20 Minutos – Edição 11!

​1. Tá chegando aquele tempo do ano em que seu GM pode parecer o rei momo ou o bobo da corte (me aproveitando do ainda sobrevivente período carnavalesco) e nós vamos falar sobre isso e muito mais!

2. Antes de tudo, vamos falar de Stadium Series. Na noite do último sábado, o Pittsburgh Penguins bateu o Philadelphia Flyers por 4-2 e praticamente bateu um dos últimos pregos do caixão nas chances de playoffs do Flyers. Apesar de ser um evento maravilhoso, lotando de novo o estádio do mandante (quase 68 mil pessoas no Heinz Field) e o jogo ter sido interessante, a escolha da data pode ter deixado a desejar. 25/02, no meio de uma possível arrancada aos playoffs ou na busca de um posicionamento melhor e nas portas da trade deadline. O time da casa aproveita o evento de qualquer maneira (claro que é bem melhor caso vença), já o visitante que vem mal, nem tanto.

3. “Tá ficando uma desculpa velha”. E realmente está, Jakub Voracek. Claude Giroux, que teve seu nome lançado no caldeirão de rumores de troca nessa semana, não disparou um singelo chute ao gol. Giroux não marcou um golzinho nos últimos 9 jogos e o Flyers só ganhou duas dessas partidas. Perguntado se sua (falta de) produção afeta a equipe, Giroux respondeu: “Você tenta jogar bem, fazer o que te pedem pra fazer. Eu tive muitas chances mas no fim do dia, elas tem que entrar. Não temos mais desculpas.”

Se Claude Giroux não voltar a marcar, ele e seus companheiros vão amargar outro ano na fila por Lord Stanley. (Créditos: Philly Inquirer)

4. A questão é que o Flyers só tem alguma chance de playoffs se seu capitão voltar a vida ou pelo menos mostrar alguma vida. Desde a temporada 13-14, quando Giroux marcou 28 gols e 86 pontos, seus números só declinam.

Gols -> 28 em 13/14, 25 em 14/15, 22 em 15/16, 12 em 16/17

Assistências -> 58 em 13/14, 48 em 14/15, 45 em 15/16, 31 em 16/17

Pontos -> 86 em 13/14, 73 em 14/15, 67 em 15/16, 43 em 16/17

É claro que os números de Giroux podem e devem melhorar conforme a temporada se aproxima do final (se seguir suas médias nessa temporada, Giroux terminará com 16 gols e 58 pontos) mas são números baixos para alguém que chegou a ser considerado o melhor jogador da liga faz nem tanto tempo.

5. Falando em Flyers e playoffs, a caminha para a terra prometida no leste nunca esteve tão apertada em questão de vagas. Quatro times já estão virtualmente e praticamente classificados (Capitals, Penguins, Blue Jackets e Rangers) e tentando o banner da Metropolitan division. Fora uma desgraça que insiste em rondar mas ainda acho que não vai acontecer, o Canadiens também tá quase dentro. Isso abre, teoricamente, três vagas ( 2* e 3* lugar da Atlantic e o 2* Wildcard) para, matematicamente, NOVE TIMES. Tirando os times da Atlantic que naturalmente irão ocupar as seeds #2 e #3 de sua própria divisão, são 7 times com condições matemáticas de disputar apenas uma vaga.

6. Pegando gancho nisso, eis aqui o desabafo de um homem apaixonado pelo jogo: O atual formato de playoffs da NHL me deixa um tanto irritado. Só como informação: Se o “big 4” da divisão Metropolitana seguirem o “lógico”, teremos pelo menos um time de campanha com 100+ pontos e 45+ vitórias caindo fora ainda no 1* round. Antes dos jogos do último domingo, o 1* round dos playoffs estava assim:

Leste: Capitals x Bruins, Penguins x Rangers (DE NOVO), Canadiens x Blue Jackets e Senators x Leafs

Oeste: Wild x Blues, Sharks x Flames, Blackhawks x Predators e Oilers x Ducks

E se a NHL voltasse ao formato antigo, quando os times se classificavam (independente de divisão) de 1* ao 8* com os campeões de divisão tendo os spots 1 e 2?

Leste: Capitals x Bruins, Canadiens x Leafs, Penguins x Senators, Rangers x Blue Jackets

Oeste: Wild x Blues, Sharks x Flames, Blackhawks x Predators, Oilers x Ducks

Canadiens e Leafs. Nos playoffs. Me ajuda aí, NHL.

