20 Minutos – Edição 10!

1. Aula em janeiro é lamentável.

2. Leia a número 1.

3. Graças a Gretzky, estamos de volta! Janeiro foi conturbado, complicado e de tempo 0 pra escrever essa coluna e sobre o esporte em geral. Mas cá estamos, entrando no mês de comemoração dos 4 anos do Puck Brasil e estamos cheios de energia. Muita coisa boa irá acontecer.

4. Algo que não mudou depois das aulas em janeiro: O Colorado Avalanche continua ruim. E eu não falo ruim de ruim, falo ruim de horrendo. Desde a metade de novembro (do eterno ano de 2016), o Avalanche jogou 31 partidas e perdeu VINTE E SETE. Desde 19/12, o Avalanche não ganha uma partida no regulation time, tendo o singelo recorde de 0-17 nesse período. Man, is this bad?

Joe Colborne foi uma das muitas contratações do Avalanche que não deram certo. (Créditos: Colorado Avalanche)

5. Tudo bem, quando Patrick Roy pulou (quase literalmente) do barco em agosto, já podíamos esperar uma temporada complicada mas não um desastre tão desastroso (pedindo perdão pelo pleonasmo usado). Baseada na porcentagem de pontos conquistados por pontos disputados, o Avalanche de 2016-2017 caminha para ser o pior time da NHL desde o Atlanta Trashers de 1999-2000. O detalhe é que essa foi a primeira temporada do querido e finado Trashersão da massa que hoje é o Winnipeg Jets.
6. Tanta derrota seguida acaba com a confiança de qualquer um. O media day de Nathan MacKinnon no All-Star Game foi uma mistura de Saturday Night Live e uma visita ao analista. É por isso que eu não acredito (não piamente) que exista um tank descarado na NHL. Por pior que seu time seja (o que não é, pelo menos no papel, o caso do Avalanche), você perde porque é pior que seu adversário e não porque “quer” perder.

7. Última sobre o Avalanche: A trade deadline será divertida dependendo do que Joe Sakic consiga arrumar. É um dos piores segredos da liga que o Avalanche precisa (DE-SES-PE-RA-DA-MEN-TE) de um defensor que defenda, com o perdão do pleonasmo. “Super Joe” sabe que não conseguirá isso com Rene Bourque, Fedor Tyutin ou Jarome Iginla (que nessa semana já pediu ~ DELICADAMENTE ~ para ser trocado). Sobram, em tese, Matt Duchene e Gabriel Landeskog.

8. Sobre o ASG: Não pude acompanhar a semana como eu gostaria mas foi bom ver Wayne Simmonds levar o MVP. Infelizmente a liga ainda tem poucos jogadores negros. Acredito que isso mudará um dia e serei um fã mais feliz quando isso acontecer. Hóquei é para todos.

De origem humilde, Simmonds é a prova viva de que o esporte é para todos. (Créditos: NHL.com)

9. Ainda sobre o ASG: Ilya Brzygalov cobriu o fim de semana das estrelas para o site “The Players Tribune” e como tudo que Bryz faz, foi espetacular. Me aproveitando desse momento, quero dividir com os amigos e amigas o pensamento mais espetacular que já ouvi sair da boca de um jogador de hóquei. Bryz + universo = Don’t worry, be happy.

10. Fevereiro é o mês oficial do projeto “You can play” na NHL, um projeto que visa criar mais visibilidade para a comunidade LGBTQ na liga e no esporte como um todo, assim como o combate ao preconceito contra negros, mulheres e pessoas em situação econômica ruim. A NHL definiu esse mês como “O Hóquei é para todos”. A NHL, apesar de ser a única liga americana que ainda não teve/tem um jogador assumidamente homossexual (todas as outras tiveram pelo menos dois), é também a liga que mais apoia e dá visibilidade a comunidade LGBTQ no esporte. Durante esse mês também teremos o “You can play night” em todos os times da liga e cada um terá seu representante. Entre os nomes estão Gabriel Landeskog, Claude Giroux, Henrik Sedin, Dustin Brown, Dion Phaneuf e o atual Vezina winner Braden Holtby.

