difícil, a balança estava equilibrada, mas o time de Edmonton conseguiu usar melhor suas armas e isso acabou decidindo a série. Não só o poderoso ataque, como o grande goleiro do Oilers fez a balança pesar para seu lado.

Aqui era uma das séries onde era tudo possível, experiência contra inexperiência, time sólido em todo o gelo contra um time que tem falhas defensivas, mas em 6 jogos o Edmonton Oilers conseguiu vencer 4 jogos, contando com a liderança do incível Connor McDavid, mas com outros jogadores como Leon Draisaitl e até mesmo Zack Kassian achou espaço para brilhar. Lá atrás, Cam Talbot teve dificuldades, mas segurou os pucks quando a pressão do Sharks aumentou. Mesmo com um jogo 4 péssimo, o time de Edmonton não se abalou, o jovem time conseguiu dar grandespassos para um futuro teoricamente brilhante.

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Leon Draisaitl abre a contagem no último jogo da série (Foto: Tony Avelar/Associated Press)

Outros assuntos relacionados:

Um ponto em que eu devo tocar e que sempre se tem reclamações aos muitos especialmente nos playoffs: arbitragem. É sempre polêmica, sempre o seu time foi assaltado e o adversário é sempre beneficiado (em poucos casos é realmente verdade), sempre tem um complô e sempre tem ânimos elevados. Posso dizer que a arbitragem fez muita besteira, especialmente deixando de marcar penalidades claras e algumas até graves, as vezes exagerando em lances que não eram penalidades. Mas nada que tenha realmente comprometido algum jogo ou série. Então não, seu time não foi assaltado, o adversário não foi beneficiado, não há complô, ninguém comprou a Stanley Cup, foram apenas seres humanos tomando decisões e fazendo julgamentos errados.

Relacionado a arbitragem temos as revisões. Outro ponto chato e polêmico, mas muitas decisões corretas foram tomadas, outras questionáveis, mas nada fora do esperado ou normal. Em específico tivemos dois lances envolvendo o Boston Bruins e possíveis impedimentos fizeram mais barulho, em um o gol foi validado devido a falta de certeza, no outro o gol foi anulado também em uma marcação controversa. Mas em muitos casos as reclamações vêm de falta de atenção a tudo que está acontecendo no lance, especialmente quando se trata de interferência nos goleiros, é um esporte complexo e muito dinâmico, mas antes de afirmar qualquer coisa é melhor prestar muita atenção. Detalhes fazem toda a diferença nas revisões, uma perna deixada pelo atacante ao lado do goleiro e que o impeça de se movimentar, onde está a lâmina do patins quando o jogador entra na zona ofensiva, entre tantas coisas, por isso não é um trabalho fácil ser árbitro e nem revisar jogadas.

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Impedido ou não? Impossível ter certeza (Via: http://www.sbnation.com/nhl/2016/4/9/11397808/bruins-goal-senators-pastrnak-flyers-red-wings-challenge-cameras-offsides)

Falando em coisas boas agora, 18 jogos foram para a prorrogação nessa primeira fase, é o recorde da NHL em qualquer fase de playoffs. Não tivemos jogos 7, tivemos 2 varridas, umas decepções, mas no geral foi um round equilibrado, com embates para serem lembrados no futuro.

Futuro e presente se chocaram, para alguns times foi o início de uma jornada de sucesso, outros estão vivendo o declínio assim a NHL foi desenhada para ser quando o teto salarial foi arquitetado e definido. Não há time invencível, a liga é nivelada pelo alto, quando o puck toca o gelo, não importa se seu time tem 3 dos 100 melhores jogadores do centenário da NHL, se ele venceu o Presidents Trophy, se está cheio de garotos, se o goleiro não é brilhante, o que importa é o que acontece no gelo durante os 60 minutos ou mais, a pós-temporada nos proporciona momentos incríveis imaginados por pouquíssimos ou ninguém. São esses tipos de coisa que fazem um Toronto Maple Leafs fazer uma série incrível, ou o Chicago Blackhawks ser varrido chocando o mundo, ou o duelo entre o time do futuro contra o time quase do passado ser vencido pelo futuro, tudo pode acontecer. E é isso que apaixona muita gente, que transforma os playoffs da NHL nesse local onde tudo parece possível, inclusive aquilo que ninguém imagina que irá acontecer.

