20 Minutos – Edição 6

  1. Descobrir que o amor de sua vida tem uma doença grave, esse amor te pede para voltar pro trabalho e nessa volta, ter uma de suas melhores noites em sua carreira. Craig Anderson teve tudo isso. Na mesma semana em que o goleiro descobriu que sua esposa, Nicholle, tinha câncer, nem o poderoso ataque do Oilers foi capaz de vencer a coragem e o coração de Anderson que ajudou o Senators a vencer por 2-0 em jogo realizado no último domingo.

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    Não se bate um coração valente! Foto: Codie McLachlan – Getty Images
  2. Eu tenho meus problemas com as premiações da NHL, umas por saírem completamente da lógica e outras pelo fato das influências externas (Shea Weber sabe bem como é isso) que os votantes podem sofrer, algo como o time que os indicados jogam. De qualquer forma, ainda é bem cedo para tentar fazer previsões sobre premiações que só vão ocorrer em 8 meses e ainda teremos grandes histórias por ver nessa temporada. Mas, na humilde opinião, é muito difícil enxergar outro vencedor do Bill Masterson (prêmio para aquele que mais supera dificuldades e representa perseverança e profissionalismo) que não seja Craig Anderson.
  3. Falando do Senators, o time da capital canadense realizou uma troca por Mike Condon (DON, DON, DON). Em algum momento Anderson deve se afastar por um período maior de tempo para acompanhar o tratamento da esposa. Andrew Hammond e Mike Condon não é uma dupla de total confiança numa divisão onde “moram” Carey Price, Ben Bishop, Tuukka Rask e Roberto Luongo. Além disso, apesar da boa campanha, os números de chances criadas pela equipe mostram que o time de Guy Boucher é um dos maiores candidatos a famigerada regressão, vejamos o que acontece.
  4. Esse item seria para falar muito bem do Montreal Canadiens mas às 22:16 de uma sexta feira fria em Recife, quando essa coluna começa a ser escrita, os amigos de Carey Price estão tomando OITO A ZERO de um time dirigido por John Tortorella, a vida pode ser cruel em alguns jogos. Pelo menos esse jogo serve para lembrar aos amigos e amigas que o último time a marcar 10+ gols numa partida foi o St. Louis Blues em 2011, vitória sobre o Red Wings por 10-3.

5a. São 22:31, 9-0 Blue Jackets, atualizações durante a coluna.

5b. 22:33, 10-0 Blue Jackets.

  1. Passando de um time de muitos gols para um time que não marca quase nenhum. (Pequena pausa poética para anunciar que às 22:48 é fim de jogo para Blue Jackets 10-0 Canadiens). Nas últimas 6 partidas, o Vancouver Canucks marcou 7 gols e sofreu quatro shutouts. Nos últimos dois shutouts sofridos (0-3 vs Canadiens e 0-1 vs Senators), o time viveu o misto de grandes atuações dos goleiros adversários e sua própria falta de agressividade.
  2. O jogo da última quinta foi um exemplo de como a soma de chances desperdiçadas e falta de agressividade fazem uma equipe chegar nessa situação. Mike Condon chegou ao Senators na noite anterior a partida e o Canucks só disparou SEIS vezes na direção certa do gol durante o primeiro período da peleja. O powerplay do Canucks viveu outra noite pra esquecer, Jannik Hansen e Bo Horvat perderam boas chances e tudo isso resultou na sétima derrota seguida do Canucks após um começo 4-0-0. O time comandado por Willie Desjardins marcou 16 gols em 11 partidas. O melhor momento de Loui Erikson, principal reforço ofensivo da equipe na offseason, foi o gol CONTRA marcado para o Calgary Flames e Sven Baerstchi tem o mesmo número de gols que Wayne Gretzky ou você nessa temporada.
  3. O dia seguinte foi de Trevor Linden fazer o que todo bom presidente de operações faz, defender seus comandados. Linden deixou claro que está gostando da forma que a equipe está estruturada, além de estar feliz com a forma organizada que o time está se defendendo. Isso de fato é verdade, usando o jornal The Providence de Vancouver como fonte desse dado, o Canucks limitou os adversários nessa temporada (até agora) a 27.4 chutes a gol e é atualmente a 8* melhor defesa da NHL, na temporada passada o Canucks foi a 7* pior defesa da liga, sofrendo 32.5 chutes a gol por peleja. Defesa não é o problema.

