Autor: mateusluiz123

7 x 7.

A última chance de mudar a história ou ser condenado por ela. Jogos 7 criam e destroem heróis, vilões são paridos, controvérsias são relembradas. Em um jogo 7, se abre uma fenda na relação tempo/espaço. Tudo que acontece dentro de um jogo 7, acontece num mundo alternativo. Coisas alternativas num mundo real.

Antes de Ducks, Oilers, Capitals e Penguins se degladiarem no ponto alto do esporte, 73 jogos 7 aconteceram nos últimos 16 anos. Incluindo cinco jogos finais pela Stanley Cup e 12 dessas pelejas decisivas acabaram depois dos 60 minutos. Para Capitals e Ducks, mandantes das prélias decisivas de hoje, uma pequena vantagem: Os mandantes venceram 39 dos 73 jogos 7 que aconteceram entre 2000 e 2016. Para os visitantes Oilers e Penguins, sobra a esperança: Os visitantes venceram 10 dos últimos 17 jogos 7. O Ducks nunca ganhou um jogo 7 no Honda Center e o Capitals perdeu 6 dos 9 jogos decisivos que disputou entre 2008 e 2015.

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Sergei Fedorov e Alex Ovechkin festejaram a vitória sobre o Rangers de Henrik Lundqvist no jogo 7 de 2009. Teremos outro final feliz por Capitals? (créditos: Zimbio)

Nesse singelo post, falaremos de sete jogos 7 que aconteceram nos últimos 16 anos e marcaram alguma coisa na liga.

Sete.

Sete vezes sete.

Sete é o número da perfeição.

O número de Deus.

Onde o céu do hóquei acontece.
1. 26/05/2000, Finais da conferência leste, New Jersey Devils 2-1 Philadelphia Flyers.

Uma atuação fantástica de Patrik Elias com dois gols garantiu o Devils na Stanley Cup Final de 2000, virando a série contra o Flyers de 1-3 para 4-3. Esse jogo ficou marcado pelo hit assombroso de Scott Stevens em Eric Lindros no segundo período, o hit que tirou Lindros do jogo numa maca, também marcou o último jogo do camisa #88 com a jersey do Flyers. Enquanto “Big Eric”, Bobby Clarke e o Flyers entrariam em uma briga que duraria mais de dois anos, Elias e companhia ganhariam a Stanley Cup sobre o Dallas Stars em seis jogos.

2. 09/06/2001, Stanley Cup Final, New Jersey Devils 1-3 Colorado Avalanche

Esse confronto histórico marcou a última página de uma carreira gloriosa e que acabou da forma que devia. Raymond Bourque, discutivelmente o melhor defensor da história do jogo, passou longos 21 anos em busca da Stanley Cup, última peça que faltava em sua premiadíssima estante. A terra prometida não veio sem drama. Após perder o jogo 5 em casa para o Devils por 4-1, o Avalanche precisava de uma vitória na casa do capeta (literalmente) para manter vivo o sonho de Bourque, vitória essa que veio graças a uma atuação soberba de Patrick Roy. A peleja decisiva foi decidida pelo seu herói desconhecido que sempre aparece no jogo 7: Alex Tanguay. O camisa 40 marcou dois dos três gols feitos pelo Avs naquela noite (o outro veio de Joe Sakic) e garantiu o final dos sonhos para a carreira do camisa 77.

3. 31/05/2002, Final da conferência oeste, Colorado Avalanche 0-7 Detroit Red Wings

Antes mesmo da expressão “virou passeio” fazer sucesso na boca de quase todo brasileiro e brasileira, os passeios já corriam soltos. De fato, nos últimos 16 anos, 22 dos 73 confrontos 7 acabaram com diferença superior igual ou superior a 3 gols para o vencedor. Em tal ocasião, o estrelado Red Wings carregado com quase 10 futuros Hall’s da fama enfrentava o atual campeão Avalanche. Assim como seu rival um ano antes, o Red Wings também precisou de uma vitória em território inimigo para trazer a série de volta pra casa, fato que conseguiu vencendo o jogo seis por 2-0, contando com a gloriosa ajuda de Patrick Roy. Em casa, as asas vermelhas tiveram um começo perfeito marcando seis gols em menos da metade da partida, mandando Roy para o banco e se garantindo em sua terceira SC Final no espaço de 5 anos. Depois do passeio, o Red Wings bateu o Hurricanes em cinco jogos e levou a 10* Stanley Cup de sua história.

4. 12/06/2009, Stanley Cup Final, Pittsburgh Penguins 2-1 Detroit Red Wings

Que tal ganhar a primeira Stanley Cup de sua carreira e a terceira da sua franquia na casa do atual campeão? Essa honraria foi de Sidney Crosby e companhia que bateram o Red Wings e levaram a copa para Pittsburgh pela primeira vez em 17 anos. A conquista da prometida veio através do stick de Maxime Talbot (outro salvador incompreendido e inesperado) que marcou dois gols na partida. P.s: Crosby não jogou boa parte do encontro devido a uma lesão no joelho.

5. 14/05/2010, 2* round da conferência leste, Philadelphia Flyers 4-3 Boston Bruins

Uma série que tomou um caminho antes de tomar outro. Boston abriu uma vantagem de 3-0 na série depois de bater Philly nos jogos 1-2 em casa (5-4 no OT do jogo 1 e 3-2 no jogo 2) e golear os laranjinhas por 4-1 no jogo 3. Contando com a volta de Simon Gagne para o encontro 4, o Flyers começou a virada vencendo a partida por 5-4 no overtime, o gol da vitória vindo de Gagne. O jogo 5 marcou outra grande noite do camisa #12 com dois gols e um shutout dividido entre Brian Boucher e Michael Leighton. De volta a cidade do amor fraterno para a disputa #6, foi a vez de Daniel Briere brilhar e garantir o jogo 7. Na casa dos ursos, Milan Lucic marcou duas vezes e o Bruins abriu 3-0 ainda no 1* período. James van Riemsdyk diminuiu ainda no período inicial, Scott Hartnell e Briere emparataram a partida no período do meio, deixando para Gagne marcar o powerplay gol que deu ao Flyers a vitória no jogo e na série por 4-3.

6. 26/04/2011, 1* round da conferência oeste, Blackhawks 1-2 Canucks (OT)

Talvez, o jogo mais importante da história do Canucks. Eliminados pelo Blackhawks em 2009 e 2010, os comandados de Alain Vigneault entraram no confronto com o favoritismo de quem foi a melhor equipe da NHL na temporada regular contra o atual campeão que se classificou na bacia das almas. Quase confirmando o favoritismo, o Canucks abriu 3-0 na série somente para ver o Blackhawks surgir das cinzas e empatar a série vencendo os jogos 4-5-6 com três goleadas (placar somado de 17-3). A partida decisiva teve como herói o matador de dragões que marcou dois gols, incluindo o OT winner, Alexandre Burrows.

7. 01/06/2014, Final da conferência oeste, Los Angeles Kings 5-4 Chicago Blackhawks (OT)

Essa lista se encerra com um grande confronto. Kings e Hawks tinham se enfrentado na final de conferência um ano antes, com os amigos de Toews vencendo a série por 4-1. Um ano depois,o Kings abriu 3-1 na série graças a grandes atuações de Jeff Carter, Tyler Toffoli e Tanner Pearson. Contra a parede, o atual campeão se salvou da eliminação contando com o gol salvador de Michal Handzus no 2OT do jogo 5 e uma atuação soberba de Patrick Kane no jogo 6. A prélia dourada viu o Kings ficar TRÊS vezes atrás do placar (2-0, 3-2, 4-3), empatar em todas as vezes e vencer o confronto com o OT winner de Alec Martinez. Os reis fizeram história, sendo a primeira esquadra na quase centenária liga que disputou três jogos 7 fora de casa e venceu todos.

7 Considerações especiais

1. 27/05/2000, Finais da conferência oeste, Colorado Avalanche 2-3 Dallas Stars

Imagina se aquele puck na trave do Bourque tivesse entrado?

2. 22/04/2003, 1* round da conferência oeste, Minnesota Wild 3-2 Colorado Avalanche (OT)

Última partida da carreira de Patrick Roy.

3. 07/06/2004, Stanley Cup Final, Calgary Flames 1-2 Tampa Bay Lightning

A conquista da copa para Dave Andreychuk depois de 24 anos de espera.

4. 13/05/2009, 2* round da conferência leste, Pittsburgh Penguins 6-2 Washington Capitals

O confronto Crosby vs Ovechkin acabou com grande atuação do Penguins em sua caminhada para a Stanley Cup.

5. 13/05/2013, 1* round da conferência leste, Toronto Maple Leafs 4-5 Boston Bruins (OT)

Toronto, it was 4-1.

6.  30/04/2014, 1* round da conferência oeste, Los Angeles Kings 5-1 San Jose Sharks

Assim como o Flyers, o Kings precisou estar a um passo do inferno para se direcionar ao céu.

7. 27/04/2016, 1* round da conferência oeste, Nashville Predators 2-1 Anaheim Ducks

Primeira vitória em jogo 7 fora de casa para o Predators.

E PRA NÃO DIZER QUE SÓ FALAMOS MAL DE CAPS E DUCKS:

1. 19/06/2006, Stanley Cup Final, Edmonton Oilers 1-3 Carolina Hurricanes

Já parou pra imaginar se o Dwayne Roloson não tivesse se lesionado no jogo 1?

2. 12/05/2010, 2* round da conferência leste, Montreal Canadiens 5-2 Pittsburgh Penguins

Mesmo sendo o atual campeão e jogando a última partida na história da Mellon Arena, sorry Pens, you got Halak’ed.

APROVEITEM OS JOGOS!

Sangue, punhos, honra e copas. Colorado Avalanche e Detroit Red Wings

 “Nenhum traço é mais justificado do que vingança no tempo e no lugar certo” – Meir Kahane

Spoiler: Esse é um post bastante longo então leia com carinho e com um copo grande de café do lado porque café é sempre bom. Além disso, as mais de 5700 palavras desse post não terão a intenção de fazer o amigo e a amiga que nos acompanha a gostar de lutas no esporte. Estaremos contando uma bela história composta por grandes jogadores, grandes partidas e principalmente, seres humanos e seus sentimentos. Esperamos que os senhores e senhoras aproveitem essa viagem.

Antes de Claude Lemieux esmagar metade do rosto de Kris Draper nas bordas ou de Patrick Roy e Mike Vernon trocarem socos no meio da Joe Louis Arena como dois velhos atiradores do faroeste e de todas outras batalhas que Colorado Avalanche e Detroit Red Wings protagonizaram ao longo dos anos, o ato de lutar já existia no jogo de hóquei e consequentemente na NHL. E é por esse ponto que vamos começar.

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Os velhos dias…. (Créditos: The Post Game)

Devemos lembrar que o elemento “troca de gentilezas usando punhos fechados” (esse pobre homem fez um grande esforço procurando sinônimos para luta e briga ao longo desse post, vejamos quanto conseguiremos usar) já existe na NHL desde o distante ano de 1918 e no esporte em geral desde o fim do século 19. E as estrelas lutam, não nos esqueçamos disso. Bobby Orr já trocou carinhos com diversos jogadores tentando se defender, Mario Lemieux brigou em seu segundo jogo na NHL. E quando você consegue um gol, uma assistência e uma briga numa partida, você é agraciado com o “Gordie Howe hat-trick”. Gordie Howe.

Seu silêncio não irá lhe proteger”
Andre Lorde

Esse é talvez o maior motivo (ou na visão de muitos e muitas, o único motivo racional) pelo qual você troca socos com alguém no meio de um rink. Proteção. Se proteger. Proteger o companheiro de time (Imagine: o que seria de Johnny Gaudreau em uma briga com Zdeno Chara se não fosse Deryk Engelland). Até mesmo proteger sua franquia. A ideia de proteção através das lutas vem desde o início do século XX. Antes, os jogadores lutavam porque não existiam regras que punissem o excesso de jogo físico no esporte e já que não existe nenhuma regra que me salve dos leões, matarei eles eu mesmo. No início das disputas, o passe do disco para frente só era autorizado na zona neutra do rink (espaço entre as duas linhas azuis que foram criadas em 1918), essa configuração fazia com que as estrelas daquele tempo tivessem de se envolver duramente no confrontamento físico, os deixando vulneráveis aos cheap shots alheios.

E assim nasceram os valorizados, amaldiçoados e mais 30 adjetivos (positivos e negativos) que são destinados aos enforcers. Os jogadores que se encaixavam nesse “trabalho” tinham três funções: Lutar, intimidar e proteger. As três coisas que podemos ver hoje de alguma forma. As lutas passaram a fazer parte das regras oficiais do esporte em 1922 quando foi criada a regra 56. No rulebook atual da liga, a troca de elogios através dos membros superiores é regulamentada pela regra 46.

Marty McSorley jogou a grande parte de sua carreira ao lado da grandeza de Wayne Gretzky. Sua função era a mais simples possível: Proteger o camisa #99 de tudo e todos. Ao participar do documentário “The Code” produzido pela TSN em 2009 sobre as lutas no esporte, McSorley foi categórico ao afirmar que jogadores como Gretzky Lemieux e Sakic teriam carreiras bem menores se não fossem seus protetores.

“Em um esporte individual, sim, você precisa vencer títulos. O beisebol é diferente. Mas basquete, hóquei? Uma pessoa pode controlar a velocidade da partida, pode alterar completamente o momento de uma série. Isso requer um enorme talento individual.” – Kobe Bryant

Nem só de proteção são feitas as lutas. Trocar cortesias através dos dedos fechados são usados em diversas oportunidades buscando mudar o momento do jogo. Se seu time estiver perdendo por 0-3 no 1* período de uma partida decisiva, qualquer coisa a seu favor pode mudar o momento do jogo, as lutas são uma dessas coisas. Pode dar miseravelmente certo quando você ganha a luta, isso já aconteceu diversas vezes em playoffs (ver: Penguins 5-3 Flyers, 2009, jogo 6 do 1* round) mas quando você perde a luta, é quase um tiro fatal.

“Quem diz que não gosta das lutas na NHL deve estar fora de si” – Don Cherry

Mesmo como elemento real nas partidas, as lutas tomaram um outro nível na metade da década de 70, quando nasceu o Broad Street Bullies também conhecido como Philadelphia Flyers 73-74 e 74-75. Liderados pelo talento de Bobby Clarke e os punhos frenéticos de quase metade do time, principalmente os de Bob Kelly e Dave Schultz, o Flyers faturou as copas de 74 e 75. Mais do que qualquer outro time na história do esporte, o Flyers intimidou seus adversários e muitas vezes o fazia mais com os punhos do que com o puck. E diferente do que aqui foi falado, o Flyers lutava por qualquer coisa contra qualquer jogador em qualquer momento do jogo. Logicamente, os torcedores do Flyers não vão chorar sobre o fato de sua equipe ser considerada a mais suja da história e não ligam pro fato de seu time ter “começado” um ponto na liga onde pelos próximos 25-30 anos, os punhos seriam tão importantes quanto os gols.

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Mesmo com um bom time no gelo, o Flyers dos anos 70 foi consagrado pelos punhos. (Créditos: The good point)

“A menos que você conheça o código, ele não tem significado” – John Connoly

Assim como quase tudo na vida, as lutas também tem seus códigos. Diferente de quase tudo na vida, esses códigos não estão escritos em algum lugar. Por muito tempo as regras do confrontamento entre dois jogadores foram um mistério para torcedores e torcedoras. Uma parte desse mistério foi “revelado” (ou confirmado) quando o livro “The Code: As regras não escritas da luta e da retaliação na NHL” foi lançado em 2010. Quem se envolve em uma briga e conhece o código, saberá quem desafiar, quando desafiar, o motivo do desafio e outras variáveis (nem sempre lógicas) de quando dois homens barbados resolvem trocar socos por algum motivo.

Depois de todo esse papo sobre lutas, vamos de verdade ao encontro de nossa história.

“Eu amo o nome da honra, mais do que temo a morte” – Julio Cesar

02/12/1995, Montreal Forum. Onde nossa história começa antes mesmo de ter começado. O Red Wings era mais uma vez favorito a ganhar a Stanley Cup e estava ma parte inicial daquela que seria a melhor temporada estatística da história da liga. Já o Canadiens tinha uma equipe interessante e o maior goleiro da história entre os postes, Patrick Roy. O que tinha tudo para ser um jogo interessante no velho Forum, acabou se tornando em um dos blowouts mais significativos da história e um dos sábados mais miseráveis do Canadiens. Liderados pelo Russian Five (Vladimir Konstantinov, Slava Fetisov, Slava Kozlov, Igor Larionov e Sergei Fedorov), o Red Wings fez um, dois, quatro, cinco, sete, NOVE gols em 32 minutos contra um Patrick Roy indefeso e uma torcida chocada com o massacre que acontecia diante de seus olhos. Após o nono gol do Red Wings, Roy decidiu que tinha visto demais para um sábado a noite e se retirou da goleira, MERCY ON ME deve ter pensado o #33. Em seu caminho para o banco, Roy não tirou a máscara mas através dela, olhou para Mario Tremblay (em sua 1* temporada como treinador do Canadiens) como se quisesse matar o mesmo com seu próprio stick e se dirigiu para o corredor dos vestiários para deixar seu equipamento. Minutos depois, ainda tomado pelo ódio da vergonha que acabará de passar (o jogo acabou 11-1 Red Wings), Roy deu alguns passos se dirigindo ao presidente do Canadiens, Ronald Corey, que estava sentado na primeira fila atrás do banco e disparou as seguintes palavras: “Esse é meu último jogo em Montreal”. Tais palavras caíram como uma bomba nos colos de Tremblay, Corey e Réjean Houle (GM do Canadiens). 4  dias depois, Roy foi trocado junto com o capitão Mike Keane por Andrei Kovalenko, Martin Rucinsky e Jocelyn Thibault. Sua nova casa? O recém criado Colorado Avalanche, conferência oeste, lugar de domínio de seu novo inimigo mortal, Detroit Red Wings.