Puck na cara #4 –  Stanley Cup Playoffs 2017 #1

Puck na cara #4 – Stanley Cup Playoffs 2017 #1

Olá leitores do Puck Brasil e fãs de hóquei! Lucas Mendes aqui, voltando de um longo e tenebroso inverno para falar da melhor parte do ano na NHL. Vai ser uma série de textos, um para cada rodada, com os meus palpites de cada confronto. Começando com a primeira rodada, que começa amanhã (12/04). Vamos aos palpites!

CONFERÊNCIA LESTE

(M1) Washington Capitals vs Toronto Maple Leafs (WC2)

O Capitals vem de novo como o melhor time, o mais forte e o principal favorito para levantar a taça. Se reforçou muito na deadline e tem o melhor elenco da liga. E todos sabemos o que vai acontecer. Sim, vão fazer o de sempre e pipocar, mas não na primeira rodada. Não para o Leafs, que é um time muito jovem e muito inexperiente. Vem comandado pelo brilhante calouro Auston Matthews que, pasmem, marcou mais que o Ovechkin nessa temporada e deve vencer o Calder Trophy. Mesmo que o Leafs tenha conseguido uma vaga nos playoffs, não vai ser agora que vão ir longe. Mas podem apostar nesse time para as próximas temporadas.

Palpite:  Capitals em 5

Porquê: Acho que o Leafs consiga vencer uma partida em Toronto, com o apoio da sua torcida mais que apaixonada. Mas o Capitals é um time muito superior, e liquidará a fatura logo.

 

(M2) Pittsburgh Penguins vs Columbus Blue Jackets (M3)

Junto com Habs vs Rangers, temos o confronto da Leste que será o mais legal de assistir. Os atuais campeões, Penguins, liderados por Sid the kid, contra o talentoso time do Blue Jackets sob a batuta do mestre Tortorella. Vai ser um confronto bem equilibrado e disputado, e decidido nos detalhes. Bobrovsky, provavelmente o vencedor do Vezina esse ano, junto com Cam Atkinson, Nick Foligno e cia vão fazer jogo duro contra Crosby, Malkin, Kessel.

Palpite: Blue Jackets em 7

Porquê: Como disse, esse confronto vai ser decidido nos detalhes, mas por mais que o Penguins tenha um time com muita experiência em playoffs, o Blue Jackets tem o elemento de ser a grande surpresa da temporada, além do Penguins estar sem o seu principal defensor, Letang, que está fora dos playoffs devido a uma cirurgia no pescoço.

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Penguins vs Jackets promete demais. (Créditos: NHL)

 

(A2) Ottawa Senators vs Boston Bruins (A3)

Outro bom confronto. Senators conseguiu se superar várias vezes na temporada, enquanto o Bruins, desde que trocou de treinador, cresceu muito e vem jogando bem. Provavelmente terá Marchand de volta no jogo 2, e ele pode desequilibrar muito o confronto e levar o Bruins para a próxima fase.

Palpite: Bruins em 6

Porquê: Brad Marchand tem sido um dos melhores jogadores ultimamente, e chegou a competir com Crosby e McDavid pelo Hart. Está suspenso no jogo 1, mas fará a diferença nos confrontos restantes.

(A1) Montreal Canadiens vs  New York Rangers (WC1)

O confronto mais equilibrado da primeira fase. Habs e Rangers tiveram praticamente a mesma pontuação na temporada regular e ambos elencos tem muita qualidade. Price e Lundqvist dispensam apresentações. Tanto Byron quanto Grabner podem fazer a diferença. Montreal tem seu jovem e talentosos atacante Galchenyuk, o experiente defensor Shea Weber e ainda conta com Pacioretty. Rangers tem um bom poder ofensivo, é um time rápido, mas tem uma defesa que deixa a desejar, principalmente por conta de Dan Girardi.

Palpite: Canadiens em 7

Porquê: A defesa do Rangers será o fator principal do confronto, mas não por conta dos goleiros, e sim por causa dele, Girardi. Ele é o ponto fraco do Rangers e pode acabar cedendo na hora errada e eliminando o seu time.