11. E então chegamos a nossa controvérsia. Andrew Shaw será o representante do Canadiens nesse mês. Para quem não lembra, Shaw foi suspenso nos playoffs de 2016 por conta de um xingamento homofóbico proclamado pelo mesmo nos momentos finais do jogo 4 contra o St. Louis Blues. Então por isso a surpresa (e irritação) de muita gente na escolha do Canadiens pelo jogador, o mesmo afirmou que se ofereceu para ser o representante da franquia. Em entrevista depois dos treinamentos de sexta, Shaw disse: “Eu quero ajudar o máximo que eu puder, usar o meu passado, mostrar para as pessoas e lhes dizer do poder que as palavras possuem. Eu quero que todos sejam eles mesmos e que se sintam confortáveis com quem eles são, porque eu penso que o único caminho de ser feliz é quando você está confortável consigo mesmo e está confortável com quem você é. É isso que eu quero, eu quero que todos estejam felizes. Eu quero que todos sejam eles mesmos. Eu odeio ver pessoas com medo, que não querem expressar quem elas são e o que elas sentem”.
11b. Andrew Shaw: “Eu usei uma palavra que nunca deveria ter usado. É uma palavra que é usada por anos e as pessoas precisam saber que isso não é certo. Essa é uma palavra que machuca muitas pessoas. Eu penso que o mundo precisa saber disso. Penso que todos nós devíamos nos colocar e tratar as pessoas da forma que elas querem ser tratadas”.

12. Eu sei que muitas pessoas lerão isso e pensarão que Shaw só quer limpar sua imagem e que não se arrependeu, está fazendo a famigerada média. O que é um pensamento justo e compreensível. Mas deixe-me apresentar um outro lado. Todos, por mais liberais ou conservadores que possamos ser e independente da forma que pensamos e vivemos nossas vidas, todos falamos coisas que já nos arrependemos e que desejamos não ter falado. Talvez não com a mesma gravidade do que Andrew Shaw fez, mas todos já cometemos esse erro. E não adianta dizer que isso nunca lhe aconteeu, ao fazer isso você mente para si mesmo. Também é verdade que todos e todas temos a oportunidade de aprender com os erros que cometemos, amadurecer e não os cometer amis. Afinal, porque a NHL faria um mês de inclusão LGBTQ se um dos objetivos não fosse transformar a visão das pessoas? É verdade, as palavras ditas por Shaw no penalty box do United Center no final do jogo 4 contra o Blues não serão (e nem devem) ser esquecidas. Como minha mãe costuma dizer, as palavras machucam bem mais que uma agressão física e com certeza, as palavras de Shaw machucaram muita gente. Mas também é verdade que toda VERDADEIRA (destaco o verdadeira aqui porque o tempo dirá se o que Shaw está fazendo é de coração ou apenas um puro marketing positivo) mudança parte de um verdadeiro arrependimento. E se todos erramos, todos podemos nos arrepender (verdadeiramente) desses erros e todos merecemos uma segunda chance. E isso, gostemos ou não, inclui Andrew Shaw.