“Sucesso é a melhor vingança” – Vanessa Williams

Roy era para o Avalanche o que um grande piloto é para um carro de fórmula 1. A última peça para a glória. O time tinha juventude em Joe Sakic, Peter Forsberg, Sandis Ozolinsh, Adam Deadmarsh e Adam Foote, a experiência de bons jogadores como Uwe Krupp, Valeri Kamensky e Scott Young. E o talento para ser peste e igualmente decisivo do principal personagem de nossa história, Claude Lemieux.

“A grandeza de um superherói será sempre seu inimigo” – David Wyons

Esse escrito não é necessariamente sobre heróis e vilões ou quem ocupou tais cadeiras durante os embates entre Avalanche e Red Wings. Mas cá entre nós, o senhor e a senhora que nos lê nesse momento já decidiu (ou decidirá em algum instante ao longo desse escrito) qual rótulo dará a cada nome que aparecer aqui. Se você torce para o Colorado Avalanche, não tenha vergonha de dizer que Claude Lemieux foi um de seus heróis porque de fato ele foi. Em sua 1* temporada no Colorado, a super peste teve a 2* melhor temporada de sua carreira com 39 gols e foi peça, infame ou não, crucial na conquista da 1* Stanley Cup do Avalanche. Em 5 temporadas no Colorado, Lemieux chegou em 4 finais de conferência, algo impossível nos dias de hoje para um time recém realocado. Apesar de todos seus pecados, e Deus sabe quantos muitos Lemieux cometeu dentro do gelo, o camisa #22 “colocou” o Avalanche no mapa.

Se você torce para os outros 29 times da liga (yeah, i’m looking for you, Vegas fans!), se sintam livres para amarem ou odiarem Claude Lemieux da forma que desejarem. Essa peste ganhou 4 Stanley Cups na carreira, 3 delas em 5 anos, duas delas inéditas com times diferentes em anos seguidos. É certo dizer seu amor ou seu ódio ao camisa #22 apenas adicionará mais um nome a lista.

Mas se você torce para o Detroit Red Wings, você deve odiá-lo. Não é uma questão de querer odiar ou não, você deve e ponto. Não é algo que se escolhe. You just do it. 

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        “Se você odeia uma pessoa, você odeia algo nela que faz parte de você mesmo” – Hermann Hesse

Claude Lemieux não precisava fazer tanta força para ser odiado. Aliás, força nenhuma. Utilizando o velhíssimo clichê, Lemieux foi um jogador que você adoraria ter em seu time mas odiaria tanto ele no time adversário que seria capaz de cortar seu pescoço com uma faca de serra. Detroit odiou (e todos outros adjetivos negativos) Claude Lemieux por dois anos, não por seu time ter algo de Lemieux em si, mas sim pelo fato do camisa 22 ser o símbolo de algo que foi tirado das mãos de uma cidade que esperava pela Stanley Cup a mais de 40 anos.

24/06/1995, Brendan Byne Arena, Jogo 4, Stanley Cup Finals. (Assim como 02/12/1995, a história que começa antes mesmo de começar) Esse dia representaria o capítulo final de um dos upsets mais surpreendentes da história da liga. O favoritíssimo Detroit Red Wings, abarrotado de uma coleção de futuros Hall of Famers era varrido de forma acachapante por um Devils com um poder de fogo bem menor mas que soube fazer seu adversário com status de favorito pagar por todo e qualquer erro cometido durante a série. Não importava o quão bom o Red Wings fosse, aqueles diabos (com o perdão do trocadilho cretino) faziam você cometer erros e eles aproveitariam. Enquanto Scotty Bowman e suas estrelas amargavam outro fracasso de proporções homéricas, o Devils celebrava sua primeira Stanley Cup e o MVP daquela conquista era, como deveria ser, number 22, Claude Lemieux.

Depois da conquista, Lemieux foi trocado para o Colorado Avalanche, um jovem time que estava em busca de peças experientes e vencedoras para ajudar o time a vencer.

E então aconteceu 02/12/1995.

E Patrick Roy (re)encontrou Claude Lemieux. (Custa nada lembrar, Lemieux e Roy venceram a Stanley Cup de 1986 com o Montreal Canadiens)

E ambos encontraram o Detroit Red Wings na final da conferência oeste em 1996.

Como deveria ser.

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Guardem esses rostos. E seus respectivos punhos. (Créditos: Sporting News)

“O destino não é uma questão do acaso. É uma questão de escolha. Não é uma coisa para ser esperada, é uma coisa a ser alcançada” – William Jennings Bryan

(Os próximos nove pontos são divisões teatrais de um espetáculo da vida real. O teatro não é nem de longe minha praia, então perdoem esse pobre homem caso ele vacile)

ATO 1 – TESTA NO GELO E O SOCO

23/05/1996, McNichols Sports Arena, Denver, Jogo 3, Finais da conferência oeste.

O Red Wings havia vencido 62 partidas na temporada regular e era (quase indiscutivelmente) o maior favorito da história a ganhar o grande prêmio antes da dança começar. A troca de gentilezas entre as equipes já tinha começado de forma discreta nos jogos 1 e 2 em Detroit, ambos vencidos pelo Avalanche, com sticks gentis nas pernas protagonizados pelo goleiro Chris Osgood e Claude Lemieux. Sim, apesar de ser apenas um no gelo, Lemieux conseguia se multiplicar e estar presente em todas as confusões. Mas foi o jogo 3 que começou a esquentar o clima. O Red Wings precisava vencer a peleja para evitar o que naquela altura seria um invirável 0-3. Durante o segundo período, Adam Foote e Slava Kozlov foram disputar o disco nas bordas, Foote iria encerrar o hit em Kozlov, espremendo o russo de cara por gelo. Foote não contava com a destreza de Kozlov em evitar o hit e mandar sua cabeça contra a proteção das bordas com a mesma velocidade que você mata um mosquito na parede. Foote ficou por alguns segundos sem se mover no gelo, quando ficou de joelhos e com o médico do Avalanche limpando o corte de sua testa, Foote lançou suas luvas e seu capacete no gelo com uma revolta fora do comum. A resposta da gentileza viria ainda naquele período. Após uma defesa de Patrick Roy, todos os jogadores resolveram se congregar e criar laços de amizade atrás do gol, enquanto a troca de elogios era feita, Kozlov fez um pequeno carinho na nuca de Sandis Ozolinsh, essa foi a senha para Claude Lemieux decidir que tinha visto demais do russo. Mineiramente, deu dois passos para trás e BINGO! Acertou Kozlov com uma direita de dar inveja aos boxeadores modernos, o pobre Slava nem viu de onde veio o torpedo. Um sucker punch de digníssimo respeito. O Red Wings venceu aquela partida por 6-4 e pelo soco em Kozlov, Lemieux seria suspenso por uma partida. (Incidente a partir dos 04:20)

ATO 2 – THE VLADIATOR

27/05/1996, Joe Louis Arena, Detroit, Jogo 5, Finais da conferência oeste.

Apesar de parecer um episódio pequeno mediante toda desgraça que ainda ocorreria nos próximos dias (e anos) entre esses dois times, esse jogo tinha seu significado. Mesmo sem Lemieux, o Avalanche bateu o Red Wings por 4-2 e colocou uma vantagem de 3-1 na série. O jogo 5 marcava não só a volta da super peste a lineup mas também a primeira chance do Avalanche garantir seu lugar na Stanley Cup Finals. Mas não foi assim que a noite se desenrolou. Dominando todo o jogo, o Red Wings bateu o Avalanche por 5-2 e viveu mais um dia na série. A primeira vingança contra Claude Lemieux conquistada no gelo da Joe Louis Arena foi cortesia do russo Vladimir Konstantinov. No segundo período, Lemieux entrava com o disco na zona ofensiva quando viu seu mundo rodar (literalmente) graças a força nada natural do camisa 16.

ATO 3 – O HIT

29/05/1996, McNichols Sports Arena, Jogo 6, Finais da conferência oeste. 14:16 do primeiro período.

Draper is hurt. He got leveled by Claude Lemieux. And he is down on the ice.

O jogo 6 era a segunda chance do Avalanche garantir sua vaga na Stanley Cup Finals ou encarar o teste gigantesco que seria vencer um jogo 7 na Joe Louis Arena. O placar já marcava 1-0 em favor do Colorado Avalanche quando o incidente aconteceu. Draper tinha o disco na zona neutra e estava na espera de seus companheiros de linha saírem da condição de offside. Draper nunca viu Lemieux chegar e lhe esmagar contra as bordas. Ambos deixaram o gelo depois do lance, Lemieux foi expulso da partida enquanto Draper foi ajudado pelo médico do Red Wings e por Keith Primeau. Ao usar a palavra esmagar, o seu uso é no sentido literal. De fato, Claude Lemieux esmagou o lado direito do rosto de Kris Draper. Foram 4 ossos quebrados, incluindo nariz e queixo. Quando voltou para Detroit, Draper ficou 4 dias no hospital, não comeu nada sólido por longas seis semanas e só voltou ao gelo na metade da temporada 96-97. Sem ambos no gelo, o Avalanche bateu o Red Wings por 4-1, garantindo sua ida a Stanley Cup Finals.

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“Eu não acredito que apertei a mão daquele cara depois do jogo”

A famosa frase de Dino Ciccarelli depois do jogo marcou a revolta dos jogadores do Red Wings com o camisa 22. Os companheiros de Draper só souberam da gravidade da lesão após a partida. Lemieux, obviamente, se defendeu. Disse que obviamente iria se defender e não viu nada de anormal no hit. Ainda disse que já tinha aplicado outros hits com jogadores naquela mesma posição de Draper e nada de tão grave tinha acontecido. Já Kris Draper não poupou palavras para criticar o hit, apesar de usar uma certa politica para o fazer. Resumindo tudo em uma fase: “Esse é um jogo de hóquei e olhe para meu rosto”. Mas foi outra frase dita por Draper que chamou minha atenção e acabou sendo de alguma forma profética: “Infelizmente isso aconteceu. Mas espero que algo de bom possa vir disso.”

12 dias depois, Claude Lemieux e o Colorado Avalanche ganhariam a Stanley Cup, varrendo o Florida Panthers. Lemieux foi suspenso por dois jogos e multado em mil doláres, mas ainda assim saiu “por cima”.

“É impossível sofrer sem fazer alguém pagar por isso” – Friedrich Nietzsche

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26/03/1997

Joe Louis Arena.

“Eu estacionei na arena aquela noite e o cameraman me acompanhou do meu carro até o vestiário. Os cameramens nunca me acompanhavam. Eles sempre acompanhavam Yzerman ou Fedorov. Foi quando eu soube: vamos nessa.” – Kris Draper

As almas que foram a Arena naquela noite queriam duas coisas. A primeira era a vitória, já que o Avalanche tinha vencido todos os confrontos entre as equipes na temporada regular e vencido 7 das últimas 9 partidas (se contado os playoffs de 96). Era a última chance de tirar uma casquinha do atual campeão e melhor time da NHL antes dos playoffs começarem. E de quebra, se possível, cada Red Wing que estava na arena desejaria levar um pedaço da cabeça de Claude Lemieux pra casa. Apesar de não ser um jogo de playoff, a tensão existente naquele confronto, a cobertura da imprensa e tudo mais que cercou aquela partida deu a entender que era um jogo 7 disputado no final de março.

“Todo soldado deve saber antes de ir pra batalha de como as pequenas lutas influenciam na batalha como um todo e como o sucesso dessa pequena luta pode influenciar na batalha toda” – Bernard Law Montgomery

As pequenas lutas daquela noite foram protagonizadas por Danny Pushor e Brent Saborin que depois de um hit estranho e um offside, decidiram iniciar os trabalhos daquela que seria uma noite épica. Depois disso, Wayne Corbet e Kirk Maltby protagonizaram uma luta de um soco e um longo abraço separado com alguma complicação pelos árbitros. E então….

…. Nicklas Lidstrom tenta um passe para Darren McCarty que não controla o puck, o disco sobra para Igor Larionov que é lançado contra as bordas por Peter Forsberg. Forsberg tentou um carinho extra contra Larionov, levando o russo a trocar punhos com o camisa #21.

E assim foram abertas as portas do inferno.

Enquanto os juízes tentavam separar o abraço nada fraterno entre Larionov e Forsberg, McCarty se desvencilhou da “marcação” de Valeri Kamensky, achou o destraido Claude Lemieux e lhe acertou uma bela direita na ponta do queixo, levando o camisa 22 ao gelo e provocando o maior orgasmo coletivo que se tem noticia em um evento esportivo. 301 dias depois, McCarty dava a cidade de Detroit o que ela queria. Sangue. Mas não qualquer sangue. O sangue de seu pior inimigo até aquele dia. Por algum motivo não identificado por minha pessoa, Lemieux preferiu se defender fazendo a posição da tartaruga (como meu amigo Thiago Farias aka @hoqueifanatico gosta de falar, Claude the Turtle) do que lutar contra o furioso McCarty que lhe aplicava uma bela sova.

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A sova e a tartaruga. (Créditos: The Majors)

Vendo tudo isso, Patrick Roy saiu em disparada de seu gol tentando salvar Lemieux das mãos de McCarty mas só achou um igualmente furioso Brendan Shanahan em seu caminho, os dois trocaram um fraterno abraço no ar (essa parte não é mentira, VEJAM O VÍDEO TODO) antes de irem ambos ao gelo já trocando número de whatsapp. No meio dos dois estava Adam Foote tentando defender seu goleiro e criar um 2 vs 1 contra Shanahan, o que levou Mike Vernon a também sair em disparada de sua meta e ir de encontro a Foote. No meio de tudo isso, Lemieux seguia vivo porém morto por Darren McCarty. Quando Roy foi checar a peleja entre os camisas 22 e 25 (mas principalmente ver se Lemieux ainda estava vivo), Brendan Shanahan e Mike Vernon tentavam cada um ficar com um braço de Adam Foote, Patrick Roy não pensou meia vez em se encontrar com Mike Vernon e ambos trocarem socos como se fossem dois velhos atiradores parados numa rua deserta do Texas em um filme dos anos 40, provocando assim o segundo orgasmo múltiplo das almas que estavam na Joe Louis Arena aquela noite.

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Sangue real. (Créditos: Denver Post)

Enquanto os árbitros tentavam tomar nota de toda a sucursal do inferno que tinha ali acontecido, Darren McCarty (provavelmente com algum pedaço da cabeça de Claude Lemieux em suas mãos) recebia Igor Larionov no penalty box como um pai recebe um filho depois de 20 anos morando no Alaska. Ainda no meio de tudo isso, um furioso Marc Crawford (treinador do Avalanche) gritava contra Kris Draper “você começou tudo isso!” enquanto Scotty Bowman (treinador do Red Wings) igualmente furioso gritava contra Crawford “nunca fale com meus jogadores!”

Claude Lemieux (vivo porém morto) nos vestiários. O sangue de Roy, Forsberg e Lemieux no gelo e nas toalhas da Joe Louis Arena. E a noite ainda estava na metade. E o pobre Lemieux tanto apanhou que precisou da ajuda de Deus e o mundo para chegar nos vestiários. Como se tivesse apanhado, ironicamente, de uma cidade inteira.

(Custa nada lembrar, no meio de toda essa contenda ainda tinha um jogo muito importante sendo disputado e vencido pelo Avalanche)

Depois que todo sangue foi limpo e as penalidades foram aplicadas, Adam Deadmarsh e Vladimir Konstantinov decidiram continuar a noite de prélios (outro belo sinônimo para batalhas e brigas, Deus abençoe o aplicativo dos sinônimos) entre jogadores de ambos os times. Aos QUATRO segundos so segundo período, Brendan Shanahan e Adam Foote decidiram terminar o que tinha ficado aberto no período anterior e lá foram eles. Quatro minutos depois, duas altercações simultâneas entre Mike Keane e Tomas Holmstrom na frente da goleira do Red Wings (com Mike Vernon BABANDO pra participar desse confronto) e Danny Saborin contra o veterano Aaron Ward. Em busca de vingança por Claude Lemieux, lá foi Adam Deadmarsh ter uma desarmonia com Darren McCarty. A edição especial do Clube da Luta foi “encerrada” por Danny Pushor e Uwe Krupp.

No meio de toda essa peleja, existia um jogo muito importante por ser vencido e depois do 2* período o Avalanche ganhava por 5-3. Se aquela partida não fosse vencida pelo Red Wings, de nada adiantaria tudo aquilo. O Avalanche varreria Detroit na season series e entraria com mais moral para um confronto nos playoffs.

Ainda perdendo por 5-3 na metade do último período, Sergei Fedorov disparou o disco de sua linha azul ofensiva que não foi ao gol mas encontrou Martin LaPointe livre e com metade da goleira vazia, 5-4 Avalanche.

30 segundos depois, Brendan Shanahan recebe um passe atrás do gol de Patrick Roy e tenta um backhander que é estranhamente aceito pelo goleiro do Avs, 5-5.