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Anotem, Habs vs Rangers vai ser o confronto mais equilibrado da primeira rodada. (Imagem: Getty Images)

 

CONFERÊNCIA OESTE

(C1) Chicago Blackhawks vs  Nashville Predators (WC2)

Tirando os torcedores do Predators, sabemos que esse confronto é bem unanimidade. Por mais que o Preds tenha bons jogadores, como Subban, Forsberg e Rinne, o Blackhawks é uma máquina quando se trata de playoffs. Não sendo contender a toa.

Palpite: Blackhawks em 5

Porquê: O Blackhawks se reforçou após ser eliminado cedo na última temporada, e como sempre, cotado para chegar a, no mínimo, final de conferência. Palpite até fácil, com todo respeito ao Predators e seus torcedores

 

(C2) Minnesota Wild vs St. Louis Blues (C3)

Essa série vai ser bem apertada. São dois bons times. O confronto entre Allen e Dubnyk promete. Granlund vem de boa temporada e, com Parise, promete causar o inferno para a defesa do Blues, que vem sem Shattenkirk, que foi pro Capitals, e com Tarasenko sendo sua principal ameaça.

Palpite: Wild em 7

Porquê: Nesse momento, vejo os dois times praticamente no mesmo nivel, Wild deve levar esse confronto por causa do mando de campo a favor.

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Wild x Blues tem tudo para ser o confronto mais equilibrado, do outro lado da chave. O confronto promete ser grandioso. (Imagem: Sportsnet)

 

 

(P2) Edmonton Oilers vs San Jose Sharks (P3)

Vai ser uma série muito interessante de assistir. De um lado temos o Oilers e McDavid, do outro temos o Sharks, que mesmo com um ótimo time, caiu muito de rendimento desde a deadline. Mas playoffs é um torneio a parte, e essa série promete ser bem imprevisível.

Palpite: Oilers em 7

Porquê: Primeiro porque quero ver Battle of Alberta nos playoffs. Segundo porque eu vejo o Oilers vindo mais forte que o Sharks, que vai endurecer o jogo e forçar o jogo 7.

 

(P1) Anaheim Ducks vs  Calgary Flames (WC1)

Chegou a parte em que vocês vão me xingar, chamar de clubista e tudo mais. De um lado temos o Ducks que se manteve na ponta ou próxima dela durante a temporada toda. De outro temos o Flames que, mesmo com o começo horrível de temporada, teve uma crescente muito grande desde o All Star Game e chegou a figurar entre os 3 melhores da Pacífica. Isso no considerado último ano de seu rebuild. Não se espantem, mas o Flames tem um bom time e subestimá-lo pode ser fatal, mesmo em uma série melhor de 7.

Palpite: Flames em 6

Porquê: SIM, A MALDIÇÃO DO HONDA CENTER VAI ACABAR! E espera-se que seja nessa série. Após os últimos jogos entre os times nas últimas semanas, o clima entre os times esquentou, e isso pode ajudar muito o Flames (trocadilho não proposital), principalmente  com os primeiros jogos lá em Anaheim.

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Esse confronto vai pegar fogo! Flames e Ducks vem com sangue nos olhos para uma batalha recheada de emoção e cenas lamentáveis. (Foto: Lyle Aspinall/ Postmedia Network)

 

Essas são minhas considerações sobre a primeira rodada dos playoffs. Sintam-se a vontade para opinar, cornetar e tudo mais. Grande abraço!

A Culpa é Completamente Sua, NHL

A Culpa é Completamente Sua, NHL

Em uma declaração na tarde dessa segunda-feira, 03/04/2017, a NHL confirmou que a liga não liberaria a participação dos jogadores para os jogos olímpicos de 2018 em PyeongChang na Coréia do Sul. Uma posição que vai muito além de uma simples decisão corporativista, mas fere uma relação criada há 20 anos e demonstra muito do pior lado da liga.