13. Patrick Marleau se tornou na última quinta (02/02), o 45* jogador na história da NHL a marcar 500 gols. A liga já teve mais de 7.500 jogadores em sua história que já disputaram pelo menos uma partida, seja de playoffs ou de temporada regular. Apesar de não ser apreciada por todos, fazer muitos gols nessa liga é uma obra de arte, quase divina. Em quase 100 anos de história, apenas 197 jogadores marcaram 300+ gols, 141 marcaram 350+, 93 fizeram 400+ gols, 60 brocaram 450+ vezes, 45 fizeram 500+, 27 fizeram 550+, 19 fizeram 600+ gols, 13 fizeram 650+, 7 fizeram 700+ e apenas Gretzky, Howe e Jagr ultrapassaram a barreira dos 750 gols. Brincando com a estatística: O 250* jogador que mais marcou gols na história da NHL foi Brenden Morrow com 265 gols em 16 anos de carreira. Se mudarmos a lista para algo como jogos disputados, o 250* nessa lista é Jay Bouwmeester (atual defensor do St. Louis Blues) com 1040 jogos. Matt Cooke (que cá entre nós, was just a ordinary joe) disputou 1046 partidas e marcou 167 gols em 17 anos de carreira. Uma vantagem de 98 gols a favor de Morrow que jogou 55 partidas a menos que Cooke, é claro que os dois tinham funções diferentes mas vale a pena tal reflexão. O que quero dizer com isso? Se manter na NHL é “fácil” se você for decente em alguma coisa (nem que seja sendo sujo como Cooke foi por algum tempo), colocar pucks (de forma constante) atrás daquele carinha vestido como um soldado do espaço requer um talento especial. Congrats Patty!

Patty e Jumbo Joe, juntos por mais de 10 anos e uma das melhores duplas de veteranos da NHL. (Créditos: Yahoo Sports)

14. Gordie Howe precisou de 34 anos para disputar 1.767 partidas, categoria que lidera até hoje na história da liga. Caso não se machuque e jogue a próxima temporada, Jaromir Jagr precisará ter jogado por 25 anos para assumir a liderança de tal lista. Levando em consideração a diferença (enorme) de eras entre ambos, tal dado mostra o quão especial Jagr é e o quão fora de série Gordie Howe foi em jogar num tempo em que jogar hóquei era quase o mesmo que entrar numa guerra.
15. Da série “Coisas da NHL que nunca entenderei”: Porque diabos Dave Andreychuk, jogador que mais marcou powerplay gols na história da liga, 14* na lista de alltime gols com 640 e 7* em partidas disputadas com 1639 (!!) ainda não está no Hall da Fama? Hockey is weird.

16. Jarome Iginla, Joe Thornton e Evgeni Malkin mereciam estar no TOP 100 da NHL. Jonathan Toews, Patrick Kane e Duncan Keith (ainda) não.

17. Duas coisas que não esperava ler/escrever nessa temporada: “Ken Hitchcock demitido no meio da temporada” e “Lightning na lanterna virtual do leste”

Hitch acabou pagando pelos pecados de seus jogadores e demitido pelo seu melhor amigo. (Créditos: AP)

18. O pobre Ken Hitchcock pagou pelos pecados de seu GM e de seus goleiros. Apesar de não ter sido um erro cruel da parte de Doug Armstrong ter deixado David Backes e Troy Brouwer irem embora (principalmente o último), foi um erro mais do que cruel ter deixado Brian Elliott ir. Não pelo fato de Elliott ter ido embora mas pelo fato de Jake Allen ter ficado, recebido um contrato gordo e estar jogando tão mal. O Blues é o 28* da liga em porcentagem de defesas (abaixo dos .900) e consequentemente é uma das piores defesas da liga, fatos esses que são uma completa aberração na carreira de Hitchcock. Armstrong deixou claro na entrevista pós demissão que seus jogadores e ele mesmo tinham cortado o pescoço de seu antigo treinador e a colocado à prêmio (não nesses termos tão extremos). Cabe a Mike Yeo salvar o barco.
19. Kevin Shattenkirk por Rick Nash

20. Esse último item ficará reservado para os grandes momentos desse centenário de NHL e que me chamaram a atenção durante todo esse tempo que acompanho o esporte. Tentaremos referenciar todos os times pelo menos uma vez. Para começar com estilo: Relembramos o dia em que Saku Koivu jogou sua 1* partida após se recuperar do câncer. SAKU KOIVU! SAKU KOIVU!

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