No overtime, Igor Larionov entrou na zona ofensiva e viu de seu lado direito Brendan Shanahan entrar voando, ao receber o disco Shanahan estava num 2vs1 e “cruzou” o disco para seu lado esquerdo onde estava um desmarcado Darren McCarty para vencer a peleja por 6-5. 26/03/1997, o dia em que tudo mudou.

Corbet. Maltby. Larionov. Forsberg. McCarty. Lemieux. Shanahan. Foote. Vernon. Roy. Deadmarsh. Konstantinov. Keane. Holmstrom. Ward. Krupp. Todos esses nomes que participaram diretamente daquela guerra (ou pelo menos tentaram colocar seus punhos em alguém) ganharam juntos 42 copas. QUARENTA E DUAS.

“Jogadores de hóquei tem a memória longa. E o melhor tempo para buscar redenção, vingança, é quando seu adversário menos espera.” – Darren McCarty

ATO 5 – AS COISAS ESTÚPIDAS

22/05/1997, Joe Louis Arena, Jogo 4, Finais da conferência oeste.

O tempo passou e os times novamente se encontraram nas finais do oeste. Diferente do ano anterior, o Avalanche era o favorito para copa dessa vez, o atual campeão e o vencedor do President’s Trophy. O Avalanche saiu na frente, vencendo o jogo 1 por 2-1 contando com um show de Patrick Roy e gamewinner de Mike Ricci (passe de, logicamente, Claude Lemieux). O jogo 2 também parecia caminhar para o Avalanche que com gol de Lemieux vencia por 2-0 até o final do 2* período quando o Red Wings respondeu com 4 gols seguidos, vencendo a partida por 4-2 e empatando a série em 1. O jogo 3 foi para o Red Wings graças a uma atuação esplendorosa de Mike Vernon para garantir a vitória por 3-2. Na entrevista antes do jogo 4, um confiante Patrick Roy disparou: “Até agora nós não mostramos nada a eles e nós não vimos o quanto eles desejam pagar o preço para vencer. Eu conheço meu time e eu sei o quanto queremos vencer. E eu sei que amanhã a noite nós estaremos mais fortes do que estivemos até agora na série”. O pobre Roy nem sabia do atropelamento que seu Avalanche tomaria. Liderado pelos russos Igor Larionov, Slava Kozlov e Sergei Fedorov além da participação especial de Kirk Maltby, o Red Wings atropelou por 6-0 mandando Roy para o banco antes da peleja acabar e também atropelou o Avs nos punhos. No final da partida, Brendan Shanahan aplicou uma bela sova no pobre Wayne Corbet, sova essa que fez Marc Crawford explodisse em fúria contra Scotty Bowman. Ao final da partida, enquanto Bowman contemporizou toda a situação, Crawford mandou “ele disse coisas estupidas e eu disse coisas estúpidas, você acaba sendo pego pela emoção do momento”.

ATO 6 – OS OLHOS MORTOS

26/05/1997, Joe Louis Arena, Jogo 6, Finais da conferência oeste.

Assim como em 1996, o favorito voltava pra casa precisando vencer o jogo 5 da série para manter o confronto vivo por mais um dia. Algo que o Avalanche fez e fez muito bem, batendo o Red Wings por 6-0. A sexta partida era a chance de ouro do Red Wings voltar as finais e de quebra, conquistar sua “vingança final” sobre Claude Lemieux. E assim foi feito, Detroit dominou a partida virtualmente inteira, abriu 2-0 graças a Martin LaPointe e Sergei Fedorov, o Avalanche chegou a diminuir mas o golpe fatal veio do stick de Brendan Shanahan mandando o disco para a goleira vazia, o Detroit Red Wings para a Stanley Cup Final e o atual campeão Avalanche para casa. De alguma forma mágica, aquilo que começou na caótica noite de 26/03/1997, foi concluído aquele dia.

“Nós ganhamos deles em seis jogos e eu consegui o que realmente queria. Eu estava na linha dos cumprimentos. Eu pude olhar cada um deles (jogadores do Avalanche) e eles estavam com os olhos mortos. Eu apertei a mão deles sabendo que eu iria para a Stanley Cup Finals e eles não” – Kris Draper

Dias depois, o Red Wings varreria o Flyers e venceria a Stanley Cup pela primeira vez depois de 43 anos.

ATO 7 – PELA HONRA, ROUND 2.

11/11/1997, Joe Louis Arena.

Não precisava ser um gênio para saber que esse confronto aconteceria mas ainda assim o registro é válido. Apesar de Darren McCarty estar devidamente vingado de Claude Lemieux e do Avalanche, a peste nunca esqueceu a sova que tinha tomando 8 meses antes. Lemieux sabia que precisava limpar sua imagem e resgatar uma parte de sua honra que ficou no gelo da Joe Louis Arena quando ele preferiu ficar de cara pro gelo ao invés de levantar e lutar contra McCarty. E então, o #22 encontrou o #25 na primeira partida entre Avalanche e Red Wings depois do título de Yzerman e companhia. E ambos ficaram lado a lado. E se olharam. E olharam. E olharam. E balançaram levemente a cabeça. E antes mesmo do disco tocar o gelo, lá estavam Lemieux e McCarty acertando suas contas. O Avalanche venceu aquela partida por 2-0.

ATO 8 – A FALSA REDENÇÃO

01/04/1998, Joe Louis Arena.

Enquanto o Red Wings estava estabelecido como favorito a conquista da copa, o Avalanche tentava resgatar momento para entrar nos playoffs. Assim como Lemieux, Patrick Roy foi outro que tomou uma bela sova no famigerado 26/03. Buscando redenção por si mesmo, Roy desafiou Chris Osgood (custa nada lembrar, Mike Vernon tinha sido trocado para o San Jose Sharks na offseason de 1997) e lá foram eles trocar caricias em uma briga que, se analisada racionalmente, não fazia sentido. Roy ganhou a luta por muito mas seu Colorado Avalanche foi eliminado no 1* round. Já Chris Osgood, viveu o céu e o inferno mas no fim levou a Stanley Cup de 1998.

ATO “FINAL” – O NOVO ENDEREÇO

As equipes se encontraram novamente em 1999. O bicampeão Red Wings era favorito contra o Avalanche e candidato a tentar algo que tinha sido conseguido pela última vez pelo Islanders nos anos 80, o tricampeonato consecutivo. Após vencer as duas primeiras partidas da série jogando em Denver (placar somado de 7-2, incluindo shutout de Bill Ranford e hits carinhosos de Peter Forsberg em Brendan Shanahan e de – LOGICAMENTE – Darren McCarty em Claude Lemieux), as asas vermelhas voltavam para casa com a faca, o queijo, o pão e o prato para encaminhar a  5* final seguida de conferência. Até que Peter Forsberg aconteceu. Escondido nas primeiras partidas da série, o sueco explodiu marcando 5 gols e 9 pontos nas 4 partidas seguintes e o Avalanche encerrou os sonhos do Red Wings no jogo 6, vencendo a peleja por 5-2 e a série por 4-2. A Stanley Cup teria um novo endereço em 1999.

Esse é o tipo de história que estranhamente todos os atores tiveram seu final feliz. Em 2000, o Avalanche trocou Claude Lemieux de volta para o New Jersey Devils por Dave Andreychuk. Nos playoffs daquele ano, Avs e Red Wings se encontraram pela terceira vez em quatro anos. Sem Lemieux, é certo dizer que o componente físico presente nas antigas diminuiu um tanto e ambos os times passaram a apostar mais em velocidade. Nesse novo script, o Avs bateu novamente o Red Wings por 4-1. O Avalanche, assim como em 99, perderia a final da conferência oeste para o Dallas Stars no jogo 7. Na Stanley Cup Final, o atual campeão Stars perderia seu título para o New Jersey Devils de Claude Lemieux em 6 jogos. Em 2001 foi a vez de Sakic, Roy e companhia conseguirem levantar a Stanley Cup depois de 5 anos, vencendo o New Jersey Devils (já sem Lemieux) em 7 jogos. Em 2002, a redenção fez morada no Detroit Red Wings. Com um elenco estrelado com quase 10 Hall of Famers (que lá estão ou lá podem estar), liderados pela forte mão (e joelho destruido) de Steve Yzerman, Detroit ganhou sua 3* Stanley Cup em 6 anos. Em 2002, Wings e Avalanche novamente se encontraram na final da conferência oeste com vitória vermelha por 4-3 na série, o jogo decisivo foi marcado por um acachapante 7-0 contra Roy e o Avalanche.

Devo confessar que esse (longo) post estava originalmente destinado a falar apenas do dia 26/03/1997. Mas durante as (longas) pesquisas para escrever esse post, entendi que essa data marca “apenas” mais uma grande memória de uma grande rivalidade que nasceu do nada (me mostre em alum lugar no qual um time recém realocado constrói uma rivalidade mortal contra um dos times mais tradicionais da história do esporte em apenas 1-2 anos) e se tornou em uma das rivalidades mais sangrentas (quase literalmente) das grandes ligas. E o atual momento de ambos os times faz desses dias, momentos mais especiais. E consequentemente, faz desse post uma reflexão mais importante. Detroit não irá para os playoffs pela primeira vez desde 1990 e o Avalanche parte para ser o pior time (estatisticamente falando) da liga nos últimos 20 anos. Comecei esse post falando sobre lutas e é sobre elas que desejo encerrar. O amigo e amiga que navegou por todas essas palavras e aqui chegou (humildimente já lhe agradeço por isso), pode odiar as brigas que ainda acontecem no esporte como eu já fiz um dia. Ou pode tentar observar essas lutas de uma forma diferente. Esses grandes jogadores lutaram por um dos motivos mais humanos possíveis: Todos eles queriam MUITO vencer. Eles lutavam porque acreditavam que isso poderia mudar o caminho de um jogo, de um playoff, de uma temporada. E qual a maior luta que existe nessa liga se não for a luta que todo jogador atravessa por 110-115 partidas até conquistar a Stanley Cup? Desejo encerrar esse longo escrito com uma reflexão de James J. Corbett: “Você se torna campeão lutando um round a mais. Quando as coisas ficam complicadas, você luta mais um round.”

20 Minutos – Edição 13!

1. Cá estamos nós, com tantos assuntos para falar e uma mudança sobrevivida. O Puck Brasil é vida.

2. O excesso de assunto pra se falar faz deste homem um homem feliz. Então vamos a eles! Começando esse escrito, falaremos da que de desempenho de Wild, Capitals e Canadiens na luta pelo título de divisão. Ser #1 em seu quintal no atual formato de playoffs pode ser uma salvação ou uma completa tragédia. O Wild já perdeu a ponta da divisão Central para o quente Chicago Blackhawks, Montreal vem flertando com a perda da liderança por alguns dias para o Ottawa Senators, ainda que os comandados de Claude Julien sigam na ponta da Atlântica. E o Capitals que perdeu 5 das últimas 7, vê Penguins e Blue Jackets ameaçarem sua ponta na Metropolitan. Se no caso do Blackhawks, ganhar a divisão pode ser um “problema” (cruzar com Blues e Kings, adversários complicados), perder a Metropolitana pode significar “fugir” de Steven Stamkos e o Tampa Bay Lightning.

Com apenas duas vitórias nos últimos 7 jogos, Eric Staal é peça importante para recuperar o Wild na perna final da temporada. (Créditos: Fansided)

3. Ser campeão de divisão nos últimos 15 anos significa sucesso e desgraça nos playoffs ao mesmo tempo. Voltando ao glorioso ano de 2002 (VOCÊ LEMBRA DO PENTA?) até 2013, quando o antigo formato dos playoffs era jogado (antigo e melhor, digasse de passagem), 14 times que foram campeões de divisão foram a Stanley Cup Final (incluindo as finais de 2002, 2007, 2008 e 2011 quando os dois finalistas ganharam suas respectivas divisões). No mesmo espaço de tempo, VINTE E TRÊS campeões de divisão foram eliminados ainda no round inicial dos playoffs, 4 deles (Bruins 2002, Red Wings 2006, Sharks 2009 e Capitals 2010) foram seeds #1 de sua conferência ou da liga. Desde a mudança do formato em 2014, nenhum campeão de divisão chegou as finais e quatro deles foram eliminados ainda no 1* round.

4. Casos curiosos sobre a saga das divisões desde 2002: Em três anos (2006, 2010, 2013), três ou mais campeões de divisão foram eliminados ainda no 1* round, 2006 e 2010 foram casos ainda mais estranhos onde os três campeões de divisão da mesma conferência (Red Wings, Stars e Flames em 2006; Capitals, Devils e Sabres em 2010) foram eliminados no mesmo round. Além disso, apenas o Ducks-2003, Flames-2004 e o Kings-2012 foram a Stanley Cup Final derrotando 2+ campeões de divisão pelo caminho. E só o Flames de 2004 jogou todas as séries de playoffs contra campeões de divisão.

Iginla vs Lecavalier, uma das últimas batalhas do glorioso run do Flames em 2004

5. Após a palavra “divisão” estar na sua cabeça, precisamos discutir sobre coisas importantes. O atual formato de playoffs vai até 2019 pelo acordo com a NHLPA. Todo respeito com a quase centenária NHL, esse formato é “pobre” e as vezes pouco chamativo. Ele tem suas vantagens ao estabelecer (ou pelo menos tentar) novas rivalidades. Mas com a facilidade que esse formato cria novas rivalidades, ele também as gasta rapidamente (see: Penguins x Rangers). Ben Raby, jornalista que cobre o Washington Capitals escreveu para o site de uma rádio de Washington (WTOP, salvo engano) um artigo propondo uma ideia da qual sou muito fã e funcionou muito bem na MLB. Nesse artigo, Raby propõe que os 10 primeiros times da conferência se classifiquem para os playoffs, os 6 primeiros iriam direto para o 1* round enquanto o 7* enfrentaria o 10* e o 8* enfrentaria o 9* em um jogo único “win and you in”, nesse caso com os seeds #7 e #8 tendo o mando de gelo nessa partida única. Sendo assim, teríamos mais times envolvidos nas semanas finais da temporada lutando por vaga nos playoffs e os times que estão na frente não tirariam o pé, tentando garantir sua presença direta no 1* round. Os playoffs já começariam com um drama automático e com potencial para uma grande história, imagina o seed #10 cruzando e batendo o President’s Trophy winner?
6. Acredito que para isso acontecer é preciso resolver outro dilema da liga que é o sistema de pontuação. Atualmente, o sistema é o 2-1-0. O vencedor sempre leva dois pontos, o time que perde no overtime ou na disputa do shootout leva um ponto e o time que perde nos 60 minutos fica zerado. Apesar de ser um sistema que cria equilibrio, esse equilibrio é mais falso que nota de 3 reais. Pra se ter ideia de como esse loser point cria esse falso equilibrio, antes da rodada desse sábado, três dos times que lutam matematicamente pelo wildcard no leste tem 10 ou mais loser points. O Maple Leafs tem inacreditáveis 14, Panthers e Islanders tem 11. Esses losers points prejudicam os times que ganham mais partidas nos 60 minutos ou no overtime e que perdem a maioria das partidas no regulation. E qual seria a solução? Apesar de ser uma ideia que muitos dos GM’s não gostam (além do próprio Gary Bettman não ser muito fã), penso que um formato de pontuação eficiente seria o que é feito hoje na liga russa de hóquei. A KHL funciona com o sistema 3-2-1-0, três para o time que ganha a partida nos 60 minutos, dois pontos para o time que ganha a peleja no overtime/shootout, um ponto para o time que perde nessas ocasiões e nenhum ponto para o time que perde no regulation time. Na NHL, tal sistema retrataria melhor o que realmente acontece na liga e talvez mostrasse que a mesma não é tão equilibrada quanto parece (apesar desse homem achar que a dilatação não seria tão grande assim num sistema 3-2-1-0). 

7. Marc Bergevin, 007 na arte de se esconder da imprensa.

8. Outras do encontro anual dos GM’s em Boca Raton, Florida: De acordo com Bill Daly, o salary cap deve ficar entre 75.5 e 76 milhões de Trumps, um crescimento de 5%. A novela da participação ou não de jogadores da NHL nas olimpíadas de 2018 continua firme e forte e o principal personagem dessa novela é o famigerado dinheiro. A IOC que pagava os gastos com viagens e afins (o que fazia a NHL parar os jogos da liga por duas semanas) não irá mais cobrir esses gastos. Outro assunto importante são as semanas de descanso, criadas pela NHLPA (especialmente por Mathieu Schneider) que os times descansam por 5 dias sem partidas ou treinamentos. O retrospecto dos times em seu primeiro jogo depois dessa pausa foi de 10-16-4. A ideia proposta pelos GM’s é de que se tenham apenas duas semanas de folga, ambas em janeiro. Na 1*, 15 times param e na outra são os 16 restantes.

9. Outra decisão que chamou atenção foi a de que a lista dos protegidos pelos times para o draft de expansão não será revelada ao público. Sendo assim, apenas os GM’s, os agentes dos jogadores e a NHL saberá quem foi protegido e quem será exposto. Vale lembrar que os times devem submeter suas listas até as 18:00 (horário de Brasília) do dia 17 de junho. Os 30 escolhidos pelo bando de George McPhee serão anunciados no dia 21 de junho, em cerimônia que ocorrerá durante o NHL Awards.

