20 Minutos – Edição 13!

1. Cá estamos nós, com tantos assuntos para falar e uma mudança sobrevivida. O Puck Brasil é vida.

2. O excesso de assunto pra se falar faz deste homem um homem feliz. Então vamos a eles! Começando esse escrito, falaremos da que de desempenho de Wild, Capitals e Canadiens na luta pelo título de divisão. Ser #1 em seu quintal no atual formato de playoffs pode ser uma salvação ou uma completa tragédia. O Wild já perdeu a ponta da divisão Central para o quente Chicago Blackhawks, Montreal vem flertando com a perda da liderança por alguns dias para o Ottawa Senators, ainda que os comandados de Claude Julien sigam na ponta da Atlântica. E o Capitals que perdeu 5 das últimas 7, vê Penguins e Blue Jackets ameaçarem sua ponta na Metropolitan. Se no caso do Blackhawks, ganhar a divisão pode ser um “problema” (cruzar com Blues e Kings, adversários complicados), perder a Metropolitana pode significar “fugir” de Steven Stamkos e o Tampa Bay Lightning.

Com apenas duas vitórias nos últimos 7 jogos, Eric Staal é peça importante para recuperar o Wild na perna final da temporada. (Créditos: Fansided)

3. Ser campeão de divisão nos últimos 15 anos significa sucesso e desgraça nos playoffs ao mesmo tempo. Voltando ao glorioso ano de 2002 (VOCÊ LEMBRA DO PENTA?) até 2013, quando o antigo formato dos playoffs era jogado (antigo e melhor, digasse de passagem), 14 times que foram campeões de divisão foram a Stanley Cup Final (incluindo as finais de 2002, 2007, 2008 e 2011 quando os dois finalistas ganharam suas respectivas divisões). No mesmo espaço de tempo, VINTE E TRÊS campeões de divisão foram eliminados ainda no round inicial dos playoffs, 4 deles (Bruins 2002, Red Wings 2006, Sharks 2009 e Capitals 2010) foram seeds #1 de sua conferência ou da liga. Desde a mudança do formato em 2014, nenhum campeão de divisão chegou as finais e quatro deles foram eliminados ainda no 1* round.

4. Casos curiosos sobre a saga das divisões desde 2002: Em três anos (2006, 2010, 2013), três ou mais campeões de divisão foram eliminados ainda no 1* round, 2006 e 2010 foram casos ainda mais estranhos onde os três campeões de divisão da mesma conferência (Red Wings, Stars e Flames em 2006; Capitals, Devils e Sabres em 2010) foram eliminados no mesmo round. Além disso, apenas o Ducks-2003, Flames-2004 e o Kings-2012 foram a Stanley Cup Final derrotando 2+ campeões de divisão pelo caminho. E só o Flames de 2004 jogou todas as séries de playoffs contra campeões de divisão.

Iginla vs Lecavalier, uma das últimas batalhas do glorioso run do Flames em 2004

5. Após a palavra “divisão” estar na sua cabeça, precisamos discutir sobre coisas importantes. O atual formato de playoffs vai até 2019 pelo acordo com a NHLPA. Todo respeito com a quase centenária NHL, esse formato é “pobre” e as vezes pouco chamativo. Ele tem suas vantagens ao estabelecer (ou pelo menos tentar) novas rivalidades. Mas com a facilidade que esse formato cria novas rivalidades, ele também as gasta rapidamente (see: Penguins x Rangers). Ben Raby, jornalista que cobre o Washington Capitals escreveu para o site de uma rádio de Washington (WTOP, salvo engano) um artigo propondo uma ideia da qual sou muito fã e funcionou muito bem na MLB. Nesse artigo, Raby propõe que os 10 primeiros times da conferência se classifiquem para os playoffs, os 6 primeiros iriam direto para o 1* round enquanto o 7* enfrentaria o 10* e o 8* enfrentaria o 9* em um jogo único “win and you in”, nesse caso com os seeds #7 e #8 tendo o mando de gelo nessa partida única. Sendo assim, teríamos mais times envolvidos nas semanas finais da temporada lutando por vaga nos playoffs e os times que estão na frente não tirariam o pé, tentando garantir sua presença direta no 1* round. Os playoffs já começariam com um drama automático e com potencial para uma grande história, imagina o seed #10 cruzando e batendo o President’s Trophy winner?
6. Acredito que para isso acontecer é preciso resolver outro dilema da liga que é o sistema de pontuação. Atualmente, o sistema é o 2-1-0. O vencedor sempre leva dois pontos, o time que perde no overtime ou na disputa do shootout leva um ponto e o time que perde nos 60 minutos fica zerado. Apesar de ser um sistema que cria equilibrio, esse equilibrio é mais falso que nota de 3 reais. Pra se ter ideia de como esse loser point cria esse falso equilibrio, antes da rodada desse sábado, três dos times que lutam matematicamente pelo wildcard no leste tem 10 ou mais loser points. O Maple Leafs tem inacreditáveis 14, Panthers e Islanders tem 11. Esses losers points prejudicam os times que ganham mais partidas nos 60 minutos ou no overtime e que perdem a maioria das partidas no regulation. E qual seria a solução? Apesar de ser uma ideia que muitos dos GM’s não gostam (além do próprio Gary Bettman não ser muito fã), penso que um formato de pontuação eficiente seria o que é feito hoje na liga russa de hóquei. A KHL funciona com o sistema 3-2-1-0, três para o time que ganha a partida nos 60 minutos, dois pontos para o time que ganha a peleja no overtime/shootout, um ponto para o time que perde nessas ocasiões e nenhum ponto para o time que perde no regulation time. Na NHL, tal sistema retrataria melhor o que realmente acontece na liga e talvez mostrasse que a mesma não é tão equilibrada quanto parece (apesar desse homem achar que a dilatação não seria tão grande assim num sistema 3-2-1-0). 

