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Impressões Sobre a Segunda Fase dos Playoffs da NHL

Impressões Sobre a Segunda Fase dos Playoffs da NHL

Mais uma fase está nos livros de História, oito times estavam vivos na disputa da Stanley Cup, agora apenas quatro são candidatos a erguer o santo Graal do hóquei sobre o gelo na temporada 2016-17. Como sempre, tivemos corações partidos, heróis improváveis aparecendo, o improvável e o que se tinha como impossível, aconteceu. Nada de novo em se tratando desse esporte, mas ainda sim fomos surpreendidos, ou, em alguns casos, vimos a história se repetir como se fosse Karma.

Vamos abordar, como feito anteriormente, série a série:

Ottawa Senators 4-2 New York Rangers Surpresa? Sim de certa forma, e fica mais surpreendente pelos contornos tomados na série. O New York Rangers liderou a maior parte do tempo e ainda sim perdeu a série, apenas no sexto jogo o Ottawa Senators saiu na frente. Aqui foi uma série decidida pela força mental e, por outro lado, perdida pelos mesmos erros cometidos repetidamente.

Se essa série teve um nome, esse nome foi Jean-Gabriel Pageau, Pageau fez 4 gols, incluindo o de empate e da vitória, no jogo 2 da série, fez o gol da vitória no jogo 5 e ainda selou o destino no jogo 6. Nada de Karlsson, Ryan, Turris ou Hoffman, que fizeram seu papel dentro do esperado, Pageau foi o herói improvável na série. Por outro lado, o time de Nova Iorque apresentou muitos problemas, muitas falhas, tanto sobre segurar placares nos momentos decisivos do jogo, quanto motivacionais, Mats Zuccarello após o jogo 6 comentou que os próprios jogadores haviam desanimado em um momento do jogo, quando o Rangers estava atrás do placar e precisava buscar uma virada para sobreviver. Por outro lado, na batalha dos técnicos, Guy Boucher soube motivar e organizar seus comandados nos momentos de dificuldade, Alain Vigneault não, por esse motivo, junto aos outros citados e talvez até outros mais, o Ottawa Senators acabou surpreendendo e derrubando o favorito.

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O aperto de mãos simbolizando o final do sonho de um e a continuidade do sonho de outro (Foto: Frank Franklin II/The Associated Press)

Washington Capitals 3-4 Pittsburgh Penguins Mais uma vez o Washington Capitals chega a segunda fase na pós-temporada, mais uma vez sua temporada termina nessa fase. Parece ser kármico, mas Alexander Ovechkin nunca passou dessa fase, não importa o quanto o time ao redor dele seja forte, mas o adversário parece sempre destinado a vencer.

Nessa série o Washington Capitals disparou mais ao gol, mas o Pittsburgh Penguins conseguiu criar mais perigo, o time de Pittsburgh foi o segundo que conseguiu criar mais chances de disparo sem bloqueio no 5 contra 5 (High Danger Score Chances ou HDSC) tomando como base a fase anterior, enquanto o Capitals foi apenas o décimo na primeira rodada dos playoffs (Fonte – em inglês ). Não basta ter o puck, não basta disparar a esmo, tem que criar chance de perigo real, tem que fazer o goleiro adversário trabalhar de verdade, tem que dar espaço real para suas armas fazerem a diferença. E foi isso o que o Penguins fez, isso que o Capitals falhou em fazer. Aquele que conseguiu usar melhor suas armas venceu, mais uma vez o Washington Capitals caiu em um jogo 7 para o Pittsburgh Penguins, mais uma vez essa foi a barreira intransponível para Alexander Ovechkin. Como diria o poeta: Karma is a bi…

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Crosby e Fleury se cumprimentam, Penguins avança (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

St Louis Blues 2-4 Nashville Predators Mais uma vez o time de Nashville seguiu fazendo seu jogo de se ajustar muito bem ao adversário. Defende para contra atacar quando tem o puck, sabe pressionar na zona ofensiva, dessa vez encontrou mais dificuldades, mas ainda sim passou para as finais de conferência.

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Johansen marcando sobre Allen (Crédito da foto)

O St Louis Blues fez o que poderia, mas o time de Nashville veio embalado pelo momento, tem a já citada capacidade de se adaptar ao jogo, seus atacantes e defensores sabem criar chances perigosas quando tem o disco. Os grandes destaques tem sido Pekka Rinne e Ryan Ellis, o goleiro tem atuado de maneira espetacular, o defensor é um leão na defesa e no ataque. Do lado de St Louis, mesmo tendo trocado o melhor defensor no meio da temporada, o time se comportou muito bem e não está muito longe de ser uma equipe melhor, basta o gerenciamento tomar as decisões certas (o que é difícil).

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Nashville pode comemorar, o Predators está nas finais de conferência pela primeira vez na sua história! (Crédito da Foto)

Anaheim Ducks 4-3 Edmonton Oilers O time do futuro contra o time desacreditado, foi uma grande série, teve a maior polêmica de toda a pós-temporada, até agora, e tudo terminou com os demônios do time de Anaheim sendo exorcizados. Se o Washington Capitals teve um destino que parece até ser o Karma dessa equipe atualmente, o Anaheim Ducks conseguiu superar o que parecia ser seu Karma e vencer um jogo 7.

A série começou maluca, Oilers venceu os 2 primeiros jogos em Anaheim, Ducks empatou a série com duas vitórias em Edmonton e tudo chegou ao jogo 5 e seu lance polêmico. O time de Edmonton vencia por 3 gols, o Ducks marcou o primeiro faltando 3 minutos e 17 segundo para o final do jogo, o segundo faltando 2 minutos e 41, então faltando 15 segundos, Rickard Rakell empatou, a confusão em frente ao gol com Nurse empurrando Kesler na direção de Talbot. O desafio foi feito, a marcação de gol foi mantida, alguns acharam que Kesler puxou o pad do goleiro, outros acham que não houve a interferência porque o jogador foi empurrado sobre Talbot, eu faço parte dessa segunda corrente, não creio que houve interferência na jogada, mas não é e nunca será uma unanimidade, de qualquer modo, Perry marcou o gol vencedor na segunda prorrogação. No sexto jogo o Oilers passou o carro, fez o ETERNO 7 a 1, mas no sétimo jogo o Anaheim Ducks mostrou vontade para virar a partida, raça para segurar, enquanto o time de Edmonton pareceu ter cedido a pressão e ao nervosismo, a inexperiência pareceu ter falado mais alto.

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Corey Perry celebra o gol vencedor no jogo 5 da série (Foto: Chris Carlson/AP)

Balanço final

Quatro séries, 26 jogos, 148 gols, uma média de 5,7 gols por jogo, 5 jogos decididos na prorrogação. Foram quatro séries acirradas, decidida em detalhes na maioria das vezes, tudo o que se espera dos playoffs da NHL. O campeão atual voltou as finais de conferência, o Pittsburgh Penguins tenta manter a escrita de ir a Stanley Cup e voltar no ano seguinte, pela frente vai encontrar um valente Ottawa Senators querendo voltar a disputar a Stanley Cup após 10 anos. Do outro lado temos o Nashville Predators tentando alcançar as finais pela primeira vez em sua história, seu embate será contra o Anaheim Ducks, que busca alcançar as finais pela terceira vez e conquistar o troféu mais sagrado do esporte pela segunda vez. Apenas dois desses quatro irão sobreviver a avançar até o estágio final da temporada 2016-17, quem serão os dois? Descobriremos em alguns dias…

Impressões sobre a primeira fase de playoffs da NHL

Impressões sobre a primeira fase de playoffs da NHL

Depois de dois textos mais ou menos nesse formato e milhares (0 no total) pedidos de retorno, aqui estamos novamente. A primeira fase dos playoffs pela Stanley Cup está nos livros de História, mas vamos fazer uma análise do que se passou em cada série e porque certos times avançaram e outros não. Em algumas séries é um trabalho óbvio, em outras é mais minucioso, isso simplesmente porque muitas vezes as coisas ficam escancaradas para todos verem, mas às vezes não.

Mas antes de tudo, o que aconteceu? O caos, como sempre, não poderia ser diferente quando o primeiro gol dos playoffs sai num backhand topshelf de Tanner Glass sobre Carey Price, depois disso coisas estranhas aconteceram, outras até esperadas também aconteceram. Hora de tratar série a série:

Canadiens 2-4 Rangers Foi aqui que o caos começou, pode-se dizer que o New York Rangers segurou o pé na temporada regular para ir parar no lado da divisão do Atlântico na chave dos playoffs e deu certo.

No que foi anunciado como um duelo de goleiros, o que é óbvio quando se tem Henrik Lundqvist de um lado e Carey Price do outro, na verdade foi mais sobre os ataques. Nenhum dos dois times tem um conjunto de defensores incrível, mas no geral os defensores se comportaram bem e isso foi o bastante, os goleiros dispensam comentários. A grande questão é que o New York Rangers tem melhores jogadores no seu ataque e isso pesou muito, tirando o terceiro período e prorrogação do jogo 2 e o jogo 3, em ambos os casos o Rangers esqueceu de jogar e foi justamente onde perdeu 2 jogos. Nos 4 jogos restantes, o ataque do time de Nova Iorque falou mais alto, Alain  Vigneault achou combinações de linhas para atormentar os defensores de Montreal e Carey Price. Os goleiros fizeram o que puderam e no final das contas foi o poder para superar esses monstros que contou para o destino final da série, poder que o Canadiens não demonstrou, enquanto do outro lado os atacantes liderados por Mats Zuccarello, Mika Zibanejad e Rick Nash construíram o caminho.

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Rick Nash e Jimmy Vesey celebram (Foto: Frank Franklin II/AP)

Senators 4-2 Bruins Uma série decidida pelo equilíbrio dos times, o Boston Bruins tinha o melhor goleiro e o melhor jogador de linha, mas o Senators tinha mais equilíbrio em seu elenco. Para um time em reconstrução, o Boston Bruins foi realmente bem, mas o Ottawa Senators estava passos a frente e no final das contas isso pesou muito no destino da série.

A série foi disputada em 6 jogos com direito a prorrogação em 4 deles e todos os jogos foram definidos por 1 gol. Jogadores como Bobby Ryan, Derick Brassard e mesmo Clarke Macarthur, que marcou 2 gols vitoriosos no tempo extra, incluindo o gol que venceu a série, além deles também tivemos um impacto grande do quarterbarck Erik Karlsson, especialmente com lançamentos para os atacantes em velocidade. Se o Ottawa Senators teve isso, o Bruins teve muita vontade e intensidade, Brad Marchand, David Pastrnak, David Backes, os atacantes fizeram o que poderiam fazer, Tuukka Rask roubou gols, mas simplesmente o adversário era mais forte e conseguiu impor a força em momentos decisivos, o tipo de coisa que acontece muito nos esportes.

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Jogadores do Ottawa Senators comemoram o gol vencedor da série marcado por Clarke Macarthur (Foto:Michael Dwyer/Associated Press)

Capitals 4-2 Maple Leafs O Capitals era amplo favorito na série e venceu. Poderia parar por aí, mas as coisas foram muito além disso, muito além de 6 jogos dos quais 5 foram decididos na prorrogação, uma das 3 séries recordistas de prorrogação na história da NHL (as outras duas foram Phoenix/Arizona Coyotes vs Chicago Blackhawks em 2012 e Montreal Canadiens vs Toronto Maple Leafs na Stanley Cup em 1951), e todos os jogos sendo definidos por 1 gol apenas. Essa série mostrou que o Toronto tem Futuro e que o Capitals não é uma máquina invencível.

Um fator importante para o destino da série foi Auston Matthews, o jovem principiante na liga demonstrou uma boa capacidade de liderar sua equipe, de motivar os demais jogadores e a garotada seguiu o líder, pressionou o Washington Capitals o quanto pode. Do outro lado tivemos um time completo sendo pressionado em muitos momentos por uma equipe mais inexperiente, talvez a pressão que o time sofre pesou em alguns desses momentos, mas o Capitals conseguiu achar o caminho em alguns momentos, especialmente no último jogo da série. Enquanto o Toronto entrou despreocupado na série, o Washington tem um fardo muito grande para aguentar e é algo que vem atrapalhando sempre, ano após ano, essa série nos mostrou que se o Capitals pretende se livrar do fardo de não ter Stanley Cup, vai precisar deixa-lo de lado e não deixar que esse fardo o assombre.

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Marcus Johansson foi o herói no jogo 6 (Foto: Toni L. Sandys/The Washington Post)

Penguins 4-1 Blue Jackets Uma série surpreendente e não por motivos bons, o Columbus Blue Jackets decepcionou totalmente, mas ainda sim, não foi a grande decepção da pós-temporada. Em alguns momentos o Pittsburgh Penguins pareceu relaxado na série e com totais méritos, mas é mais fácil relaxar quando o adversário não pressiona você.

Há de se fazer uma ressalva de que nessa série aconteceu a primeira vitória do Blue Jackets em período regular (60 minutos) num jogo de playoffs, mas de resto tivemos domínio amplo do time de Pittsburgh. Vale ressaltar também que Marc-Andre Fleury fez uma ótima série, o goleiro teve que entrar de última hora no lugar de Murray e fez muitas defesas chave quando foi chamado ao trabalho. Além disso, o ataque do Penguins fez e teve liberdade para fazer tudo o que sabe, o tipo de coisa que termina desastrosamente quando se enfrenta Crosby, Malkin, Kessel, Kunitz, Rust…

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Penguins e Blue Jackets apertaram as mãos mais cedo que o esperado (Via: http://www.foxsports.com/nhl/gallery/columbus-blue-jackets-eliminated-by-pittsburgh-penguins-5-reasons-playoffs-042117)

Blackhawks 0-4 Predators SWEEP! SWEEP! SWEEP! SWEEP!, esse era o grito nos minutos finais do jogo número 4, em Nashville. A NHL é conhecida por ter muitas surpresas nos seus playoffs, mas ninguém no mundo imaginava que o Chicago Blackhawks 2016-17 seria varrido, de fato, o time era apontado como um dos grandes favoritos a vencer a Stanley Cup.

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Jonathan Toews e todo o Chicago Blackhawks estão tendo muita dor de cabeça após essa série desastrosa para o time (Foto: Associated Press)

A série começou de um modo estranho, os dois jogos em Chicago tiveram shutout de Pekka Rinne, o Nashville Predators mostrou ao mundo em apenas 2 jogos que o poderoso e temido ataque do time de Chicago não poderia apenas ser parado, mas completamente anulado. Rinne foi um fator importantíssimo nessa série e seu desfecho chocante, mas não foi o único fator, os jogadores de linha tiveram uma postura ótima durante os 4 jogos, não deram espaço para o Blackhawks usar suas poderosas armas, defendeu muito bem quando não teve o puck, pressionando, fazendo o adversário errar, isso deu espaço para o ataque aparecer e brilhar. Pela primeira vez na história dos playoffs de qualquer uma das 4 grandes ligas um time com a pior classificação da conferência varreu o time de melhor colocação, o Nashville Predators já fez história nessa série, mas certamente quer mais.

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Marcus Johansen celebra gol no jogo 4 (Foto: Associated Press)

Wild 1-4 Blues Essa era uma série com muita pegadinha, o time do Minnesota Wild era muito bom, mas desde o começo eu vi o St Louis Blues como favorito. Questão de momento e do tal matchup, se teve um time na temporada regular que foi não simplesmente uma pedra, mas um monte Everest, no sapato do Wild, esse time foi o Blues. Temporada regular é uma coisa e playoffs outra, mas nesse caso não foi.

A verdade é que o Blues fez o que fez em todos os confrontos na temporada regular: contragolpes rápidos e mortais quando era pressionado, mas além disso, achou um modo de trabalhar bem o puck e não precisar contar com Jake Allen o tempo todo. Allen foi um diferencial na série, saiu do primeiro jogo com 51 defesas, o Blues brincou de mais com o perigo naquele dia, mas deu certo. Então foram mais duas vitórias até que o Wild vencesse o jogo 4, tudo foi definido na prorrogação de um emocionante jogo 5. Bruce Boudreau foi novamente superado taticamente na primeira rodada dos playoffs após uma grande temporada regular, novamente o St Louis Blues foi a montanha que o Minnesota Wild não conseguiu escalar na temporada 2016-17.

