Impressões Sobre a Stanley Cup 2017

Impressões Sobre a Stanley Cup 2017

Pela centésima vigésima segunda (122ª) ocasião, a Stanley Cup foi disputada e entregue, em seus 124 anos de existências apenas por duas vezes o cálice sagrado do hóquei sobre o gelo não foi entregue (1919 e 2005). Nesse momento, todos sabemos quem venceu, mas vamos ter como ponto de partida o momento em que Penguins e Predators foram ao gelo pela primeira vez da série para iniciarmos nossa discussão sobre a série final da temporada 2016-17.

A série não foi tão disputada quanto esperado e ansiado, todos os jogos foram decididos por mais de 1 gol. Não tivemos grandes jogos, o melhor em minha opinião foi o sexto e último, o que é muito recorrente para a Stanley Cup, mas tivemos grandes passeios, o que não é normal. A temporada regular da NHL é muito desgastante, os 82 jogos fazem os times minarem suas forças e a corrida nos playoffs pode ser mais desgastante ainda, por isso muitas vezes não vemos grandes jogos nas finais, mas não é normal vermos domínios amplos de ambos os times nos jogos em que cada um deles venceu respectivamente.

Nos cinco primeiros jogos o time da casa venceu o jogo, a menor diferença nesses jogos foi de 2 gols, placar final de 5-3 em favor do time de Pittsburgh no jogo 1 da série. Foi estranho ver que simplesmente o dono da casa passar por cima do adversário, especialmente no jogo 5 em que o Penguins marcou 3 gols no primeiro período, 3 no segundo e garantiu a vitória com muita facilidade.

Se nas fases anteriores Pekka Rinne foi um herói, nas finais acabou sofrendo muito, falar que ele poderia fazer mais é, além de uma análise simplória, seria injusta com o poder de fogo do adversário. A verdade é que não só Rinne, mas como todo o Nashville Predators enfrentou algo que não havia enfrentado antes, uma equipe capaz de criar e achar espaços absurdamente mínimos, em que apenas não errar é menos do que o mínimo, e que para tornar tudo pior, é um time que tem provavelmente o melhor poder de fogo da NHL. E em alguns momentos Rinne foi feito injustamente de bode expiatório porque o Predators como um todo não conseguiu impedir o adversário de criar, de contra atacar com precisão, de achar o espaço mínimo, ou seja, fazer o que nenhuma outra equipe faz na NHL.

Por outro lado, Matt Murray conseguiu ser novamente uma ancora de segurança, não só voltou a substituir muito bem Marc-Andre Fleury, que era seu substituto, como foi uma peça decisiva com dois shutouts em sequência, nos jogos 5 e 6. Murray foi novamente muito ajudado pelo sistema defensivo que se portou muito bem a sua frente, no jogo 6 da série isso ficou muito claro e exposto, mais uma vez Mike Sullivan soube comandar a equipe como um todo de modo brilhante. Sempre comento isso, mas vale a repetição aqui: por mais que o goleiro seja incrível, se a defesa na sua frente falha, ou não consegue dar proteção suficiente contra o adversário, o goleiro terá muitos problemas e isso ficou claro nessas finais.

Antes de chegar ao jogo 6, eu gostaria de abrir um parêntese rápido para o caso Crosby vs Subban, que na quinta partida teve seu ápice. Eles não se gostam, se provocaram o tempo todo, deram hits fortes um no outro, mas no jogo 5 a rivalidade/briga/implicância chegou ao ápice quando em um lance os dois caíram no gelo. Crosby ficou, como se fala na gíria do jiu-jitsu, montado em Subban e em algum momento empurrou a cabeça do adversário contra o gelo. Enquanto isso, Subban tentou dar uma chave de perna no Crosby. Resultado: os dois pegaram 2 minutos por holding (a famosa segurada), o que acho que saiu barato para quem empurrou a cabeça do adversário contra o gelo, mas na NHL parece ter uma regra que protege as estrelas a todo custo, não só o Crosby como muita gente fala. Nada acontece feijoada, segue a série.