7. Esse 20 minutos (nota do editor: que foi escrito no domingo e que devia sair na segunda mas tá saindo na terça por conta das loucuras da deadline) ia tranquilamente sendo gerado numa noite agradável de domingo até que o Los Angeles Kings resolveu adquirir Ben Bishop, goleiro do Tampa Bay Lightning (e que deve fazer sua estreia nessa terça contra o Calgary Flames). Esse escambo mandou Peter Budaj, Eric Cernak e draft picks.

“Big Ben” já roubou jogos importantes antes, pode ele salvar a temporada do Kings? (Créditos: NHL.com)

7a. Nota do editor: Brian Boyle também foi trocado na segunda feira para o Toronto Maple Leafs.
8. Só existe um motivo para o Los Angeles Kings trocar por Ben Bishop: Não estar confiante o suficiente que Jonathan Quick esteja recuperado para o arranque final da temporada. E esse é o único motivo plausível que minha cabeça grande consegue pensar agora.

9. É valido dizer também que o Arizona Coyotes mandou Martin Hanzal, Ryan White e uma escolha de 4* round em 2017 para o Minnesota Wild por uma escolha de 1* round em 2017, uma de 2* round em 2018 e uma escolha condicional que pode se tornar um 2* round nesse ano.

9a. Nota do editor: Hanzal e White estrearam contra o Los Angeles Kings nessa segunda na vitória do Wild por 4-3 no overtime. Ryan White marcou um gol e uma assistência.

10. Não sei dizer porque Chuck Fletcher pagou por Matt Duchene e recebeu Martin Hanzal.

11. Por outro lado, John Chayka não tem medo de fazer o que ele pensa ser melhor para sua franquia. Mas por um outro outro lado, Chayka conseguiu deixar Shane Doan visivelmente irritado quando o mesmo falou sobre a troca de Hanzal. Nem tudo é flores no reino do deserto.

12. Voltando ao Lightning, é difícil achar um GM na liga mais frustrado que Steve Yzerman (QUE HOMEM!). Ele tem um roster que nas últimas duas temporadas foi para a Stanley Cup Final e para o jogo 7 da final da conferência leste e que, pelo menos no papel, conseguiria fazer isso de novo. E aí vem ela, a realidade. Lesões, desempenhos abaixo do esperado e o Lightning se encontra longe da zona dos playoffs em uma aberta divisão Atlântica, estando hoje na encruzilhada de pensar em 17-18 ou ainda tentar uma arrancada pelos playoffs. No presente, a saída de Ben Bishop era inevitável e apesar do preço recebido não ser nem de longe aquilo que Yzerman poderia ter recebido, a possibilidade de o perder por nada na free agency era mais assustadora. Agora a chave do reino está com o russo Andrei Vasilevskiy.

Um dos GM’s mais respeitados do jogo, Yzerman precisará ser criativo para manter seu Lightning como um dos melhores times da liga. (Créditos: The Hockey Writers)

13. Com os dilemas Bishop e Brian Boyle resolvidos, Yzerman hoje enfrenta um problema bem mais cruel que trocar duas peças importantes de seu recente sucesso: o salary cap. Quando a temporada acabar; Ondrej Palat, Jonathan Drouin e Tyler Johnson precisarão de novos (e provavelmente gordos) contratos. Além desses contratos, a extensão enorme (e merecida) de Victor Hedman também valerá assim que essa temporada acabar. É por isso que Yzerman já começa a procurar uma casa nova para Valtteri Filppula (receberá 5 milhões de Trumps até 2018) mesmo que trocar Filppula lhe custe um de seus melhores prospects (You know Steve Y, just call John Chayka). Mas se Yzerman pudesse, ele adoraria trocar o pavoroso contrato do winger Ryan Callahan. “Cally” tem um contrato de 5.8M de Trumps até 2019 (OUCH) e como desgraça pouca é bobagem, Callahan vem em um declínio pertubador (4 pontos em 18 partidas) e acabou de sofrer uma lesão que o tirou da temporada. You know what to do, Steve Y.
14. Ser general manager é um dos trabalhos mais complexos do mundo esportivo. E em dias de trade deadline, é mais complexo ainda. Semana passada o Yahoo Hockey publicou uma matéria sobre como é ser GM no dia da trade deadline e eles ouviram Jim Rutherford (GM do Penguins), Brad Treliving (GM do Calgary Flames) e Don Waddell (presidente do Carolina Hurricanes). E do conjunto das respostas, pude extrair três coisas: 1. Se for pra trocar, tenha confiança e principalmente, tenha certeza do que você está fazendo. 2. Como Brad Treliving costuma dizer “Estamos lidando com pessoas reais, não com jogos de fantasy”. Os três ouvidos garantiram que esse é o dia mais emocional da temporada. E 3. No fim do dia, o que todos GM’s querem melhorar seus times.

