Impressões sobre o primeiro quarto da temporada

Pouco mais de um quarto de temporada se passou na NHL e com ele já é possível tirar algumas conclusões. Quem surpreende e quem decepciona, críticas e elogios, o que pode acontecer sobre muita coisa dentro da liga e do que a cerca. Esses são pontos que acho os mais relevante para serem tratados levando em conta o que acontece até então. Abaixo estão o que eu considero destaque, seja positivo ou negativo, entre times, jogadores, técnicos e outras questões que apareceram na liga e no que a envolve também.

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O primeiro quarto da temporada está cumprido, o que ficou de impressão? (Imagem: NHL.com)

Destaques coletivos

– Montreal Canadiens: O melhor time da NHL até agora começa com uma boa e sólida defesa. Tendo Shea Weber e Andrei Markov como seus âncoras, a defesa é sólida e constante, com algumas exceções, e vem protegendo muito bem o gol do time.

Agora imaginem que logo atrás da defesa comandada por Weber e Markov está Carey Price. É o terror definitivo para um atacante e essa máquina assustadora, por sua capacidade praticamente inigualável, vem pesando muito nos resultados do time até aqui. A defesa do Montreal Canadiens sofre 2,17 gols por jogo em média, mas considerando os jogos com Carey Price no gol esse número desce para 1,68 gol por jogo. Inegavelmente Price é o maior candidato ao Vezina e é até então um dos candidatos ao Hart.

Na frente Alexander Radulov faz toda a diferença, o retorno dele a NHL vem se mostrando muito fortuito e a torcida de Montreal já o abraçou. Mas o grande destaque da equipe entre os atacantes é Alex Galchenyuk e seus 22 pontos, quase 1 ponto por jogo disputado, seus gols e assistências tem sido muito importantes para a equipe até então.

– New York Rangers: Disseram que essa seria uma temporada difícil em Nova York para os Blueshirts. Quem disse isso não poderia estar mais errado, o New York Rangers é a segunda melhor equipe da liga, a melhor da concorrida divisão Metropolitana. Nem tudo são flores em Nova York, a defesa tem sido frágil e cedido muitos gols, mesmo com a melhora de alguns velhos perseguidos pela torcida, a verdade é que falta solidez no sistema.

Com tudo o time tem de longe o melhor ataque da liga com 88 gols marcados, 11 a mais que o segundo melhor ataque. A surpresa até então é ver Michael Grabner com 12 gols na temporada e artilheiro da equipe, mas dos 23 patinadores até então que atuaram na temporada apenas 6 não marcaram gols ainda. Alain Vigneault nessa temporada finalmente conseguiu o que queria: 4 linhas sem enforcers, não há espaço no New York Rangers em 2016-17 para quem não produza gols e assistências de modo satisfatório para o treinador. Rangers tem um dos destaques entre os calouros: Jimmy Vesey, quem foi muito concorrido após não querer jogar no Nashville Predators, time que o escolheu no draft. Vesey tem 8 gols e 6 assistências, ou seja, 14 pontos, são números satisfatórios e que vem surpreendendo alguns.

Ottawa Senators:

Esse é uma das grandes e boas surpresas da temporada, segunda melhor campanha da divisão do Atlântico, quarta melhor da conferência leste e sexta melhor da NHL. Ninguém esperava o Ottawa Senators nessas posições de frente, mas o time vem firme e forte nesse primeiro quarto e mais um pouco de temporada. Suas duas primeiras linhas e defensores ofensivos são os destaques no ataque sem inspiração do time, é apenas o 22º da liga, seu melhor pontuador é o quarterback Erik Karlsson com 19 pontos, sendo ele o melhor passador com 15 assistências. Os números defensivos colocam o Senators entre as 10 melhores defesas, mas não são impressionantes também, com tudo a fórmula até agora vem funcionando e os pontos vão sendo somados, se vai continuar a dar certo ou não, só o tempo dirá. Porém essa fórmula não é estável e, pelo contrário, é frágil e mesmo em boa fase é necessária atenção.