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Jogadores do St Louis Blues celebram a classificação (Foto:Stacy Bengs/The Associated Press)

Ducks 4-0 Flames Eu sinceramente achava que o Flames iria vencer ao menos um jogo, mas o Anaheim Ducks era franco favorito e confirmou isso no gelo. O Calgary Flames até apertou o jogo em 3 jogos, mas no final o melhor venceu.

Ducks teve mais tranquilidade e vontade nos momentos decisivos, isso pesa muito no momento de vencer o jogo e uma série. Corey Perry passou a maior parte da temporada sumido e voltou a jogar muito bem, mas o grande nome foi Ryan Kesler, esse fez a mágica acontecer. O time de Calgary conseguiu mostrar vontade também, mas esbarrou em alguns problemas como um goleiro não muito confiável, a falta de mais poder defensivo e a falta de cabeça para vencer um jogo. Onde um falhou, o outro teve sucesso e assim as coisas funcionam.

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Não foi tão tranquilo quanto pareceu, mas o Anaheim Ducks varreu e avançou (Foto: Sean M. Haffey/Via: Getty Images)

Sharks 2-4 Oilers Essa era uma série difícil, a balança estava equilibrada, mas o time de Edmonton conseguiu usar melhor suas armas e isso acabou decidindo a série. Não só o poderoso ataque, como o grande goleiro do Oilers fez a balança pesar para seu lado.

Aqui era uma das séries onde era tudo possível, experiência contra inexperiência, time sólido em todo o gelo contra um time que tem falhas defensivas, mas em 6 jogos o Edmonton Oilers conseguiu vencer 4 jogos, contando com a liderança do incível Connor McDavid, mas com outros jogadores como Leon Draisaitl e até mesmo Zack Kassian achou espaço para brilhar. Lá atrás, Cam Talbot teve dificuldades, mas segurou os pucks quando a pressão do Sharks aumentou. Mesmo com um jogo 4 péssimo, o time de Edmonton não se abalou, o jovem time conseguiu dar grandespassos para um futuro teoricamente brilhante.

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Leon Draisaitl abre a contagem no último jogo da série (Foto: Tony Avelar/Associated Press)

Outros assuntos relacionados:

Um ponto em que eu devo tocar e que sempre se tem reclamações aos muitos especialmente nos playoffs: arbitragem. É sempre polêmica, sempre o seu time foi assaltado e o adversário é sempre beneficiado (em poucos casos é realmente verdade), sempre tem um complô e sempre tem ânimos elevados. Posso dizer que a arbitragem fez muita besteira, especialmente deixando de marcar penalidades claras e algumas até graves, as vezes exagerando em lances que não eram penalidades. Mas nada que tenha realmente comprometido algum jogo ou série. Então não, seu time não foi assaltado, o adversário não foi beneficiado, não há complô, ninguém comprou a Stanley Cup, foram apenas seres humanos tomando decisões e fazendo julgamentos errados.

Relacionado a arbitragem temos as revisões. Outro ponto chato e polêmico, mas muitas decisões corretas foram tomadas, outras questionáveis, mas nada fora do esperado ou normal. Em específico tivemos dois lances envolvendo o Boston Bruins e possíveis impedimentos fizeram mais barulho, em um o gol foi validado devido a falta de certeza, no outro o gol foi anulado também em uma marcação controversa. Mas em muitos casos as reclamações vêm de falta de atenção a tudo que está acontecendo no lance, especialmente quando se trata de interferência nos goleiros, é um esporte complexo e muito dinâmico, mas antes de afirmar qualquer coisa é melhor prestar muita atenção. Detalhes fazem toda a diferença nas revisões, uma perna deixada pelo atacante ao lado do goleiro e que o impeça de se movimentar, onde está a lâmina do patins quando o jogador entra na zona ofensiva, entre tantas coisas, por isso não é um trabalho fácil ser árbitro e nem revisar jogadas.

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Impedido ou não? Impossível ter certeza (Via: http://www.sbnation.com/nhl/2016/4/9/11397808/bruins-goal-senators-pastrnak-flyers-red-wings-challenge-cameras-offsides)

Falando em coisas boas agora, 18 jogos foram para a prorrogação nessa primeira fase, é o recorde da NHL em qualquer fase de playoffs. Não tivemos jogos 7, tivemos 2 varridas, umas decepções, mas no geral foi um round equilibrado, com embates para serem lembrados no futuro.

Futuro e presente se chocaram, para alguns times foi o início de uma jornada de sucesso, outros estão vivendo o declínio assim a NHL foi desenhada para ser quando o teto salarial foi arquitetado e definido. Não há time invencível, a liga é nivelada pelo alto, quando o puck toca o gelo, não importa se seu time tem 3 dos 100 melhores jogadores do centenário da NHL, se ele venceu o Presidents Trophy, se está cheio de garotos, se o goleiro não é brilhante, o que importa é o que acontece no gelo durante os 60 minutos ou mais, a pós-temporada nos proporciona momentos incríveis imaginados por pouquíssimos ou ninguém. São esses tipos de coisa que fazem um Toronto Maple Leafs fazer uma série incrível, ou o Chicago Blackhawks ser varrido chocando o mundo, ou o duelo entre o time do futuro contra o time quase do passado ser vencido pelo futuro, tudo pode acontecer. E é isso que apaixona muita gente, que transforma os playoffs da NHL nesse local onde tudo parece possível, inclusive aquilo que ninguém imagina que irá acontecer.

Puck na cara #4 –  Stanley Cup Playoffs 2017 #1

Puck na cara #4 – Stanley Cup Playoffs 2017 #1

Olá leitores do Puck Brasil e fãs de hóquei! Lucas Mendes aqui, voltando de um longo e tenebroso inverno para falar da melhor parte do ano na NHL. Vai ser uma série de textos, um para cada rodada, com os meus palpites de cada confronto. Começando com a primeira rodada, que começa amanhã (12/04). Vamos aos palpites!

CONFERÊNCIA LESTE

(M1) Washington Capitals vs Toronto Maple Leafs (WC2)

O Capitals vem de novo como o melhor time, o mais forte e o principal favorito para levantar a taça. Se reforçou muito na deadline e tem o melhor elenco da liga. E todos sabemos o que vai acontecer. Sim, vão fazer o de sempre e pipocar, mas não na primeira rodada. Não para o Leafs, que é um time muito jovem e muito inexperiente. Vem comandado pelo brilhante calouro Auston Matthews que, pasmem, marcou mais que o Ovechkin nessa temporada e deve vencer o Calder Trophy. Mesmo que o Leafs tenha conseguido uma vaga nos playoffs, não vai ser agora que vão ir longe. Mas podem apostar nesse time para as próximas temporadas.

Palpite:  Capitals em 5

Porquê: Acho que o Leafs consiga vencer uma partida em Toronto, com o apoio da sua torcida mais que apaixonada. Mas o Capitals é um time muito superior, e liquidará a fatura logo.

 

(M2) Pittsburgh Penguins vs Columbus Blue Jackets (M3)

Junto com Habs vs Rangers, temos o confronto da Leste que será o mais legal de assistir. Os atuais campeões, Penguins, liderados por Sid the kid, contra o talentoso time do Blue Jackets sob a batuta do mestre Tortorella. Vai ser um confronto bem equilibrado e disputado, e decidido nos detalhes. Bobrovsky, provavelmente o vencedor do Vezina esse ano, junto com Cam Atkinson, Nick Foligno e cia vão fazer jogo duro contra Crosby, Malkin, Kessel.

Palpite: Blue Jackets em 7

Porquê: Como disse, esse confronto vai ser decidido nos detalhes, mas por mais que o Penguins tenha um time com muita experiência em playoffs, o Blue Jackets tem o elemento de ser a grande surpresa da temporada, além do Penguins estar sem o seu principal defensor, Letang, que está fora dos playoffs devido a uma cirurgia no pescoço.

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Penguins vs Jackets promete demais. (Créditos: NHL)

 

(A2) Ottawa Senators vs Boston Bruins (A3)

Outro bom confronto. Senators conseguiu se superar várias vezes na temporada, enquanto o Bruins, desde que trocou de treinador, cresceu muito e vem jogando bem. Provavelmente terá Marchand de volta no jogo 2, e ele pode desequilibrar muito o confronto e levar o Bruins para a próxima fase.

Palpite: Bruins em 6

Porquê: Brad Marchand tem sido um dos melhores jogadores ultimamente, e chegou a competir com Crosby e McDavid pelo Hart. Está suspenso no jogo 1, mas fará a diferença nos confrontos restantes.

(A1) Montreal Canadiens vs  New York Rangers (WC1)

O confronto mais equilibrado da primeira fase. Habs e Rangers tiveram praticamente a mesma pontuação na temporada regular e ambos elencos tem muita qualidade. Price e Lundqvist dispensam apresentações. Tanto Byron quanto Grabner podem fazer a diferença. Montreal tem seu jovem e talentosos atacante Galchenyuk, o experiente defensor Shea Weber e ainda conta com Pacioretty. Rangers tem um bom poder ofensivo, é um time rápido, mas tem uma defesa que deixa a desejar, principalmente por conta de Dan Girardi.

Palpite: Canadiens em 7

Porquê: A defesa do Rangers será o fator principal do confronto, mas não por conta dos goleiros, e sim por causa dele, Girardi. Ele é o ponto fraco do Rangers e pode acabar cedendo na hora errada e eliminando o seu time.

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Anotem, Habs vs Rangers vai ser o confronto mais equilibrado da primeira rodada. (Imagem: Getty Images)

 

CONFERÊNCIA OESTE

(C1) Chicago Blackhawks vs  Nashville Predators (WC2)

Tirando os torcedores do Predators, sabemos que esse confronto é bem unanimidade. Por mais que o Preds tenha bons jogadores, como Subban, Forsberg e Rinne, o Blackhawks é uma máquina quando se trata de playoffs. Não sendo contender a toa.

Palpite: Blackhawks em 5

Porquê: O Blackhawks se reforçou após ser eliminado cedo na última temporada, e como sempre, cotado para chegar a, no mínimo, final de conferência. Palpite até fácil, com todo respeito ao Predators e seus torcedores

 

(C2) Minnesota Wild vs St. Louis Blues (C3)

Essa série vai ser bem apertada. São dois bons times. O confronto entre Allen e Dubnyk promete. Granlund vem de boa temporada e, com Parise, promete causar o inferno para a defesa do Blues, que vem sem Shattenkirk, que foi pro Capitals, e com Tarasenko sendo sua principal ameaça.

Palpite: Wild em 7

Porquê: Nesse momento, vejo os dois times praticamente no mesmo nivel, Wild deve levar esse confronto por causa do mando de campo a favor.

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Wild x Blues tem tudo para ser o confronto mais equilibrado, do outro lado da chave. O confronto promete ser grandioso. (Imagem: Sportsnet)

 

 

(P2) Edmonton Oilers vs San Jose Sharks (P3)

Vai ser uma série muito interessante de assistir. De um lado temos o Oilers e McDavid, do outro temos o Sharks, que mesmo com um ótimo time, caiu muito de rendimento desde a deadline. Mas playoffs é um torneio a parte, e essa série promete ser bem imprevisível.

Palpite: Oilers em 7

Porquê: Primeiro porque quero ver Battle of Alberta nos playoffs. Segundo porque eu vejo o Oilers vindo mais forte que o Sharks, que vai endurecer o jogo e forçar o jogo 7.

 

(P1) Anaheim Ducks vs  Calgary Flames (WC1)

Chegou a parte em que vocês vão me xingar, chamar de clubista e tudo mais. De um lado temos o Ducks que se manteve na ponta ou próxima dela durante a temporada toda. De outro temos o Flames que, mesmo com o começo horrível de temporada, teve uma crescente muito grande desde o All Star Game e chegou a figurar entre os 3 melhores da Pacífica. Isso no considerado último ano de seu rebuild. Não se espantem, mas o Flames tem um bom time e subestimá-lo pode ser fatal, mesmo em uma série melhor de 7.

Palpite: Flames em 6

Porquê: SIM, A MALDIÇÃO DO HONDA CENTER VAI ACABAR! E espera-se que seja nessa série. Após os últimos jogos entre os times nas últimas semanas, o clima entre os times esquentou, e isso pode ajudar muito o Flames (trocadilho não proposital), principalmente  com os primeiros jogos lá em Anaheim.

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Esse confronto vai pegar fogo! Flames e Ducks vem com sangue nos olhos para uma batalha recheada de emoção e cenas lamentáveis. (Foto: Lyle Aspinall/ Postmedia Network)

 

Essas são minhas considerações sobre a primeira rodada dos playoffs. Sintam-se a vontade para opinar, cornetar e tudo mais. Grande abraço!

20 Minutos – Edição 12 – Especial Trade Deadline (Parte 1)

​O tempo de trocar passou, como brinquei no twitter na manhã da quarta feira da deadline, seu GM pode ter acabado o dia como gênio ou burro ou os dois ao mesmo tempo. E apesar de nem todos os nomes ventilados terem sido trocados (a culpa disso é sua: Joe Sakic), foram dias divertidos. Esse 20 Minutos será mais curto que o habitual e será o primeiro de uma série de três falando sobre a deadline. No de hoje, falaremos sobre as trocas que só envolveram draft picks. O 2* falará sobre trocas que envolveram múltiplos jogadores e draft picks. E o 3* falará sobre as impressões que esse pobre homem teve da trade deadline. Nessa série, falaremos sobre as 31 trocas mais relevantes entre os dias 04/02 e 01/03. Vamos nessa!

1. (04/02) Vernon Fiddler para o Nashville Predators (4* round pick em 2017 para o New Jersey Devils)

Fiddler é um produto do próprio Predators. Gols não são sua especialidade apesar de ter passado dos 10 nas últimas duas temporadas (13 em 14-15, 12 em 15-16), mas também é verdade que o veterano vem tendo a pior temporada da carreira em porcentagem de chutes certos (4.7%). Fiddler é o clássico quarta linha que pode jogar entre 12/13 minutos por partida e pode certamente ajudar em um setor: faceoffs. Em sua carreira, ele nunca ficou abaixo dos 50% em faceoffs além de quase 80% dos faceoffs que disputa serem na zona defensiva ou neutra em situações de 5vs5. Negativamente, com Fiddler no gelo em ocasiões de 5vs5 sua equipe toma quase 2+ gols do que produz a cada 60 minutos e tem uma porcentagem de chutes certos abaixo dos 4%. Fiddler pode ganhar um faceoff importante mas também pode ser esmagado na sua zona defensiva e produzir virtualmente nada no ataque.

Fiddler pode ajudar muito na última linha ofensiva do Predators. (Créditos: Nashville Predators)

2. (20/02) Michael Stone para o Calgary Flames (3* round pick em 2017 e escolha condicional de 5* round em 2018 para o Arizona Coyotes)

O defensor não é desconhecido de Brad Treliving, GM do Calgary Flames. Como GM assistente do Arizona Coyotes, Treliving foi que escolheu o defensor no draft de 2010. Stone também já é acostumado a cidade de Calgary, onde jogou e foi estrela nos juniors jogando pelo Calgary Hitmen. Stone teve uma ótima temporada em 15-16 fazendo par defensivo com Oliver Ekman-Larsson, alcançando a melhor marca de sua carreira em pontos com 36 em 75 jogos, mas a combinação lesão grave no joelho + jogando no Coyotes prejudicou a temporada do defensor. Se ofensivamente Michael Stone não é nenhum Brent Burns da vida, defensivamente o mesmo também não é um desastre apesar de jogar no time que jogou. Em mais de 800 minutos no gelo em ocasiões de 5vs5, sua equipe produz meio gol a mais que toma a cada 60 minutos de 5vs5, além de seu PDO (soma da porcentagem de defesas do goleiro e da porcentagem dos chutes certos que seu time dispara enquanto determinado jogador – nesse caso, Stone – está no gelo) estar acima dos 102%. Jogando em Calgary como o 4* defensor da equipe, Stone é uma adição pontual.

