20 Minutos – Edição 14

1. E no oitavo dia, Deus disse: Voltarás a escrever.
2. Lá se foi um mês e poucos dias desde a conquista da Stanley Cup pelo Pittsburgh Penguins. A 5* copa conquistada pela franquia, 3* com o comando da dupla Crosby e Malkin, coloca o time como uma das melhores franquias da liga nessa década. E nos proporcionou fotos magnificas como essa:

(Créditos: NHL.com)

3. O Penguins de 16-17 conseguiu o 1* bicampeonato em 19 anos na NHL. Antes de Crosby e companhia conquistarem o doblete, o último time que tinha alcançado o feito foi o Detroit Red Wings de Steve Yzerman, Sergei Fedorov e companhia nas temporadas 96-97 e 97-98. As equipes tem suas semelhanças e diferenças (é claro, sempre se levando em conta que a NHL de 1997 é um bicho e a NHL de 2017 é outro bicho completamente diferente e evoluído). Crosby/Malkin foram Yzerman/Fedorov (ironicamente, um canadense e um russo), Phil Kessel assumiu o papel de Brendan Shanahan e Kris Letang encorporando Nicklas Lidstrom. Nos “coadjuvantes”, enquanto o Red Wings contou com Slava Kozlov, Martin LaPointe, Darren McCarthy, Kris Draper e Larry Murphy, o Penguins teve em sua esquadra Patric Hornqvist, Chris Kunitz, Connor Sheary, Bryan Rust e Justin Schultz. Entre as goleiras, Pittsburgh achou o homem de seu futuro em Matt Murray (mandando o homem do passado descansar em Vegas), Detroit sobreviveu entre o modo besta e bestial de Mike Vernon (temporada 96-97) e Chris Osgood (temporada 97-98).

3b. Eu não sei se existe uma estatística pra isso mas Chris Osgood deve ser o goleiro que mais tomou gols do meio do rink em um ano de playoff. Um deles foi esse de Jamie Langenbrunner:

4. Depth scoring foi tudo para ambas as equipes na conquista do doblete. O Wings de 96-97 teve sete jogadores que marcaram 40+ pontos (Shanahan, Yzerman, Fedorov, Lidstrom, Igor Larionov, McCarthy e Kozlov) e quatro jogadores com 20+ gols (Shanahan, Fedorov, Kozlov e Yzerman). No ano seguinte, sete jogadores marcaram 40+ pontos (Yzerman, Lidstrom, Shanahan, Kozlov, Murphy, Larionov e Doug Brown) e três marcaram 20+ gols (Shanahan, Kozlov e Yzerman). Se você sentiu falta de Sergei Fedorov nas listas de 1998, devo dizer que o russo ficou fora de 80% da temporada depois de ficar fora por motivos contratuais. No caso do Penguins, 15-16 tiveram seis jogadores com 40+ pontos (Crosby, Letang, Kessel, Malkin, Hornqvist e Kunitz) e quatro com 20+ gols (Crosby, Malkin, Kessel e Hornqvist). Na última temporada, seis passaram de 40+ pontos (Crosby, Malkin, Kessel, Sheary, Schultz e Hornqvist) e cinco balançaram as redes por 20 ou mais vezes (Crosby, Malkin, Kessel, Sheary e Hornqvist).

5. São monstros diferentes mas Phil Kessel foi para Pittsburgh o mesmo que Brendan Shanahan foi para o Red Wings. Um All-Star scorer que pudesse carregar o piano ofensivo junto com o dragão de duas cabeças que estavam de centers. Adquirir snipers (ou marcadores consistentes) via free agency ou trade é uma fórmula que vem dando certo para muitos dos campeões nos últimos 20 anos, eis alguns exemplos: Stars de 1999 (Brett Hull), Devils de 2000 e 2003 (Claude Lemieux e Jeff Friesen respectivamente), o mesmo Red Wings em 2002 (Brett e Luc Robitaille), Hurricanes de 2006 (Mark Recchi, Ray Whitney e Cory Stillman), Penguins de 2009 (Bill Guerin), Blackhawks em 2010 (Marian Hossa), Bruins de 2011 (Nathan Horton), Kings de 2012 e 2014 (Jeff Carter e Marian Gaborik respectivamente). Fiquem de olho nos colocadores de puck na rede.