Columbus Blue Jackets: O quarto melhor time da divisão Metropolitana, sexto melhor da conferência leste e oitavo melhor da NHL. Surpreendente de mais, certamente a maior surpresa dessa temporada até então. O Blue Jackets terminou a temporada passada em 27º lugar na liga com 76 pontos e sem fazer grande barulho o trabalho de John Tortorella engrenou e agora agita a liga mais ou menos como o famoso canhão que tem na Nationwide Arena. Com 12 vitórias sendo ela 3 shutouts, Sergei Bobrovsky é o grande destaque individual desse Columbus Blue Jackets, o vencedor do troféu Vezina da temporada 2012-13 reencontrou a boa forma e vem segurando as pontas na retaguarda com louvor.

Com a segunda melhor defesa e o oitavo melhor ataque, esse Blue Jackets lembra um pouco o surpreendente New York Rangers de 2011-12, que também era comandado por Tortorella. O forte sistema defensivo e o bom goleiro fazem com que o time consiga segurar as ofensivas dos adversários e ainda sim é muito disciplinado e tem poucos minutos de penalidades, o que sempre auxilia.

O ataque liderado por Cam Atkinson e Alexander Wennberg tem ainda Brandon Saad e Nick Foligno como destaques também. Um dos maiores pontuadores do time é o defensor Zach Werenski, seus 16 pontos providos de 11 assistências e 5 gols, o colocam entre os melhores defensores ofensivamente da liga. Com as estrelas sendo apoiadas pelos coadjuvantes, o ataque do Blue Jackets tem tudo para dar muito certo se continuar assim.

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Zach Werenski é um dos principais nomes desse surpreendente Columbus Blue Jackets (Foto: Russell LaBounty-USA TODAY Sports)

New York Islanders: Esse é o primeiro e maior destaque negativo até então. Nesse momento o Islanders está no antepenúltimo lugar da NHL. É uma surpresa muito grande o estado e a fase em que se encontra, e de modo negativo, pelo potencial ofensivo e defensivo esse terço de temporada é um desastre para o time de Long Island. Muitos problemas o Islanders enfrenta, de uma casa inadequada até um técnico que não consegue fazer a equipe render. Talvez o pensamento da administração do Islanders deva ser preparar o time para a próxima temporada e planejar o futuro pós 2019, quando o contrato de uso do Barclays Center termina. Talvez de volta para o Nassau Coliseum, talvez em uma nova casa especulada no Queens, mas os pescadores precisam começar a trabalhar para seu futuro de qualquer modo.

Colorado Avalanche: O pior time da divisão central até aqui é uma decepção menor, mas ainda sim uma decepção. No papel tem um plantel bom o suficiente para brigar por uma posição melhor, mas é patético o desempenho do time de Denver. Um ataque fraco, apático e anêmico, o segundo pior da liga com apenas 47 gols marcados em 21 jogos, com 2,23 gols por jogo, a NHL tem até agora 5,41 gols em média por jogo. O Colorado Avalanche tem muito menos do que a média da liga, claro que os grandes ataques puxam essa média para cima, mas 2,23 é muito menos do que a metade de 5,41.

As fórmulas tem dado errado no Colorado e não é por falta de recursos humanos, é por esses recursos estarem mal utilizados. As saídas são inúmeras, se não há um planejamento ainda estão perdendo tempo.

– Dallas Stars: Vigésima segunda campanha na liga, um dos melhores elencos. Isso resume o estado atual do Dallas Stars, um time que não vem rendendo o que deveria render e é uma decepção até aqui. Com o mesmo número de pontos que o frágil Winnipeg Jets, mas recheado de ótimos jogadores que não rendem. Não há muito o que dizer, apenas que a situação não é irreversível, pelo contrário, a saída existe para essa temporada ainda, mas alguns jogadores vão ter que se dedicar mais, nomes como Patrick Sharp e Cody Eakin tem muito a provar nessa temporada.