Stone chegou e já ajudou o Flames a melhorar sua defesa. (Créditos: Real Sports)

3. (23/02) Ron Hainsey para o Pittsburgh Penguins (2* round pick em 2017 + Danny Kristo para o Carolina Hurricanes)
Hainsey já foi um defensor ofensivo apesar de já ter algum tempo. Entre 2006 e 2009, Hainsey marcou mais de 30 pontos na temporada, contudo, o defensor não passa dos 20 pontos desde 2010-2011 quando ainda jogava no finado Atlanta Trashers (que descanse em paz). Apesar de não ser prolifico ofensivamente, Hainsey é um defensor que pode tranquilamente passar dos 20 minutos (juramos que não é um trocadilho com nossa coluna) por partida. De 2006-2007 até a temporada atual, apenas em 10-11 o defensor não acumulou média de tempo no gelo acima dos 20 minutos, Hainsey também acumulou uma porcentagem de corsi (chutes disparados pelo seu time ao gol + chutes bloqueados + chutes que não chegam no gol) acima dos 50%. Hainsey (que jogou em times feios durante a carreira) sempre teve problemas em sua zona defensiva, desde 11-12 que em ocasiões de 5vs5 com o defensor no gelo, o seu time sempre toma mais gols que marca. Nessa temporada, a cada 60 minutos de 5vs5 com Hainsey no gelo (lembremos, ele jogou 56 partidas pelo Hurricanes) seu time tomou pelo menos um gol a mais que marcou e seus companheiros tiveram uma porcentagem de chutes certos abaixo dos 6%. Essa aquisição foi feita muito por conta das lesões que os defensores Trevor Daley, Kris Letang e Olli Maataa sofreram, além de ser importante ter depth nos playoffs. Apesar de nunca ter jogado depois da 2* semana de abril, Hainsey já tem mais de 900 jogos na liga e não deve sentir tal pressão.

O veterano Hainsey chega para compor o sistema defensivo do atual campeão para a defesa de Lord Stanley. (Créditos: NHL)

4. (24/02) Patrick Eaves para o Anaheim Ducks (Escolha condicional de 2* round de 2017 para o Dallas Stars)
Antes de 2016-2017, Patrick Eaves só tinha marcado mais de 15 gols uma vez em sua carreira: Sua temporada de rookie em 2005-2006 quando marcou 20 gols. E eis que 11 anos depois, Eaves volta a alcançar tal marca. O garoto de Calgary com certeza pode ser considerado um belo canivete suíço nessa temporada. Eaves marcou 8 gols e 19 pontos em ocasiões de 5vs5 e no powerplay teve ainda mais destaque: Em 174 minutos de tempo no powerplay, Eaves marcou 10 gols em 37 chutes a gol, 27% de acerto. Em comparação com o glorioso e amado Alexander Ovechkin, a arma moderna no powerplay, tem 11 gols em 74 chutes com 226 minutos de PP time, 14.8% de acerto. Eaves não compromete as coisas na zona defensiva, pode produzir gols jogando na 2* ou na 3* linha, além de ter longas caminhadas nos playoffs com o Senators (chegou a Stanley Cup Final em 2007) e Hurricanes (chegou as finais da conferência leste em 2009).

O homem das barbas foi a única aquisição do Ducks na janela de trocas. (Créditos: Fansided)

5. (24/02) Tomas Jurco para o Chicago Blackhawks (3* round pick em 2017 para o Detroit Red Wings)
Jurco é um winger talentoso que ainda não embalou na NHL. Em 18 partidas na temporada, Jurco ainda não marcou um ponto e só tem 15 gols em 159 jogos na liga. Apesar da baixa produção, Jurco é jovem e uma mudança de cenário pode o ajudar a achar seu caminho na liga. E estando em um dos times que mais produz ofensivamente na liga, a aposta é válida.

Jovem e talentoso, na torcida que a mudança de clube faça sua carreira decolar, parte 1. (Créditos: Getty Images)

6. (27/02) Teemu Pulkkinen para o Arizona Coyotes (Futuras considerações para o Minnesota Wild)

Pulkkinen vive o mesmo dilema de Jurco com algumas diferenças. Pulkkinen era uma das maiores esperanças da base do Red Wings. Nas temporadas 13-14 e 14-15, o right winer marcou 65 gols em 117 partidas jogando na AHL (última liga profissional norte americana de desenvolvimento antes de chegar na NHL) e muitos achavam que o winger seria uma das novas estrelas da liga. Infelizmente, Pulkkinen não conseguiu repetir o desempenho na NHL. Daí em diante, a carreira do jovem finlandês não se estabilizou, foi para as waivers algumas vezes, em uma delas sendo pego pelo Wild onde também não brilhou. John Chayka sabe que seu time não é bom e apostar nesses “talentos queimados” pode gerar bom resultados no futuro. Uma aposta nunca faz mal.

Nota do editor: Pulkkinen marcou um gol na sua estreia pelo Coyotes.

Jovem e talentoso, na torcida que a mudança de clube decole sua carreira, parte 2. (Créditos: Arizona Coyotes)

7. (28/02) Brendan Smith para o New York Rangers (3* round pick em 2017, 2* round pick em 2018 para o Detroit Red Wings)

Apesar da frustração em ter “falhado” na missão de conseguir Kevin Shattenkirk, o NY Rangers foi para o plano B em adquirir o defensor Brendan Smith. Smith chega para compor o top 4 defensivo, mover o puck e absorver entre 20-22 minutos por partida. Já faz algum tempo da melhor temporada ofensiva de Smith (13-14) e o defensor só marcou dois pontos em quase 500 minutos de 5vs5, lembrando que Brendan perdeu algum tempo por lesão. Smith é um jogador que pode ser usado nas três zonas do rink sem ser atropelado em sua defesa, apesar dos adversários conseguirem gerar mais chutes e gols que seu próprio time com o mesmo no gelo. Um problema do defensor é com o jogo empatado. Nos utilizando das famigeradas estatísticas avançadas, em 170 minutos de ocasiões 5vs5 com o jogo empatado (antes da rodada de sábado) e com o defensor no gelo, os adversários conseguiram gerar 8 chutes a mais no gol e quase um gol a mais que seu time. Em seu 1* jogo pelo Rangers, Smith começou apenas 11% de seus shifts na zona ofensiva (sua média na carreira é de 56.2%) e o Capitals gerou o dobro de disparos a gol que o Rangers quando o defensor estava no gelo. Vale ficar de olho.

Com Dan Girardi e Kevin Klein lesionados, Smith deve ter papel importante nas próximas semanas da temporada. (Créditos: Yahoo Sports)

8. (28/02) Viktor Stalberg para o Ottawa Senators (3* round pick em 2017 para o Carolina Hurricanes)

Assim como Alexandre Burrows (que falaremos no próximo 20 minutos especial sobre a deadline), Stalberg é uma aquisição que vem para ajudar em depth scoring, principalmente nas ocasiões de 5vs5. Em toda sua carreira, Stalberg nunca marcou um golzinho sequer no powerplay e isso inclui uma temporada na qual jogou 102 minutos na 2* unidade de PP do Blackhawks e só marcou duas assistências. Mas em compensação, 78 dos 80 gols marcados por Stalberg em sua carreira foram em 5vs5, incluindo uma temporada de 18 gols e 39 pontos em tal departamento (22/43 no geral) em 2011-2012. Nesta temporada, Stalberg marcou 7 de seus 9 gols no even strength com o melhor percentual de chutes certos na carreira (12.3% em 16-17 vs 8.7% na média de sua carreira) com tempo no gelo inferior a 12 minutos por partida. Pode ser uma presença física, tem números decentes na produção de chutes contra/a favor e acumula 30 jogos de playoffs nas últimas 4 temporadas incluindo uma Stanley Cup com o Chicago Blackhawks em 2013.

Produtivo no 5vs5, Stalberg pode conseguir alguns gols importantes para o Senators na busca pelo título da divisão. (Créditos: Zimbio)


9. (01/03) Steve Ott para o Montreal Canadiens (6* round pick em 2018 para o Detroit Red Wings)

Steve Ott. O homem, o mito e a lenda. Essa troca foi complicada de entender e de tentar explicar mas acredito que conseguimos. Contextualizando, o Canadiens é um time que precisava de mais poder ofensivo, jogadores que pudessem tirar algum peso das costas de Max Pacioretty, Alexander Radulov e Alex Galchenyuk. A equipe é a 13* na liga em gols 5vs5, 15* em gols feitos a cada 60 minutos de 5vs5 (2.26), 10* em chutes disparados a gol (29.8 a cada 60 minutos de 5vs5) e 11* em porcentagem de chutes certos em 5vs5 (7.58%). São números decentes mais nada ameaçador. Quando estendemos esses números para todas as ocasiões, o Canadiens fica em 13*,17*, 24* (!!!!) e 10* em tais estatísticas. Então, se Ott não produz ocasiões ofensivas, no que diabos ele pode ser útil? Cito aqui três fatores: Jogo físico, faceoffs e penalty kill. Caso o Canadiens garanta o título da divisão, provavelmente a equipe deve cruzar com Rangers ou Blue Jackets no primeiro round dos playoffs, times que podem te punir fisicamente. Apesar de não ser um indivíduo grande, Ott é um cidadão que sabe jogar fisicamente (até meio sujo em determinadas situações) sem passar do “limite”. Falando do segundo motivo, Ott nunca teve uma temporada na carreira que ele ficasse abaixo dos 50% em faceoffs vencidos (250+ faceoffs disputados) e esse atributo pode ajudar no nosso terceiro motivo. Até o início da rodada desse sábado, o Canadiens era a 5* equipe da NHL com mais tempo shorthanded (349 minutos), a 5* que mais tomou gols (44), a 7* que mais sofreu PP gols por 60 minutos (8.09 gols sofridos) e tudo isso apesar de estar em 19* na lista de chutes cedidos a cada 60 minutos shorthanded (51.5). O glorioso Ott nos últimos 5 anos foi o 49* jogador de ataque (top 25 entre centrais) que mais matou penalidades na liga com 550 minutos de PK time. Quando está matando penalidades, Montreal começa 79.1% de seus faceoffs em sua zona defensiva, já Steve Ott nas últimas SETE temporadas tem uma média de quase 85% em tal estatística. Não espere produção ofensiva de Ott, o glorioso veio pra fazer o trabalho sujo.

Nota do editor: O Canadiens venceu o NY Rangers por 4-1 nesse sábado, um dos gols nasceu de um faceoff na zona ofensiva vencido por Steve Ott e que resultou em gol de Shea Weber.

Ott, a lenda. (Créditos: Detroit Red Wings)

10. (01/03) Dwight King para o Montreal Canadiens (Escolha condicional de 4* round em 2018 para o Los Angeles Kings)
King tem características parecidas com as de Steve Ott, sendo capaz de produzir um pouco mais ofensivamente. King vem tendo sua pior porcentagem de chutes certos (9%) desde a temporada 12-13. Apesar disso, King não é o tipo de jogador que será dominado pelo seu adversário. Durante sua carreira, King sempre teve números positivos de Corsi (chutes a gol + chutes que não foram ao gol + chutes bloqueados) e fenwick (chutes a gol + chutes que não foram ao gol), sendo verdade que muito desses bons números se devem ao esquema do Kings. Assim como Ott, King pode ser usado no penalty kill e adiciona ao jogo físico da equipe de Claude Julien.

Com dois anéis de Stanley Cup, King tentará encerrar o jejum de 24 anos do Canadiens sem a Stanley. (Créditos: NHL)


11. (01/03) Jarome Iginla para o Los Angeles Kings (Escolha condicional de 4* round em 2017 para o Colorado Avalanche)

Iginla, com certeza um negão de tirar o chapéu que vem chegando no final de sua carreira. O futuro hall da fama nunca foi uma arma fora de série no powerplay (apesar de ser consistente) mas foi no 5vs5 que Iginla fez seu nome. Desde 2000, Iggy teve 12 temporadas na qual marcou 20 gols ou mais em ocasiões de 5vs5. Nessa temporada, Iginla vem tendo os piores números de sua ilustre carreira em gols, pontos e principalmente, porcentagem de chutes certos com apenas 6.7%, a média na carreira de Iginla é de 13.1%. Iginla também vem tendo os piores números da carreira em tempo no gelo por partida com 14:46, sua média na carreira é de 19:47, ugh. Mas se tem uma área que Iginla pode ajudar é produzir gols em 5vs5, o Los Angeles Kings é o 24* (!!!!) na liga em gols marcados a cada 60 minutos no even strength (1.98). E nos últimos 9 anos (entre 2007 e 2016), Iginla marcou 168 gols no 5vs5, ficando atrás apenas de Alex Ovechkin, Corey Perry, Phil Kessel e Rick Nash. Em pontos, Iginla marcou 357 (atrás de Sidney Crosby, Ovechkin, Patrick Kane, Henrik e Daniel Sedin, Perry e Joe Thornton) além de ter sido o 9* em disparos a gol com mais de 1.400. Iginla não é mais o mesmo enorme jogador do passado mas ainda pode bater seus homeruns.

Nota do editor: Em dois jogos com o Kings, Iginla jogou na linha principal do time junto com Anze Kopitar e Marian Gaborik, o winger teve mais penalidades que chutes a gol.

IGGY! IGGY! IGGY! (Créditos: Yahoo Sports)


12. (01/03) Mark Streit para o Pittsburgh Penguins (4* round pick em 2018 para o Tampa Bay Lightning)

Streit é um defensor ofensivo que já marcou 62 pontos (07-08 no Montreal Canadiens) e vinha colocando sólidas temporadas até que seus números despencaram miseravelmente em 15-16 e continuaram ruins em 16-17. O que mais afetou a produção de Streit foi a queda vertiginosa de seu poder de fogo no powerplay. Em 14-15, Streit marcou 25 pontos em 272 minutos jogados de powerplay, uma média dr 5.50 pontos a cada 60 minutos de PP. Esses números despencaram para 7 pontos em 15-16 e 7 pontos em 16-17 antes de jogar no Penguins. Entre 2007 e 2016, Streit foi o 3* defensor na NHL com mais pontos no powerplay com 170, perdendo apenas para Andrei Markov e Mike Green. Também foi o 4* defensor que mais deu a 1* assistência para o gol (o último passe antes do biscoito beijar a rede) com 69, ficando atrás de Markov, Keith Yandle e Erik Karlsson. Além disso, Streit foi o 3* defensor com mais PP time na liga, acumulando 2349:29, perdendo apenas para Dion Phaneuf e Ryan Suter. Assim como Hainsey, quando os lesionados voltarem, Streit pode alternar entre o 2* e o 3* par defensivo além de, em determinadas situações, participar da 2* unidade do powerplay.

Nota do editor: Em sua estreia pelo Penguins, Streit marcou um gol e deu uma assistência (no powerplay) contribuindo para o triunfo sobre o Lightning por 5-2.

Mesmo em baixa na produção, o suíço ainda pode ser perigoso no powerplay.

13. (01/03) PA Parenteau para o Nashville Predators (6* round pick em 2017 para o New Jersey Devils)
Assim como Patrick Eaves, Parenteau é outro jogador que pode ajudar a produzir gols tirando pressão da linha principal mas também pode ser colocado na linha de frente e não vai passar vergonha. Parenteau já teve 4 temporadas com 18+ gols e caminha para sua 5* mesmo tendo uma média de tempo no gelo abaixo dos 15 minutos. Apesar de ter jogado em times bem mais ou menos nesses últimos anos (o último bom time que Parenteau fez parte foi o Avalanche 13-14), Parenteau vem mantendo uma porcentagem de corsi e fenwick acima dos 50% desde 2011-2012. Parenteau vem mantendo sua média de chutes certos ao gol (11.9%), além de ter números satisfatórios no 5vs5 com 1.61 pontos a cada 60 minutos nessa situação. É valioso quando o jogo está empatado ou com um gol de diferença (contra ou a favor), marcando 10 gols e 20 pontos em tais ocasiões, podendo quebrar um galho no powerplay. Uma adição inteligente e barata.