Tudo começou após o término da Stanley Cup ano passado, Gary Bettman declarou a posição da liga, ou seja, dos donos dos times, quanto as condições necessárias para eles liberarem os jogadores para participar. A NHL queria que o COI bancasse passagens, hospedagens e um seguro para os jogadores da liga, o que é justo, na verdade, mas o Comitê Olímpico acabou achando os valores muito mais altos do que deveriam ser. Nisso a IIHF (Interneational Ice Hockey Federation) se dispôs a pagar a conta, mas a NHL recusou com o argumento de que não queria tirar dinheiro usado em programas de desenvolvimento do esporte pelo mundo a fora, então o COI e a IIHF entraram em um acordo para dividir a conta, mas novamente a NHL recusou. Então houve também uma proposta para o COI “comprar” um ou dois mandos de cada time da NHL, assim a NHL gostaria de ser uma parceira/fornecedora oficial dos Jogos Olímpicos, mas obviamente o Comitê Olímpico recusou a proposta. Então numa última cartada, a NHL teria tentado receber a quantia equivalente ao que alega perder em direitos televisivos pela parada , mas novamente a proposta foi negada.

Vale lembrar também que a NHL pediu a Associação de Jogadores (NHLPA) para aceitar a extensão do atual acordo de trabalho até 2022, assim concederia a participação dos jogadores nas Olimpíadas. Claramente a NHLPA recusou o acordo dizendo que não abriria mão de negociar em troca das Olimpíadas.

Parando para analisar bem, a liga tem preocupações importantes, especialmente com o risco de lesões dos jogadores. Com tudo, o modo como tratou a questão foi se não o pior possível, foi um dos piores, a NHL não se abriu a negociações e brincou de jogar a “bomba” para os outros, para o COI e a NHLPA especificamente. Mesmo com o COI no final das contas dizendo que se os jogadores da NHL não jogassem em 2018, também não poderiam jogar em 2022, já que a liga está se preparando para entrar no mercado chinês, onde serão disputados os jogos em 2022, o lado dele está aparentemente correto, o Comitê Olímpico não quer beneficiar uma empresa privada. O COI poderia realmente pagar passagens, estadias e o seguro como fez em 2014, mas percebeu uma coisa muito clara: que a NHL quer aproveitar as Olimpíadas para fazer nome em novos mercados, especialmente na China e quer que o COI pague a conta.

Como um fã, torcedor, um amante do esporte, eu fico muito triste por toda a situação criada, mas ao mesmo tempo me revolta a ganância desenfreada dos donos de times da NHL, se não todos, a maioria ao menos e, sem estar dentro da liga, nunca vou conseguir saber realmente quem foi contra a posição que a liga tomou por fim. A NHL como um todo mostrou seu pior durante essas negociações, tentou se impor como se fosse maior e mais importante que seus jogadores, desprezou a IIHF e tentou culpar o COI por tudo, enquanto a culpa foi realmente da NHL.

Olhando de fora e com todas as situações que vieram a público, a NHL quis fazer o COI pagar pelo evento e tirar vantagem fazendo campanha no mercado chinês. Se você quer abrir um mercado, melhor você mesmo investir, não? É isso que o COI quis dizer no final das contas, que não vai bancar as vontades da NHL, mesmo que seja o melhor para o evento. E para a NHL, participar das Olimpíadas é um grande investimento, já que o atrai muita atenção mundo a fora, gerando visibilidade e atraindo curiosos, tem-se novos consumidores, crianças que se interessam pelo esporte e podem ser jogadores ou trabalhar com o esporte, são muitas possibilidades de negócio em uma Olimpíada para uma liga esportiva como a NHL.