10. Falando (no diabo) em Gary Bettman, o comissário mais amado do planeta visitou o Canadá nessa semana em sua anual visita por todas as cidades da liga. Em sua ida a Calgary, Bettman confirmou que se reuniu por mais de uma hora com o prefeito da cidade, Naheed Nenshi, e um dos assuntos principais foi a construção de uma nova arena para o Flames. O Scottiabank Saddledome foi aberto em 1983, apenas a Joe Louis Arena (que fechará suas portas depois dessa temporada, quando o Red Wings vai para a Little Caesars Arena) e o Madison Sqare Garden são mais antigos que o Dome. Pressionado pelo sucesso que o Rogers Place (nova casa do Oilers) vem tendo, Bettman espera que essa situação se resolva o mais cedo possível.

11. Outro dilema vivido pelo comissário é a eterna novela que envolve o futuro do Arizona Coyotes. A equipe joga na Gila River Arena em Glendale desde 2003, o time não enche a arena (que anunciou na última semana que está retirando cadeiras da arena para “diminuir prejuízos”) e fica nas três últimas colocações de ocupação desde 2007. Bettman mandou uma mensagem clara para os políticos do Arizona: “A atual situação do Coyotes em Glendale na Gila River Arena não é economicamente capaz de suportar uma franquia de sucesso da NHL. Pelos últimos 15 anos, uma sucessão de donos e a liga fizeram de tudo imaginável para fazer a situação em Glendale ser financeiramente possível. Nossos esforços acabaram no mesmo resultado: Uma contínua perca econômica. A simples verdade? O Arizona Coyotes PRECISA TER uma nova arena em uma localização para ter sucesso. O Coyotes não pode e não irá ficar em Glendale.”

Gary Bettman e seu maior tira sono nos últimos anos. (Créditos: Zimbio)

12. No dia 18/03/1892 em um banquete na Russell House em homenagem ao Ottawa Hockey Club, nasceu a ideia de criar a Stanley Cup. No último sábado, a prometida fez 125 anos de beleza, ousadia e alegria. Parabéns Stanley!

13. No último sábado o mundo do esporte ficou chocado com a morte repentina de Sergei Gimaev, lenda do hóquei soviético durante os anos 70 e 80. Gimaev morreu na manhã do sábado na cidade de Tula, quando sofreu um ataque do coração durante o 2* período da partida das lendas, jogo entre veteranos que costuma reunir ex-jogadores da União Soviética e da seleção russa. Gimaev foi defensor e jogou a maioria de sua carreira profissional no CSKA Moscow, sendo companheiro de lendas do esporte como Vladislav Tretiak e Valeri Kharlamov. Gamiev ganhou oito títulos russos pelo Moscow, foi treinador quando se aposentou, ganhando o europeu júnior de 1996 e era comentarista de sucesso na Rússia.

Покойся с миром, Гимаев. (Créditos: KHL)

14. Quem lhe disser que os seres humanos não tem capacidade de mudar e/ou evoluir, mostre a esse indivíduo a história de Brad Marchand que nos últimos três anos passou de peste para um dos melhores jogadores ofensivos da liga.
15. Marchand é um dos muitos nomes que são citados quando o assunto é quem merece levar o Hart Trophy nessa temporada. Mas como bem lembrou Kris Versteeg, winger do Calgary Flames, prêmios na NHL funcionam como um concurso de popularidade e ele usou um ótimo exemplo: “Por anos Shea Weber foi o melhor defensor do mundo, junto com Duncan Keith. Mas ele nunca venceu um Norris. Porque? Porque ele jogava em Nashville. Mas se ele tivesse jogado em Montreal por toda sua carreira, ele teria dois ou três Norris agora”. Esse é o principal ponto. Eu penso que o Hart deve ir para Sidney Crosby e não dizendo aqui que o mesmo não merece, ele vem tendo uma belíssima temporada mas talvez tenha alguém novo (Connor McDavid) ou barbado (Brent Burns) que mereça um tantinho mais. De qualquer forma, essa será uma bela briga.

16. Obviamente, o assunto da última semana no hóquei foi a decisão da seleção feminina de hóquei no gelo americana boicotar o mundial desse ano que será disputado em solo americano na cidade de Plymouth, estado de Michigan. Em comunicado divulgado na manhã da última quarta, Hilary Knight (estrela americana e considerada melhor jogadora do mundo) citou como motivo: “Nós pedimos por suporte igual nas áreas de compensação financeira, desenvolvimento de jogadoras jovens, equipamento, gastos com viagens, acomodações nos hotéis, alimentação, staff, transporte, marketing e publicidade” e encerrou a nota dizendo “Colocar a camisa americana representa o resultado de muitos anos de trabalho duro e o sacrifício que reflete seu amor pelo esporte e pelo país. Fazendo esses pedidos, estamos simplesmente pedindo que o USA Hockey cumpra com a lei.”

Créditos: Twitter / Hilary Knight

17. Essa é a melhor jogadora do mundo, representando outras grandes jogadoras, “pedindo” para serem reconhecidas e bem pagas, ou seja, pedindo por uma obrigação.
18. Pesquisando sobre o assunto pude notar que as dificuldades que essas e muitas outras jogadoras passam são no mínimo pertubadoras. Alguns exemplos: Em 17 anos, o USA Hockey nunca pagou as jogadoras do elenco. O prêmio anual de melhor jogadora americana de hóquei no gelo leva o nome de um homem. O USA Hockey tem um programa milionário para desenvolver os jovens jogadores mas não tem para desenvolver as jovens jogadoras. As jogadoras que participam do programa americano olímpico de preparação recebem 6 mil dólares por…

… 4 anos.

São 4 anos de preparação física, técnica, psicológica para jogar o melhor e mais lindo esporte do mundo e essas mulheres recebem 125 dólares por mês. Jeez.

19. Uma guerra de notas e notas foi travada entre jogadoras e USA Hockey, guerra essa que pode ser resumida nesse tweet de Hilary Knight

19b. Atualizando: As negociações entre ambas as partes parece estar andando, veremos. O mundial começa em 11 dias.

20. Que no fim, todas as atletas recebam o que merecem e o que trabalham duro para conquistar. Respeito e igualdade não é presente, é direito. #BeBoldForChange

20b. Parabéns ao Buffalo Beauts, 2* campeã da Isobel Cup!

20c. Capitals, Blue Jackets e Blackhawks já garantiram presença nos playoffs. Faltam 13. 

Stanley Cup. And nothing else matters. (Créditos: NHL)

Parceria LBH/Puck Brasil

Olá amigos e amigas! Depois de um longo e doloroso inverno (com uma mudança de casa no meio) podemos dizer que as coisas voltaram ao normal (seja esse normal qual for) na vida do seu disco falante. Faltam menos de 30 dias para a temporada regular da NHL acabar e para chegarmos no seu destruidor de mentes preferido, os playoffs! Mas nesse post a conversa é outra.

Na última sexta-feira, dia 10, este nobre espaço teve o prazer de anunciar oficialmente a parceria que fizemos com a BR Hockey, empresa que gerencia a Liga Brasileira de Hóquei sobre patins em 2017 e a Liga Brasileira de Hóquei no Gelo a partir de 2018. O Puck Brasil é o terceiro blog sobre hóquei brasileiro a fazer parceria com a LBH/BR Hockey, depois dos amigos da NHL Brasil e do Loucos pela NHL. Somos também o 1* blog das regiões norte, nordeste e centro-oeste a fazer esta parceria. 

Para nós que fazemos o Puck Brasil, antes mesmo de ser uma grande honra, é uma enorme responsabilidade, falarmos sobre o esporte que amamos sendo praticado dentro de nosso país é uma responsabilidade que recebemos de braços e mentes abertas.

Nossa ideia é ser mais um canal pelo qual os amigos e amigas possam acompanhar a Liga Brasileira de Hóquei, produziremos materiais especiais falando com representantes dos times, jogadores, treinadores, torcedores símbolo e algumas outras surpresas que serão reveladas durante o ano. Esperamos ter nossas primeiras entrevistas divulgadas nos próximos 10 dias, além de termos uma meta de 2-3 posts sobre a Liga Brasileira por semana.

É o nosso Puck sendo cada vez mais Brasil!

Mateus Luiz,

Criador e Editor-chefe do Puck Brasil.

20 Minutos – Edição 12 – Especial Trade Deadline (Parte 1)

​O tempo de trocar passou, como brinquei no twitter na manhã da quarta feira da deadline, seu GM pode ter acabado o dia como gênio ou burro ou os dois ao mesmo tempo. E apesar de nem todos os nomes ventilados terem sido trocados (a culpa disso é sua: Joe Sakic), foram dias divertidos. Esse 20 Minutos será mais curto que o habitual e será o primeiro de uma série de três falando sobre a deadline. No de hoje, falaremos sobre as trocas que só envolveram draft picks. O 2* falará sobre trocas que envolveram múltiplos jogadores e draft picks. E o 3* falará sobre as impressões que esse pobre homem teve da trade deadline. Nessa série, falaremos sobre as 31 trocas mais relevantes entre os dias 04/02 e 01/03. Vamos nessa!

1. (04/02) Vernon Fiddler para o Nashville Predators (4* round pick em 2017 para o New Jersey Devils)

Fiddler é um produto do próprio Predators. Gols não são sua especialidade apesar de ter passado dos 10 nas últimas duas temporadas (13 em 14-15, 12 em 15-16), mas também é verdade que o veterano vem tendo a pior temporada da carreira em porcentagem de chutes certos (4.7%). Fiddler é o clássico quarta linha que pode jogar entre 12/13 minutos por partida e pode certamente ajudar em um setor: faceoffs. Em sua carreira, ele nunca ficou abaixo dos 50% em faceoffs além de quase 80% dos faceoffs que disputa serem na zona defensiva ou neutra em situações de 5vs5. Negativamente, com Fiddler no gelo em ocasiões de 5vs5 sua equipe toma quase 2+ gols do que produz a cada 60 minutos e tem uma porcentagem de chutes certos abaixo dos 4%. Fiddler pode ganhar um faceoff importante mas também pode ser esmagado na sua zona defensiva e produzir virtualmente nada no ataque.

Fiddler pode ajudar muito na última linha ofensiva do Predators. (Créditos: Nashville Predators)

2. (20/02) Michael Stone para o Calgary Flames (3* round pick em 2017 e escolha condicional de 5* round em 2018 para o Arizona Coyotes)

O defensor não é desconhecido de Brad Treliving, GM do Calgary Flames. Como GM assistente do Arizona Coyotes, Treliving foi que escolheu o defensor no draft de 2010. Stone também já é acostumado a cidade de Calgary, onde jogou e foi estrela nos juniors jogando pelo Calgary Hitmen. Stone teve uma ótima temporada em 15-16 fazendo par defensivo com Oliver Ekman-Larsson, alcançando a melhor marca de sua carreira em pontos com 36 em 75 jogos, mas a combinação lesão grave no joelho + jogando no Coyotes prejudicou a temporada do defensor. Se ofensivamente Michael Stone não é nenhum Brent Burns da vida, defensivamente o mesmo também não é um desastre apesar de jogar no time que jogou. Em mais de 800 minutos no gelo em ocasiões de 5vs5, sua equipe produz meio gol a mais que toma a cada 60 minutos de 5vs5, além de seu PDO (soma da porcentagem de defesas do goleiro e da porcentagem dos chutes certos que seu time dispara enquanto determinado jogador – nesse caso, Stone – está no gelo) estar acima dos 102%. Jogando em Calgary como o 4* defensor da equipe, Stone é uma adição pontual.

Stone chegou e já ajudou o Flames a melhorar sua defesa. (Créditos: Real Sports)

3. (23/02) Ron Hainsey para o Pittsburgh Penguins (2* round pick em 2017 + Danny Kristo para o Carolina Hurricanes)
Hainsey já foi um defensor ofensivo apesar de já ter algum tempo. Entre 2006 e 2009, Hainsey marcou mais de 30 pontos na temporada, contudo, o defensor não passa dos 20 pontos desde 2010-2011 quando ainda jogava no finado Atlanta Trashers (que descanse em paz). Apesar de não ser prolifico ofensivamente, Hainsey é um defensor que pode tranquilamente passar dos 20 minutos (juramos que não é um trocadilho com nossa coluna) por partida. De 2006-2007 até a temporada atual, apenas em 10-11 o defensor não acumulou média de tempo no gelo acima dos 20 minutos, Hainsey também acumulou uma porcentagem de corsi (chutes disparados pelo seu time ao gol + chutes bloqueados + chutes que não chegam no gol) acima dos 50%. Hainsey (que jogou em times feios durante a carreira) sempre teve problemas em sua zona defensiva, desde 11-12 que em ocasiões de 5vs5 com o defensor no gelo, o seu time sempre toma mais gols que marca. Nessa temporada, a cada 60 minutos de 5vs5 com Hainsey no gelo (lembremos, ele jogou 56 partidas pelo Hurricanes) seu time tomou pelo menos um gol a mais que marcou e seus companheiros tiveram uma porcentagem de chutes certos abaixo dos 6%. Essa aquisição foi feita muito por conta das lesões que os defensores Trevor Daley, Kris Letang e Olli Maataa sofreram, além de ser importante ter depth nos playoffs. Apesar de nunca ter jogado depois da 2* semana de abril, Hainsey já tem mais de 900 jogos na liga e não deve sentir tal pressão.

O veterano Hainsey chega para compor o sistema defensivo do atual campeão para a defesa de Lord Stanley. (Créditos: NHL)

4. (24/02) Patrick Eaves para o Anaheim Ducks (Escolha condicional de 2* round de 2017 para o Dallas Stars)
Antes de 2016-2017, Patrick Eaves só tinha marcado mais de 15 gols uma vez em sua carreira: Sua temporada de rookie em 2005-2006 quando marcou 20 gols. E eis que 11 anos depois, Eaves volta a alcançar tal marca. O garoto de Calgary com certeza pode ser considerado um belo canivete suíço nessa temporada. Eaves marcou 8 gols e 19 pontos em ocasiões de 5vs5 e no powerplay teve ainda mais destaque: Em 174 minutos de tempo no powerplay, Eaves marcou 10 gols em 37 chutes a gol, 27% de acerto. Em comparação com o glorioso e amado Alexander Ovechkin, a arma moderna no powerplay, tem 11 gols em 74 chutes com 226 minutos de PP time, 14.8% de acerto. Eaves não compromete as coisas na zona defensiva, pode produzir gols jogando na 2* ou na 3* linha, além de ter longas caminhadas nos playoffs com o Senators (chegou a Stanley Cup Final em 2007) e Hurricanes (chegou as finais da conferência leste em 2009).

O homem das barbas foi a única aquisição do Ducks na janela de trocas. (Créditos: Fansided)

5. (24/02) Tomas Jurco para o Chicago Blackhawks (3* round pick em 2017 para o Detroit Red Wings)
Jurco é um winger talentoso que ainda não embalou na NHL. Em 18 partidas na temporada, Jurco ainda não marcou um ponto e só tem 15 gols em 159 jogos na liga. Apesar da baixa produção, Jurco é jovem e uma mudança de cenário pode o ajudar a achar seu caminho na liga. E estando em um dos times que mais produz ofensivamente na liga, a aposta é válida.

Jovem e talentoso, na torcida que a mudança de clube faça sua carreira decolar, parte 1. (Créditos: Getty Images)

6. (27/02) Teemu Pulkkinen para o Arizona Coyotes (Futuras considerações para o Minnesota Wild)

Pulkkinen vive o mesmo dilema de Jurco com algumas diferenças. Pulkkinen era uma das maiores esperanças da base do Red Wings. Nas temporadas 13-14 e 14-15, o right winer marcou 65 gols em 117 partidas jogando na AHL (última liga profissional norte americana de desenvolvimento antes de chegar na NHL) e muitos achavam que o winger seria uma das novas estrelas da liga. Infelizmente, Pulkkinen não conseguiu repetir o desempenho na NHL. Daí em diante, a carreira do jovem finlandês não se estabilizou, foi para as waivers algumas vezes, em uma delas sendo pego pelo Wild onde também não brilhou. John Chayka sabe que seu time não é bom e apostar nesses “talentos queimados” pode gerar bom resultados no futuro. Uma aposta nunca faz mal.

Nota do editor: Pulkkinen marcou um gol na sua estreia pelo Coyotes.

Jovem e talentoso, na torcida que a mudança de clube decole sua carreira, parte 2. (Créditos: Arizona Coyotes)

7. (28/02) Brendan Smith para o New York Rangers (3* round pick em 2017, 2* round pick em 2018 para o Detroit Red Wings)

Apesar da frustração em ter “falhado” na missão de conseguir Kevin Shattenkirk, o NY Rangers foi para o plano B em adquirir o defensor Brendan Smith. Smith chega para compor o top 4 defensivo, mover o puck e absorver entre 20-22 minutos por partida. Já faz algum tempo da melhor temporada ofensiva de Smith (13-14) e o defensor só marcou dois pontos em quase 500 minutos de 5vs5, lembrando que Brendan perdeu algum tempo por lesão. Smith é um jogador que pode ser usado nas três zonas do rink sem ser atropelado em sua defesa, apesar dos adversários conseguirem gerar mais chutes e gols que seu próprio time com o mesmo no gelo. Um problema do defensor é com o jogo empatado. Nos utilizando das famigeradas estatísticas avançadas, em 170 minutos de ocasiões 5vs5 com o jogo empatado (antes da rodada de sábado) e com o defensor no gelo, os adversários conseguiram gerar 8 chutes a mais no gol e quase um gol a mais que seu time. Em seu 1* jogo pelo Rangers, Smith começou apenas 11% de seus shifts na zona ofensiva (sua média na carreira é de 56.2%) e o Capitals gerou o dobro de disparos a gol que o Rangers quando o defensor estava no gelo. Vale ficar de olho.