PAP espera que Nashville seja a casa de sua 1* Stanley Cup. (Créditos: NHL)

14. (01/03) Drew Stafford para o Boston Bruins (Escolha condicional de 6* round em 2018 para o Winnipeg Jets)

Stafford já teve temporadas mais gloriosas que 2016-2017. Já tendo marcado mais de 20 gols por 4 temporadas em sua carreira, Stafford vem vivendo sua pior temporada ofensiva. Seu tempo no gelo caiu 4 minutos de 15-16 para 16-17, além de estar com a pior porcentagem de chutes na carreira com 5.9%, 5 pontos percentuais abaixo de sua média histórica na liga. Se levarmos para ocasiões de 5vs5, Stafford (antes da rodada desse sábado) só marcou dois gols em 54 chutes com 448 minutos de 5vs5, são pavorosos 3.70% de chutes certos, uma queda de quase 5% da temporada passada. Stafford também está começando menos shifts na zona ofensiva e com ele no gelo, seu time produzia menos de dois gols por 60 minutos de 5vs5, sem ele o time marcava quase 3. Vale a pena ficar de olho.

Em má fase no Jets, Stafford pode reviver sua carreira em um dos maiores times da liga. (Créditos: NHL)

15. Passando a régua nessa análise numerológica, acredito que essas 14 trocas tem virtualmente a mesma chance de dar certo ou não. Michael Stone tem algumas chances de renovar com o Calgary Flames depois do draft da expansão. É difícil fazer uma análise imediata nas trocas de Jurco e Pulkkinen, tendo em vista que ambos tem talento e podem explodir mais tarde nas carreiras. Dwight King também pode ficar no Canadiens por algum tempo. Os outros podem mudar de casa ou se aposentar ao fim da temporada.

16. Se tudo correr bem, ainda na segunda ou terça teremos a segunda e a terceira parte dessa analise. Espero que vocês tenham gostado! 

17. Todas as stats usadas nesse post foram extraídas do site Hockeyanalysis.com

Puck de cristal: 15 previsões para 2017!

​Olá amigos e amigas! Um feliz 2017 para todos e todas! Estamos começando mais uma jornada de muita NHL, jornada especial já que a liga completará 100 anos em novembro de 2017. Que tal colocar o puck de cristal para funcionar e fazer alguns palpites que vão acabar sendo miseravelmente errados? Vamos nessa! 

1. 25 anos e nem um dia a mais.

Como foram gloriosos os tempos de Yzerman, Fedorov e Lidstrom. Esses infelizmente não voltarão para ajudar o Red Wings a manter viva sua streak de idas aos playoffs viva. A sequência começou na temporada 90-91 com Yzerman e Fedorov ainda jovens e Nick Lidstrom nem tinha estreado na NHL ainda. Desde lá, a equipe jogou 56 séries de playoffs, chegando na Stanley Cup Final seis vezes, vencendo quatro delas. A streak das asas vermelhas nunca esteve em tão grande perigo como agora, isso se deve aos poucos jogadores com diferencial ofensivo além dos problemas defensivos. Não teremos playoffs em Hockeytown.

2. Trevor Linden e/ou Jim Benning serão demitidos

O processo de rebuild é doloroso, penoso e nem sempre bem digerido pelos torcedores. A reconstrução do Canucks vem seguindo a parte principal (perder muito mais do que ganhar) do sistema mas vem falhando em outros pontos importantes. Jake Virtanen ainda não se tornou o goal scorer que se esperava dele, Loui Eriksson não é nem sombra do mesmo jogador que marcou 30 pelo Bruins em 15-16, isso sem falar nos veteranos que se lesionaram (casos de Alexander Edler e Erik Gudbranson) e nos que não vem produzindo como outrora (HELLO ALEX BURROWS). Somando a isso, as decisões questionáveis de Jim Benning e seu staff nos últimos drafts (I mean, ter Matthew Tkachuk – o tipo de jogador que o Canucks necessita – sobrando na mão e ir de Olli Juolevi não parece tão esperto ao primeiro olhar). Linden, apesar da má fase, conta com muita moral da alta cúpula do Canucks. Isso faz com que o pobre Benning tenha que proteger seu pescoço em 2017. Poor Sedins.

Por favor Trevor, salve meu pescoço! (Créditos: Vancouver Courier)

3. Teremos campeão inédito

Desde 2000, a NHL teve quatro campeões inéditos (Lightning 2004, Hurricanes 2006, Ducks 2017, Kings 2012) e acredito que existe possibilidade real em 2017 de termos um novo debutante. Até agora, o Columbus Blue Jackets de John Tortorella (HOW ABOUT THAT) parece ser o candidato mais gabaritado. Vale ficar de olho também em sonhadores antigos como Sharks, Predators, Blues e Capitals.

4. Marian Hossa será trocado

Essa é uma das previsões dessa lista que talvez não aconteça mas você amigo e amiga sabe que existe a real possibilidade e o potencial culpado disso é o salary cap do Chicago Blackhawks. Atualmente, a equipe tem um cap space de 436 mil trumps. Virtualmente nada. Patrick Kane e Jonathan Toews serão homens ricos por muito tempo e não vão para lugar algum. O mesmo pode se dizer para Corey Crawford, Duncan Keith e Brent Seabrook. Isso sem falar de Artemi Panarin que acabou de renovar com o Hawks. Isso acaba nos deixando com quatro suspeitos: Hossa, Artem Anisimov, Markus Krueger e Nicklas Hjalmarsson. Hjalmarsson é o mais novo do trio defensivo principal então não. Anisimov centra a linha de Kane e Panarin, esse também não. Isso nos deixa com Hossa e Krueger. Caso o #81 não seja trocado, porque não pensar como seria uma nova vida sob a luz do luar de Vegas?

Hossa foi peça crucial nos últimos três títulos do Blackhawks, pode esse ser o fim do ciclo? (Créditos: ESPN)

5. Ben Bishop será trocado
Com o talentoso Andrei Vasilevskiy na fila para assumir a goleira do Lightning por um ótimo período de tempo, é difícil pensar em uma vida muito longa para o camisa #30 em sua atual casa. Pra dizer a verdade, esse dilema quase foi resolvido em junho, quando Bishop esteve as portas de ser trocado para o Calgary Flames, troca esta que nunca se concretizou. Se ventila que a pedida de Bishop para seu novo contrato é de 7M por temporada (Bish é FA no fim dessa temporada) e como o Lightning sofre com problemas de cap space e tem contratos importantes para renovar, é o caminho natural a saída de Bishop.

Bish, please! (Créditos: alchotron.com)

6. Ben Bishop irá para o Dallas Stars
Seja em março na trade deadline ou em julho na free agency, Dallas é a casa perfeita para receber o atual #30 do Lightning. As estrelas texanas tem aspirações e talento para pensar em uma longa caminhada nos playoffs mas convenhamos que tudo isso fica difícil de ser alcançado com a dupla mortal Kari Lehtonen/Antti Niemi entre os postes. Apesar das lesões sofridas nas duas últimas temporadas, não podemos esquecer que Bishop liderou o Lightning para uma Stanley Cup Final e para a final do leste em 2016 com um cartel de 8-2 antes de se lesionar no jogo 1 da final vs Pittsburgh.

7. Alex Ovechkin não marcará 50 gols nesta temporada.

Correndo o risco de acordar um urso (assim como fiz no primeiro post da história desse blog em 2013), nada leva a crer que o russo repetirá as últimas três temporadas e vai alcançar o número mágico e isso tem lá seus motivos. O powerplay do Capitals segue bom mas já não é a máquina poderosa de antes (um tanto da má fase do PP se deve a temporada gelada de Evgeny Kuznetsov) e isso afeta a produção de pucks na rede de Ovechkin. Tomando as últimas três temporadas como base, Ovechkin marcou 154 gols em 238 partidas, média de 0.64 por partida. Desses 154 tentos, 68 deles foram marcados via powerplay, impressionantes 44.15%. Se esses números forem expandidos para a carreira, até o jogo desse domingo contra Ottawa, Ovechkin marcou 37.08% de seus gols (201 de 542) no powerplay. Nesta temporada, o russo marcou apenas 6 de seus 17 gols quando seu time estava com a vantagem numérica no gelo, isso dá 35.2%, ficando abaixo de suas médias normais. Ovechkin também está chutando menos a gol, até a partida deste domingo, o russo tinha realizado 140 disparos a gol em 35 partidas por ele disputadas, média de 4 por jogo. Ovie está no caminho para chutar aproximadamente 328 vezes a gol nessa temporada, o que seria a menor quantidade de disparos a gol em uma temporada completa desde 2011-2012. O camisa #8 também está acertando menos, o russo converteu apenas 12.1% de seus disparos até agora, sendo a pior porcentagem de sua carreira desde 2010-2011. Tudo isso pode ser somado ao fato de que Ovechkin também está entrando menos no gelo. Até a peleja desse domingo, Ovie tinha um TOI médio de 18:41 por jogo, essa é a pior marca de sua carreira em uma única temporada e fica quase três (!!!!) minutos abaixo de sua média.

Jogando menos, chutando menos e acertando menos. “The Great 8” precisará de uma segunda parte gloriosa para alcançar os 50 gols novamente. (Crédito: mymindonsports.com)

8. Darryl Sutter na corda bamba
Essa é mais conspiração do que necessariamente uma previsão mas vale a pena ficar de olho. É certo que a lesão de Jonathan Quick no início da temporada não o ajudou em nada e o ataque, tirando Jeff Carter, vem deixando a desejar, seja com produção baixa ou com lesões. Com tudo isso, os reis hoje estão fora da zona dos playoffs e correm algum risco de ficarem fora dos playoffs pela segunda vez em três anos na divisão mais acessível de toda NHL. Vale a pena ficar atento.

Bom como técnico e como meme, a vida sem Jonathan Quick não é tranquila para Sutter.

9. Toronto Maple Leafs nos playoffs.
Yeah baby, Matthews levará Toronto aos playoffs e eu tenho medo de zicar os garotos de Mike Babcock com esse palpite.

10. Outside games em Tampa Bay e Nashville

A NHL confirmou nesse domingo antes do Centennial Classic que tem planos para realizar três partidas ao ar livre em 2017. O Lightning já está algum tempo na lista de destinos possíveis para receber esse evento e não vejo motivos para ele não acontecer no ano que chegou, o mesmo pode se encaixar para Nashville. Se pudesse palpitar os jogos, porque não pensar em Lightning x Flames no Tropicana Field (ballpark do Tampa Bay Rays) e um Predators x Red Wings no estádio do Titans? I’m young, let me dream.

11. O Puck Brasil chegará aos 5.000 seguidores

Vamos trabalhar muito para isso e precisamos muito da ajuda de vocês para cumprir essa ousada meta, vamos aos 5k!

12. Rick Nash e/ou Marc-Andre Fleury irão para Vegas

Em entrevista no ano passado, George McPhee (GM dos cavaleiros dourados) disse que busca 5-6 bons jogadores para construir seu time em torno deles. Nash tem um contrato salgado e precisaria abrir mão de sua cláusula de não troca para ser exposto ao draft da expansão e o Rangers sonha em assinar com um bom defensor (cof cof KEVIN SHATTENKIRK cof cof) na free agency, faz algum sentido. Já Fleury, fora um meteoro vindo em direção a terra, deve ser o goleiro exposto por Pittsburgh no draft e Vegas adoraria ter um goleiro que apesar do problema com as lesões, ainda pode manter um bom nível por mais 3-4 anos.

Oponentes nos últimos três playoffs, 2017 pode reservar uma nova casa para Fleury e Nash. (Créditos: zimbio.com)

13. Liquidação no Avalanche.
Ninguém está salvo. Fora uma melhora e um milagre de proporções bíblicas, provavelmente o Avalanche ficará nas últimas colocações da liga e eu repito, ninguém está salvo. Joe Sakic e Jared Bednar são os primeiros candidatos a atualizar suas páginas no Linkedin. Matt Duchene, Jarome Iginla e Semyon Varlamov podem muito bem encontrar casas novas durante os 364 dias que ainda nos faltam.

Lenda como jogador, Joe Sakic agora experimenta a complicada vida de ser GM em um time que pouco alcançou. (Créditos: Denver Post)

14. Prêmios

Sidney Crosby levará o Hart Trophy (MVP da temporada), Lindsay Award (melhor jogador da temporada eleitos pelos jogadores), Art Ross (maior pontuador da temporada) e o Rocket Richard (maior artilheiro da temporada). Matthew Tkachuk ficará com o Calder (melhor rookie da temporada). Sergei Bobrovsky ficará com o Vezina (melhor goleiro da temporada). John Tortorella leva pra casa o prêmio de melhor treinador e Auston Matthews será a capa do NHL 2018.

15. Jaromir Jagr.

Ele seguirá jogando, batendo recordes, trabalhando mais do que qualquer jogador da liga e ainda vai encontrar tempo para seguir sendo o sex appeal número um da NHL. Forever young, Jags, forever young!

Jags e seu “irmão perdido” PK Subban durante o All-Star Game em janeiro de 2016. (Créditos: Philly Influencer)
TOP-FIVE: Os principais veteranos que se aposentariam hoje sem ter uma Stanley Cup

TOP-FIVE: Os principais veteranos que se aposentariam hoje sem ter uma Stanley Cup

Da mesma maneira que as outras ligas dos esportes americanos, na NHL há jogadores históricos que se encaminham para NÃO tocar no troféu mais cobiçado de seus respectivos esportes. Na nossa lista de logo mais, citaremos seis jogadores (no topfive? Ah, você vai entender) que ainda estão atuando, são grandes ídolos de seus times e até mesmo da liga toda, mas ainda não faturaram a sonhada Lord Stanley.

Na NFL, por exemplo, podemos citar nomes como Larry Fitzgerald (Arizona Cardinals), Jason Witten (Dallas Cowboys) e Adrian Peterson que ainda estão em atividade – já veteranos, é bem verdade -, mas que ainda podem ser campeões.  A MLB chega a ser cruel com Miguel Cabrera (Detroit Tigers), do mesmo modo que a NBA está sendo com Carmelo Anthony e Derrick Rose (ambos no New York Knicks). Puxando para o lado mais popular, Dale Earnhardt Jr – pelo qual eu torço (errr… sofro) muito – está longe de levar o seu carro 88 (Hendrick Motorsports) para o topo na NASCAR e sequer chegar perto dos sete títulos de seu pai, Dale Earnhardt.

Sem mais delongas, vamos à lista dos jogadores que estão prestes a se aposentar (uns pouco mais, outros pouco menos) e ainda não tiveram a honra de ser campeão.

  • Henrik Lundqvist – New York Rangers

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Estamos falando de um dos goleiros mais respeitados da franquia (Original Six) New York Rangers e da NHL. “King” foi draftado pela equipe de Manhattan em 2000, mas vira estrear de fato na liga em 2005 e já chegou mostrando a que veio com 30 vitórias em 53 jogos disputados, um save% de .922 e uma média de 2.24 gols sofridos por jogo.

Não seria justo dizer que o goleiro sueco nunca teve um time a sua altura – não que seja cruel ou mentira –, mas fato é que sua verdadeira chance de ser campeão foi em 2014, quando então disputou sua primeira final de Stanley, mas o sonho acabou com Alec Martinez marcando o goal winning game do Los Angeles Kings no jogo 5 no Staples Center graças a um rebote de Lundqvist. Que ironia.

Passado duas temporadas desde então, hoje os Rangers corre por fora na briga por uma vaga na Stanley, atrás do rival Pittsburgh Penguins. Poderá ser mais um ano em branco para o camisa 30.

  • Jarome Iginla: Colorado Avalanche

iginla

No começo da temporada de 2003-04, quando Jarome Iginla foi nomeado o 18º capitão do Calgary Flames, estava nascendo ali uma lenda. Para muitos torcedores esperavam que ali surgisse o franchise player de Calgary. Aquele jogador que carregaria e tocaria o piano – o que nunca fora uma mentira. Porém, na metade da temporada de 2012-13 o mundo acabou naquelas bandas canadenses e Iginla disse “adeus” e foi para o Pittsburgh Penguins atrás de sua primeira Copa. Parecia que aquele seria o ano do camisa 12, os Penguins montaram um verdadeiro esquadrão com Iginla, Douglas Murray, Brenden Morrow, James Neal, Brandon Sutter, Jussi Jokinen, além de claro, Evgeni Malkin e Sidney Crosby. Mas nada feito. A equipe da Pensilvânia foi varrida nas Finais do Leste pelo Boston Bruins e ao término daquela temporada, Iginla jogou no mesmo Bruins, mas apareceu o Montreal Canadiens na segunda rodada dos playoffs e novamente adiou os planos de Iggy.