7. Marc Bergevin, 007 na arte de se esconder da imprensa.

8. Outras do encontro anual dos GM’s em Boca Raton, Florida: De acordo com Bill Daly, o salary cap deve ficar entre 75.5 e 76 milhões de Trumps, um crescimento de 5%. A novela da participação ou não de jogadores da NHL nas olimpíadas de 2018 continua firme e forte e o principal personagem dessa novela é o famigerado dinheiro. A IOC que pagava os gastos com viagens e afins (o que fazia a NHL parar os jogos da liga por duas semanas) não irá mais cobrir esses gastos. Outro assunto importante são as semanas de descanso, criadas pela NHLPA (especialmente por Mathieu Schneider) que os times descansam por 5 dias sem partidas ou treinamentos. O retrospecto dos times em seu primeiro jogo depois dessa pausa foi de 10-16-4. A ideia proposta pelos GM’s é de que se tenham apenas duas semanas de folga, ambas em janeiro. Na 1*, 15 times param e na outra são os 16 restantes.

9. Outra decisão que chamou atenção foi a de que a lista dos protegidos pelos times para o draft de expansão não será revelada ao público. Sendo assim, apenas os GM’s, os agentes dos jogadores e a NHL saberá quem foi protegido e quem será exposto. Vale lembrar que os times devem submeter suas listas até as 18:00 (horário de Brasília) do dia 17 de junho. Os 30 escolhidos pelo bando de George McPhee serão anunciados no dia 21 de junho, em cerimônia que ocorrerá durante o NHL Awards.

10. Falando (no diabo) em Gary Bettman, o comissário mais amado do planeta visitou o Canadá nessa semana em sua anual visita por todas as cidades da liga. Em sua ida a Calgary, Bettman confirmou que se reuniu por mais de uma hora com o prefeito da cidade, Naheed Nenshi, e um dos assuntos principais foi a construção de uma nova arena para o Flames. O Scottiabank Saddledome foi aberto em 1983, apenas a Joe Louis Arena (que fechará suas portas depois dessa temporada, quando o Red Wings vai para a Little Caesars Arena) e o Madison Sqare Garden são mais antigos que o Dome. Pressionado pelo sucesso que o Rogers Place (nova casa do Oilers) vem tendo, Bettman espera que essa situação se resolva o mais cedo possível.

11. Outro dilema vivido pelo comissário é a eterna novela que envolve o futuro do Arizona Coyotes. A equipe joga na Gila River Arena em Glendale desde 2003, o time não enche a arena (que anunciou na última semana que está retirando cadeiras da arena para “diminuir prejuízos”) e fica nas três últimas colocações de ocupação desde 2007. Bettman mandou uma mensagem clara para os políticos do Arizona: “A atual situação do Coyotes em Glendale na Gila River Arena não é economicamente capaz de suportar uma franquia de sucesso da NHL. Pelos últimos 15 anos, uma sucessão de donos e a liga fizeram de tudo imaginável para fazer a situação em Glendale ser financeiramente possível. Nossos esforços acabaram no mesmo resultado: Uma contínua perca econômica. A simples verdade? O Arizona Coyotes PRECISA TER uma nova arena em uma localização para ter sucesso. O Coyotes não pode e não irá ficar em Glendale.”

Gary Bettman e seu maior tira sono nos últimos anos. (Créditos: Zimbio)

12. No dia 18/03/1892 em um banquete na Russell House em homenagem ao Ottawa Hockey Club, nasceu a ideia de criar a Stanley Cup. No último sábado, a prometida fez 125 anos de beleza, ousadia e alegria. Parabéns Stanley!