Adquirido via free agency, Brett Hull foi uma das estrelas de um dos melhores times da história. (Créditos na imagem)

6. Brendan Shanahan ficou 10 anos em Detroit e teve suas melhores temporadas em Hockeytown. Não dá pra dizer que o mesmo acontecerá com Kessel. O nome do gordinho foi atirado na fogueira das trocas mais uma vez na semana passada. Phil é um jogador miseravelmente durável (não perde uma partida desde 2009-2010, jogou as últimas 7 temporadas completas) que vem de 9 temporadas seguidas marcando 20+ gols e 50+ pontos. Também provou ser crucial nos playoffs com 18 gols e 45 pontos nas 49 partidas do bicampeonato do Penguins. Diferente de seus tempos em Toronto, Kessel agora tem um papel de suporte as estrelas da equipe. O problema de trocar Kessel é o seu alto salário além de ter poucos clubes disponíveis a receber o camisa #81, fiquemos de olho.
7. We all love Russian players. A revista russa Sport-Express escolheu os 50 melhores jogadores russos que já atuaram na NHL, tendo como critérios o nível de jogo da liga enquanto eles jogaram, consistência, longevidade e títulos. A eleição não levou em conta a carreira dos jogadores na Rússia ou pela seleção, com isso nomes estrelados como Valeri Kharlamov e Vladislav Tretiak ficaram de fora. O top 10, liderado pelo tricampeão Evgeni Malkin teve também Sergei Fedorov, Alexander Ovechkin, Pavel Bure, Pavel Datsyuk, Sergei Zubov, Nikolai Khabibulin, Alexander Mogilny, Sergei Gonchar e Serei Bobrovsky. O nosso russo preferido, o glorioso Ilya Bryzgalov, ficou apenas em 32*. What a shame.

8. Wayne Gretzky foi, é e para sempre será o melhor jogador da história do esporte. Se fossemos fazer um ranking juntando jogadores da NHL, competições internacionais e outras ligas, quais as chances reais de Vladislav Tretiak ficar em 2* nessa lista?

(Créditos: http://www.britannica.com)

9. Tretiak foi draftado em 1983 pelo Montreal Canadiens, um ano antes de Patrick Roy estrear na NHL. Dá pra imaginar uma dupla de goleiros como Tretiak e Roy? Infelizmente, o russo não foi autorizado pelo regime soviético a jogar pela NHL e se aposentou em 1984 com apenas 32 anos. O goleiro foi o primeiro jogador soviético/russo a entrar no Hall da Fama (como jogador) sem nunca ter jogado uma partida na NHL, além de ter sido escolhido como o melhor jogador russo do século 20.
10. One more from Putinland, com a NHL provavelmente ficando em casa para as olimpíadas de inverno em 2018, essa é com certeza a melhor chance de ouro para a seleção russa nos últimos 25 anos. Ficar fora do pódio em Sochi foi um golpe duro mas caso a NHL veja Pyongcheng de casa, nada que não seja o ouro será embaraçoso.

11. Jaromir Jagr e Jaromir Iginla continuam sem emprego, what a shame x2.

12. Nenhum time na liga passou por uma limpeza maior que o sempre problemático e enigmático Arizona Coyotes. Andrew Barroway assumiu o papel de dono único da franquia, John Chayka foi promovido à presidente de operações de hóquei (Chayka também é o GM da equipe) e apresentou Steve Patterson como novo presidente e CEO. Patterson tem um currículo deveras invejável. Como GM construiu o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon campeão da NBA em 1993-1994, ele esteve no grupo liderado por Bob McNair que comprou o Houston Texans e levou o SuperBowl 38 para a cidade, além de ter sido presidente do Portland Trail Blazers (NBA). Com as adições de Patterson e de Rick Tocchet como novo treinador, o objetivo n* 1 de Barroway agora passa a ser a construção de uma nova arena para a franquia.