No verão de 2014, Iginla assinou (talvez seu ultimo grande) contrato com o Colorado Avalanche por três temporadas no valor de 16 milhões de dólares e desde então a equipe não lhe deu condições para encostar na taça, já que desde então a equipe não participa da pós-temporada.

Por essas ironias da vida, Iginla nunca teve tão perto da Stanley Cup, quando na temporada de 2004, quando o seu Flames, perdeu para o Tampa Bay Lightning na Flórida no jogo 7. – A vida tem dessas –.

  • Henrik e Daniel Sedin (Vancouver Canucks)

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Conseguir draftar dois bons jogadores sendo escolha 2 e 3 no recrutamento da NHL parecia um sonho impossível para qualquer general manager até o Vancouver Canucks assim o fizer. Isso graças a um árduo trabalho dos bastidores da equipe canadense, diga-se de passagem. Pois bem, foi assim que Henrik e Daniel Sedin foram apresentados ao mundo do hóquei.

Em seus primeiros anos na liga, os irmãos mostraram um entrosamento que parecida dar certo em curto prazo se a franquia assim os ajudasse. E eis que então, na temporada de 2010-11 a equipe voou durante a temporada regular faturando o President’s Trophy com 117 pontos, 10 a mais que o Washington Capitals, segundo colocado no geral.

O desfecho daquela Stanley Cup, perdendo o jogo 7 em casa para os Bruins, por mais trágico que parecesse, não foi o pior dos males para a equipe de Vancouver. Depois disso o time de British Columbia se desmanchou com as saídas de Ryan Kesler (Anaheim Ducks) e Roberto Luongo (Florida Panthers). Desde então a equipe vem colecionando saídas de jogadores importantes e mantendo a permanência dos Sedin Brothers, que sinceramente estão mais longe do que nunca de realizar o sonho de levar a Copa para a Suécia.

  • Alex Ovechkin (Washington Capitals)

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Ser primeira escolha no draft tem lá suas “desvantagens”. Como diria Ben Parker – fãs de HQs como eu entenderão – (tio do Homem Aranha) disse uma vez: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades” não deixa de ser verdade.

Alex Ovechkin (falei dele aqui) tem sua parcela de culpa pelo até hoje insucesso do Washington Capitals nos playoffs. A fama de pipoqueiro que o assola, em muita das vezes se deve ao fato do camisa 8 ter peso demais sobre seus ombros e não conseguir carregar tamanho o mesmo e a equipe fracassar na hora do “vamos ver”. A temporada passada foi mais uma prova de que falta um Robin pra Ovechkin. Os Caps levaram o President’s Trophy e após vencer o Philadelphia Flyers em seis jogos, não mostrou reação diante os Penguins e o sonho foi interrompido de novo.

Para ser sincero, desde ranking, os Capitals talvez seja a equipe que mais condições ofereça para finalmente libertar seu jogador desse estigma chato. Mas precisa mostrar ser grande nos momentos grandes, como tio Ben quis dizer.

  • Joe Thornton (San Jose Sharks)

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Big Joe também foi first pick no draft (1997, Bruins) e também carrega consigo o peso que isso tudo representa. Após oito temporadas com a equipe de Massachusetts, Thornton foi parar no San Jose Sharks, na qual se tornaria capitão em 2010 após a aposentadoria de Rob Blake e mais tarde (na temporada passada) o cargo de capitão seria tirado e passado a Joe Pavelski.

A prova de que esse fator extrarink não afetou Thornton, foi à inédita aparição dos Sharks em uma Stanley Cup, mas seis jogos depois contra os Penguins a esperança do camisa 19 foi para o ralo em sua grande chance de levantar o caneco pela primeira vez aos 37 anos de idade. Em uma divisão onde você pode se dar ao luxo de se poupar em determinados momentos da temporada, o veterano pode chegar voando nos playoffs e mostrar que nunca é tarde demais para ser feliz.

Ao fim desta temporada, Thornton se tornará free agent (de luxo?) e então podemos dizer que essa temporada será a sua última com chances de ser campeão? – Aguardemos.

 

 

 

Impressões sobre o primeiro quarto da temporada

Pouco mais de um quarto de temporada se passou na NHL e com ele já é possível tirar algumas conclusões. Quem surpreende e quem decepciona, críticas e elogios, o que pode acontecer sobre muita coisa dentro da liga e do que a cerca. Esses são pontos que acho os mais relevante para serem tratados levando em conta o que acontece até então. Abaixo estão o que eu considero destaque, seja positivo ou negativo, entre times, jogadores, técnicos e outras questões que apareceram na liga e no que a envolve também.

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O primeiro quarto da temporada está cumprido, o que ficou de impressão? (Imagem: NHL.com)

Destaques coletivos

– Montreal Canadiens: O melhor time da NHL até agora começa com uma boa e sólida defesa. Tendo Shea Weber e Andrei Markov como seus âncoras, a defesa é sólida e constante, com algumas exceções, e vem protegendo muito bem o gol do time.

Agora imaginem que logo atrás da defesa comandada por Weber e Markov está Carey Price. É o terror definitivo para um atacante e essa máquina assustadora, por sua capacidade praticamente inigualável, vem pesando muito nos resultados do time até aqui. A defesa do Montreal Canadiens sofre 2,17 gols por jogo em média, mas considerando os jogos com Carey Price no gol esse número desce para 1,68 gol por jogo. Inegavelmente Price é o maior candidato ao Vezina e é até então um dos candidatos ao Hart.

Na frente Alexander Radulov faz toda a diferença, o retorno dele a NHL vem se mostrando muito fortuito e a torcida de Montreal já o abraçou. Mas o grande destaque da equipe entre os atacantes é Alex Galchenyuk e seus 22 pontos, quase 1 ponto por jogo disputado, seus gols e assistências tem sido muito importantes para a equipe até então.

– New York Rangers: Disseram que essa seria uma temporada difícil em Nova York para os Blueshirts. Quem disse isso não poderia estar mais errado, o New York Rangers é a segunda melhor equipe da liga, a melhor da concorrida divisão Metropolitana. Nem tudo são flores em Nova York, a defesa tem sido frágil e cedido muitos gols, mesmo com a melhora de alguns velhos perseguidos pela torcida, a verdade é que falta solidez no sistema.

Com tudo o time tem de longe o melhor ataque da liga com 88 gols marcados, 11 a mais que o segundo melhor ataque. A surpresa até então é ver Michael Grabner com 12 gols na temporada e artilheiro da equipe, mas dos 23 patinadores até então que atuaram na temporada apenas 6 não marcaram gols ainda. Alain Vigneault nessa temporada finalmente conseguiu o que queria: 4 linhas sem enforcers, não há espaço no New York Rangers em 2016-17 para quem não produza gols e assistências de modo satisfatório para o treinador. Rangers tem um dos destaques entre os calouros: Jimmy Vesey, quem foi muito concorrido após não querer jogar no Nashville Predators, time que o escolheu no draft. Vesey tem 8 gols e 6 assistências, ou seja, 14 pontos, são números satisfatórios e que vem surpreendendo alguns.

Ottawa Senators:

Esse é uma das grandes e boas surpresas da temporada, segunda melhor campanha da divisão do Atlântico, quarta melhor da conferência leste e sexta melhor da NHL. Ninguém esperava o Ottawa Senators nessas posições de frente, mas o time vem firme e forte nesse primeiro quarto e mais um pouco de temporada. Suas duas primeiras linhas e defensores ofensivos são os destaques no ataque sem inspiração do time, é apenas o 22º da liga, seu melhor pontuador é o quarterback Erik Karlsson com 19 pontos, sendo ele o melhor passador com 15 assistências. Os números defensivos colocam o Senators entre as 10 melhores defesas, mas não são impressionantes também, com tudo a fórmula até agora vem funcionando e os pontos vão sendo somados, se vai continuar a dar certo ou não, só o tempo dirá. Porém essa fórmula não é estável e, pelo contrário, é frágil e mesmo em boa fase é necessária atenção.

Columbus Blue Jackets: O quarto melhor time da divisão Metropolitana, sexto melhor da conferência leste e oitavo melhor da NHL. Surpreendente de mais, certamente a maior surpresa dessa temporada até então. O Blue Jackets terminou a temporada passada em 27º lugar na liga com 76 pontos e sem fazer grande barulho o trabalho de John Tortorella engrenou e agora agita a liga mais ou menos como o famoso canhão que tem na Nationwide Arena. Com 12 vitórias sendo ela 3 shutouts, Sergei Bobrovsky é o grande destaque individual desse Columbus Blue Jackets, o vencedor do troféu Vezina da temporada 2012-13 reencontrou a boa forma e vem segurando as pontas na retaguarda com louvor.

Com a segunda melhor defesa e o oitavo melhor ataque, esse Blue Jackets lembra um pouco o surpreendente New York Rangers de 2011-12, que também era comandado por Tortorella. O forte sistema defensivo e o bom goleiro fazem com que o time consiga segurar as ofensivas dos adversários e ainda sim é muito disciplinado e tem poucos minutos de penalidades, o que sempre auxilia.

O ataque liderado por Cam Atkinson e Alexander Wennberg tem ainda Brandon Saad e Nick Foligno como destaques também. Um dos maiores pontuadores do time é o defensor Zach Werenski, seus 16 pontos providos de 11 assistências e 5 gols, o colocam entre os melhores defensores ofensivamente da liga. Com as estrelas sendo apoiadas pelos coadjuvantes, o ataque do Blue Jackets tem tudo para dar muito certo se continuar assim.

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Zach Werenski é um dos principais nomes desse surpreendente Columbus Blue Jackets (Foto: Russell LaBounty-USA TODAY Sports)

New York Islanders: Esse é o primeiro e maior destaque negativo até então. Nesse momento o Islanders está no antepenúltimo lugar da NHL. É uma surpresa muito grande o estado e a fase em que se encontra, e de modo negativo, pelo potencial ofensivo e defensivo esse terço de temporada é um desastre para o time de Long Island. Muitos problemas o Islanders enfrenta, de uma casa inadequada até um técnico que não consegue fazer a equipe render. Talvez o pensamento da administração do Islanders deva ser preparar o time para a próxima temporada e planejar o futuro pós 2019, quando o contrato de uso do Barclays Center termina. Talvez de volta para o Nassau Coliseum, talvez em uma nova casa especulada no Queens, mas os pescadores precisam começar a trabalhar para seu futuro de qualquer modo.

Colorado Avalanche: O pior time da divisão central até aqui é uma decepção menor, mas ainda sim uma decepção. No papel tem um plantel bom o suficiente para brigar por uma posição melhor, mas é patético o desempenho do time de Denver. Um ataque fraco, apático e anêmico, o segundo pior da liga com apenas 47 gols marcados em 21 jogos, com 2,23 gols por jogo, a NHL tem até agora 5,41 gols em média por jogo. O Colorado Avalanche tem muito menos do que a média da liga, claro que os grandes ataques puxam essa média para cima, mas 2,23 é muito menos do que a metade de 5,41.

As fórmulas tem dado errado no Colorado e não é por falta de recursos humanos, é por esses recursos estarem mal utilizados. As saídas são inúmeras, se não há um planejamento ainda estão perdendo tempo.

– Dallas Stars: Vigésima segunda campanha na liga, um dos melhores elencos. Isso resume o estado atual do Dallas Stars, um time que não vem rendendo o que deveria render e é uma decepção até aqui. Com o mesmo número de pontos que o frágil Winnipeg Jets, mas recheado de ótimos jogadores que não rendem. Não há muito o que dizer, apenas que a situação não é irreversível, pelo contrário, a saída existe para essa temporada ainda, mas alguns jogadores vão ter que se dedicar mais, nomes como Patrick Sharp e Cody Eakin tem muito a provar nessa temporada.

Destaques individuais:

Connor McDavid: Capitão e melhor jogador do Edmonton Oilers e, discutivelmente, de toda a liga. McDavid 31 pontos em 24 jogos, sendo 11 gols e 20 assistências. São números incríveis e sem precedentes até então nessa temporada. Médias incríveis e espetaculares, era isso que se esperava e ele cumpre, mas cumpre com maestria e nos deslumbra com seu comportamento no gelo. Como é bom ver Connor McDavid jogar.

– Sidney Crosby: Crosby perdeu alguns jogos no início de temporada, mas voltou e voltou com vontade, marcou 15 gols em 16 jogos disputados, são 20 pontos no total. O Capitão impulsiona seu time e a esperada força de Pittsburgh continua seu curso. É sempre importante que o líder dê o exemplo, isso é ensinado em toda e qualquer escola sobre liderança no mundo durante o curso da História, e no caso de Crosby ele vem fazendo o que se deve como capitão e grande estrela da esquadra que é atual campeã da NHL.

– Mark Scheifele: Scheifele é um dos vice artilheiros, e também o vice-líder em pontos da NHL. Com 13 gols e 13 assistências, é uma ótima produção ofensiva. Scheifele está sendo espetacular até então, com média de mais de 1 ponto por jogo, é um jogador para se ficar de olho.

Patrik Laine: Laine chegou como um meteoro na América do Norte e pegou de surpresa quem não conhecia, um jogador que é eleito o melhor da Liiga (principal liga finlandesa de hóquei no gelo) não deveria ser surpresa para ninguém. Jornalistas do Canadá e Estados Unidos, além de muitos fãs, ficaram impressionados com o desempenho dele no mundial organizado pela NHL, mas isso era só o começo. Laine está mostrando que tinha muito mais a provar, sua sede de demonstrar que deveria ter sido o primeiro escolhido no draft o move e se transforma em gols no gelo, são 13 no total, ele divide a vice-artilharia da NHL com seu companheiro de time citado a cima. Laine e Scheifele, além de outros bons jogadores, dão um viés positivo ao futuro do Winnipeg Jets e se depender da sede que tem o jovem Laine, o céu não será o limite. Laine é atualmente o maior candidato ao troféu Calder, para o melhor calouro.

NHL: Preseason-Edmonton Oilers at Winnipeg Jets
Patrik Laine, o principal calouro até então (Foto: Bruce Fedyck-USA TODAY Sports)

David Pastrnak: Carinhosamente apelidado de Pasta pela torcida do Boston Bruins, Pastrnak é outro grande artilheiro desse primeiro quarto e mais alguns jogos de temporada. Em sua terceira temporada na NHL, ele já tem quase o mesmo tanto de gols marcados na temporada passada, que é sua melhor marca até então dentro dessa liga. Pastrnak é um ótimo finalizador, muito habilidoso e perigoso, e que deve fazer uma grande temporada, assim espero sinceramente. Um grande jogador que vive seu melhor momento na NHL, ainda jovem, Pastrnak pode ser uma das grandes estrelas no futuro próximo.

Mitchell Marner: Entre os calouros é um dos que chegaram quase calados e estão fazendo muito barulho na NHL. Marner joga na primeira linha do time e capitalizou 19 pontos nos 22 jogos que disputou, com muita habilidade e disposição dentro do gelo acabou roubando um pouco das atenções que vinham dando a Auston Matthews, e com todo louvor e mérito. Para quem gosta de um jogador que tem muita habilidade, inteligência e ao mesmo tempo tem disposição defensiva, fique de olho em Mitchell Marner, é outro que pode ter um futuro muito brilhante se souber usar o potencial e a vontade que tem.

Zach Werenski. Não só um dos melhores calouros, mas um dos melhores defensores nesses vinte e poucos jogos. Werenski tem se destacado por sua inteligência defensiva e visão de jogo, ele tem uma capacidade notada desde cedo por olheiros de enxergar e compreender o jogo, muito importante em defensores ofensivos. Werenski chegou ao Lake Erie (Cleveland) Monsters, afiliado do Columbus Blue Jackets na AHL, no final da temporada passada, após terminar a temporada na Universidade de Michigan, fez os 7 jogos finais da temporada regular e marcou um gol. Com tudo nos playoffs foi de um impacto enorme anotando 14 pontos (5 gols e 4 assistências) nos 17 jogos disputados pelo time, foi um dos principais jogadores no título da Calder Cup. Agora na NHL está na corrida pelos troféus Calder e Norris, dado ao melhor defensor nas duas extremidades do gelo. Werenski é outro que se tudo correr como esperado, será estrela dessa liga.