Com Dan Girardi e Kevin Klein lesionados, Smith deve ter papel importante nas próximas semanas da temporada. (Créditos: Yahoo Sports)

8. (28/02) Viktor Stalberg para o Ottawa Senators (3* round pick em 2017 para o Carolina Hurricanes)

Assim como Alexandre Burrows (que falaremos no próximo 20 minutos especial sobre a deadline), Stalberg é uma aquisição que vem para ajudar em depth scoring, principalmente nas ocasiões de 5vs5. Em toda sua carreira, Stalberg nunca marcou um golzinho sequer no powerplay e isso inclui uma temporada na qual jogou 102 minutos na 2* unidade de PP do Blackhawks e só marcou duas assistências. Mas em compensação, 78 dos 80 gols marcados por Stalberg em sua carreira foram em 5vs5, incluindo uma temporada de 18 gols e 39 pontos em tal departamento (22/43 no geral) em 2011-2012. Nesta temporada, Stalberg marcou 7 de seus 9 gols no even strength com o melhor percentual de chutes certos na carreira (12.3% em 16-17 vs 8.7% na média de sua carreira) com tempo no gelo inferior a 12 minutos por partida. Pode ser uma presença física, tem números decentes na produção de chutes contra/a favor e acumula 30 jogos de playoffs nas últimas 4 temporadas incluindo uma Stanley Cup com o Chicago Blackhawks em 2013.

Produtivo no 5vs5, Stalberg pode conseguir alguns gols importantes para o Senators na busca pelo título da divisão. (Créditos: Zimbio)


9. (01/03) Steve Ott para o Montreal Canadiens (6* round pick em 2018 para o Detroit Red Wings)

Steve Ott. O homem, o mito e a lenda. Essa troca foi complicada de entender e de tentar explicar mas acredito que conseguimos. Contextualizando, o Canadiens é um time que precisava de mais poder ofensivo, jogadores que pudessem tirar algum peso das costas de Max Pacioretty, Alexander Radulov e Alex Galchenyuk. A equipe é a 13* na liga em gols 5vs5, 15* em gols feitos a cada 60 minutos de 5vs5 (2.26), 10* em chutes disparados a gol (29.8 a cada 60 minutos de 5vs5) e 11* em porcentagem de chutes certos em 5vs5 (7.58%). São números decentes mais nada ameaçador. Quando estendemos esses números para todas as ocasiões, o Canadiens fica em 13*,17*, 24* (!!!!) e 10* em tais estatísticas. Então, se Ott não produz ocasiões ofensivas, no que diabos ele pode ser útil? Cito aqui três fatores: Jogo físico, faceoffs e penalty kill. Caso o Canadiens garanta o título da divisão, provavelmente a equipe deve cruzar com Rangers ou Blue Jackets no primeiro round dos playoffs, times que podem te punir fisicamente. Apesar de não ser um indivíduo grande, Ott é um cidadão que sabe jogar fisicamente (até meio sujo em determinadas situações) sem passar do “limite”. Falando do segundo motivo, Ott nunca teve uma temporada na carreira que ele ficasse abaixo dos 50% em faceoffs vencidos (250+ faceoffs disputados) e esse atributo pode ajudar no nosso terceiro motivo. Até o início da rodada desse sábado, o Canadiens era a 5* equipe da NHL com mais tempo shorthanded (349 minutos), a 5* que mais tomou gols (44), a 7* que mais sofreu PP gols por 60 minutos (8.09 gols sofridos) e tudo isso apesar de estar em 19* na lista de chutes cedidos a cada 60 minutos shorthanded (51.5). O glorioso Ott nos últimos 5 anos foi o 49* jogador de ataque (top 25 entre centrais) que mais matou penalidades na liga com 550 minutos de PK time. Quando está matando penalidades, Montreal começa 79.1% de seus faceoffs em sua zona defensiva, já Steve Ott nas últimas SETE temporadas tem uma média de quase 85% em tal estatística. Não espere produção ofensiva de Ott, o glorioso veio pra fazer o trabalho sujo.

Nota do editor: O Canadiens venceu o NY Rangers por 4-1 nesse sábado, um dos gols nasceu de um faceoff na zona ofensiva vencido por Steve Ott e que resultou em gol de Shea Weber.

Ott, a lenda. (Créditos: Detroit Red Wings)

10. (01/03) Dwight King para o Montreal Canadiens (Escolha condicional de 4* round em 2018 para o Los Angeles Kings)
King tem características parecidas com as de Steve Ott, sendo capaz de produzir um pouco mais ofensivamente. King vem tendo sua pior porcentagem de chutes certos (9%) desde a temporada 12-13. Apesar disso, King não é o tipo de jogador que será dominado pelo seu adversário. Durante sua carreira, King sempre teve números positivos de Corsi (chutes a gol + chutes que não foram ao gol + chutes bloqueados) e fenwick (chutes a gol + chutes que não foram ao gol), sendo verdade que muito desses bons números se devem ao esquema do Kings. Assim como Ott, King pode ser usado no penalty kill e adiciona ao jogo físico da equipe de Claude Julien.

Com dois anéis de Stanley Cup, King tentará encerrar o jejum de 24 anos do Canadiens sem a Stanley. (Créditos: NHL)


11. (01/03) Jarome Iginla para o Los Angeles Kings (Escolha condicional de 4* round em 2017 para o Colorado Avalanche)

Iginla, com certeza um negão de tirar o chapéu que vem chegando no final de sua carreira. O futuro hall da fama nunca foi uma arma fora de série no powerplay (apesar de ser consistente) mas foi no 5vs5 que Iginla fez seu nome. Desde 2000, Iggy teve 12 temporadas na qual marcou 20 gols ou mais em ocasiões de 5vs5. Nessa temporada, Iginla vem tendo os piores números de sua ilustre carreira em gols, pontos e principalmente, porcentagem de chutes certos com apenas 6.7%, a média na carreira de Iginla é de 13.1%. Iginla também vem tendo os piores números da carreira em tempo no gelo por partida com 14:46, sua média na carreira é de 19:47, ugh. Mas se tem uma área que Iginla pode ajudar é produzir gols em 5vs5, o Los Angeles Kings é o 24* (!!!!) na liga em gols marcados a cada 60 minutos no even strength (1.98). E nos últimos 9 anos (entre 2007 e 2016), Iginla marcou 168 gols no 5vs5, ficando atrás apenas de Alex Ovechkin, Corey Perry, Phil Kessel e Rick Nash. Em pontos, Iginla marcou 357 (atrás de Sidney Crosby, Ovechkin, Patrick Kane, Henrik e Daniel Sedin, Perry e Joe Thornton) além de ter sido o 9* em disparos a gol com mais de 1.400. Iginla não é mais o mesmo enorme jogador do passado mas ainda pode bater seus homeruns.

Nota do editor: Em dois jogos com o Kings, Iginla jogou na linha principal do time junto com Anze Kopitar e Marian Gaborik, o winger teve mais penalidades que chutes a gol.

IGGY! IGGY! IGGY! (Créditos: Yahoo Sports)


12. (01/03) Mark Streit para o Pittsburgh Penguins (4* round pick em 2018 para o Tampa Bay Lightning)

Streit é um defensor ofensivo que já marcou 62 pontos (07-08 no Montreal Canadiens) e vinha colocando sólidas temporadas até que seus números despencaram miseravelmente em 15-16 e continuaram ruins em 16-17. O que mais afetou a produção de Streit foi a queda vertiginosa de seu poder de fogo no powerplay. Em 14-15, Streit marcou 25 pontos em 272 minutos jogados de powerplay, uma média dr 5.50 pontos a cada 60 minutos de PP. Esses números despencaram para 7 pontos em 15-16 e 7 pontos em 16-17 antes de jogar no Penguins. Entre 2007 e 2016, Streit foi o 3* defensor na NHL com mais pontos no powerplay com 170, perdendo apenas para Andrei Markov e Mike Green. Também foi o 4* defensor que mais deu a 1* assistência para o gol (o último passe antes do biscoito beijar a rede) com 69, ficando atrás de Markov, Keith Yandle e Erik Karlsson. Além disso, Streit foi o 3* defensor com mais PP time na liga, acumulando 2349:29, perdendo apenas para Dion Phaneuf e Ryan Suter. Assim como Hainsey, quando os lesionados voltarem, Streit pode alternar entre o 2* e o 3* par defensivo além de, em determinadas situações, participar da 2* unidade do powerplay.

Nota do editor: Em sua estreia pelo Penguins, Streit marcou um gol e deu uma assistência (no powerplay) contribuindo para o triunfo sobre o Lightning por 5-2.

Mesmo em baixa na produção, o suíço ainda pode ser perigoso no powerplay.

13. (01/03) PA Parenteau para o Nashville Predators (6* round pick em 2017 para o New Jersey Devils)
Assim como Patrick Eaves, Parenteau é outro jogador que pode ajudar a produzir gols tirando pressão da linha principal mas também pode ser colocado na linha de frente e não vai passar vergonha. Parenteau já teve 4 temporadas com 18+ gols e caminha para sua 5* mesmo tendo uma média de tempo no gelo abaixo dos 15 minutos. Apesar de ter jogado em times bem mais ou menos nesses últimos anos (o último bom time que Parenteau fez parte foi o Avalanche 13-14), Parenteau vem mantendo uma porcentagem de corsi e fenwick acima dos 50% desde 2011-2012. Parenteau vem mantendo sua média de chutes certos ao gol (11.9%), além de ter números satisfatórios no 5vs5 com 1.61 pontos a cada 60 minutos nessa situação. É valioso quando o jogo está empatado ou com um gol de diferença (contra ou a favor), marcando 10 gols e 20 pontos em tais ocasiões, podendo quebrar um galho no powerplay. Uma adição inteligente e barata.

PAP espera que Nashville seja a casa de sua 1* Stanley Cup. (Créditos: NHL)

14. (01/03) Drew Stafford para o Boston Bruins (Escolha condicional de 6* round em 2018 para o Winnipeg Jets)

Stafford já teve temporadas mais gloriosas que 2016-2017. Já tendo marcado mais de 20 gols por 4 temporadas em sua carreira, Stafford vem vivendo sua pior temporada ofensiva. Seu tempo no gelo caiu 4 minutos de 15-16 para 16-17, além de estar com a pior porcentagem de chutes na carreira com 5.9%, 5 pontos percentuais abaixo de sua média histórica na liga. Se levarmos para ocasiões de 5vs5, Stafford (antes da rodada desse sábado) só marcou dois gols em 54 chutes com 448 minutos de 5vs5, são pavorosos 3.70% de chutes certos, uma queda de quase 5% da temporada passada. Stafford também está começando menos shifts na zona ofensiva e com ele no gelo, seu time produzia menos de dois gols por 60 minutos de 5vs5, sem ele o time marcava quase 3. Vale a pena ficar de olho.

Em má fase no Jets, Stafford pode reviver sua carreira em um dos maiores times da liga. (Créditos: NHL)

15. Passando a régua nessa análise numerológica, acredito que essas 14 trocas tem virtualmente a mesma chance de dar certo ou não. Michael Stone tem algumas chances de renovar com o Calgary Flames depois do draft da expansão. É difícil fazer uma análise imediata nas trocas de Jurco e Pulkkinen, tendo em vista que ambos tem talento e podem explodir mais tarde nas carreiras. Dwight King também pode ficar no Canadiens por algum tempo. Os outros podem mudar de casa ou se aposentar ao fim da temporada.

16. Se tudo correr bem, ainda na segunda ou terça teremos a segunda e a terceira parte dessa analise. Espero que vocês tenham gostado! 

17. Todas as stats usadas nesse post foram extraídas do site Hockeyanalysis.com

20 Minutos – Edição 11!

​1. Tá chegando aquele tempo do ano em que seu GM pode parecer o rei momo ou o bobo da corte (me aproveitando do ainda sobrevivente período carnavalesco) e nós vamos falar sobre isso e muito mais!

2. Antes de tudo, vamos falar de Stadium Series. Na noite do último sábado, o Pittsburgh Penguins bateu o Philadelphia Flyers por 4-2 e praticamente bateu um dos últimos pregos do caixão nas chances de playoffs do Flyers. Apesar de ser um evento maravilhoso, lotando de novo o estádio do mandante (quase 68 mil pessoas no Heinz Field) e o jogo ter sido interessante, a escolha da data pode ter deixado a desejar. 25/02, no meio de uma possível arrancada aos playoffs ou na busca de um posicionamento melhor e nas portas da trade deadline. O time da casa aproveita o evento de qualquer maneira (claro que é bem melhor caso vença), já o visitante que vem mal, nem tanto.

3. “Tá ficando uma desculpa velha”. E realmente está, Jakub Voracek. Claude Giroux, que teve seu nome lançado no caldeirão de rumores de troca nessa semana, não disparou um singelo chute ao gol. Giroux não marcou um golzinho nos últimos 9 jogos e o Flyers só ganhou duas dessas partidas. Perguntado se sua (falta de) produção afeta a equipe, Giroux respondeu: “Você tenta jogar bem, fazer o que te pedem pra fazer. Eu tive muitas chances mas no fim do dia, elas tem que entrar. Não temos mais desculpas.”

Se Claude Giroux não voltar a marcar, ele e seus companheiros vão amargar outro ano na fila por Lord Stanley. (Créditos: Philly Inquirer)

4. A questão é que o Flyers só tem alguma chance de playoffs se seu capitão voltar a vida ou pelo menos mostrar alguma vida. Desde a temporada 13-14, quando Giroux marcou 28 gols e 86 pontos, seus números só declinam.

Gols -> 28 em 13/14, 25 em 14/15, 22 em 15/16, 12 em 16/17

Assistências -> 58 em 13/14, 48 em 14/15, 45 em 15/16, 31 em 16/17

Pontos -> 86 em 13/14, 73 em 14/15, 67 em 15/16, 43 em 16/17

É claro que os números de Giroux podem e devem melhorar conforme a temporada se aproxima do final (se seguir suas médias nessa temporada, Giroux terminará com 16 gols e 58 pontos) mas são números baixos para alguém que chegou a ser considerado o melhor jogador da liga faz nem tanto tempo.

5. Falando em Flyers e playoffs, a caminha para a terra prometida no leste nunca esteve tão apertada em questão de vagas. Quatro times já estão virtualmente e praticamente classificados (Capitals, Penguins, Blue Jackets e Rangers) e tentando o banner da Metropolitan division. Fora uma desgraça que insiste em rondar mas ainda acho que não vai acontecer, o Canadiens também tá quase dentro. Isso abre, teoricamente, três vagas ( 2* e 3* lugar da Atlantic e o 2* Wildcard) para, matematicamente, NOVE TIMES. Tirando os times da Atlantic que naturalmente irão ocupar as seeds #2 e #3 de sua própria divisão, são 7 times com condições matemáticas de disputar apenas uma vaga.

6. Pegando gancho nisso, eis aqui o desabafo de um homem apaixonado pelo jogo: O atual formato de playoffs da NHL me deixa um tanto irritado. Só como informação: Se o “big 4” da divisão Metropolitana seguirem o “lógico”, teremos pelo menos um time de campanha com 100+ pontos e 45+ vitórias caindo fora ainda no 1* round. Antes dos jogos do último domingo, o 1* round dos playoffs estava assim:

Leste: Capitals x Bruins, Penguins x Rangers (DE NOVO), Canadiens x Blue Jackets e Senators x Leafs

Oeste: Wild x Blues, Sharks x Flames, Blackhawks x Predators e Oilers x Ducks

E se a NHL voltasse ao formato antigo, quando os times se classificavam (independente de divisão) de 1* ao 8* com os campeões de divisão tendo os spots 1 e 2?

Leste: Capitals x Bruins, Canadiens x Leafs, Penguins x Senators, Rangers x Blue Jackets

Oeste: Wild x Blues, Sharks x Flames, Blackhawks x Predators, Oilers x Ducks

Canadiens e Leafs. Nos playoffs. Me ajuda aí, NHL.

7. Esse 20 minutos (nota do editor: que foi escrito no domingo e que devia sair na segunda mas tá saindo na terça por conta das loucuras da deadline) ia tranquilamente sendo gerado numa noite agradável de domingo até que o Los Angeles Kings resolveu adquirir Ben Bishop, goleiro do Tampa Bay Lightning (e que deve fazer sua estreia nessa terça contra o Calgary Flames). Esse escambo mandou Peter Budaj, Eric Cernak e draft picks.

“Big Ben” já roubou jogos importantes antes, pode ele salvar a temporada do Kings? (Créditos: NHL.com)

7a. Nota do editor: Brian Boyle também foi trocado na segunda feira para o Toronto Maple Leafs.
8. Só existe um motivo para o Los Angeles Kings trocar por Ben Bishop: Não estar confiante o suficiente que Jonathan Quick esteja recuperado para o arranque final da temporada. E esse é o único motivo plausível que minha cabeça grande consegue pensar agora.

9. É valido dizer também que o Arizona Coyotes mandou Martin Hanzal, Ryan White e uma escolha de 4* round em 2017 para o Minnesota Wild por uma escolha de 1* round em 2017, uma de 2* round em 2018 e uma escolha condicional que pode se tornar um 2* round nesse ano.

9a. Nota do editor: Hanzal e White estrearam contra o Los Angeles Kings nessa segunda na vitória do Wild por 4-3 no overtime. Ryan White marcou um gol e uma assistência.