Destaques individuais:

Connor McDavid: Capitão e melhor jogador do Edmonton Oilers e, discutivelmente, de toda a liga. McDavid 31 pontos em 24 jogos, sendo 11 gols e 20 assistências. São números incríveis e sem precedentes até então nessa temporada. Médias incríveis e espetaculares, era isso que se esperava e ele cumpre, mas cumpre com maestria e nos deslumbra com seu comportamento no gelo. Como é bom ver Connor McDavid jogar.

– Sidney Crosby: Crosby perdeu alguns jogos no início de temporada, mas voltou e voltou com vontade, marcou 15 gols em 16 jogos disputados, são 20 pontos no total. O Capitão impulsiona seu time e a esperada força de Pittsburgh continua seu curso. É sempre importante que o líder dê o exemplo, isso é ensinado em toda e qualquer escola sobre liderança no mundo durante o curso da História, e no caso de Crosby ele vem fazendo o que se deve como capitão e grande estrela da esquadra que é atual campeã da NHL.

– Mark Scheifele: Scheifele é um dos vice artilheiros, e também o vice-líder em pontos da NHL. Com 13 gols e 13 assistências, é uma ótima produção ofensiva. Scheifele está sendo espetacular até então, com média de mais de 1 ponto por jogo, é um jogador para se ficar de olho.

Patrik Laine: Laine chegou como um meteoro na América do Norte e pegou de surpresa quem não conhecia, um jogador que é eleito o melhor da Liiga (principal liga finlandesa de hóquei no gelo) não deveria ser surpresa para ninguém. Jornalistas do Canadá e Estados Unidos, além de muitos fãs, ficaram impressionados com o desempenho dele no mundial organizado pela NHL, mas isso era só o começo. Laine está mostrando que tinha muito mais a provar, sua sede de demonstrar que deveria ter sido o primeiro escolhido no draft o move e se transforma em gols no gelo, são 13 no total, ele divide a vice-artilharia da NHL com seu companheiro de time citado a cima. Laine e Scheifele, além de outros bons jogadores, dão um viés positivo ao futuro do Winnipeg Jets e se depender da sede que tem o jovem Laine, o céu não será o limite. Laine é atualmente o maior candidato ao troféu Calder, para o melhor calouro.

NHL: Preseason-Edmonton Oilers at Winnipeg Jets
Patrik Laine, o principal calouro até então (Foto: Bruce Fedyck-USA TODAY Sports)

David Pastrnak: Carinhosamente apelidado de Pasta pela torcida do Boston Bruins, Pastrnak é outro grande artilheiro desse primeiro quarto e mais alguns jogos de temporada. Em sua terceira temporada na NHL, ele já tem quase o mesmo tanto de gols marcados na temporada passada, que é sua melhor marca até então dentro dessa liga. Pastrnak é um ótimo finalizador, muito habilidoso e perigoso, e que deve fazer uma grande temporada, assim espero sinceramente. Um grande jogador que vive seu melhor momento na NHL, ainda jovem, Pastrnak pode ser uma das grandes estrelas no futuro próximo.

Mitchell Marner: Entre os calouros é um dos que chegaram quase calados e estão fazendo muito barulho na NHL. Marner joga na primeira linha do time e capitalizou 19 pontos nos 22 jogos que disputou, com muita habilidade e disposição dentro do gelo acabou roubando um pouco das atenções que vinham dando a Auston Matthews, e com todo louvor e mérito. Para quem gosta de um jogador que tem muita habilidade, inteligência e ao mesmo tempo tem disposição defensiva, fique de olho em Mitchell Marner, é outro que pode ter um futuro muito brilhante se souber usar o potencial e a vontade que tem.

Zach Werenski. Não só um dos melhores calouros, mas um dos melhores defensores nesses vinte e poucos jogos. Werenski tem se destacado por sua inteligência defensiva e visão de jogo, ele tem uma capacidade notada desde cedo por olheiros de enxergar e compreender o jogo, muito importante em defensores ofensivos. Werenski chegou ao Lake Erie (Cleveland) Monsters, afiliado do Columbus Blue Jackets na AHL, no final da temporada passada, após terminar a temporada na Universidade de Michigan, fez os 7 jogos finais da temporada regular e marcou um gol. Com tudo nos playoffs foi de um impacto enorme anotando 14 pontos (5 gols e 4 assistências) nos 17 jogos disputados pelo time, foi um dos principais jogadores no título da Calder Cup. Agora na NHL está na corrida pelos troféus Calder e Norris, dado ao melhor defensor nas duas extremidades do gelo. Werenski é outro que se tudo correr como esperado, será estrela dessa liga.