Até agora Don Fehr, diretor executivo da NHLPA, declarou o descontentamento da associação com a decisão que ele chamou de unilateral. A NHLPA soltou um comunicado oficial veemente contra a decisão da liga, inclusive com a seguinte frase “Os esforços da liga para culpar outros de sua decisão é tão infortuna quanto a decisão em si.”, a NHLPA apontou quem realmente é o culpado no assunto (o comunicado em inglês pode ser lido aqui). Em manifestações de jogadores Henrik Lundqvist disse estar desapontado com o fato de a NHL não fazer parte dos Jogos Olímpicos em 2018, disse estar mais desapontado ainda porque nem todos os jogadores serão parte do que ele chamou de a maior aventura esportiva, Lundqvist também disse que uma grande oportunidade de vender o jogo no maior palco de todos foi perdido (você pode ler aqui e aqui). Marc-Edouard Vlasic mudou sua foto no Twitter para uma foto dele com o uniforme da seleção canadense durante as Olimpíadas de 2014, em Sochi, além de ter tweetado uma foto com o logotipo dos jogos de PyeongChang. Mas a mais franca declaração foi de Brandon Prust: “Que modo de estragar o esporte hóquei ainda mais Gary” (tradução livre e adaptada, o original pode ser lido aqui), Prust ainda lembrou do gol de Sidney Crosby contra os estados unidos em 2010 como um dos melhores momentos que ele viu (tweet pode ser visto aqui).

As federações de Estados Unidos e Canadá deram declarações pacíficas, o Canadá disse que tem irá organizar vários planos, os Estados Unidos acredita que terá força máxima para a disputa. Essas são em teoria as seleções mais prejudicadas com a decisão da NHL.

A liga anunciou que fará jogos de pré-temporada na China para ajudar na divulgação e crescimento do esporte no mercado chinês, o qual todos sabem é uma fonte de incontáveis quantias de dinheiro, será que a prometida retaliação do COI pela não participação da liga nos jogos de PyeongChang fará a NHL cancelar os planos? Acredito que não, mesmo sem a vitrine dos jogos Olímpicos em Beijing, caso o COI confirme essa não participação, ainda sim é viável para a NHL fazer jogos na China e expandir seu mercado.

No final das contas vemos que a NHL mostrou seu pior tomando uma decisão unilateral, querendo apenas impor condições ao invés de conversar, além de querer abrir um mercado na China usando o dinheiro do COI. Nesse caso ao menos, o COI está completamente certo, tem que defender seus interesses mais nobres com os Jogos Olímpicos. Ao que tudo isso vai levar no final das contas, não sabemos, mas claramente provavelmente veremos jogadores indo sem o aval da liga, porque eles sabem que é melhor para o esporte fazerem parte, quanto a isso o dono do Washington Capitals já anunciou que irá apoiar os jogadores que quiserem ir, ele ao menos é esperto para compreender que não há espetáculo sem as estrelas.

Imagine a seguinte situação hipotética: Alexander Ovechkin, que já declarou anteriormente que participaria de qualquer modo da Olimpíada em PyeongChang, decide deixar o Washington Capitals no meio da temporada e se junta a seleção da Rússia. O dono do Washington Capitals manda o técnico tirar tempo, deixar o Ovechkin como healthy scratch. Então ao final da temporada, ou talvez antes, Ovechkin decide ir embora, na intertemporada acaba assinando um contrato com um time da KHL e não mais volta a NHL. Isso faria o Capitals ficar com uma parte do salário de 10 milhões de dólares dele preso na sua folha até o final da temporada 2020-21, além de tudo perderia seu maior jogador, como acabou acontecendo com o New Jersey Devils e Iliya Kovalchuck . Agora imaginem mais de um jogador, uma estrela fazendo isso… Claro que é uma situação completamente hipotética, mas mostra que os jogadores tem muito mais poder do que a NHL quer assumir.

A NHL é sim a maior liga do mundo, é sim espetacular, mas quem a gere são donos com uma visão extremamente egocêntrica e limitada. Pessoas que não conseguem compreender a importância do resto do mundo, que não enxergam mesmo o óbvio. A teoria da evolução fala que aquele que se melhor adapta ao meio acaba sobrevivendo, essa forma de pensar ultrapassada que aqueles que mandam na NHL já não tem mais lugar no mundo. Quem não se adapta, é fadado a extinção, não que eu ache que a NHL vai sumir do mapa num futuro a médio prazo, mas esse pensamento pequeno de que eles são os melhores e ponto já prejudica e pode prejudicar muito mais a liga no futuro. Usando palavras do GIGANTE Bruce Dickinson: “Todo império cai, nada dura para sempre”, se a NHL não tomar cuidado, seu império pode ruir e coisas como tomar decisões unilaterais e tentar culpar os outros contribuem para isso.