Andrei Markov: Há muito tempo criticado, parece ter dado a volta por cima. Se a defesa de Montreal é digna de destaque, seu segundo melhor defensor deve ser citado aqui, com bons números ofensivos e defensivos, Markov está também na briga pelo troféu Norris. Voltando ao seu melhor e sendo muito importante para o Montreal Canadiens, Markov com quase 38 anos de idade, é uma das âncoras desse grande time que vem dominando a NHL.

Shea Weber: A troca entre Montreal e Nashville que acabou colocando Shea Weber no maior vencedor de Stanley Cups teve desaprovação da torcida e criticas da imprensa pela parte do Canadiens parecendo que Weber não estava entre os melhores defensores da NHL há muitos anos. E para a surpresa dessas pessoas, Weber ajudou a solidificar o sistema defensivo, além de apoiar muito bem o ataque com passes precisos e sua habilidade de acertar pancadas one-timer com muita precisão da linha azul. Sendo há alguns anos o melhor defensor que existe nesse jogo, na minha opinião, Weber foi injustiçado algumas vezes e talvez nessa temporada finalmente alcance o reconhecimento há tanto merecido de um troféu memorial James Norris.

Carey Price: Ainda em Montreal tem aquele que é um dos melhores goleiros da NHL nos últimos 5, 6 anos. Price fez muita falta na última temporada, sem ele a campanha do Montreal Canadiens foi pífia, mas sua volta está sendo gloriosa. Se Price é um dos melhores goleiros nos últimos 5 ou 6 anos, ao menos nos últimos 3 ele é indubitavelmente o melhor, ter vencido os troféus Vezina, Hart e Ted Lindsay (para o jogador mais espetacular eleito pelos jogadores) ao final da temporada 2014-16 é a prova disso. Um goleiro incrível que aos 29 anos de idade parece estar em seu melhor e assim vem sendo ano após ano. Price está novamente na corrida pelo Hart e é o principal candidato ao Vezina, esse último deve levar com todo mérito e honra.

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Carey Price e Shea Weber comandam a imponente defesa do Montreal Canadiens (Foto: Montreal Gazette)

Tukka Rask: Saindo de Montreal para Boston, temos outro grande goleiro. Rask é sólido e confiável, tendo 1,64 gols sofridos em média por jogo disputado da NHL, a menor de todas, além de uma boa média de 93,8 de defesas nos disparos sofridos. Disputou 17 jogos e venceu 12, tendo 3 shutouts entre esses jogos, Rask vive ótima fase e pesa muito na campanha de seu time.

John Hynes: O treinador do New Jersey Devils é o primeiro dessa classe a ser citado, ele é um visionário relativamente jovem para o cargo, porém vem mostrando muito potencial. O Devils tem boas peças, mas nada muito especial, com tudo ele comanda um time que joga muito bem, que trabalha o puck e tem um bom senso coletivo, se o Devils é um time interessante e divertido de se ver, Hynes é o responsável por isso. Em sua segunda temporada e dentro de uma reconstrução para o time voltar a ser um dos melhores da NHL, Hynes é o cérebro que comanda um candidato a vaga de playoffs até agora, tem um senso muito contemporâneo na aplicação tática do time e pode ser a cabeça de uma futura geração bem sucedida em New Jersey.

Michel Therrien: Por trás da melhor campanha da NHL há o comando de um homem contestado, mas que é fiel aos seus princípios e manteve-se no cargo e vem provando que merece a chance dada. Trabalha bem com os jogadores que possui, tira o que pode de cada um deles, não tem como ignorar um trabalho desses, não é perfeito, mas não há quem seja. Therrien levou o Pittsburgh Penguins a Stanley Cup em 2008, o Montreal Canadiens as finais de conferência em 2014, sua experiência e visão são confundidas muitas vezes com teimosia e defasagem, mas eu pergunto: Estaria o Montreal Canadiens em situação melhor ou igual a essa com outra pessoa no cargo? Creio que não.

Alain Vigneault: O treinador reinventou o New York Rangers, Vigneault sempre gostou de um hóquei ofensivo, com transição rápida, inteligência ao trabalhar o puck. Não é fácil montar um time assim na NHL ainda, mas a tendência é de que mais técnicos como Alain Vigneault apareçam nos próximos anos, mesmo Vigneault demorou algumas temporadas até ter um plantel que fosse totalmente de seu gosto. O ataque incrível do New York Rangers até agora tem AV como arquiteto e engenheiro, ele resolveu o que era o principal problema do Rangers há anos e pode ser que finalmente deixem de vê-lo como o técnico que perdeu duas Stanley Cups, que falha na hora H, porque ele é um técnico muito bom.

Mike Sullivan: Não tem como falar de técnicos da NHL na atualidade sem citar esse nome, Sullivan chegou durante a temporada passada e deu uma nova cara ao time, levou a conquista de sua quarta Stanley Cup e manteve a equipe motivada para essa temporada. O Pittsburgh Penguins está onde deveria estar, brigando na ponta da divisão, conferência e liga, e tudo isso passa pelo modo como Sullivan vê o jogo de um modo muito dinâmico, consegue ler a partida e dar soluções para os problemas que sua equipe enfrenta dentro do próprio jogo. Tendo uma passagem como técnico do Boston Bruins entre 2003 e 2006, Sullivan se reinventou e ganhou uma oportunidade na temporada passada como o técnico principal do Penguins, deu cara ao time e levou a Stanley Cup. Sua capacidade de se adaptar e adaptar o time o colocam como um dos grandes técnicos nessa temporada até aqui.

 – Joel Quenneville: Como vencer 3 Stanley Cups em 6 temporadas e continuar motivando seus jogadores a jogar seu melhor? Esse é um dos segredos do sucesso de Joel Quenneville, é um mérito muito grande o dele, mas também sabe fazer o Chicago Blackhawks se impor, isso é fundamental e vem sendo fundamental na campanha até aqui.

John Tortorella: Acreditavam que Tortorella não teria mais espaço na NHL, então ele assumiu o Columbus Blue Jackets. Então eis que chega a temporada 2016-17, o Columbus Blue Jackets começa sem destaque e vem vencendo alguns jogo, perdendo outros, nada até então especial aparentemente. Daí o time escala e chega ao 8º melhor lugar da NHL e jogando de modo muito bom, então tem que se reconhecer o trabalho do Torts aqui. Em alguns aspectos parece com o New York Rangers de 2011-12, que Tortorella comandou, tem bom ataque, mas uma defesa esplendorosa que vence jogos, rouba pontos. Chegando no meio da temporada passada, sem grandes diferenças para essa temporada, é de se louvar que o time consiga jogar desse modo. Se vai continuar assim não se pode dizer, mas até agora é um trabalho digno de estar entre os grandes destaques.

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Jack Capuano ainda é o técnico do New York Islanders. Até quando? (Foto: Jim McIsaac)

– Jack Capuano: Ele ainda está empregado? Parece que sim! Capuano tem um bom time em mãos e não consegue tirar o que se deve dele, um técnico que está muito mal e a qualquer hora pode ser demitido. Não vou ficar tripudiando ou chutando cachorro morto, como diz a expressão, apenas vou dizer que o Islanders não o demitir antes do final da temporada será uma grande surpresa.

– Jared Bednar: Bednar chegou a NHL após vencer a Calder Cup na AHL, com muita expectativa, com tudo vem decepcionando até aqui. Ele não tem conseguido tirar o melhor do Colorado Avalanche, que pode não figurar entre os melhores times no papel, mas é melhor do que a posição que ocupa atualmente. Acho que ele deve ter algum tempo para trabalhar e mostrar ao que veio, com tudo não é possível ignorar o que tem feito até aqui e que está devendo.

Outras impressões:

Por favor, parem de tentar viver no passado! É o que eu peço para membros da imprensa e fãs que acham que a NHL deveria ter muitos gols por jogo. A realidade é essa, os goleiros são muito mais efetivos, aceitar isso é muito melhor do que tentar banalizar gols e assistências numa tentativa de tentar reviver o passado. O passado se foi, ele foi glorioso e ecoará para sempre, porém nos últimos 22 anos, principalmente, tudo mudou, o estilo de jogo dos goleiros mudou, o comportamento defensivo mudou, então ao invés de tentar banalizar achando que placares como 9-4 tem que acontecer o tempo todo, vamos valorizar os homens que trabalham duro evitando gols, especialmente os goleiros.

Parem de tentarem forçar rivalidades, por favor! Entendo que as redes de televisão e a liga precisam vender os jogos, afinal eles são produtos também, mas artificializar as rivalidades é feio e tosco. Não, Crobsy x Ovechkin nunca foi uma rivalidade e nem será, imagina McDavid vs Matthews, que estão em conferências diferentes e devem se enfrentar duas vezes apenas por temporadas. Claro que todos esses jogadores e muitos outros sempre tentam brilhar, dar o seu melhor, mas acho essa abordagem mais do que desnecessária, ela é artificial e rivalidades não nascem artificialmente.

Sinto que algum bom time vai ficar de fora dos playoffs por conta desse sistema de classificação. Na verdade tenho essa impressão que vai acontecer a qualquer temporada desde que o sistema atual de classificação foi implementado, mas essa vem dando maior impressão de que uma equipe com campanha pior do que algum time que ficou de fora acabará entrando porque as divisões dão três vagas cada. Vou além, se isso acontecer tudo indica que será um time da divisão do Pacífico. Pode ser que não ocorra, mas cada vez mais esse infortúnio parece que acontecerá.

Estamos vivendo os últimos dias dos enforcers realmente, alguns times já nem contam mais com eles e não estão formando mais jogadores com essas características. Não vai demorar até que essa função seja parte do passado, o hóquei evolui para um jogo com menos gente dando porrada desnecessariamente para mais jogadores com versatilidade, claro que a parte física vai continuar, mas no futuro próximo ninguém vai ser contratado porque só sabe usar sua força física.

A NHL deveria cuidar melhor do esporte. Digo isso porque a liga tenta forçar o acordo de trabalho com a associação de jogadores em troca da participação da Olimpíada de 2018, além de não fazer absolutamente nada pelo esporte em outras áreas. A NHL deveria ver a Olimpíada como uma oportunidade de expor seus jogadores ao mundo, para mostrar a quem não conhece muito e instigar os curiosos a procurar sobre essas estrelas, isso atrai público e público pode consumir. Além disso, os jogadores indo aos jogos olímpicos podem inspirar crianças a serem jogadores e bem, a liga precisa de talentos sempre. Seria bom se esse pensamento pequeno de que somos os melhores, mesmo sendo realmente, fosse substituído por um pensamento de não só ser o melhor agora, mas como continuar sendo e continuar crescendo pelo mundo, atingindo novos mercados e ajudando a construir novos celeiros de jogadores que um dia poderão abastecer a própria NHL. Seria bom se tivessem um pensamento de fomentar o esporte, porque isso ajuda a liga a crescer, como a NBA e MLB tem, mas a NHL está longe até mesmo do pensamento que a NFL tem, que é o de fazer o mundo inteiro assistir a liga. Talvez um dia aprendam, mas a mentalidade do “nós que somos bons” precisa ser extinguida, mesmo sendo uma verdade até certo ponto.

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Poderemos não ver jogadores da NHL nas Olimpíadas de 2018 por conta de uma postura puramente mesquinha por parte da liga (Foto: Clive Mason/Getty Images)

 

Por enquanto é isso. Essas são minhas impressões sobre o primeiro quarto, e mais um pouco, da temporada 2016-17 da NHL. Volto a tratar disso na época do All Star Game, quem sabe, trazendo minha visão e opinião sobre essa grande liga que desperta tanto amor e paixão, mesmo não valendo nada.

20 Minutos – Edição 8!

1. Talvez eu não fale mal do Canucks no 20M dessa semana. Só talvez.

2. Wayne Gretzky aparecerá no episódio do dia 11/12 dos Simpsons, sitcom americano mais longo da história com mais de 600 episódios e na 28* temporada. O grande #99 será o primeiro jogador de hóquei a ter sua voz emprestada ao personagem da série. Outra participação indireta de um jogador da NHL no seriado foi a de Gordie Howe no episódio “Bart the Lover” do dia 13/02/1992.

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The Great One na cidade mais famosa do mundo! (Créditos: NHL.com)

3. Em entrevista, Al Jean (produtor executivo dos Simpsons desde 1998) disse: “As pessoas questionam muita coisa mas elas nunca vão questionar quem é o maior jogador de hóquei da história. Sempre será ele. Eu não sei se alguém será melhor em alguma coisa como Gretzky foi jogando hóquei. Ele tinha muitas belas histórias e foi um prazer muito grande o conhecer”. Essa é sem dúvidas a primeira das muitas ações da qual Gretzky participará para “vender” o esporte para o mundo e consequentemente “vender” a NHL, já que o camisa #99 foi escolhido o embaixador oficial do centenário da liga.

4. Coisas interessantes sobre Eric Lindros. Durante a coluna que fiz sobre ele (e que ficou muito bom, recomendamos!) acabei achando duas coisas interessantes de se pensar sobre. Em matéria de 24/06/1992 do New York Times, o jornal especulava que o Rangers mandaria um pacote com o goleiro John Vanbiesbrouck, o defensor James Patrick e os atacantes Tony Amonte, Sergei Nemchinov, Alexei Kovalev e Doug Weight. Como amamos conspirar coisas, mesmo elas tendo acontecido 24 anos atrás, vamos nessa: Nemchinov e principalmente Kovalev foram peças importantes para o título de 1994, James Patrick foi a peça que o Rangers envolveu no escambo para adquirir Steve Larmer para New York, Doug Weight foi mandado para Edmonton por Esa Tikkanen (também participou do título) e Tony Amonte foi para Chicago por Brian Noonan e Stephane Matteau (caso você queira descobrir a importância do último para a conquista, veja o vídeo abaixo). Vale a pena conspirar: É impossível negar que uma espinha dorsal com Mike Ricther, Brian Leetch, Sergei Zubov, Adam Graves, Mark Messier e Eric Lindros ganharia uma Stanley Cup ou pelo menos chegaria perto. A pergunta é, se essa troca tivesse ocorrido, 1994 aconteceria?

5. Apesar dessa parecer conspiração, é verdade mesmo. Matéria do Sam Carchidi para o Philadelphia Enquirer, Lindros revelou ao repórter que logo depois do jogo dos veteranos no dia 31/12/2011 no Citizens Bank Park (dois dias antes do Winter Classic de 2012) que Paul Holmgren (GM do Flyers na época) perguntou ao center se ele desejaria voltar ao time. “Você está louco?” foi a pergunta alegre e feliz que Lindros fez a Holmgren. Perguntado se ele considerou aceitar a proposta de retorno, Eric respondeu: “Oh, God! Oh!!!!”. Talvez isso seja um não.

6. Já pensando nas indicações do Hall da Fama pra 2017, contando com a entrada de Teemu Selanne, vale a pena ficar de olho (e torcer) para que Mark Recchi e Dave Andreychuk consigam suas indicações.

7. Então, o que dizer de Michael Grabner que tem mais gols que Alex Ovechkin e está quase na liderança da liga em tentos marcados? Not too bad.

8. Em notícias não diretamente ligadas ao gelo, Erik Karlsson pediu sua namorada em casamento usando una pizza para “apoiar” as alianças do pedido. Felicidades ao casal!

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Pizza premiada! (Créditos: Instagram)

9. Voltemos ao gelo. A próxima terça-feira será de festa e alegria para Las Vegas e para a NHL, finalmente a franquia revelará seu nome e jersey para o mundo. Estarão no evento o dono do (Gold ou Black ou Desert) Knights Bill Foley, o comissário Gary Bettman e o GM da equipe George McPhee. Pode-se esperar que o uniforme tenha um cinza bonitão e que Knights deve estar no nome. Pode-se esperar também muito trabalho do time de scout comandado por McPhee, já que um dos objetivos é conseguir um time vencedor em um curto prazo. Para isso, SEIS scouts do time de Vegas estavam no Verizon Center na última sexta para acompanhar Washington Capitals e Detroit Red Wings.