Andrei Markov: Há muito tempo criticado, parece ter dado a volta por cima. Se a defesa de Montreal é digna de destaque, seu segundo melhor defensor deve ser citado aqui, com bons números ofensivos e defensivos, Markov está também na briga pelo troféu Norris. Voltando ao seu melhor e sendo muito importante para o Montreal Canadiens, Markov com quase 38 anos de idade, é uma das âncoras desse grande time que vem dominando a NHL.

Shea Weber: A troca entre Montreal e Nashville que acabou colocando Shea Weber no maior vencedor de Stanley Cups teve desaprovação da torcida e criticas da imprensa pela parte do Canadiens parecendo que Weber não estava entre os melhores defensores da NHL há muitos anos. E para a surpresa dessas pessoas, Weber ajudou a solidificar o sistema defensivo, além de apoiar muito bem o ataque com passes precisos e sua habilidade de acertar pancadas one-timer com muita precisão da linha azul. Sendo há alguns anos o melhor defensor que existe nesse jogo, na minha opinião, Weber foi injustiçado algumas vezes e talvez nessa temporada finalmente alcance o reconhecimento há tanto merecido de um troféu memorial James Norris.

Carey Price: Ainda em Montreal tem aquele que é um dos melhores goleiros da NHL nos últimos 5, 6 anos. Price fez muita falta na última temporada, sem ele a campanha do Montreal Canadiens foi pífia, mas sua volta está sendo gloriosa. Se Price é um dos melhores goleiros nos últimos 5 ou 6 anos, ao menos nos últimos 3 ele é indubitavelmente o melhor, ter vencido os troféus Vezina, Hart e Ted Lindsay (para o jogador mais espetacular eleito pelos jogadores) ao final da temporada 2014-16 é a prova disso. Um goleiro incrível que aos 29 anos de idade parece estar em seu melhor e assim vem sendo ano após ano. Price está novamente na corrida pelo Hart e é o principal candidato ao Vezina, esse último deve levar com todo mérito e honra.

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Carey Price e Shea Weber comandam a imponente defesa do Montreal Canadiens (Foto: Montreal Gazette)

Tukka Rask: Saindo de Montreal para Boston, temos outro grande goleiro. Rask é sólido e confiável, tendo 1,64 gols sofridos em média por jogo disputado da NHL, a menor de todas, além de uma boa média de 93,8 de defesas nos disparos sofridos. Disputou 17 jogos e venceu 12, tendo 3 shutouts entre esses jogos, Rask vive ótima fase e pesa muito na campanha de seu time.

John Hynes: O treinador do New Jersey Devils é o primeiro dessa classe a ser citado, ele é um visionário relativamente jovem para o cargo, porém vem mostrando muito potencial. O Devils tem boas peças, mas nada muito especial, com tudo ele comanda um time que joga muito bem, que trabalha o puck e tem um bom senso coletivo, se o Devils é um time interessante e divertido de se ver, Hynes é o responsável por isso. Em sua segunda temporada e dentro de uma reconstrução para o time voltar a ser um dos melhores da NHL, Hynes é o cérebro que comanda um candidato a vaga de playoffs até agora, tem um senso muito contemporâneo na aplicação tática do time e pode ser a cabeça de uma futura geração bem sucedida em New Jersey.

Michel Therrien: Por trás da melhor campanha da NHL há o comando de um homem contestado, mas que é fiel aos seus princípios e manteve-se no cargo e vem provando que merece a chance dada. Trabalha bem com os jogadores que possui, tira o que pode de cada um deles, não tem como ignorar um trabalho desses, não é perfeito, mas não há quem seja. Therrien levou o Pittsburgh Penguins a Stanley Cup em 2008, o Montreal Canadiens as finais de conferência em 2014, sua experiência e visão são confundidas muitas vezes com teimosia e defasagem, mas eu pergunto: Estaria o Montreal Canadiens em situação melhor ou igual a essa com outra pessoa no cargo? Creio que não.