Então chegamos ao jogo 6, onde o Pittsburgh Penguins poderia vencer a Stanley Cup pela quinta vez, e pela quinta vez fora de casa. Esse jogo teve um momento que pode ter pesado muito no desfecho da partida, me refiro ao gol que não aconteceu, mas em teoria teria acontecido caso o árbitro não tivesse apitado. Aí você pode estar pensando “mas o jogo terminou 2-0 para o Penguins, deveria ao menos ter sido 1-1 no tempo regulamentar e tido prorrogação”. Poderia, deveria, seria… Tudo apenas teoria, não sabemos o que teria acontecido caso o árbitro não tivesse apitado e o gol tivesse acontecido, pode ser que o Nashville tivesse vencido o jogo, pode ser que não. Não temos como saber com certeza o que iria acontecer, nossa mente não tem essa capacidade, não temos máquinas para suprir isso, então qualquer conjectura é mera especulação e perda de tempo. Temos que nos concentrar ao que aconteceu e não as probabilidades que teríamos a partir de algo que não ocorreu.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
O gol que não existiu (Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports)

O que aconteceu foi que o Predators não conseguiu marcar o gol, mesmo tendo volume de jogo muito maior. O que aconteceu foi a visão e inteligência de Patrick Hornqvist ao ver o puck bater na borda e o goleiro adversário fora de posição, utilizando-se dessas vantagens para marcar o primeiro gol do jogo. O que aconteceu foi Carl Hagelin ganhar o disco na velocidade e com paciência empurrar o puck até o gol para sacramentar o destino. O que aconteceu foi uma vitória de 2-0 por parte do Pittsburgh Penguins no jogo, chegando a quarta vitória na série.

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Os jogadores do Pittsburgh Penguins celebram ao término do jogo (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

Chegar as finais da Stanley Cup foi o ponto máximo para o Nashville Predators, que não conseguiu se superar. O time encontrou um adversário melhor, mais preparado, talvez até mais bem organizado e treinado, e esbarrou em problemas mais internos. É verdade que em alguns momentos o Predators se deu por vencido quando poderia ter lutado mais, afinal de contas é a Stanley Cup, você não deve desistir, mas falar isso quando está de fora é fácil. Foi uma ótima campanha, que para o time e os torcedores, infelizmente não conseguiu alcançar o desejado, o último passo foi impossível.

Com todos os méritos do mundo o time de Pittsburgh alcançou a Stanley Cup pela quinta vez, igualando-se ao Edmonton Oilers no número de conquistas. Penguins deixou seus rivais de Nova Iorque para trás e agora está empatado como o 5º maior vencedor da copa de Lord Stanley entre as franquias ativas, 6º maior de todos os tempos. Pela primeira vez na era do salary cap uma franquia consegue um bicampeonato consecutivo, além de ser a primeira vez desde o Detroit Red Wings 1996-97/1997-98 que qualquer equipe conseguiu esse feito. Essa temporada coroou o Pittsburgh Penguins como, discutivelmente, a maior franquia dessa era atual da NHL, são 3 Stanley Cups e 4 finais, além de outros bons desempenhos nesse período.

Sidney Crosby foi novamente agraciado com o Conn Smythe Trophy, para o jogador mais valioso dos playoffs. Ele foi o terceiro em toda a história do troféu, desde 1965, a conseguir tal feito, antes dele apenas Bernie Parent (Flyers 1974/1975) e Mario Lemieux (Penguins 1991/1992) foram agraciados com o troféu em anos seguidos. Não acho que foi uma decisão acertada, mesmo Crosby tendo sido fundamental, talvez dar o Conn Smyth para Evgeni Malkin fosse o mais correto, com tudo acho que o mais justo seria uma divisão entre os dois goleiros, Marc-Andre Fleury e Matt Murray acabaram sendo decisivos em muitos momentos e como os dois dividiram a posição, seria justa a vitória conjunta. Mas novamente Sidney Crosby foi escolhido, então nada podemos fazer além de expor uma opinião que em nada irá impactar, no final das contas.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
Sidney Crosby recebe o troféu Conn Smyth, para o jogador mais valioso dos playoffs (Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports)

E assim se encerrou a temporada 2016-17 da NHL, com a Stanley Cup voltando para as mãos do Pittsburgh Penguins. Parabéns ao time e aos torcedores! Será que a 3ª copa consecutiva, a sexta 6ª em toda história, vem pela frente? Não sabemos, mas sabemos que em outubro a NHL retorna.

NHL: Stanley Cup Final-Pittsburgh Penguins at Nashville Predators
Aquela foto tradicional com os jogadores ao redor do troféu (Foto: Christopher Hanewinckel-USA TODAY Sports)
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