10. Em entrevista alguns meses atrás, George McPhee falou sobre as expectativas de construir a identidade de um clube no lugar de chegar e ter de resolver problemas e depois colocar seu próprio estilo. Nessa entrevista, o GM do Knights (?) relata que entre os contatos que teve com outros profissionais sobre a experiência de construir a identidade de uma equipe, incluindo uma frase de David Poile (GM do Nashville Predators) que disse que todos os GM’s seriam legais com ele porque a competição entre eles ainda não começou. Pra ser honesto, a última pergunta da entrevista me chamou a atenção. Questionado se a nova arena do time (T-Mobile Arena) iria atrair os jogadores para Vegas, McPhee respondeu: “Esse é um mercado e será uma franquia que será bastante atrativa para os jogadores. Cerca de 40 milhões de pessoas visitam Las Vegas por ano. Nós temos mais de 700 jogadores na NHL e deles, de 80 a 100 são jogadores de elite. Talvez menos que isso, entre 50 e 60. Nós só precisamos que 5 ou 6 deles venham para Las Vegas. Nós só precisamos de 5 ou 6. […]. A arena estará cheia. Então porque não tentar armar uma boa equipe que consiga chegar aos playoffs no primeiro ano? Nós seremos espertos. Nós não faremos nada idiota, não faremos trocas ruins ou nada disso mas nós podemos ser muito bons, um time competitivo e com bons jogadores jovens desde o começo. Sim, eu acredito”.

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McPhee e Bill Foley, dono da franquia. (Créditos: Vegas Hockey)

11. Vale chamar atenção para três coisas. Apenas o draft de expansão vai mostrar qual o conceito pensado por George McPhee em relação a jogadores de elite e quais destes ele conseguirá, lembrando que todo time vai perder um jogador e as franquias podem proteger 7 atacantes, 3 defensores e um goleiro OU 8 patinadores (independente de posição) e um goleiro. Vale a pena pensar também se McPhee vai querer ir pro draft de expansão já com um treinador. Apesar da resposta parecer lógica, é justo lembrar que conseguir um treinador que implemente uma identidade nova para um time novo é complicado. Baseado nisso, tenho minhas duvidas se Ralph Kruger (treinador do time europa na copa do mundo) não está muito alto na lista de McPhee. Por último, falando em listas, ficarei surpreso se Marc-Andre Fleury ou Rick Nash (caso não sejam protegidos) não estiverem na lista de “elite players” que McPhee deseja ter.

12. Outras notinhas sobre expansão: Russell Wilson, QB do Seattle Seahawks, se juntou ao grupo da Sonics Arena para tentar levar a NBA e a NHL para a cidade, reforço de peso na briga pela franquia #32 da NHL. Notinha 2: Como é de moda, chegou a especulação anual sobre o futuro do Carolina Hurricanes. A NBC especulou que Peter Karmanos Jr. estaria considerando vender a equipe, mesmo que o comprador queira mudar o time para (cof cof QUEBEC QUEBEC QUEBEC QUEBEC cof cof) outro lugar. Ron Waddell, presidente do Hurricanes, disse que o time continuará onde está mas admitiu o seguinte: “Posso confirmar que tivemos algumas perdas financeiras muito grandes no passado. Essas perdas foram muito menores no ano passado e esses números estão cada vez melhores”. É especulado que Karmanos está pedindo o valor mínimo de 400 milhões de Trumps para vender a franquia.

13. Olhem como ficou o visual de Matt Calvert  depois de tomar 36 pontos no rosto e marcar o gamewinner da vitória do Blue Jackets sobre o Rangers por 4-2 na última sexta.

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Hard work pays off, literalmente! (Créditos: twitter)

14. Seu item sobre goleiros semanal que você ama: Pekka Rinne vem com uma porcentagem de defesas acima dos .960% nas últimas sete partidas, o renascimento do Predators passa muito por ele. Devan Dubynk lidera a NHL em porcentagem de defesas (acima dos .940%) e desde janeiro de 2015, lidera a NHL com 14 shutouts. E o atual vezina Braden Holtby está 7-1-0 nas últimas 8 pelejas com uma porcentagem de defesas de .942% e GAA de 1.61. (Estatísticas anteriores as partidas desse final de semana)

15. Allan Walsh é aquele tipo de agente mamãe, ou seja, tudo que seus filhotes (ou nesse csso, seus clientes) fazem de bom nos rinks do mundo ele joga nas redes sociais. Mas na última sexta ele confidenciou algo interessante para debates futuros. Walsh relatou que depois de conversar com muitos goleiros da NHL, disse que eles estariam bastante preocupados com os novos equipamentos, citando o fato de restrição de movimentos. E incluiu: “Os times da NHL deveriam estar MUITO preocupados sobre isso. A NHL está sacrificando a segurança dos goleiros para aumentar o número de gols”.

16. Especulações da semana: Adrian Dater mencionou que o winger Jarome Iginla poderia considerar abrir mão de sua cláusula de trocas buscando um escambo para um time que lute por playoffs caso o Avalanche não chegue lá. Apesar da idade. Iginla tranquilamente pode marcar 20-25 gols e ser útil em uma playoff run. Outro nome que passeou os rumores foi o do defensor Dougie Hamilton do Calgary Flames, já negado pelos dirigentes da equipe.

17. Outro nome que foi veiculado nos últimos dias foi o do winger Evander Kane e uma possível ligação com o Vancouver Canucks, rumor esse que foi discutindo mas acabou esfriando porque o Canucks não estaria disposto a pagar o preço que o Sabres deseja pelo winger. O polêmico jogador do Sabres esteve mais uma vez nas páginas dos jornais e sites por um fator “negativo”. Após a derrota do Sabres em casa para o Lightning por 4-1, Kane disse que o seu time estava se tornando uma piada na liga por simplesmente não conseguir marcar gols. Essa partida marcou a 5* seguida nas últimas seis que o time não marca mais de dois gols e o time não marca três ou mais desde 30/10. “Provavelmente tem uma piada passando na liga: Marque dois gols contra o Buffalo Sabres e você certamente vencerá o jogo”. Apesar de ser estatisticamente verdade (Sabres tem uma porcentagem de chutes certos de 5.22% em 823:22 de 5vs5, como efeito comparativo, o 2* pior é ironicamente o Canucks com 5.29% em 821:26, tudo isso antes das partidas do sábado), Kane teria outras diversas formas de chamar a atenção de seus companheiros.

18. Notas do editor
18a.De fato o Sabres jogou contra o Penguins na noite do sábado e só marcou um gol, de novo. MAS, graças a bela atuação de Anders Nilsson com 49 defesas e conseguiu vencer o atual campeão por 2-1 no shootout. As vezes as piadas te driblam.

18b. Os rumores sobre Dougie Hamilton só aumentam, incluindo uma proposta que o Toronto Maple Leafs teria feito pelo defensor.

18c. O Canucks chegou a liderar o Blackhawks por 3-0 depois de 40 minutos MAS acabou entregando a partida no último período e perdendo por 4-3 no overtime. Willie Desjardins is a sad man.

18d. Morte, impostos, outra vitória de Carey Price e outra vitória do Canadiens no Leafs. Toronto não ganha de Montreal desde a OPENING NIGHT  da temporada 2013-2014 (dia 01/10/2013). Desde lá, 12 derrotas seguidas. E o jovem Carey Price é o primeiro goleiro desde Ken Dryden em 1972 a não perder nenhuma de suas primeiras DOZE partidas no regulation time com a singela campanha de 11-0-1.

19. “Não foi um unicórnio que quebrou seu dedo no meio do período”. Essa frase saiu da descontente e quase raivosa boca de Brad Treliving, GM do Calgary Flames, falando sobre o dedo quebrado de sua estrela Johnny Gaudreau que deixará o camisa #13 fora de combate por 6 semanas. Treliving disse que segundo sua contagem, o astro tomou 11 (!!) slashes durante o jogo. Mas, de acordo com a contagem da SB Nation, “Johnny Hockey” tomou VINTE E UM SLASHES durante a peleja. 21. Sendo 14 deles só no primeiro período, incluindo 6 no shift que marcou seu gol (1-0 vitória do Flames) e 4 de Jason Zucker em dois shifts. Os slashes que mandaram Gaudreau para a IR foram os de número 19 e 21, ambos aplicados por Eric Staal. Apesar desses slashes serem “normais” durante a partida, 21 deles em menos de dois períodos beira o absurdo.

20. Nunca gostamos de encerrar esse 20M de forma triste mas a vida é comolicada certas vezes. Antes do jogo entre Tucson Roadrunners e Manitoba Moose na AHL, o jogador Craig Cunningham (capitão do Roadrunners e jogador do Coyotes) acabou passando mal durante os warmups e sendo levado para o hospital local de Tucson. Toda força do mundo!

#88

Quando você conhece um esporte novo e começa a praticar ou prefere estudar e escrever sobre o esporte, você sempre vai se inspirar em determinado jogador. Todo torcedor e torcedora de algum time da NHL já soltou aquela velha frase: “Se eu jogasse hóquei, eu queria ser que nem…”. Atualmente todos se inspiram em caras como Crosby e Ovechkin ou as novas armas como Matthews e McDavid. Como fã do esporte, confesso que prefiro os jogadores de antigamente por alguns motivos (incluindo o fato do esporte ser mais louco naquela época do que é hoje e a presença de grandes estrelas em quase todo jogo), então se eu pudesse fazer uma lista de jogadores que eu queria ser, eu com certeza seria Eric Lindros.

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BIG ERIC! (Créditos: NHL.com)

“Ele é um computador programado para matar russos”

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Lindros matava russos, americanos, canadenses e Darren McCarthy. (Créditos: NHL.com)

Essa célebre frase de Dairius Kasparatis é perfeita para decorrer o que foi Lindros durante a maior parte de sua carreira. Pra dizer a verdade, Lindros era um computador programado para matar qualquer rival que cruzasse seu caminho. Ele nem havia colocado um mísero pé na NHL mas já havia criado um baita estardalhaço. De fato, Eric era um jogador de talento único, daqueles que só aparecem de geração em geração, até por isso ele foi escolhido como primeira seleção geral do draft de 1991 pelo Quebec Nordiques. Só tinha um problema: Lindros tinha problemas com os donos do Nordiques e ele nunca iria jogar pela equipe. E assim começou a longa jornada de Marcel Aubut, um dos principais diretores do Nordiques, para trocar o grande Eric. Após um ano de insucesso em tal jornada, Aubut avisou a NHL que estava escutando propostas. E então, aconteceu um dos dias mais estranhos da história dessa liga. No dia 20/06/1992, horas antes do draft que estava acontecendo em Montreal, Eric Lindros foi trocado para dois times ao mesmo tempo. Sim, dois times. Aubut sabia da possibilidade de perder o center para outro time por nada já que Lindros avisou ao Nordiques que jogaria a temporada 92-93 fora da NHL e re-entraria no draft de 1993 (para motivo de curiosidade, Alexandre Daigle foi selecionado pelo Senators como primeira escolha daquele ano), sendo assim Aubut trocou Lindros para o Philadelphia Flyers e para o New York Rangers. Dizem as más línguas que o diretor do Nordiques tinha um acordo quase fechado com o Rangers, os patrulheiros mandariam um pacote com o goleiro John Vanbiesbrouck, defensor James Patrick e os atacantes Tony Amonte, Sergei Nemchinov, Alexei Kovalev e Doug Weight (informação do New York Times, 24/06/1992) além de dinheiro e picks mas acabou cancelando o acordo depois de receber outra proposta (na visão de Aubut, um escambo melhor) do Flyers. Diante de tal dilema, John Ziegler Jr. (Presidente da NHL naquela temporada) procurou o advogado Larry Bertuzzi para resolver a peleja. Depois de 10 dias, Lindros foi oficialmente mandado para a Philadelphia, em troca o Nordiques recebeu 15 milhões de Trumps, duas escolhas de primeiro round em 1993 e 1994, Chris Simon, Kerry Huffman, Steve Duschene, Mike Ricci, Ron Hextall e Peter Forsberg. Sim, é aquele mesmo, Peter Forsberg.

A chegada de Lindros começou a significar o renascimento do Flyers durante os anos 90. Devido a troca, a equipe ficou sem tantos talentos para complementar a presença do novo reforço, valendo a pena destacar as presenças dos (ainda) jovens Mark Recchi (53 gols, 123 pontos em 92-93) e Rod Brind’Amour (37 gols, 86 pontos em 92-93). Eric conseguiu 41 gols e 75 pontos em sua temporada de estreia na liga, o detalhe interessante é que Lindros conseguiu marcar esses 40 gols em apenas 180 chutes, tendo um aproveitamento absurdo e astronômico de 22.8%, algo impossível na atual NHL. Mesmo com esse desempenho, o Flyers ficou fora dos playoffs em 92-93. Também ficou fora em 93-94, mesmo com outra bela atuação do trio Recchi-Lindros-Brind’Amour que somaram para 119 gols e 301 pontos além da bela primeira temporada de Mikael Renberg com 38 gols e 82 pontos.

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O jovem Lindros em seus primeiros anos em Philly (Créditos: NHL.com)

E chegou o novo treinador Terry Murray para a temporada 1994-1995, ainda assim a equipe começou mal a temporada. E então coube a Bobby Clarke, GM da equipe, fazer a troca que mudou os rumos do time naquela temporada e nas próximas. Clarke mandou Mark Recchi para o Montreal Canadiens e recebeu Gilbert Dionne, Eric Desjardins e John LeClair. As chegadas de LeClair e Desjardins junto com a volta de Ron Hextall e a aquisição de Petr Svoboda mudaram completamente o destino do Flyers na temporada.

John LeClair. Eric Lindros. Mikael Renberg. Assim nasceu a Legião do Inferno.

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O trio mais perigoso dos anos 90. (Créditos: thescore.com)

Em entrevista ao NHL.com, LeClair não tem duvidas do que foi Lindros durante o tempo que estiveram juntos entre 1995 e 2000: “Não sei se alguém dominou tanto o jogo quanto ele dominou quando esteve em seu melhor. Ele dominou completamente todo aspecto do jogo. Ele foi uma força imparável”. Não só ele. Com Lindros, LeClair e Renberg se transformaram em uma linha imparável. Liderados pelo trio (únicos no Flyers que conseguiram marcar mais de 40 pontos naquela temporada), o Flyers venceu a divisão Atlântica batendo o Devils na última partida da temporada regular. Indo para os playoffs pela primeira vez em seis anos, Philly bateu o Buffalo Sabres e varreu Brian Leetch, Mark Messier e o atual campeão New York Rangers para chegar na final da conferência leste pela primeira vez em oito anos para enfrentar Martin Brodeur e o New Jersey Devils.
E então Lindros se encontrou com o que seria seu “destino” na NHL: O adversário errado, na hora errada.

Partida 5 da final da conferência leste de 1995, último minuto do último período, jogo e série empatados em 2-2. Um dos defensores do Flyers dispara o puck da linha azul ofensiva e ele não chega ao gol, na busca do disco no canto do rink, Lindros acaba perdendo o equilíbrio e assim deixa o “biscoito” limpo para Claude Lemieux sair em desabalada carreira para fazer a transição defesa-ataque, Lemieux entra na zona defensiva do Flyers e pulveriza o puck em direção ao stick-side de Ron Hextall que não conesegue alcançar. 3-2 New Jersey, 44.4 segundos para o fim do jogo 5. O Devils venceria aquela partida e também sairia vitorioso no jogo 6, dias depois varreria Steve Yzerman e o super favorito Red Wings para vencer a primeira Stanley Cup de sua história. Mesmo com a decepção do final, o camisa #88 venceu o Hart Trophy, prêmio de melhor jogador da temporada e ao receber a honraria, Lindros aod prantos disse: “Nós trabalhamos tão bem. Estamos melhorando. Vamos conseguir.”