Alain Vigneault: O treinador reinventou o New York Rangers, Vigneault sempre gostou de um hóquei ofensivo, com transição rápida, inteligência ao trabalhar o puck. Não é fácil montar um time assim na NHL ainda, mas a tendência é de que mais técnicos como Alain Vigneault apareçam nos próximos anos, mesmo Vigneault demorou algumas temporadas até ter um plantel que fosse totalmente de seu gosto. O ataque incrível do New York Rangers até agora tem AV como arquiteto e engenheiro, ele resolveu o que era o principal problema do Rangers há anos e pode ser que finalmente deixem de vê-lo como o técnico que perdeu duas Stanley Cups, que falha na hora H, porque ele é um técnico muito bom.

Mike Sullivan: Não tem como falar de técnicos da NHL na atualidade sem citar esse nome, Sullivan chegou durante a temporada passada e deu uma nova cara ao time, levou a conquista de sua quarta Stanley Cup e manteve a equipe motivada para essa temporada. O Pittsburgh Penguins está onde deveria estar, brigando na ponta da divisão, conferência e liga, e tudo isso passa pelo modo como Sullivan vê o jogo de um modo muito dinâmico, consegue ler a partida e dar soluções para os problemas que sua equipe enfrenta dentro do próprio jogo. Tendo uma passagem como técnico do Boston Bruins entre 2003 e 2006, Sullivan se reinventou e ganhou uma oportunidade na temporada passada como o técnico principal do Penguins, deu cara ao time e levou a Stanley Cup. Sua capacidade de se adaptar e adaptar o time o colocam como um dos grandes técnicos nessa temporada até aqui.

 – Joel Quenneville: Como vencer 3 Stanley Cups em 6 temporadas e continuar motivando seus jogadores a jogar seu melhor? Esse é um dos segredos do sucesso de Joel Quenneville, é um mérito muito grande o dele, mas também sabe fazer o Chicago Blackhawks se impor, isso é fundamental e vem sendo fundamental na campanha até aqui.

John Tortorella: Acreditavam que Tortorella não teria mais espaço na NHL, então ele assumiu o Columbus Blue Jackets. Então eis que chega a temporada 2016-17, o Columbus Blue Jackets começa sem destaque e vem vencendo alguns jogo, perdendo outros, nada até então especial aparentemente. Daí o time escala e chega ao 8º melhor lugar da NHL e jogando de modo muito bom, então tem que se reconhecer o trabalho do Torts aqui. Em alguns aspectos parece com o New York Rangers de 2011-12, que Tortorella comandou, tem bom ataque, mas uma defesa esplendorosa que vence jogos, rouba pontos. Chegando no meio da temporada passada, sem grandes diferenças para essa temporada, é de se louvar que o time consiga jogar desse modo. Se vai continuar assim não se pode dizer, mas até agora é um trabalho digno de estar entre os grandes destaques.

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Jack Capuano ainda é o técnico do New York Islanders. Até quando? (Foto: Jim McIsaac)

– Jack Capuano: Ele ainda está empregado? Parece que sim! Capuano tem um bom time em mãos e não consegue tirar o que se deve dele, um técnico que está muito mal e a qualquer hora pode ser demitido. Não vou ficar tripudiando ou chutando cachorro morto, como diz a expressão, apenas vou dizer que o Islanders não o demitir antes do final da temporada será uma grande surpresa.

– Jared Bednar: Bednar chegou a NHL após vencer a Calder Cup na AHL, com muita expectativa, com tudo vem decepcionando até aqui. Ele não tem conseguido tirar o melhor do Colorado Avalanche, que pode não figurar entre os melhores times no papel, mas é melhor do que a posição que ocupa atualmente. Acho que ele deve ter algum tempo para trabalhar e mostrar ao que veio, com tudo não é possível ignorar o que tem feito até aqui e que está devendo.