Um ciclo que começou em 1998 foi abalado. Momentos como os comentaristas tchecos berrando a alegria de vencer o Canadá e o gol de Petr Svoboda sobre a Rússia em 1998, a batalha entre americanos e canadenses em 2002, o êxtase dos suecos ao bater seus principais rivais em 2006, a alegria canadense pelo gol de Crosby em 2010 e a incrível vitória do Canadá na final em 2014 estão na história e em 2018 e talvez 2022 as coisas serão diferentes. Não que a história deixará de acontecer, mas a NHL não quer permitir seus jogadores participando a não ser que seja nos termos dela. Prepotência, arrogância, pensamento pequeno, até mesmo totalitarismo, não devemos engolir nada disso como fãs, e os jogadores menos ainda, mas eles não vão engolir.

Muita coisa vai acontecer por conta dessa posição tomada pela NHL de não falar mais no assunto e encerrar a conversa, o COI foi o primeiro a retaliar, podem ter certeza de que a NHLPA também irá retaliar, que o próximo acordo de trabalho vai ser mais difícil de ser negociados e nós, mesmos que tristes com um atraso de temporada ou até em caso pior, cancelamento, temos que compreender que nada se ganha sem sacrifícios, algo que os donos das franquias da NHL não entenderam ainda, porque “sacrificar” duas semanas no calendário para ter a visibilidade de seus jogadores nas Olimpíadas não é um sacrifício, é apenas ser esperto. A NHL tentou ser mais esperta fazendo os outros pagar a conta e ainda sim jogar a culpa nos outros, COI e NHLPA, infelizmente tiveram pessoas que caíram nesse conto.

Tudo o que eu e muita gente espera é que as pazes sejam feitas, nos termos corretos e justos, que todo mundo contribua o que deve contribuir, porque o show tem que continuar. Não há nada maior no mundo dos esportes do que uma Olimpíada, some a Stanley Cup com o Super Bowl, a World Series, Finais da NBA, Copa do Mundo FIFA, Copa do Mundo de Rugby e tudo mais, ainda sim não vale uma eliminatória cheia de azarões no torneio Olímpico de qualquer esporte. Para um atleta não há honra maior que competir numa Olimpíada, quantas histórias de sacrifício conhecemos por conta disso? Seja no esporte que for, a Olimpíada será sempre maior do que qualquer outra coisa e a hora que os donos da NHL perceberem isso e aceitarem de que a culpa pelo fracasso, caso seja confirmado, de ferir os laços esportivos e amistosos é toda, completamente, totalmente e absolutamente deles.

Que PyeongChang tenha um torneio incrível, mágico, no hóquei masculino, assim como no feminino e em outros tantos esportes, os fãs merecem, as Olimpíadas merecem. E que o sucesso sirva para aqueles que mandam na maior liga do esporte no mundo repense suas posições e atitudes. É um sonho? Sim, mas é se sonhos que as Olimpíadas são feitas.

Puck na Cara #3 – Trade deadline

Mais um Puck na cara chegando mais quente que o Calgary Flames nos últimos jogos! E já vamos direto ao assunto que dominou as rodas de conversa na liga, a trade deadline. Nos dias anteriores ao dia 1º, como de costume, várias trocas foram realizadas, com alguns times ganhando, outros perdendo e dessa vez, não vimos Jim Benning, GM do Canucks, fazendo aquele cagada em uma trade e ajudando o outro clube. Bem, eu não vou analisar cada trade aqui, até porque ficaria mais cansativo que fazer um double ou triple shift em um jogo altamente movimentado, mas vou comentar sobre os times que mais ganharam e os que mais perderam com essa deadline. Vamos lá.

Primeiro, vou falar da trade que mais foi motivos de comentários, pelo que eu vi. Kevin Shattenkirk foi para o Capitals junto com Pheonix Copley, enquanto o Blues recebeu Zach Sanford, Brad Malone e escolhas de draft. Eu só não digo que o Blues levou a pior pelo tanto de escolhas de draft envolvidas. E tem várias cláusulas envolvidas na troca que dariam ou não picks para  time de St. Louis. Boatos de que se mais de 100 pessoas lerem esse texto, o Blues ganha uma escolha de 5ª rodada de 2019 e uma de 6ª em 2020. Agora resta saber o que o GM do Blues vai fazer com elas.