“Antes de tudo, Eric tinha uma determinação que eu nunca vi antes. Ele sempre queria melhorar. Ele sempre esperava mais dele mesmo e de todos os outros. Nos treinos, se você perdesse uma chance, ele não tinha vergonha de chegar e dizer: Você precisa fazer esse gol. E ele falava sério. Eu sei que isso me ajudou muito e eu acho que ajudou nossa linha a se desenvolver em uma linha muito melhor […]. Junto com isso, ele era completo. Ele podia te vencer das mais variadas formas possíveis. Suas habilidades eram impossíveis de serem medidas e fisicamente ele era mais alto e mais forte do que a maioria dos caras de 1.95m e 110Kg. Tinham caras que poderiam ser comparados com ele mas ele continuava em um nível bem maior que qualquer outro. […]. Isso (indicação ao Hall da Fama) é apenas um tributo ao quão grande ele foi. Ele jogou contra todos os melhores e ainda assim dominou. Eles nunca conseguiram o desacelerar. Sua atitude sempre foi: Dê o seu melhor e deixe o resto comigo. E ele conseguiu sucesso quase toda noite.” – John LeClair

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A união no gelo também era boa fora dele durante os 5 anos de Flyers. (Créditos: NHL.com)

1996-1997. Apesar de ter perdido 30 jogos na temporada, Lindros conseguiu marcar 32 gols e 79 pontos em 52 jogos. Em sua segunda temporada completa com o Flyers, John LeClair conseguiu outra jornada fantástica com 50 gols e 97 pontos. Janne Niinimaa e Eric Desjardins eram mortais comandando o powerplay, jovens como Dainius Zubrus e Vinny Prospal começaram a aparecer com algum destaque, o time tinha em Brind’Amour e Trent Klatt peças para tirar o peso ofensivo todo da linha de Lindros e eles funcionaram além de ter experiência de sobra com jogadores como Joel Otto, Paul Coffey e Dale Hawerchuk. De fato, Lindros e sua legião começaram a temporada mais lenta do que o normal com uma campanha de 50% no final de novembro, tudo mudou quando a equipe conseguiu uma sequência de 17 jogos seguidos sem perder e fechando a temporada com 103 pontos e 45 vitórias. Nos playoffs, a Legião do Inferno parecia mais poderosa e indestrutível do que nunca. Lindros, LeClair e companhia só precisaram de 15 jogos para despachar o Penguins de Mario Lemieux (que marcou seu último gol de playoff na primeira aposentadoria no jogo 4 dessa série), o Sabres de Dominik Hasek e o New York Rangers da dupla Gretzky e Messier para levar o Flyers a sua primeira Stanley Cup Final desde 1987, Lindros marcou 11 gols nesses 15 jogos e parecia destinado a ser o herói da conquista. Só havia um obstáculo entre a Legião e a Stanley Cup: O Detroit Red Wings

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Lindros e LeClair celebram gol contra o NY Rangers no jogo 5 da final da conferência leste de 1997, jogo que garantiu a equipe na SC Final depois de 10 anos. (Créditos: NHL.com)

Adversário errado. Hora errada.

No jogo 1, Joe Kocur e Kirk Maltby marcaram no 1* período em breakaways nascidos de erros defensivos. Mikael Renberg recebeu o disco de Lindros no meio do rink e disparou em um 3 contra 2 no final do powerplay, acompanhado de Coffey e LeClair, o camisa #19 achou o camisa #10 livre de marcação em seu lado esquerdo e o homem de 50 gols não falhou, 3-2 Red Wings depois de 40 minutos. O Flyers buscava roubar o momento do jogo no início do 3* período quando Steve Yzerman (tal qual Lemieux dois anos antes) ultrapassou a linha azul e disparou, Ron Hextall falhou e o jogo 1 era história. No jogo 2, Garth Snow assumiu o lugar de Hextall e antes que entrasse no ritmo da série já estava 2-0 para Detroit na metade do 1* período. O Flyers parecia roubar o momento do jogo e da série (ou pelo menos tentar pela segunda vez) quando a conexão point shot de Niinimaa e desvio de Brind’Amour funcionou duad vezes no powerplay para empatar o jogo em 2-2. E então lá veio Kirk Maltby e outro disparo de longe. Outra falha de Garth Snow. 2-0 Red Wings na série. No jogo 3, John LeClair colocou o Flyers na frente do placar (pela primeira e única vez na série) antes do Red Wings explorar toda e qualquer falha que Philly cometeu e golear por 6-1. Yzerman, Fedorov e Shanahan haviam criado sua própria legião. O golpe final da série veio no jogo 4, em outro chute de longe e outra falha de Ron Hextall, dessa vez saindo do stick de Nicklas Lidstrom. E então veio o último prego do “caixão”, Darren McCarthy entrou na zona ofensiva e tinha Niinimaa e Hextall a sua frente, o grinder do Red Wings driblou os dois como se não estivessem lá e empurrou o disco para o gol vazio. Lindros marcou seu único gol da série nos momentos finais. Steve Yzerman receberia a Stanley Cup que encerraria a seca da franquia enquanto Lindros receberia boa parte da culpa pelo insucesso de seu time nas finais mesmo com as lesões de Petr Svoboda (não jogou a série), Paul Coffey (não jogou as partidas em Detroit) e as condições ruins de Renberg (estava de muletas na manhã do jogo 4) e Dale Hawerchuk.

Vamos acelerar uma olimpíada, SEIS concussões e três anos.

2000. Final da conferência leste. Jogo 7.

Lindros sofreu quatro concussões entre o natal de 1999 e maio de 2000. Ainda assim ele conseguiu milagrosamente voltar para os playoffs daquele ano. O camisa #88 havia voltado na partida 6 quando o Devils empatou a série em 3-3 depois do Flyers abrir 3-1. Voltando ao jogo 7 e perdendo por 1-0 com gol de Patrick Elias, Lindros estava na zona neutra do rink com o disco quando tentou fazer um drible de corpo e abaixou a cabeça. Scott Stevens lhe acertou com um hit duríssimo e levou o camisa #88 ao chão. O Grande Eric caiu desacordado e teve de ser retirado de maca do gelo. Aquela foi a última partida de Lindros pelo Flyers. Depois disso, vieram as polêmicas com o medical staff do Flyers e uma disputa de contrato que fez Bobby Clarke lhe tirar o direito de ser capitão e depois lhe trocar para o Rangers. E depois disso chegaram as temporadas ruins, as passagens apagadíssimas por Maple Leafs e Stars, as lesões e por último chegou a aposentadoria precoce com 33 anos e 740 jogos na liga.

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O fim. (Créditos: NHL.com)

Lindros esteve do lado glorioso do esporte, vencendo dois ouros com a seleção sub 20 do Canadá, venceu a Canada Cup de 1991 com um dos melhores rosters da história do esporte e mesmo não sendo nem de longe o destaque que um dia foi, esteve com Pat Quinn (ironicamente, entrou para o Hall da Fama junto com Lindros, foi homenageado em memória) no time que encerrou a seca da seleção canadense em 2002. Lindros também esteve do lado “negativo” do esporte. Foi apontado como principal culpado do fracasso canadense na Copa do Mundo de 1996 mesmo tendo jogado todo torneio com a mão lesionada. “Lindros derruba a tocha” foi a chamada do Montreal Gazette após a derrota no jogo 2 desse confronto. Um ano depois, Lindros falhou na missão de trazer a copa de volta para Philadelphia tendo como a marca dessa “falha” os gritos eufóricos de “perdedor” toda vez que #88 tocava no disco no jogo 4. Menos de um ano depois e Lindros foi capitão e principal crucificado da seleção canadense que falhou em bater Dominik Hasek e os tchecos em Nagano-1998, tem quem diga que Lindros nem merecia estar onde entrou na última segunda.

Entre 92-93 e 99-00, apenas Mario Lemieux (2.11) e Jaromir Jagr (1.45) tiveram um percentual de pontos por jogo maior que Eric. Durante seu topo, ninguém o superou. Lindros combinou tamanho, força, velocidade, personalidade e qualidade, isso tudo lhe fez um dos jogadores mais singulares da história. Apesar das lesões e da aposentadoria precoce, das duras e não merecidas criticas, finalmente a vida lhe fez justiça. Como disse John LeClair, Eric Lindros finalmente está onde ele merece.

Quem diria. O líder da Legião do Inferno, alcançando o céu do esporte.

The Waiting is Over! Sam Rosen Está no Hall da Fama!

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Sam Rosen, hall da fama (Foto: NHL.com)

O Hall da Fama do Hóquei é o destino sonhado por muitos jogadores, mas também é alcançado por pessoas que contribuem muito pelo esporte. Executivos, técnicos, donos de equipes também são eleitos juntos aos jogadores, mas há uma área reservada para jornalistas e quem se envolve com as transmissões em televisão e rádios, narradores e comentaristas. Esse ano Pat Quinn (in memoriam) foi induzido como um contribuidor, Eric Lindros, Sergei Makarov, Regie Vachon entraram como jogadores, Bob Verdi foi recebeu o prêmio Elmer Ferguson Memorial, pela excelência em jornalismo e Sam Rosen recebeu o prêmio Foster Hewitt Memorial, por contribuições marcantes como radiodifusor de hóquei.

Rosen tem sido a voz do New York Rangers por 32 anos, mas sua história de paixão e contribuição aos esportes começa muito antes. Nascido Samuel Rosenblun em Ulm, na Alemanha, vindo de uma família judia da Polônia em 1947, dois anos após a segunda guerra. Seus pais sobreviveram ao holocausto promovido pelo governo nazista e quatro anos após a guerra, a família Rosenblun se mudou para o Brooklyn, em Nova York.

Ele cresceu apaixonado pelo New York Yankees e New York Rangers, frequentava os jogos dos dois times e isso o impulsionou a trabalhar com esportes. Ainda no ensino médio foi capitão do time de beisebol da escola, onde jogava como catcher, além de também praticar atletismo e basquete, na faculdade foi também capitão do time de beisebol, mas sua carreira era em outra área. Rosen acabou se envolvendo com a radiodifusão ainda na faculdade, trabalhou no departamento de notícia da WINS, uma rádio local da área metropolitana de Nova York filiada a CBS.

Então em 1970 sua carreira como jornalista esportivo começou, Sam Rosen foi contratado para apresentar as estatísticas na rádio do New York Knicks, além de repórter para a WNAB-AM, rádio de Connecticut, no ano seguinte se transferiu para a WICC-AM, também de Connecticut e ficou lá até 1973. Em setembro de 1973 Rosen foi contratado pela UPI Radio Network, depois arrumou outro emprego na WNEW-AM onde narrava jogos do New York Cosmos. Em suas narrações de futebol, Rosen acabou criando o bordão “It’s a Cosmos goal!”, que anos mais tarde seria adaptado e se transformaria em “It’s a power play goal!”. Nessa época Sam também arrumou um emprego na WPIX-TV, onde narrava jogos de pré-temporada de Jets e Giants, os time de Nova York na NFL.

Foi então que em 1979 ele conseguiu um emprego na ESPN, que estava em seus princípios, nesse período narrou de tudo, de hóquei no gelo, futebol australiano, tênis de mesa até beisebol e luta olímpica universitária. Seu emprego na ESPN foi até 1988, nessa época ele tinha outro emprego na MSGNetwork, onde era âncora de estúdio nos jogos do New York Rangers e por vezes narrava jogos na rádio. Nesse período ele teve Jim Gordon como seu tutor, o antigo narrador do New York Rangers ensinou muito do ofício segundo o próprio Sam. Ainda pela MSGNetwork ele narrou boxe, que rendeu a ele venceu o prêmio Sam Taub, oferecido pela Associação dos Escritores de Boxe da América,  em 1989, Sam fez essa função até 1993. Desde 1996 Sam Rosen também narra jogos da NFL na Fox Sports, também narrou jogos da Stanley Cup na NHL Radio de 1996 até 2008, além de narrar jogos na Versus/NBC Sports Networks, durante os playoffs da NHL.

John Davidson
Sam Rosen e John Davidson em 1994 (Foto: Getty Images)

Voltando ao ano de 1984, assim que Jim Gordon deixou o cargo de narrador do New York Rangers na MSGNetwork, Sam Rosen virou a voz oficial do time. Trabalhou ao lado de Phil Esposito, lendário jogador do Boston Bruins e New York Rangers, além de membro do hall da fama, a parceria entre os dois terminou com a temporada 1986-87, quando Esposito assumiu o cargo de general manager do Rangers. Então nos vinte anos seguintes Rosen teve como colega de transmissão John Davidson, antigo goleiro do St Louis Blues e New York Rangers, a parceria deles teve seu auge durante a temporada de 1993-94, onde o Rangers venceu a Stanley Cup após 54 anos de espera. Foram muitos “Oh Baby!”, o bordão de Davidson, durante os 20 anos que trabalharam juntos, então Davidson foi trabalhar no St Louis Blues e depois assumiu a presidência do Columbus Blue Jackets. Desde 2006 Joe Michelleti é o parceiro de Rosen nas transmissões da TV do Madison Square Garden.

Como fã do New York Rangers, de hóquei no gelo e esportes em geral, o sonho dele de narrar jogos do time começou ainda na infância, onde gravava narrações de jogadas do Rangers. Aos 69 anos de idade, passou quase metade de sua vida narrando jogos do time, se não conseguiu ser um atleta, Rosen conseguiu contribuir para os esportes usando sua voz. Sua narração mais marcante veio ao término do jogo 7 das finais da Stanley Cup em 1994, quando o New York Rangers garantiu sua quarta copa a emoção de Sam resultou nas palavras: “The Waiting is over! The New York Rangers are Stanley Cup champions! And this one will last a lifetime!” (“A espera acabou! O New York Rangers é campeão da Stanley Cup! E esta vai durar uma vida” – em tradução livre). Rosen também divide outro momento marcante na campanha do Rangers em 1994: no jogo 7 da final de conferência Stephane Matteau marcou o gol vitorioso na segunda prorrogação, a maioria do público ouviu a narração da TV, fosse de Sam Rosen ou de Gary Thorne, na ESPN, com tudo o que ficou marcado foi a narração de Howie Rose na rádio da MSGNetwork com o famoso “Matteau, Matteau, Matteau!”, a voz do New York Rangers foi eclipsada pelo narrador e torcedor do rival de Long Island e toda sua emoção.

A narração de Rosen no famoso de Stephane Matteau:

Como vencedor do Foster Hewitt Memorial, Sam Rosen se junta a nomes como Fred Cusick, Bob Cole, Bob Miller, Mike Lange, Mike “Doc” Emerick no hall da fama do hóquei e com totais méritos. Após 32 anos de serviços como a voz do New York Rangers ele chega ao local que merece, um narrador único e icônico que tem paixão e dedicação ao esporte e é querido por aqueles que ouvem suas narrações. Rosen também está no National Jewish Sports Hall of Fame desde 2008. Durante sua carreira foi indicado a prêmios do Emmy de Nova York, não venceu, mas teve a honra de ser nominado por oito vezes em duas categorias diferentes.

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Sam Rosen após receber o prêmio Foster Hewitt Memorial (Foto:MSG Networks)

Nem todos conseguem realizar seus sonhos, mas o dom de Sam garantiu a ele lugar no mundo dos esportes, é muito respeitado e admirado por colegas de profissão, além de ser muito querido pela torcida do New York Rangers. Muito dedicado a profissão, inspirou seu filho Matt Rosen (Matthew Rosenblun) a seguir na carreira. Além de Matt, Sam tem outro filho chamado Garrett, além de dois netos, além de sua esposa Jill. Sua paixão o faz chegar ao patamar máximo do reconhecimento pela empresa que trabalha, Rosen tem carta branca para continuar a ser a voz do New York Rangers até quando ele desejar ou for possível, aos 69 anos de idade Rosen se inspira na brilhante carreira de Vin Scully, lendário narrador do Los Angeles Dodgers que se aposentou recentemente aos 88 anos de idade. Após tanto tempo e tanto reconhecimento, apenas o amor e devoção a sua profissão e ao time que dá voz impulsionam um homem como Sam Rosen, que deve continuar sendo a voz dos Blueshirts por quanto tempo for capaz de fazer isso.

Abaixo algumas das narrações famosas ou de momentos importantes feitas pelo hall da fama Sam Rosen

A mais famosa narração:

O 9º hat-trick de Wayne Gretzky nos playoffs:

Mike Richter enfrenta Pavel Bure em um penalty Shot (jogo 4 das finais da Stanley Cup de 1994):

Melhores momentos do jogo 7 da Stanley Cup de 1994:

Narração do que seria o último gol de Jaromir Jagr em temporada regular pelo Rangers:

Gols de Derek Stepan contra o Columbus Blue Jackets em 2015:

 

Defesa espetacular de Henrik Lundqvist contra o Boston Bruins: