Puck na Cara #10 – Eu e o hóquei

Olá caros amigos e leitores do Puck Brasil! Lucas Mendes (@lucas_flames) de volta aqui nessa coluna que será um pouco diferente. Das últimas vezes eu sempre trouxe minhas análises, minhas opiniões de forma mais descontraída. Dessa vez, eu vou contar para todos vocês a minha história com o hóquei. É uma história que poucos sabem, mas não por inteiro. Vou me abrir e explicar o motivo de eu amar tanto esse esporte.

Como toda história, temos um começo. Nesse caso começou na minha adolescência, lá pelos 14 anos mais ou menos. Estava no ensino médio e adorava jogar videogame (quem nunca?) e meu primeiro contato foi quando eu comprei o NHL 2K10, que tinha o Ovechkin na capa. Comecei a jogar e logo gostei do Flames, pelo simbolo do clube. Joguei minha primeira partida, e logo se tornou meu time favorito no jogo.

Jogos vem, jogos vão, o tempo passa e esqueço do jogo e do esporte. Até que, em 2014 ou 2015, com meus 17 anos (quase 18), me lembro desse jogo e por consequência do time que eu gostava. Procurei nas redes sociais sobre o Calgary Flames e achei sua página no Facebook. Logo já comecei a ver os vídeos dos melhores momentos dos ultimos jogos e retomei o gosto pelo jogo. Fui acompanhando até o final da temporada e o time foi aos playoffs. Na primeira rodada, o Vancouver Canucks.A série estava 3-2,um tenso jogo 6 em Calgary e eu com os nervos a flor da pele. Canucks marca 3 gols em 4 SOG para o Canucks nos 10 primeiros minutos de jogo. Ferland marcou um no fim do primeiro período, 3-1. No segundo período, empate do Flames, mas o Canucks marca o 4º deles da noite. Terceiro período, 4-3 Canucks. Monahan empata no power play. O gol de Stajan faltando 4 minutos para o fim do jogo coloca o Flames na liderança pela primeira vez no jogo. Flames marca o sexto no empty net e sela a vitória por 6-4 e vence a série por 4-2. Nesse dia, eu descobri que amava esse esporte. Flames foi eliminado na segunda rodada pelo Ducks. A partir daí eu esperei ansiosamente pela próxima temporada. Mas o pior estava por vir.

Dia 19/08/2015. Também conhecido como o pior dia da minha vida. As coisas ficaram piores para mim a partir daí. Meu avô, que era a pessoa que mais amava, meu melhor amigo, que estava sempre aqui em casa, que eu visitava quando ele não podia vir, que eu ligava toda noite e as vezes passava muito tempo conersando a toa com ele, que sempre saia comigo, seja para tomar café, conversar na praça, tomar sorvete e coisas do tipo, estava internado a alguns dias no hospital, por alta de potássio no sangue e problemas renais. Ele estava se recuperando no apartamento do hospital até que teve um ataque cardíaco na quinta feira anterior e voltou para o CTI. Na Terça, 18, ele voltou a ser entubado e estava em coma induzido. Na quarta, dia 19, eu fui visitá-lo no hospital. Como ele estava entubado, eu e minha mãe ficamos para o segundo horário de visitas. Por volta das 15 horas, minha mãe recebe uma ligação do médico e diz que ele estava em estado crítico. Sabíamos o que isso significava. Subimos até a porta do CTI. Minha mãe desesperada, e eu tendo que ser forte, mas por dentro em pedaços. Entramos no CTI e ficamos ao lado dele até o ultimo batimento do coração dele. Eu tinha acabado de perder a pessoa que era a mais importante para mim. Saí logo da sala, sentei no corredor, fui ligar para meu pai e informar o que aconteceu. Ele atendeu o telefone e eu não consegui falar nada. Chorei inconsolávelmente como nunca antes. Não tenho palavras para descrever a dor que eu senti nesse dia. A partir daí, tudo mudou.

Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com a minha relação com o hóquei. Bem, irei explicar agora. Depois desse dia, eu me senti completamente sozinho, sem esperança, sem sentido para a vida. A depressão tomou total conta de mim. No início da temporada 2015-16 da NHL me trouxe uma distração, mas era pouco. Eu estava a ponto de acabar com a minha vida. Eu reuni toda a força que eu tive na época e tive a ideia de criar um perfil no Twitter sobre o time que eu gostava, o Calgary Flames. Pra quem não sabe ainda, é o @CGYFlamesBR. A interação que tive com outras pessoas que compartilhavam do mesmo interesse que eu me ajudou muito na recuperação pós-trauma. Eu fui tomando gosto por aquilo. Minha paixão só aumentava, meu amor pelo clube também. Refletia essa paixão nos tweets que escrevia a cada gol, cada lance. Faço isso até hoje.

Pouco antes do aniversário de um ano da criação do Flames Brasil, no fim de 2016, fui contatado por um amigo meu,o Edno, e ele me apresentou a oportunidade de escrever sobre hóquei. Essa oportunidade era no Loucos Pela NHL. Rapidamente tomei gosto por isso. Algumas semanas depois um dos meus principais incentivadores hoje e meu grande amigo, Mateus Luiz, também conhecido como o dono desse blog querido, me convidou para escrever aqui. Comecei com a coluna “Oh Canada!” mas ela não estava indo da forma que queria. Logo eu parei de escrever e tive a ideia de abrir o Puck na Cara, que permanece até hoje. E assim se foi, um ano escrevendo, aprofundando nisso, alimentando meu amor e conhecimento por hóquei. Nesse meio tempo, contando com imenso apoio do Mateus, que dura até hoje, fiz dois grandes amigos: Miguel e Danilo, do USA na rede, que fizeram minha voz ser ouvida, tanto em alguns podcasts como na transmissão do draft de 2017.

No início dessa temporada, o Bruins Brasil me manda uma mensagem e sugere uma união dos perfis sobre hóquei no Twitter para trazer mais relevância para o esporte no Brasil. Eu imediatamente abracei a causa e fui contatando todos os perfis possíveis. Criamos um movimento que hoje vocês devem conhecer por #BrasilTemNHL. Vimos a criação de novos perfis, como o @NHeLas, @TudoPelaNHL, @casadohóquei, entre outros e prontamente adicionamos a nossa causa, abraçada por todos que amam o hóquei. Desde então estamos tomando iniciativas para fazer a nossa voz ser ouvida por mais pessoas. Mostrar aos amantes de esportes americanos o quanto o hóquei é um esporte interessante, dinâmico e divertido de assistir. Estamos lutando para isso acontecer como um time muito unido. Alguns me consideram como o capitão desse time. Nesse meio tempo, o Calgary Flames Brasil chegou a 2 anos de existência e a 400 seguidores. Fui convidado a fazer parte do Casa do Hóquei, onde também escrevo.

Hoje, pouco antes do meu aniversário de 21 anos, eu olho para trás e vejo o quanto o hóquei mudou minha vida. Melhor, salvou minha vida. De uma pessoa que de tanta tristeza após uma grande perda queria se matar, a uma pessoa que hoje vê o quanto conseguiu subir. Hoje eu posso dizer que sou grato ao hóquei por ter salvo a minha vida e que devo muito a esse esporte por ter feito isso. Hoje, mais do que nunca, sou apaixonado pelo time que torço. Vibro como nunca, me emociono como nunca, sofro quando tem que sofrer, fico frustrado quando o time não joga como deveria jogar ou quando o coaching staff toma sucessivas decisões erradas. Hoje eu posso dizer que eu amo o hóquei, e eu amo o Calgary Flames.

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