Outras impressões:

Por favor, parem de tentar viver no passado! É o que eu peço para membros da imprensa e fãs que acham que a NHL deveria ter muitos gols por jogo. A realidade é essa, os goleiros são muito mais efetivos, aceitar isso é muito melhor do que tentar banalizar gols e assistências numa tentativa de tentar reviver o passado. O passado se foi, ele foi glorioso e ecoará para sempre, porém nos últimos 22 anos, principalmente, tudo mudou, o estilo de jogo dos goleiros mudou, o comportamento defensivo mudou, então ao invés de tentar banalizar achando que placares como 9-4 tem que acontecer o tempo todo, vamos valorizar os homens que trabalham duro evitando gols, especialmente os goleiros.

Parem de tentarem forçar rivalidades, por favor! Entendo que as redes de televisão e a liga precisam vender os jogos, afinal eles são produtos também, mas artificializar as rivalidades é feio e tosco. Não, Crobsy x Ovechkin nunca foi uma rivalidade e nem será, imagina McDavid vs Matthews, que estão em conferências diferentes e devem se enfrentar duas vezes apenas por temporadas. Claro que todos esses jogadores e muitos outros sempre tentam brilhar, dar o seu melhor, mas acho essa abordagem mais do que desnecessária, ela é artificial e rivalidades não nascem artificialmente.

Sinto que algum bom time vai ficar de fora dos playoffs por conta desse sistema de classificação. Na verdade tenho essa impressão que vai acontecer a qualquer temporada desde que o sistema atual de classificação foi implementado, mas essa vem dando maior impressão de que uma equipe com campanha pior do que algum time que ficou de fora acabará entrando porque as divisões dão três vagas cada. Vou além, se isso acontecer tudo indica que será um time da divisão do Pacífico. Pode ser que não ocorra, mas cada vez mais esse infortúnio parece que acontecerá.

Estamos vivendo os últimos dias dos enforcers realmente, alguns times já nem contam mais com eles e não estão formando mais jogadores com essas características. Não vai demorar até que essa função seja parte do passado, o hóquei evolui para um jogo com menos gente dando porrada desnecessariamente para mais jogadores com versatilidade, claro que a parte física vai continuar, mas no futuro próximo ninguém vai ser contratado porque só sabe usar sua força física.

A NHL deveria cuidar melhor do esporte. Digo isso porque a liga tenta forçar o acordo de trabalho com a associação de jogadores em troca da participação da Olimpíada de 2018, além de não fazer absolutamente nada pelo esporte em outras áreas. A NHL deveria ver a Olimpíada como uma oportunidade de expor seus jogadores ao mundo, para mostrar a quem não conhece muito e instigar os curiosos a procurar sobre essas estrelas, isso atrai público e público pode consumir. Além disso, os jogadores indo aos jogos olímpicos podem inspirar crianças a serem jogadores e bem, a liga precisa de talentos sempre. Seria bom se esse pensamento pequeno de que somos os melhores, mesmo sendo realmente, fosse substituído por um pensamento de não só ser o melhor agora, mas como continuar sendo e continuar crescendo pelo mundo, atingindo novos mercados e ajudando a construir novos celeiros de jogadores que um dia poderão abastecer a própria NHL. Seria bom se tivessem um pensamento de fomentar o esporte, porque isso ajuda a liga a crescer, como a NBA e MLB tem, mas a NHL está longe até mesmo do pensamento que a NFL tem, que é o de fazer o mundo inteiro assistir a liga. Talvez um dia aprendam, mas a mentalidade do “nós que somos bons” precisa ser extinguida, mesmo sendo uma verdade até certo ponto.

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Poderemos não ver jogadores da NHL nas Olimpíadas de 2018 por conta de uma postura puramente mesquinha por parte da liga (Foto: Clive Mason/Getty Images)

 

Por enquanto é isso. Essas são minhas impressões sobre o primeiro quarto, e mais um pouco, da temporada 2016-17 da NHL. Volto a tratar disso na época do All Star Game, quem sabe, trazendo minha visão e opinião sobre essa grande liga que desperta tanto amor e paixão, mesmo não valendo nada.

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