10. Não sei dizer porque Chuck Fletcher pagou por Matt Duchene e recebeu Martin Hanzal.

11. Por outro lado, John Chayka não tem medo de fazer o que ele pensa ser melhor para sua franquia. Mas por um outro outro lado, Chayka conseguiu deixar Shane Doan visivelmente irritado quando o mesmo falou sobre a troca de Hanzal. Nem tudo é flores no reino do deserto.

12. Voltando ao Lightning, é difícil achar um GM na liga mais frustrado que Steve Yzerman (QUE HOMEM!). Ele tem um roster que nas últimas duas temporadas foi para a Stanley Cup Final e para o jogo 7 da final da conferência leste e que, pelo menos no papel, conseguiria fazer isso de novo. E aí vem ela, a realidade. Lesões, desempenhos abaixo do esperado e o Lightning se encontra longe da zona dos playoffs em uma aberta divisão Atlântica, estando hoje na encruzilhada de pensar em 17-18 ou ainda tentar uma arrancada pelos playoffs. No presente, a saída de Ben Bishop era inevitável e apesar do preço recebido não ser nem de longe aquilo que Yzerman poderia ter recebido, a possibilidade de o perder por nada na free agency era mais assustadora. Agora a chave do reino está com o russo Andrei Vasilevskiy.

Um dos GM’s mais respeitados do jogo, Yzerman precisará ser criativo para manter seu Lightning como um dos melhores times da liga. (Créditos: The Hockey Writers)

13. Com os dilemas Bishop e Brian Boyle resolvidos, Yzerman hoje enfrenta um problema bem mais cruel que trocar duas peças importantes de seu recente sucesso: o salary cap. Quando a temporada acabar; Ondrej Palat, Jonathan Drouin e Tyler Johnson precisarão de novos (e provavelmente gordos) contratos. Além desses contratos, a extensão enorme (e merecida) de Victor Hedman também valerá assim que essa temporada acabar. É por isso que Yzerman já começa a procurar uma casa nova para Valtteri Filppula (receberá 5 milhões de Trumps até 2018) mesmo que trocar Filppula lhe custe um de seus melhores prospects (You know Steve Y, just call John Chayka). Mas se Yzerman pudesse, ele adoraria trocar o pavoroso contrato do winger Ryan Callahan. “Cally” tem um contrato de 5.8M de Trumps até 2019 (OUCH) e como desgraça pouca é bobagem, Callahan vem em um declínio pertubador (4 pontos em 18 partidas) e acabou de sofrer uma lesão que o tirou da temporada. You know what to do, Steve Y.
14. Ser general manager é um dos trabalhos mais complexos do mundo esportivo. E em dias de trade deadline, é mais complexo ainda. Semana passada o Yahoo Hockey publicou uma matéria sobre como é ser GM no dia da trade deadline e eles ouviram Jim Rutherford (GM do Penguins), Brad Treliving (GM do Calgary Flames) e Don Waddell (presidente do Carolina Hurricanes). E do conjunto das respostas, pude extrair três coisas: 1. Se for pra trocar, tenha confiança e principalmente, tenha certeza do que você está fazendo. 2. Como Brad Treliving costuma dizer “Estamos lidando com pessoas reais, não com jogos de fantasy”. Os três ouvidos garantiram que esse é o dia mais emocional da temporada. E 3. No fim do dia, o que todos GM’s querem melhorar seus times.

15. Se Joe Sakic conseguir por Matt Duchene e Gabriel Landeskog menos do que John Chayka conseguiu por Martin Hanzal, é demissão sumária.

16. Durante esse 20 minutos e essas trocas, eu me perguntei se dá pra mudar ao extremo ou conseguir um reforço que realmente mude tudo e consequentemente te leve para a conquista da Stanley Cup. Por isso, voltamos até 1994 e veremos quem os campeões daquele ano até 2016 adquiriram entre fevereiro e o dia da deadline.

1994 Rangers: Stephan Matteau, Brian Noonan, Glenn Anderson, Scott Malone e Craig MacTavish.

1995 Devils: Neal Brotten, Shawn Chambers e Danton Cole.

1996 Avalanche: Dave Hannan

1997 Red Wings: Larry Murphy

1998 Red Wings: Jamie McCoun

1999 Stars: Doug Lidster, Blake Sloan, Benoit Hogue, Derek Plante

2000 Devils: Deron Quint, Alexander Mogilny

2001 Avalanche: Rob Blake, Steve Reinprecht

2002 Red Wings: Jiri Slegr

2003 Devils: Richard Smehlik, Grant Marshall

2004 Lightning: Stan Neckar

2006 Hurricanes: Mark Recchi

2007 Ducks: Gerald Coleman, Doug O’Brien

2008 Red Wings: Brad Stuart

2009 Penguins: Chris Kunitz, Eric Tangradi, Andy Wozniewski, Bill Guerin

2010 Blackhawks: Kim Johnsson, Nick Leddy, Danny Richmond, Hannu Toivonen, Nick Boynton

2011 Bruins: Chris Kelly, Rich Peverley, Boris Valabik, Tomas Kaberle, Stephane Chaput, David Laliberte, Anton Khudobin

2012 Kings: Jeff Carter

2013 Blackhawks: Michal Handzus, Kirill Gotovets, Maxime Sauve

2014 Kings: Steve Qualier, Marian Gaborik

2015 Blackhawks: TJ Brennan, Antoine Vermette, Andrew Desjardins

2016 Penguins: Justin Schultz

Jeff Carter é uma das (poucas) provas que sim, seu time pode arrumar o cara certo no último mês de trocas e caminhar para a Stanley Cup. (Créditos: Russian Machine Never Breaks)

17. Algumas observações sobre essa lista: Matteau, Noonan e Anderson foram importantes na conquista da copa do Rangers (MATTEAU! MATTEAU! MATTEAU! STEPHANE MATTEAU!) mas a franquia pagou o preço por ter trocado tantos jogadores jovens e ficou “irrelevante” por algum tempo. Neal Brotten marcou um dos gols mais importantes da história do Devils (OT winner no jogo 4 do 2* round vs Penguins), Larry Murphy foi o motor ofensivo do 2* par defensivo no bicampeonato do Red Wings em 97/98, Alexander Mogilny era um dos melhores scorers do Devils não chamado Jason Arnott/Patrik Elias/Petr Sykora, Rob Blake formou o “big 3” junto co. Ray Bourque e Adam Foote na conquista do Avs de 2001, Mark Recchi jogou na linha de Rod Brind’Amour na cup run de 2006, Chris Kunitz está no Penguins até hoje, Chris Kelly/Rich Peverley/Tomas Kaberle tiveram papel secundário na conquista do Bruins, Jeff Carter e Marian Gaborik tiveram quase o mesmo papel nas cup runs do Kings e Justin Schultz é parte importante da defesa do Penguins.

18. Respondendo o questionamento: Até pode acontecer mas é bem provável que não vá. O jogador adquirido na deadline tem de ser a cereja do bolo e não o fermento.

19. Tantas trades aconteceram no meio desse 20 Minutos que teremos um especial só sobre a deadline.

20. John Carlson – Kevin Shattenkirk – Alex Ovechkin – Nicklas Backstrom – TJ Oshie. Que powerplay. Consigam essa copa pro russo, Capitals.

1460 vezes Obrigado!

1460 vezes Obrigado!

Alex Ovechkin ama o Puck Brasil!

​1460 dias de uma bela jornada.
Esse post foi escrito originalmente em outubro de 2013 quando a versão antiga do Puck Brasil completava 200 posts em apenas oito meses de existência e aquele escrito tinha o nome de “8 meses e 200 posts depois, como vejo a NHL?”. Esse post de comemoração dos quatro anos desse belo Puck, eu acabei ficando sem internet no sábado anterior a data e aproveitei a oportunidade para arrumar a bagunça de minhas gavetas e achei esse papel aqui:

Post antigo: Parte 1. (P.s: Ô LETRA FEIA)

O post dos “8 meses” nasceu no meio do primeiro semestre da minha faculdade de turismo (!!) com meus 18 anos (!!) e uma visão de mundo, de vida e de NHL completamente diferente da qual tenho hoje. Esse post vai falar sobre hóquei mas provavelmente vai falar também sobre a vida. E talvez não só a minha.
“E realmente, era do mesmo jeito que eu imaginava. Super espetacular! As super estrelas, os jogos equilibrados, as pessoas que garantem os carnês com os ingressos mesmo com 3-4 meses de antecedência, os narradores que transmitem a emoção dos jogos, a história diferente por trás de toda partida, as grandes defesas, os golaços, as brigas (também fazem parte do jogo…) e todo o universo que rodeia a liga. Mas o que me levou a escrever sobre o assunto foi, além de tudo isso, foi ver que não tinha nenhum blog especializado em falar sobre hóquei…”

Eu nunca agradeci tanto a Deus por estar errado sobre algo, nesse caso, a última frase, mas vamos começar do começo.

Eu continuo apaixonado por quase todos os elementos que envolvem não só a NHL mas o esporte em si. As super estrelas continuam sendo aqueles que me fazem ficar com os dedos e mente nervosa pra tuitar alguma coisa ou elaborar algum material. Mas não só o que eles fazem no gelo me surpreende, o trabalho social que a maioria faz fora do gelo é algo que é espetacular, não só na NHL mas em todas as ligas em geral. Sobre os jogos equilibrados: A maioria é, mas como diz o poeta, atire a primeira pedra aquele que nunca quer um blowout de vez em quando. Eu continuo amando o fator “torcedor” ser um fator que de alguma forma mude o curso de um jogo ou uma série de playoffs. A paixão que todos tem pelos seus times foi uma das primeiras coisas que amei no jogo e segue sendo algo que move esse pobre homem a continuar escrevendo. Eu tinha problemas em entender porque dois homens barbados precisavam resolver suas diferenças trocando carinhos no meio do gelo. Até hoje eu confesso não gostar muito das brigas, mas digo que entendo e afirmo: As brigas no gelo definem o que melhor (e de pior, em alguns casos) temos em nós. Usando novamente a licença poética: Que atire a primeira pedra aquele que nunca desejou, ainda que isso seja BEM errado, puxar alguém pela gola camisa e trocar gestos de carinho.

Falei no começo dessa parte que nunca estive tão feliz em estar tão errado, de fato eu estava. Os seres humanos (pelo menos os que eu conheço) tem um espírito enorme de pioneirismo. De fato, devo dizer que já existia muita gente boa que falava sobre hóquei aqui no Brasil bem antes daquele dia 15/10/2013 e devo pedir desculpas aqueles que eu, em minha inocência e falta de sabedoria, acabei “apagando” a existência sobre a cobertura do esporte. Se homens e mulheres como eu e meus amigos e amiga que fazem parte do Puck Brasil falam sobre hóquei aqui, em alguma parte isso se deve ao trabalho e, principalmente, ao amor que vocês tinham/tem ao esporte. Assim como espero que num futuro distante, alguém possa dizer que esse nobre e humilde espaço possa ter inspirado alguém de alguma forma. Aos mestres pioneiros, nossos agradecimentos. (P.s: acho que posso dizer que fui o primeiro nordestino – até a presente data – que tem um blog que fale somente sobre hóquei e isso me faz bem feliz)

“Com o passar do tempo, o blog foi ficando menos arcaico, fazer os posts se tornou muito mais fácil (ou menos difícil já que não sou nenhum especialista no assunto), conheci pessoas que também viviam o hóquei na mesma maneira que eu, passei a entender muito mais sobre o esporte e principalmente, ama-lo”.

Post antigo, parte 2. (P.s: A LETRA SEGUE FEIA)

Novamente, this poor man is: WRONG. O blog nunca esteve do jeito que eu queria, apesar de ter melhorado muito durante esse tempo, ainda precisamos melhorar bem mais. Diferente do que escrevi naquela manhã de terça, escrever pro Puck se tornou algo mais complexo. Com o passar dos dias e semanas e meses e anos, é natural que você passe a conhecer mais o esporte, mas o (belo) problema de escrever sobre algo que você (pensa que) entende é que: tem alguém que sabe mais do que você. E não só isso, as criticas evoluem conforme o passar do tempo e você passa a nunca estar completamente satisfeito com aquilo que você produz. E isso é, pelo menos pra mim, lindo. A parte mais positiva das observações construtivas (e acredite, até das destrutivas) é que elas lhe dão uma oportunidade de evoluir, seja nos seus estudos sobre o esporte ou sua forma de colocar esses pensamentos. É isso que dá vontade de levantar todo dia tentando melhorar, seja qual for a face da vida.
Ah, eu continuo não me achando um especialista de nada. Sou um jovem recifense que ama um esporte e que graças a Deus (e a internet) tem um espaço de escrever umas palavras sobre o que ele ama.

Sobre as pessoas, eu continuo achando que essa foi a parte que mais me trouxe alegria nesse tempo de Puck Brasil. Alguém disse uma vez (infelizmente não recordo o autor de tal frase) que o importante não é o quanto você ganha na vida mas as pessoas que você conhece. Eu, graças a Deus e ao @PuckBrasil1 pude conhecer pessoas maravilhosas e que pude desenvolver uma boa amizade ao longo de todo esse tempo. São por essas pessoas que esse espaço foi criado e existe até hoje. Quando o disco laranja nasceu (acredite, Disco Laranja foi o primeiro nome que pensei para o Puck Brasil), eu sempre quis que ele fosse um espaço no qual as pessoas pudessem participar de sua criação de materiais, do debate em nossos espaços e na divulgação da nossa palavra para o mundo.

“Minha visão da NHL hoje? A mesma de 1 ano, 2 anos atrás. Todo esse universo que a engloba se tornou especial demais pra esqucer, a liga continua equilibrada, os veteranos, os rookies explosivos…; em 8 meses eu vivi minha 1* temporada, meus 1* playoffs, 1* draft, a saudade do tempo sem jogos e a alegria de sua volta. E agora neste 200* post, gostaria de agradecer a todos que leem o Puck Brasil e que nós possamos ficar juntos por mais 200 posts!”

Hoje eu posso dizer que muita coisa mudou entre 15/10/2013 e 15/02/2017. Eu envelheci 4 anos, mudei radicalmente de faculdade e a forma que eu penso a vida, pensei em acabar as atividades do Puck por mais de 10 vezes, me viciei ainda mais em café e outros causos que só este post não seria capaz de contar. Mas uma coisa posso afirmar que segue a mesma: Eu sigo amando esse esporte como amo meus melhores amigos ou como amo minha futura profissão. Realmente, esse universo é bom demais pra esquecer. Digo mais, esse universo cruzou com meu universo “Não Puck Brasil” (acredite, existe um homem behind the puck e ele tem vida própria, HOW ABOUT THAT?!?!) e não sei dizer quando um começa e o outro acaba. Costumo dizer para amigos e amigas mais próximas que eu sou um veterano que vive assinando contratos de um ano com valor mínimo para seguir na liga. Eu sigo amando o que faço, sigo me divertindo muito em escrever, pensar coisa nova e conhecer gente nova, nesses quase quatro anos dá pra dizer que nunca estive tão feliz por estar aqui. E enquanto esse pobre homem estiver feliz (e enquanto os nossos leitores e leitoras seguirem conosco), o Puck seguirá aberto. Para encerrar essa parte, utilizo duas frases do grande Mike “Doc” Emrick, o maior narrador de hóquei que vi e ouvi na vida. Quando foi indicado ao Hall da Fama americano do esporte, ele disse que “uma pessoa é sortuda quando Deus lhe concede um trabalho que ela aproveite” e depois, em entrevista ao quadro “Real Sports” da HBO, disse “Eu sempre quis um trabalho divertido e eu o queria muito. Se você quer muito conquistar algo, por que não ir atrás?”. Esse é o “trabalho” mais divertido do mundo e eu sigo o querendo muito.

Jesus with a great glove save!

Por último, acredito que o parabéns pelos 4 anos não cabe só a mim. Gostaria de extender as congratulações e agradecimentos a Deus (POR FAVOR DEUS, FAZ MEU FLAMES GANHAR A COPA), a minha mãe (que mesmo não entendendo nada e nem gostando de esportes, nunca limitou meu trabalho) e aos amigos e amiga: Thiago Farias, Andoni Campos, Beatriz Castelo Branco (GRANDE PIPIUCOTA), Matheus Nascimento, Erlan Valverde, Lucas Mendes, Mattheus Prudente, Rafael Carvalho e Rodrigo Souza que fazem parte da equipe do Disco Laranja. Além dos amigos e amigas que sempre nos ajudam com alguma dica ou uma força quando precisamos. Por último: Parabéns e obrigado pro amigo leitor e pra amiga leitora, o verdadeiro dono do Puck Brasil.

Que nós possamos ficar juntos por mais 1460 dias.

20 Minutos – Edição 10!

20 Minutos – Edição 10!

1. Aula em janeiro é lamentável.

2. Leia a número 1.

3. Graças a Gretzky, estamos de volta! Janeiro foi conturbado, complicado e de tempo 0 pra escrever essa coluna e sobre o esporte em geral. Mas cá estamos, entrando no mês de comemoração dos 4 anos do Puck Brasil e estamos cheios de energia. Muita coisa boa irá acontecer.

4. Algo que não mudou depois das aulas em janeiro: O Colorado Avalanche continua ruim. E eu não falo ruim de ruim, falo ruim de horrendo. Desde a metade de novembro (do eterno ano de 2016), o Avalanche jogou 31 partidas e perdeu VINTE E SETE. Desde 19/12, o Avalanche não ganha uma partida no regulation time, tendo o singelo recorde de 0-17 nesse período. Man, is this bad?