13. Steve Patterson é uma ótima adição, Andrew Barroway assumindo o comando da franquia traz uma estabilidade que não é conhecida pelo Coyotes faz tempo e John Chayka está em controle completo do hóquei. Mas na humilde opinião desse pobre rapaz, a principal esperança da franquia tem nome e sobrenome: Rick Tocchet. He knows what a hell he’s doing. Tocchet ganhou duas copas como jogador e está vindo de um bicampeonato como assistente técnico de Mike Sullivan em Pittsburgh. Tocchet, que será o 6* treinador do Coyotes desde que a franquia se mudou para o Arizona, se destaca por sua forte presença no vestiário, algo que foi destacado por John Chayka: “Ele tem uma grande liderança. Ele entra no vestiário e comanda o vestiário, ele exige o mais alto nível de excelência”. Tocchet, que apresentou um multimídia de 5 horas explicando qual seu estilo de jogo e como ele quer que o Coyotes jogue, venceu outros 24 candidatos pelo emprego.

Uma nova era com uma camisa velha e linda. Nada pode ser melhor. (Créditos: NHL.com)

14. 25 candidatos por uma equipe que teve a 3* pior campanha da liga. Nunca se sabe quando a oportunidade de ouro aparece.
15. Em seu tempo como assistente técnico (Avalanche, Coyotes e Penguins) e técnico (Lightning), Tocchet já trabalhou com grandes jogadores. Sakic e Forsberg, Lecavalier e St. Louis, Crosby e Malkin para citar alguns. Esse Coyotes pode representar algo especial na carreira de Tocchet. John Chayka fez sua parte ao limpar a casa inteira (demitiu o treinador Dave Tippett, “dispensou” o antigo capitão Shane Doan e trocou o veterano Mike Smith), passou o comando do ônibus para Oliver Ekman-Larsson; trouxe Derek Stepan, Antti Raanta e Nicklas Hjalmarsson para melhorar posições cruciais da equipe além de ter diamantes prontos para serem lapidados em Max Domi, Dylan Strome, Christian Dvorak e Clayton Keller. Tocchet tem todas as peças do mundo para construir um futuro brilhante.

16. Connor McDavid pediu 13.25M, levou 12.5M e todo mundo ficou feliz. McJesus é um homem rico, o Oilers salvou 750 mil dólares (que devem ir para Leon Drasailt) e Peter Chiarelli manteve a banda junto por mais uma temporada.

17. Hoje é 20/07, estamos todos com saudades da NHL e eu não tenho medo de lançar bold predictions. Assumindo o risco de errar miseravelmente, não se surpreendam caso John Tavares deixe o Islanders após outra temporada de desgraça, sofrimento e arena vazia.

18. Essa é mais uma pergunta do que uma opinião. Se o amigo e amiga pudesse criar uma estatística avançada para definir o quão importante é determinado jogador para sua equipe, qual você criaria e porque?

19. Com o frio que faz na maioria do Brasil, Gary Bettman está perdendo uma chance de ouro para trazer Penguins x Capitals para o Brasil. JUST DO IT, GARY!

20. Quando Chester Bennington e o Linkin Park cruzaram o meu caminho, eu era um jovem de 15 anos que estava começando a usar meus fones de ouvidos (sempre altos) no meu ipod (único apple que tive na vida) e sem um estilo musical preferido. Hoje com 22, posso dizer que sou amante de um bom rock cristão (e rock em geral) graças ao LP e a outras bandas. Quando soube da morte de Chester e principalmente do que a causou, fiquei muito triste. Hoje (20/07) é comemorado o dia do amigo no mundo e as vezes, um amigo nosso pode estar vivendo um caso de depressão e nós nem desconfiamos. A depressão é uma dos problemas psicológicos mais devastadores do século e causador de uma boa parte dos suicídios cometidos no mundo. E o caso da depressão entre homens é ainda mais grave porque existe o velho (e burro) estigma que homens não devem expressar seus sentimentos. Você não está sozinho nem sozinha. Procure ajuda. Descanse em paz, Chester.

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