13. No último sábado o mundo do esporte ficou chocado com a morte repentina de Sergei Gimaev, lenda do hóquei soviético durante os anos 70 e 80. Gimaev morreu na manhã do sábado na cidade de Tula, quando sofreu um ataque do coração durante o 2* período da partida das lendas, jogo entre veteranos que costuma reunir ex-jogadores da União Soviética e da seleção russa. Gimaev foi defensor e jogou a maioria de sua carreira profissional no CSKA Moscow, sendo companheiro de lendas do esporte como Vladislav Tretiak e Valeri Kharlamov. Gamiev ganhou oito títulos russos pelo Moscow, foi treinador quando se aposentou, ganhando o europeu júnior de 1996 e era comentarista de sucesso na Rússia.

Покойся с миром, Гимаев. (Créditos: KHL)

14. Quem lhe disser que os seres humanos não tem capacidade de mudar e/ou evoluir, mostre a esse indivíduo a história de Brad Marchand que nos últimos três anos passou de peste para um dos melhores jogadores ofensivos da liga.
15. Marchand é um dos muitos nomes que são citados quando o assunto é quem merece levar o Hart Trophy nessa temporada. Mas como bem lembrou Kris Versteeg, winger do Calgary Flames, prêmios na NHL funcionam como um concurso de popularidade e ele usou um ótimo exemplo: “Por anos Shea Weber foi o melhor defensor do mundo, junto com Duncan Keith. Mas ele nunca venceu um Norris. Porque? Porque ele jogava em Nashville. Mas se ele tivesse jogado em Montreal por toda sua carreira, ele teria dois ou três Norris agora”. Esse é o principal ponto. Eu penso que o Hart deve ir para Sidney Crosby e não dizendo aqui que o mesmo não merece, ele vem tendo uma belíssima temporada mas talvez tenha alguém novo (Connor McDavid) ou barbado (Brent Burns) que mereça um tantinho mais. De qualquer forma, essa será uma bela briga.

16. Obviamente, o assunto da última semana no hóquei foi a decisão da seleção feminina de hóquei no gelo americana boicotar o mundial desse ano que será disputado em solo americano na cidade de Plymouth, estado de Michigan. Em comunicado divulgado na manhã da última quarta, Hilary Knight (estrela americana e considerada melhor jogadora do mundo) citou como motivo: “Nós pedimos por suporte igual nas áreas de compensação financeira, desenvolvimento de jogadoras jovens, equipamento, gastos com viagens, acomodações nos hotéis, alimentação, staff, transporte, marketing e publicidade” e encerrou a nota dizendo “Colocar a camisa americana representa o resultado de muitos anos de trabalho duro e o sacrifício que reflete seu amor pelo esporte e pelo país. Fazendo esses pedidos, estamos simplesmente pedindo que o USA Hockey cumpra com a lei.”

Créditos: Twitter / Hilary Knight

17. Essa é a melhor jogadora do mundo, representando outras grandes jogadoras, “pedindo” para serem reconhecidas e bem pagas, ou seja, pedindo por uma obrigação.
18. Pesquisando sobre o assunto pude notar que as dificuldades que essas e muitas outras jogadoras passam são no mínimo pertubadoras. Alguns exemplos: Em 17 anos, o USA Hockey nunca pagou as jogadoras do elenco. O prêmio anual de melhor jogadora americana de hóquei no gelo leva o nome de um homem. O USA Hockey tem um programa milionário para desenvolver os jovens jogadores mas não tem para desenvolver as jovens jogadoras. As jogadoras que participam do programa americano olímpico de preparação recebem 6 mil dólares por…

… 4 anos.

São 4 anos de preparação física, técnica, psicológica para jogar o melhor e mais lindo esporte do mundo e essas mulheres recebem 125 dólares por mês. Jeez.

19. Uma guerra de notas e notas foi travada entre jogadoras e USA Hockey, guerra essa que pode ser resumida nesse tweet de Hilary Knight

19b. Atualizando: As negociações entre ambas as partes parece estar andando, veremos. O mundial começa em 11 dias.

20. Que no fim, todas as atletas recebam o que merecem e o que trabalham duro para conquistar. Respeito e igualdade não é presente, é direito. #BeBoldForChange

20b. Parabéns ao Buffalo Beauts, 2* campeã da Isobel Cup!

20c. Capitals, Blue Jackets e Blackhawks já garantiram presença nos playoffs. Faltam 13. 

Stanley Cup. And nothing else matters. (Créditos: NHL)
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