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Shattenkirk é uma aquisição enorme para o Capitals, que quer mais que nunca a Stanley Cup. (Foto: NHL)

Um time que com certeza venceu na deadline é o Calgary Flames. Ok, ainda não se livraram do peso morto que Dennis Wideman foi nessa temporada, mas as adições de Stone, Bartkowski (que não foi uma trade, para constar) e Curtis Lazar (que só deve jogar em caso de lesão de algum atacante) e a saída de Jyrki Jokipakka (um dos nomes mais legais de se pronunciar, tente e depois me fale) fizeram o time decolar como tem feito. Depois que Wideman virou healthy scratch em Calgary o time acumula 7 vitórias e hoje pode sonhar com uma classificação nos playoffs pela divisão e, por que não a vantagem de jogar o 7º jogo em casa na primeira rodada?

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Wideman vai se acostumar com a vista do press box. Não deve jogar mais nessa temporada para alívio dos torcedores do Flames. (Foto: Gerry Thomas/NHL/Getty Images)

Alerta de apocalipse: Jim Benning fez uma boa trade… pro Canucks! O GM conhecido por fazer boas trades para os adversários finalmente mandou um puck lá dentro. O time se “desfez” de Alex Burrows e Jannik Hansen e adicionou ao seu elenco dois prospectos muito interessantes, o que é ótimo para um time que está se reconstruindo e tentando ser cada vez mais competitivo. Além do mais, conseguiu uma escolha de 4ª rodada condicional que pode virar de 1ª rodada se o Sharks ganhar a Stanley Cup esse ano.

Quem perdeu mais? Montreal Canadiens e talvez podemos colocar o Edmonton Oilers. Claro que na troca entre essas duas equipes, o Oilers ficou na pior, com certeza, mas o Canadiens perdeu nas outras trocas. Steve Ott e Dwight King não foram boas aquisições ao meu ver, e devem flopar. Bem, pelo menos acho que podem colocar esses caras a disposição no expansion draft. O Oilers espera se ver livre de Kris Russell na mesma ocasião.

O Kings teve duas adições de peso com Ben Bishop (Quick vai pro expansion draft?) e Jarome Iginla (ídolo eterno).  Iggy, já em seu final de carreira, espera ganhar sua primeira Stanley Cup, e com certeza isso não iria ocorrer com o Avalanche, time que simplesmente está numa merda imensa e favoritíssimo na loteria desse ano. O Lightning, que perdeu Bishop, recebeu Budaj, starter do Kings durante a lesão de Quick e ainda tem Vasilevskiy. E as saídas de Filppula e Brian Boyle vão ajudar bastante o time futuramente. Abriram espaço no cap e não vão ser obrigados a proteger Filppula no expansion draft, podendo proteger um atacante mais jovem e mais talentoso.

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Agora no Kings, Iginla segue tentando a sonhada copa. Agora vai? (Foto: Getty Images)

Encerrando minhas considerações, o Ottawa Senators também é uma incógnita. A troca com Calgary foi muito melhor para o time do fogo e explico o porque. O Flames tem um time muito jovem e consegue desenvolver muito esses jogadores. Temos como prova Gaudreau, Monahan, Tkachuk, Dougie Hamilton e Sam Bennett (que precisa voltar a jogar como winger e se livrar de Brouwer), e Lazar pode se adaptar muito bem a equipe e até jogar bem, pois tem bom potencial. Já Jokipakka não conseguiu se firmar nesse time, e disputava vaga na terceira linha de defesa com Brett Kulak, que está na AHL no momento. Pode muito ser um tiro pela culatra, ou pode dar muito certo.

Ah, Coyotes não trocou Vrbata e Avalanche continua com Duchene e Landeskog… hit ou miss? Saberemos em breve.

Bem meus caros, fico por aqui. Mais opiniões, leiam os 20 Minutos especiais escritos pelo mestre Mateus Luiz nesse mesmo site.  Deixe seu pensamento sobre a deadline aqui, ou no twitter. Como sabem, eu sou o @lucas_flames e esse foi o seu puck na cara. Grande abraço!