Joe Colborne foi uma das muitas contratações do Avalanche que não deram certo. (Créditos: Colorado Avalanche)

5. Tudo bem, quando Patrick Roy pulou (quase literalmente) do barco em agosto, já podíamos esperar uma temporada complicada mas não um desastre tão desastroso (pedindo perdão pelo pleonasmo usado). Baseada na porcentagem de pontos conquistados por pontos disputados, o Avalanche de 2016-2017 caminha para ser o pior time da NHL desde o Atlanta Trashers de 1999-2000. O detalhe é que essa foi a primeira temporada do querido e finado Trashersão da massa que hoje é o Winnipeg Jets.
6. Tanta derrota seguida acaba com a confiança de qualquer um. O media day de Nathan MacKinnon no All-Star Game foi uma mistura de Saturday Night Live e uma visita ao analista. É por isso que eu não acredito (não piamente) que exista um tank descarado na NHL. Por pior que seu time seja (o que não é, pelo menos no papel, o caso do Avalanche), você perde porque é pior que seu adversário e não porque “quer” perder.

7. Última sobre o Avalanche: A trade deadline será divertida dependendo do que Joe Sakic consiga arrumar. É um dos piores segredos da liga que o Avalanche precisa (DE-SES-PE-RA-DA-MEN-TE) de um defensor que defenda, com o perdão do pleonasmo. “Super Joe” sabe que não conseguirá isso com Rene Bourque, Fedor Tyutin ou Jarome Iginla (que nessa semana já pediu ~ DELICADAMENTE ~ para ser trocado). Sobram, em tese, Matt Duchene e Gabriel Landeskog.

8. Sobre o ASG: Não pude acompanhar a semana como eu gostaria mas foi bom ver Wayne Simmonds levar o MVP. Infelizmente a liga ainda tem poucos jogadores negros. Acredito que isso mudará um dia e serei um fã mais feliz quando isso acontecer. Hóquei é para todos.

De origem humilde, Simmonds é a prova viva de que o esporte é para todos. (Créditos: NHL.com)

9. Ainda sobre o ASG: Ilya Brzygalov cobriu o fim de semana das estrelas para o site “The Players Tribune” e como tudo que Bryz faz, foi espetacular. Me aproveitando desse momento, quero dividir com os amigos e amigas o pensamento mais espetacular que já ouvi sair da boca de um jogador de hóquei. Bryz + universo = Don’t worry, be happy.

10. Fevereiro é o mês oficial do projeto “You can play” na NHL, um projeto que visa criar mais visibilidade para a comunidade LGBTQ na liga e no esporte como um todo, assim como o combate ao preconceito contra negros, mulheres e pessoas em situação econômica ruim. A NHL definiu esse mês como “O Hóquei é para todos”. A NHL, apesar de ser a única liga americana que ainda não teve/tem um jogador assumidamente homossexual (todas as outras tiveram pelo menos dois), é também a liga que mais apoia e dá visibilidade a comunidade LGBTQ no esporte. Durante esse mês também teremos o “You can play night” em todos os times da liga e cada um terá seu representante. Entre os nomes estão Gabriel Landeskog, Claude Giroux, Henrik Sedin, Dustin Brown, Dion Phaneuf e o atual Vezina winner Braden Holtby.

11. E então chegamos a nossa controvérsia. Andrew Shaw será o representante do Canadiens nesse mês. Para quem não lembra, Shaw foi suspenso nos playoffs de 2016 por conta de um xingamento homofóbico proclamado pelo mesmo nos momentos finais do jogo 4 contra o St. Louis Blues. Então por isso a surpresa (e irritação) de muita gente na escolha do Canadiens pelo jogador, o mesmo afirmou que se ofereceu para ser o representante da franquia. Em entrevista depois dos treinamentos de sexta, Shaw disse: “Eu quero ajudar o máximo que eu puder, usar o meu passado, mostrar para as pessoas e lhes dizer do poder que as palavras possuem. Eu quero que todos sejam eles mesmos e que se sintam confortáveis com quem eles são, porque eu penso que o único caminho de ser feliz é quando você está confortável consigo mesmo e está confortável com quem você é. É isso que eu quero, eu quero que todos estejam felizes. Eu quero que todos sejam eles mesmos. Eu odeio ver pessoas com medo, que não querem expressar quem elas são e o que elas sentem”.
11b. Andrew Shaw: “Eu usei uma palavra que nunca deveria ter usado. É uma palavra que é usada por anos e as pessoas precisam saber que isso não é certo. Essa é uma palavra que machuca muitas pessoas. Eu penso que o mundo precisa saber disso. Penso que todos nós devíamos nos colocar e tratar as pessoas da forma que elas querem ser tratadas”.

12. Eu sei que muitas pessoas lerão isso e pensarão que Shaw só quer limpar sua imagem e que não se arrependeu, está fazendo a famigerada média. O que é um pensamento justo e compreensível. Mas deixe-me apresentar um outro lado. Todos, por mais liberais ou conservadores que possamos ser e independente da forma que pensamos e vivemos nossas vidas, todos falamos coisas que já nos arrependemos e que desejamos não ter falado. Talvez não com a mesma gravidade do que Andrew Shaw fez, mas todos já cometemos esse erro. E não adianta dizer que isso nunca lhe aconteeu, ao fazer isso você mente para si mesmo. Também é verdade que todos e todas temos a oportunidade de aprender com os erros que cometemos, amadurecer e não os cometer amis. Afinal, porque a NHL faria um mês de inclusão LGBTQ se um dos objetivos não fosse transformar a visão das pessoas? É verdade, as palavras ditas por Shaw no penalty box do United Center no final do jogo 4 contra o Blues não serão (e nem devem) ser esquecidas. Como minha mãe costuma dizer, as palavras machucam bem mais que uma agressão física e com certeza, as palavras de Shaw machucaram muita gente. Mas também é verdade que toda VERDADEIRA (destaco o verdadeira aqui porque o tempo dirá se o que Shaw está fazendo é de coração ou apenas um puro marketing positivo) mudança parte de um verdadeiro arrependimento. E se todos erramos, todos podemos nos arrepender (verdadeiramente) desses erros e todos merecemos uma segunda chance. E isso, gostemos ou não, inclui Andrew Shaw.

13. Patrick Marleau se tornou na última quinta (02/02), o 45* jogador na história da NHL a marcar 500 gols. A liga já teve mais de 7.500 jogadores em sua história que já disputaram pelo menos uma partida, seja de playoffs ou de temporada regular. Apesar de não ser apreciada por todos, fazer muitos gols nessa liga é uma obra de arte, quase divina. Em quase 100 anos de história, apenas 197 jogadores marcaram 300+ gols, 141 marcaram 350+, 93 fizeram 400+ gols, 60 brocaram 450+ vezes, 45 fizeram 500+, 27 fizeram 550+, 19 fizeram 600+ gols, 13 fizeram 650+, 7 fizeram 700+ e apenas Gretzky, Howe e Jagr ultrapassaram a barreira dos 750 gols. Brincando com a estatística: O 250* jogador que mais marcou gols na história da NHL foi Brenden Morrow com 265 gols em 16 anos de carreira. Se mudarmos a lista para algo como jogos disputados, o 250* nessa lista é Jay Bouwmeester (atual defensor do St. Louis Blues) com 1040 jogos. Matt Cooke (que cá entre nós, was just a ordinary joe) disputou 1046 partidas e marcou 167 gols em 17 anos de carreira. Uma vantagem de 98 gols a favor de Morrow que jogou 55 partidas a menos que Cooke, é claro que os dois tinham funções diferentes mas vale a pena tal reflexão. O que quero dizer com isso? Se manter na NHL é “fácil” se você for decente em alguma coisa (nem que seja sendo sujo como Cooke foi por algum tempo), colocar pucks (de forma constante) atrás daquele carinha vestido como um soldado do espaço requer um talento especial. Congrats Patty!

Patty e Jumbo Joe, juntos por mais de 10 anos e uma das melhores duplas de veteranos da NHL. (Créditos: Yahoo Sports)

14. Gordie Howe precisou de 34 anos para disputar 1.767 partidas, categoria que lidera até hoje na história da liga. Caso não se machuque e jogue a próxima temporada, Jaromir Jagr precisará ter jogado por 25 anos para assumir a liderança de tal lista. Levando em consideração a diferença (enorme) de eras entre ambos, tal dado mostra o quão especial Jagr é e o quão fora de série Gordie Howe foi em jogar num tempo em que jogar hóquei era quase o mesmo que entrar numa guerra.
15. Da série “Coisas da NHL que nunca entenderei”: Porque diabos Dave Andreychuk, jogador que mais marcou powerplay gols na história da liga, 14* na lista de alltime gols com 640 e 7* em partidas disputadas com 1639 (!!) ainda não está no Hall da Fama? Hockey is weird.

16. Jarome Iginla, Joe Thornton e Evgeni Malkin mereciam estar no TOP 100 da NHL. Jonathan Toews, Patrick Kane e Duncan Keith (ainda) não.

17. Duas coisas que não esperava ler/escrever nessa temporada: “Ken Hitchcock demitido no meio da temporada” e “Lightning na lanterna virtual do leste”

Hitch acabou pagando pelos pecados de seus jogadores e demitido pelo seu melhor amigo. (Créditos: AP)

18. O pobre Ken Hitchcock pagou pelos pecados de seu GM e de seus goleiros. Apesar de não ter sido um erro cruel da parte de Doug Armstrong ter deixado David Backes e Troy Brouwer irem embora (principalmente o último), foi um erro mais do que cruel ter deixado Brian Elliott ir. Não pelo fato de Elliott ter ido embora mas pelo fato de Jake Allen ter ficado, recebido um contrato gordo e estar jogando tão mal. O Blues é o 28* da liga em porcentagem de defesas (abaixo dos .900) e consequentemente é uma das piores defesas da liga, fatos esses que são uma completa aberração na carreira de Hitchcock. Armstrong deixou claro na entrevista pós demissão que seus jogadores e ele mesmo tinham cortado o pescoço de seu antigo treinador e a colocado à prêmio (não nesses termos tão extremos). Cabe a Mike Yeo salvar o barco.
19. Kevin Shattenkirk por Rick Nash

20. Esse último item ficará reservado para os grandes momentos desse centenário de NHL e que me chamaram a atenção durante todo esse tempo que acompanho o esporte. Tentaremos referenciar todos os times pelo menos uma vez. Para começar com estilo: Relembramos o dia em que Saku Koivu jogou sua 1* partida após se recuperar do câncer. SAKU KOIVU! SAKU KOIVU!

17 x W

​Quando o Columbus Blue Jackets tocar o gelo do Verizon Center na noite dessa quinta para enfrentar Alex Ovechkin e seu Washington Capitals, a equipe terá a oportunidade de fazer (mais) história. Os comandados de John Tortorella carregam uma sequência de 16 vitórias seguidas, segunda melhor marca da história quase centenária da National Hockey League, perdendo apenas para um time. É sobre ele que vamos falar agora.

Sergei Bobrovsky é o líder da NHL em vitórias, porcentagem de defesas e GAA. Pode o russo liderar o Jackets para quebrar o recorde? (Créditos: ABC News)

A temporada era 1992-1993. Este homem que vos escreve nasceria 20 meses depois disso. O time em questão é o Pittsburgh Penguins. Vindo de um bicampeonato, o Penguins de 92-93 era o candidato número 1 a criar uma nova dinastia, sucedendo Oilers e Islanders que foram as grandes forças dos anos 80. O time era guiado pela batuta de Scotty Bowman, indiscutivelmente o melhor treinador da história. O elenco, que já contava com a presença de Jaromir Jagr (sim, ele já estava lá), tinha 4 jogadores que hoje estão eternizados no Hall da Fama: o defensor Larry Murphy, o winger Joe Mullen e os centers Ron Francis e Mario Lemieux. Além destes, a equipe também tinha ótimos jogadores como Kevin Stevens, Rick Tocchet e Tom Barrasso.

Como o atual bicampeão, o time era muito bom. Muito. Lemieux e companhia fecharam aquela temporada com 56 vitórias em 84 jogos, tendo o segundo melhor ataque e a terceira melhor defesa da liga. O powerplay do Penguins foi quase 5% melhor que a média da NHL (23.86% vs 19.57%). Com todo esse ataque poderoso, os goleiros do Penguins (e de quase nenhum time da liga naquele tempo) não precisavam (e sendo honesto, não conseguiam) ter temporadas com .920/.930% de porcentagem de defesas para irem longe, o titular Tom Barrasso (2* goleiro com mais vitórias na história do Penguins, foi ultrapassado por Marc-Andre Fleury no final de 2016) ganhou 43 das 63 partidas que disputou com uma porcentagem de defesas (nada honroso na NHL moderna) de .901% e um GAA (média de gols sofridos por partida disputada) de 3.01. Ah, o ataque desse time…

Os oito principais pontuadores do Penguins conseguiram marcar 20+ gols e 60+ pontos durante essa temporada, quatro jogadores conseguiram marcar mais de 100 pontos. Mario Lemieux (ou melhor dizendo, Mario Lemieux, o extraterrestre) marcou absurdos 69 gols e 160 em APENAS 60 partidas disputadas, uma média sobrenatural de quase três pontos por partida, algo inimaginável na NHL de hoje. Kevin Stevens (55 gols, 111 pontos) e Rick Tocchet (48 gols, 109 pontos) conseguiram algo raro na NHL de nossos tempos: marcar 20 gols no 5vs5 e no powerplay. Ron Francis deu passes para 76 gols e fechou a temporada com 100 pontos. 

Tocchet e Stevens foram peças cruciais no run do Penguins para o bicampeonato e para a streak das vitórias. (Créditos: flickr)

Já nosso amigo de sempre, Jaromir Jagr, teve uma temporada bem mais humilde: 34 gols e 94 pontos em 81 jogos disputados.

O sempre jovem Jagr já aprontava das suas em sua segunda temporada de NHL. (Créditos: Gameworn)

 A STREAK

O Penguins vinha de 4 derrotas e um empate nas últimas 6 partidas que tinha disputado, a camapanha da equipe aquela altura era de 39-21-6.

W1: A streak começou no jogo 67 daquela temporada, dia 09/03/1993 na Pittsburgh Civic Arena, casa do Penguins, com uma vitória por 3-2 sobre o Boston Bruins de Ray Bourque. Os destaques daquela peleja foram Joe Mullen com dois gols e Tom Barrasso com 32 defesas em 34 disparos. Esse jogo foi especial para o capitão do Penguins, sendo o primeiro que jogou em casa desde sua cura do câncer.

SUPER MARIO, HEY HEY! (Créditos: Gameworn)

W2: 11/03/1993, Pittsburgh Civic Arena. Vitória por 4-3 no overtime sobre o Los Angeles Kings de Wayne Gretzky e Luc Robitaille. Mario Lemieux marcou quatro pontos naquela partida, Jaromir Jagr guardou dois pucks na rede incluindo o OT winner.
W3: 14/03/1993, Nassau Veterans Memorial Coliseum. Outra conquista apertada, a primeira vitória da sequência que foi conquistada em território inimigo, triunfo por 3-2 sobre o New York Islanders, o destaque daquela peleja foi Tom Barrasso com 38 defesas em 40 disparos.

W4: 18/03/1993, Pittsburgh Civic Arena. A volta para casa reservou uma divertida vitória por 7-5 (como a NHL era charmosa com esses placares enormes, pobres goleiros) sobre o Washington Capitals, Mario Lemieux marcou QUATRO gols e seis pontos no triunfo.

Jogar em casa sempre foi diferença para o Penguins. 10 das 17 vitórias da streak foram conquistadas em território amigo.

W5: 20/03/1993, Pittsburgh Civic Arena. Oh, dear. O Flyers do começo dos anos 90 era ruim. E o atual campeão tirou total proveito disso. 9-3 fora o baile e os ameaços, 11 jogadores marcaram pelo menos um ponto, Ron Francis e Mario Lemieux somaram para cinco gols e cinco assistencias. Esse foi um dia glorioso. Se bem que para Mario, fazer muitos gols contra o Flyers não era novidade…

W6: 21/03/1993, Oilers Coliseum. Oh, dear (x2). O Oilers depois que a dinastia se foi, também era ruim. Triunfo por seis pucks a quatro, destaque para a atuação de Ron Francis com três passes para gol e Joe Mullen com dois gols, incluindo o game winner.

Adquirido em 1990, Joe Mullen foi uma das muitas estrelas que completou o Penguins em sua caminhada do bicampeonato

W7: 23/03/1993, Pittsburgh Civic Arena. Até aquela noite, o San Jose Sharks em sua primeira temporada na liga só tinha vencido 10 dos 73 jogos que havia disputado. Oh, dear (x3). Essa também foi fácil para Lemieux e amigos, 7-2 pros donos da casa com cinco pontos para o camisa #66 e quatro pontos para Kevin Stevens.

Boa proteção do puck era um dos talentos de Kevin Stevens, como fez nesse gol que marcaria segundos depois no jogo 4 das finais de 1992 contra o Blackhawks. (Créditos: Sportsnet)

W8: 25/03/1993, Pittsburgh Civic Arena. Aquele Devils já tinha algumas peças que ganhariam algumas copas em um futuro nem tão distante desse 25 de março, por isso a peleja foi complicada para os donos da casa mas acabou com o mesmo resultado, 4-3 Penguins com game winner de Jaromir Jagr. Mario Lemieux com singelos quatro pontos.
W9: 27/03/1993, Boston Garden. Não existe partida complicada quando se tem Mario Lemieux ao seu lado, outra partida com 3+ pontos e game winner, vitória sobre os ursos por 5-3.