15. Se Joe Sakic conseguir por Matt Duchene e Gabriel Landeskog menos do que John Chayka conseguiu por Martin Hanzal, é demissão sumária.

16. Durante esse 20 minutos e essas trocas, eu me perguntei se dá pra mudar ao extremo ou conseguir um reforço que realmente mude tudo e consequentemente te leve para a conquista da Stanley Cup. Por isso, voltamos até 1994 e veremos quem os campeões daquele ano até 2016 adquiriram entre fevereiro e o dia da deadline.

1994 Rangers: Stephan Matteau, Brian Noonan, Glenn Anderson, Scott Malone e Craig MacTavish.

1995 Devils: Neal Brotten, Shawn Chambers e Danton Cole.

1996 Avalanche: Dave Hannan

1997 Red Wings: Larry Murphy

1998 Red Wings: Jamie McCoun

1999 Stars: Doug Lidster, Blake Sloan, Benoit Hogue, Derek Plante

2000 Devils: Deron Quint, Alexander Mogilny

2001 Avalanche: Rob Blake, Steve Reinprecht

2002 Red Wings: Jiri Slegr

2003 Devils: Richard Smehlik, Grant Marshall

2004 Lightning: Stan Neckar

2006 Hurricanes: Mark Recchi

2007 Ducks: Gerald Coleman, Doug O’Brien

2008 Red Wings: Brad Stuart

2009 Penguins: Chris Kunitz, Eric Tangradi, Andy Wozniewski, Bill Guerin

2010 Blackhawks: Kim Johnsson, Nick Leddy, Danny Richmond, Hannu Toivonen, Nick Boynton

2011 Bruins: Chris Kelly, Rich Peverley, Boris Valabik, Tomas Kaberle, Stephane Chaput, David Laliberte, Anton Khudobin

2012 Kings: Jeff Carter

2013 Blackhawks: Michal Handzus, Kirill Gotovets, Maxime Sauve

2014 Kings: Steve Qualier, Marian Gaborik

2015 Blackhawks: TJ Brennan, Antoine Vermette, Andrew Desjardins

2016 Penguins: Justin Schultz

Jeff Carter é uma das (poucas) provas que sim, seu time pode arrumar o cara certo no último mês de trocas e caminhar para a Stanley Cup. (Créditos: Russian Machine Never Breaks)

17. Algumas observações sobre essa lista: Matteau, Noonan e Anderson foram importantes na conquista da copa do Rangers (MATTEAU! MATTEAU! MATTEAU! STEPHANE MATTEAU!) mas a franquia pagou o preço por ter trocado tantos jogadores jovens e ficou “irrelevante” por algum tempo. Neal Brotten marcou um dos gols mais importantes da história do Devils (OT winner no jogo 4 do 2* round vs Penguins), Larry Murphy foi o motor ofensivo do 2* par defensivo no bicampeonato do Red Wings em 97/98, Alexander Mogilny era um dos melhores scorers do Devils não chamado Jason Arnott/Patrik Elias/Petr Sykora, Rob Blake formou o “big 3” junto co. Ray Bourque e Adam Foote na conquista do Avs de 2001, Mark Recchi jogou na linha de Rod Brind’Amour na cup run de 2006, Chris Kunitz está no Penguins até hoje, Chris Kelly/Rich Peverley/Tomas Kaberle tiveram papel secundário na conquista do Bruins, Jeff Carter e Marian Gaborik tiveram quase o mesmo papel nas cup runs do Kings e Justin Schultz é parte importante da defesa do Penguins.

18. Respondendo o questionamento: Até pode acontecer mas é bem provável que não vá. O jogador adquirido na deadline tem de ser a cereja do bolo e não o fermento.

19. Tantas trades aconteceram no meio desse 20 Minutos que teremos um especial só sobre a deadline.

20. John Carlson – Kevin Shattenkirk – Alex Ovechkin – Nicklas Backstrom – TJ Oshie. Que powerplay. Consigam essa copa pro russo, Capitals.

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