W10: 28/03/1993, Capital Center. A sequência de triunfos consecutivos alcançou os dois dígitos com vitória tranquila sobre o Capitals do ANJO Dale Hunter por 4-1. Tom Barrasso teve uma noite tranquila com 30 defesas e um certo jogador que veste um certo número (dica: 11×6 ou 33+33) com outra partida de três pontos.

Tom Barrasso não precisava ser glorioso para dar ao Penguins chances de vencer, foi isso que fez nas 5 partidas da streak que acabaram em diferença de um gol. (Créditos: Penguins Cards)

W11: 30/03/1993, Pittsburgh Civic Arena. É fato que o Senators, também em seu “primeiro” ano na liga (falaremos sobre isso no futuro) só tinha vencido NOVE (!!!) das 75 pelejas que tinha jogado na temporada mas até que eles fizeram um jogo divertido! Pena que #InfelizmenteNãoDeu e o Penguins venceu por 6-4, destaque para a atuação de Ron Francis com dois gols.

Um dos melhores setup mans da história da liga, Ron Francis era o centro da poderosa segunda linha do Penguins duranre os anos 90.

W12: 01/04/1993, Pittsburgh Civic Arena. Foi um BAITA JOGO! Ok, estou mentindo. Mas no famigerado dia da mentira, o massacre foi bem real. 10-2 Penguins no pobre Hartford Whalers (que conhecemos hoje como Carolina Hurricanes). Dos dezoito patinadores que o Penguins colocou no gelo naquela partida, apenas Grant Jennings e Kjell Samuelsson não pontuaram. Rick Tocchet marcou um hat-trick na peleja.
W13: 03/04/1993, Quebec Coliseum. VOLTA NORDIQUES! Você era lindo e o povo merece ver Canadiens x Nordiques em HD. Mas nesse dia deu Penguins por 5-3, Tom Barrasso fez 33 defesas em 36 disparos e Mario (complete aqui) com outro jogo de 3+ (complete aqui).

W14: 04/04/1993, Brendan Byrne Arena. Era engraçado o nome da arena do Devils nesse tempo. Como você já sabe, deu Penguins de novo por 5-2, contando com 2 gols e 4 pontos de Ron Francis e outro jogo de três pontos de alguém que já falamos o nome quase 66 vezes.

W15: 07/04/1993, Pittsburgh Civic Arena. O 15* triunfo da turma de Scotty Bowman foi conquistado com uma dose extra de drama. Jogando contra o futuro campeão Montreal Canadiens e um possuído Patrick Roy (de fato, foram 38 defesas do número 33 naquela noite), o Penguins contou um hat-trick de Rick Tocchet para mandar a peleja para o OT. Coube então a, acredite, ULF SAMUELSSON, ganhar a partida no tempo extra e manter a streak viva.

SAMMY, THE HERO! (Créditos: NHL)

W16: 09/04/1993, Madison Square Garden. Penguins 10-4 Rangers. Joe Mullen marcou um perfect hat-trick. Mario Lemieux marcou 5 gols.

W17: 10/04/1993, Pittsburgh Civic Arena. O último ato dessa maravilhosa caminhada foi dado em casa, jogando contra o mesmo adversário que havia massacrado 24 horas antes. Ironicamente, este foi o único jogo da streak que Mario Lemieux não pontuou. A missão ficou para Jaromir Jagr e Rick Tocchet liderarem o Penguins para vencer o Rangers por 4-2 e colocar o seu time no livro de história.

COMO ACABOU? 

14/04/1993, Brendan Byrne Arena. A streak acabou na casa do diabo. Acabou e não acabou. Confuso né? Explicando: Até 2003-2004, a NHL adotava os empates para as partidas que acabassem empatadas depois do overtime. E isso foi justamente o que aconteceu naquele dia, Devils e Penguins empataram em 6-6 com Mario Lemieux conquistando seus pontos 158, 159 e 160.

Mesmo tendo perdido 23 jogos na temporada para tratar seu câncer, Lemieux conseguiu levar o Art Ross superando Pat LaFontaine. (Créditos: Gameworn)

E DEPOIS?
De fato, o Penguins ficou 21 partidas sem conhecer a derrota. Os comandados de Scotty Bowman entraram nos playoffs daquele ano com 18 partidas sem derrota, quase 60 vitórias ao longo da jornada, 119 pontos e o título da Patrick Division. Super favorito a conquistar o tricampeonato. O primeiro round saiu como esperado: 4-1 no New Jersey Devils sem muitas dificuldades. E então veio o New York Islanders. O Penguins sofreu mas conseguiu ir para Long Island com 3-2 e a chance de vencer a série, não aconteceu. E então o confronto voltou para Pittsburgh e o derradeiro jogo 7. 3-3 no OT. Dois contra um. Cross-ice pass de Ferraro para Volek e um adeus cruel aos sonhos do tricampeonato.

STATS DA STREAK
A grande maioria do estrago feito pelo Penguins durante aquela temporada foi feita pelo sexteto Lemieux, Jagr, Francis, Stevens, Tocchet e Mullen. De fato, todos contribuíram com pelo menos um ponto em pelo menos 10 partidas da sequência. Mas cá pra nós, ninguém fez mais nessa streak que o dono da camisa #66, foram 11 partidas marcando 3+ pontos e absurdos 27 gols (!!!) e 51 pontos (!!!) em 16 dos 17 jogos. O mais próximo dele foi Rick Tocchet com 14 jogos e 31 pontos em 15 jogos. Foi mágico.

Batendo ou não este recorde, Columbus já entrou na história. Vencer 16 partidas seguidas em uma NHL cada vez mais complicada e sem empates para manter a streak viva já é uma conquista que merece ser lembrada para sempre. Ainda mais se lembrarmos que o Blue Jackets ainda nem é de maior. E se você não acredita nos “Hockey Gods”, me explique como um time que tem Curtis McElhinney de backup goalie, Jack Johnson na defesa, Scott Hartnell jogando quase de bengala, David Clarkson na IR eterna (NÃO ESQUEÇAMOS ESSE MITO) e Sam Gagner como powerplay sniper consegue 16 triunfos seguidos.

You can’t explain.

It’s hockey, baby.

Puck de cristal: 15 previsões para 2017!

​Olá amigos e amigas! Um feliz 2017 para todos e todas! Estamos começando mais uma jornada de muita NHL, jornada especial já que a liga completará 100 anos em novembro de 2017. Que tal colocar o puck de cristal para funcionar e fazer alguns palpites que vão acabar sendo miseravelmente errados? Vamos nessa! 

1. 25 anos e nem um dia a mais.

Como foram gloriosos os tempos de Yzerman, Fedorov e Lidstrom. Esses infelizmente não voltarão para ajudar o Red Wings a manter viva sua streak de idas aos playoffs viva. A sequência começou na temporada 90-91 com Yzerman e Fedorov ainda jovens e Nick Lidstrom nem tinha estreado na NHL ainda. Desde lá, a equipe jogou 56 séries de playoffs, chegando na Stanley Cup Final seis vezes, vencendo quatro delas. A streak das asas vermelhas nunca esteve em tão grande perigo como agora, isso se deve aos poucos jogadores com diferencial ofensivo além dos problemas defensivos. Não teremos playoffs em Hockeytown.

2. Trevor Linden e/ou Jim Benning serão demitidos

O processo de rebuild é doloroso, penoso e nem sempre bem digerido pelos torcedores. A reconstrução do Canucks vem seguindo a parte principal (perder muito mais do que ganhar) do sistema mas vem falhando em outros pontos importantes. Jake Virtanen ainda não se tornou o goal scorer que se esperava dele, Loui Eriksson não é nem sombra do mesmo jogador que marcou 30 pelo Bruins em 15-16, isso sem falar nos veteranos que se lesionaram (casos de Alexander Edler e Erik Gudbranson) e nos que não vem produzindo como outrora (HELLO ALEX BURROWS). Somando a isso, as decisões questionáveis de Jim Benning e seu staff nos últimos drafts (I mean, ter Matthew Tkachuk – o tipo de jogador que o Canucks necessita – sobrando na mão e ir de Olli Juolevi não parece tão esperto ao primeiro olhar). Linden, apesar da má fase, conta com muita moral da alta cúpula do Canucks. Isso faz com que o pobre Benning tenha que proteger seu pescoço em 2017. Poor Sedins.

Por favor Trevor, salve meu pescoço! (Créditos: Vancouver Courier)

3. Teremos campeão inédito

Desde 2000, a NHL teve quatro campeões inéditos (Lightning 2004, Hurricanes 2006, Ducks 2017, Kings 2012) e acredito que existe possibilidade real em 2017 de termos um novo debutante. Até agora, o Columbus Blue Jackets de John Tortorella (HOW ABOUT THAT) parece ser o candidato mais gabaritado. Vale ficar de olho também em sonhadores antigos como Sharks, Predators, Blues e Capitals.

4. Marian Hossa será trocado

Essa é uma das previsões dessa lista que talvez não aconteça mas você amigo e amiga sabe que existe a real possibilidade e o potencial culpado disso é o salary cap do Chicago Blackhawks. Atualmente, a equipe tem um cap space de 436 mil trumps. Virtualmente nada. Patrick Kane e Jonathan Toews serão homens ricos por muito tempo e não vão para lugar algum. O mesmo pode se dizer para Corey Crawford, Duncan Keith e Brent Seabrook. Isso sem falar de Artemi Panarin que acabou de renovar com o Hawks. Isso acaba nos deixando com quatro suspeitos: Hossa, Artem Anisimov, Markus Krueger e Nicklas Hjalmarsson. Hjalmarsson é o mais novo do trio defensivo principal então não. Anisimov centra a linha de Kane e Panarin, esse também não. Isso nos deixa com Hossa e Krueger. Caso o #81 não seja trocado, porque não pensar como seria uma nova vida sob a luz do luar de Vegas?

Hossa foi peça crucial nos últimos três títulos do Blackhawks, pode esse ser o fim do ciclo? (Créditos: ESPN)

5. Ben Bishop será trocado
Com o talentoso Andrei Vasilevskiy na fila para assumir a goleira do Lightning por um ótimo período de tempo, é difícil pensar em uma vida muito longa para o camisa #30 em sua atual casa. Pra dizer a verdade, esse dilema quase foi resolvido em junho, quando Bishop esteve as portas de ser trocado para o Calgary Flames, troca esta que nunca se concretizou. Se ventila que a pedida de Bishop para seu novo contrato é de 7M por temporada (Bish é FA no fim dessa temporada) e como o Lightning sofre com problemas de cap space e tem contratos importantes para renovar, é o caminho natural a saída de Bishop.

Bish, please! (Créditos: alchotron.com)

6. Ben Bishop irá para o Dallas Stars
Seja em março na trade deadline ou em julho na free agency, Dallas é a casa perfeita para receber o atual #30 do Lightning. As estrelas texanas tem aspirações e talento para pensar em uma longa caminhada nos playoffs mas convenhamos que tudo isso fica difícil de ser alcançado com a dupla mortal Kari Lehtonen/Antti Niemi entre os postes. Apesar das lesões sofridas nas duas últimas temporadas, não podemos esquecer que Bishop liderou o Lightning para uma Stanley Cup Final e para a final do leste em 2016 com um cartel de 8-2 antes de se lesionar no jogo 1 da final vs Pittsburgh.

7. Alex Ovechkin não marcará 50 gols nesta temporada.

Correndo o risco de acordar um urso (assim como fiz no primeiro post da história desse blog em 2013), nada leva a crer que o russo repetirá as últimas três temporadas e vai alcançar o número mágico e isso tem lá seus motivos. O powerplay do Capitals segue bom mas já não é a máquina poderosa de antes (um tanto da má fase do PP se deve a temporada gelada de Evgeny Kuznetsov) e isso afeta a produção de pucks na rede de Ovechkin. Tomando as últimas três temporadas como base, Ovechkin marcou 154 gols em 238 partidas, média de 0.64 por partida. Desses 154 tentos, 68 deles foram marcados via powerplay, impressionantes 44.15%. Se esses números forem expandidos para a carreira, até o jogo desse domingo contra Ottawa, Ovechkin marcou 37.08% de seus gols (201 de 542) no powerplay. Nesta temporada, o russo marcou apenas 6 de seus 17 gols quando seu time estava com a vantagem numérica no gelo, isso dá 35.2%, ficando abaixo de suas médias normais. Ovechkin também está chutando menos a gol, até a partida deste domingo, o russo tinha realizado 140 disparos a gol em 35 partidas por ele disputadas, média de 4 por jogo. Ovie está no caminho para chutar aproximadamente 328 vezes a gol nessa temporada, o que seria a menor quantidade de disparos a gol em uma temporada completa desde 2011-2012. O camisa #8 também está acertando menos, o russo converteu apenas 12.1% de seus disparos até agora, sendo a pior porcentagem de sua carreira desde 2010-2011. Tudo isso pode ser somado ao fato de que Ovechkin também está entrando menos no gelo. Até a peleja desse domingo, Ovie tinha um TOI médio de 18:41 por jogo, essa é a pior marca de sua carreira em uma única temporada e fica quase três (!!!!) minutos abaixo de sua média.

Jogando menos, chutando menos e acertando menos. “The Great 8” precisará de uma segunda parte gloriosa para alcançar os 50 gols novamente. (Crédito: mymindonsports.com)

8. Darryl Sutter na corda bamba
Essa é mais conspiração do que necessariamente uma previsão mas vale a pena ficar de olho. É certo que a lesão de Jonathan Quick no início da temporada não o ajudou em nada e o ataque, tirando Jeff Carter, vem deixando a desejar, seja com produção baixa ou com lesões. Com tudo isso, os reis hoje estão fora da zona dos playoffs e correm algum risco de ficarem fora dos playoffs pela segunda vez em três anos na divisão mais acessível de toda NHL. Vale a pena ficar atento.

Bom como técnico e como meme, a vida sem Jonathan Quick não é tranquila para Sutter.

9. Toronto Maple Leafs nos playoffs.
Yeah baby, Matthews levará Toronto aos playoffs e eu tenho medo de zicar os garotos de Mike Babcock com esse palpite.

10. Outside games em Tampa Bay e Nashville

A NHL confirmou nesse domingo antes do Centennial Classic que tem planos para realizar três partidas ao ar livre em 2017. O Lightning já está algum tempo na lista de destinos possíveis para receber esse evento e não vejo motivos para ele não acontecer no ano que chegou, o mesmo pode se encaixar para Nashville. Se pudesse palpitar os jogos, porque não pensar em Lightning x Flames no Tropicana Field (ballpark do Tampa Bay Rays) e um Predators x Red Wings no estádio do Titans? I’m young, let me dream.

11. O Puck Brasil chegará aos 5.000 seguidores

Vamos trabalhar muito para isso e precisamos muito da ajuda de vocês para cumprir essa ousada meta, vamos aos 5k!

12. Rick Nash e/ou Marc-Andre Fleury irão para Vegas

Em entrevista no ano passado, George McPhee (GM dos cavaleiros dourados) disse que busca 5-6 bons jogadores para construir seu time em torno deles. Nash tem um contrato salgado e precisaria abrir mão de sua cláusula de não troca para ser exposto ao draft da expansão e o Rangers sonha em assinar com um bom defensor (cof cof KEVIN SHATTENKIRK cof cof) na free agency, faz algum sentido. Já Fleury, fora um meteoro vindo em direção a terra, deve ser o goleiro exposto por Pittsburgh no draft e Vegas adoraria ter um goleiro que apesar do problema com as lesões, ainda pode manter um bom nível por mais 3-4 anos.

Oponentes nos últimos três playoffs, 2017 pode reservar uma nova casa para Fleury e Nash. (Créditos: zimbio.com)

13. Liquidação no Avalanche.
Ninguém está salvo. Fora uma melhora e um milagre de proporções bíblicas, provavelmente o Avalanche ficará nas últimas colocações da liga e eu repito, ninguém está salvo. Joe Sakic e Jared Bednar são os primeiros candidatos a atualizar suas páginas no Linkedin. Matt Duchene, Jarome Iginla e Semyon Varlamov podem muito bem encontrar casas novas durante os 364 dias que ainda nos faltam.

Lenda como jogador, Joe Sakic agora experimenta a complicada vida de ser GM em um time que pouco alcançou. (Créditos: Denver Post)

14. Prêmios

Sidney Crosby levará o Hart Trophy (MVP da temporada), Lindsay Award (melhor jogador da temporada eleitos pelos jogadores), Art Ross (maior pontuador da temporada) e o Rocket Richard (maior artilheiro da temporada). Matthew Tkachuk ficará com o Calder (melhor rookie da temporada). Sergei Bobrovsky ficará com o Vezina (melhor goleiro da temporada). John Tortorella leva pra casa o prêmio de melhor treinador e Auston Matthews será a capa do NHL 2018.

15. Jaromir Jagr.

Ele seguirá jogando, batendo recordes, trabalhando mais do que qualquer jogador da liga e ainda vai encontrar tempo para seguir sendo o sex appeal número um da NHL. Forever young, Jags, forever young!

Jags e seu “irmão perdido” PK Subban durante o All-Star Game em janeiro de 2016. (Créditos: Philly Influencer)