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    Entre a lenda como jogador e a dura realidade como dirigente, Linden arrisca o pescoço para salvar o Canucks do ostracismo. Foto: Jeff Vinnick – Vancouver Canucks
  4. Antes do jogo contra Ottawa, Linden foi perguntado se ele ainda tinha paciência com o treinador Willie Desjardins. Sua resposta: “100%. Estamos apenas com 10 partidas na temporada. Estabilidade é importante para mim. Paciência é importante. Eu entendo as pessoas. Ganhamos quatro seguidas e então perdemos uma no overtime e todas essas partidas seguidas. Acredite em mim, é frustrante para todos. Não é fácil para mim. Entendo que não seja fácil para os torcedores. Eu sei que as pessoas querem vencer.”
  5. Eu encerraria minha parte sobre o Canucks aqui mas outra declaração de Linden me chamou atenção. Questionado sobre o processo de rebuild do Leafs e se isso poderia ser “aplicado” ao Canucks, Linden lembrou das dificuldades presentes em trocar todo um core group, lidar com contratos complicados e deixou essa reflexão: “As pessoas usam a palavra rebuild como uma coisa dramática. O que é rebuild para você? O que é rebuild para outra pessoa? O quê transição significa?”
  6. Eu não estou dentro da mente de Linden para saber o que ele pensa sobre rebuild. Provavelmente, ele deve pensar em um processo não tão doloroso (e as vezes vexatório) que o Leafs passou nos últimos anos. Como qualquer presidente de operações ou GM nesses momentos, fez questão de lembrar que toda mudança tão drástica como essa toma um bom tempo para ser concluída. Sendo assim, deixo aqui minha teoria conspiratória: E se, em algum momento dessa temporada, Trevor Linden perceber que esse processo pode exigir que se, digamos, tire o pé do acelerador (tank não é uma palavra tão linda para essa coluna amiga e da paz) para conseguir uma escolha alta no draft de 2017 e uma troca de GM (convenhamos, os fiascos de Jim Benning nos casos de Steven Stamkos, PK Subban além da estranha troca Hunter Shinkaruk por Markus Granlund não alegraram tanta gente), estaria Linden disposto a pagar o preço por essas escolhas e talvez colocar sua própria cabeça (e pior, arranhar seu prestigio conseguido como jogador da franquia) a prêmio?
  7. São 01:21 de um sábado frio de Recife e eu ainda não acredito que o Canadiens tomou 10-0 de um time dirigido por John Tortorella (!!!!) e Shea Weber saiu dessa peleja com um plus/minus de 0!!
  8. Alguns números históricos desse atropelamento: Essa foi a 1* vez desde 02/12/1995 (também conhecido como dia que Patrick Roy tomou 8 gols, se sentiu humilhado e pediu para ser trocado, foi mandado para o “recém-nascido” Colorado Avalanche por Andrei Kovalenko, Martin Rucinsky e Jocelyn Thibault, Roy fechou sua carreira com mais duas Stanley Cups e 4 finais do oeste em oito temporadas com o Avalanche) que o Canadiens tomou 10+ gols, perdeu nesse dia para o Red Wings por 11-1. Essa foi a 1* vez desde 13/12/1992 que o Canadiens tomou 10+ gols jogando fora de casa quando perdeu para o NY Rangers por 10-5. Além disso, o Canadiens sofreu o primeiro 10-0 da NHL desde 02/01/1996 quando o Flames sapecou 10-0 no Lightning. Pior: Em sua história de 109 anos, essa foi a pior derrota (sem marcar gols) na história da franquia. De fato, o Canadiens já havia sofrido 10-0 em outras três oportunidades, a última havia sido em 1942, 10-0 Red Wings. Al Montoya se juntou a lista de Andre Racicot, Paul Bibeault, Wilf Cude, George Hainsworth e o lendário George Vezina como goleiros do Canadiens que sofreram 10 ou mais gols em uma única partida desde a temporada 1921-1922 (!!). “The Great Cubano” também entrou na lista de outros seis goleiros que sofreram 10 ou mais gols em uma partida desde 1993-1994, o primeiro dessa lista é um certo Mike Ricther que sofreu 10 gols do Quebec Nordiques e acabou a temporada levando a Stanley Cup com o NY Rangers, encerrando um jejum de 54 anos. (Por TODOS esses dados, eu agradeço ao @StatsCentre , meu trabalho seria menos legal sem twitters feito esse)

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    Cara, sério, 10-0 pra um time do Tortorella? Foto: NHL
  9. Apesar de todas as desgraças advindas sobre o Canadiens em apenas três horas, dois pontos “positivos” precisam ser lembrados. Mediante tanta tristeza, o 9-1-1 do Canadiens 16/17 é o segundo melhor começo de temporada da história da franquia, perdendo apenas para o 9-0-2 da temporada 41-42. E nessa sexta foi aniversário do treinador do Canadiens, Michel Therrien que completou 53 anos. Mandem 10 parabéns para ele!
  10. Pior que tomar 10 gols, é tomar dez gols e ouvir o MALDITO CANHÃO da Nationwide Arena (casa do Blue Jackets) por uma dezena de vezes em menos de três horas.
  11. Outros pontos. Hoje é 05/11 e Jacob Trouba ainda não tem um contrato e nem um time. Pelas regras da NHL, se Trouba não assinar com ninguém antes do dia 01/12, ele não pode jogar mais nessa temporada. Kevin Cheveldayoff é um negociador bem complicado de lhe dar e já deixou claro que só trocará seu defensor por uma peça tão valiosa quanto. Tic, toc, faltam 25 dias.
  12. Eu adoro teoria da conspiração, sei que vocês amam também então lá vai duas. Conspiração 1: O quanto Ken Holland tem de amor por Anthony Mantha para não o envolver em uma troca que envolvesse Jacob Trouba, porque é claro que o Red Wings adoraria colocar seus tentáculos no defensor. Se essa conspiração acontecesse de alguma forma, o quanto de vontade teria Kevin Cheveldayoff em pegar um contrato de volta (cof cof JIMMY HOWARD cof cof) para ter mais uma joia em seu já absurdo prospect depth?

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    Entre a conspiração e a realidade, Trouba é a comodite principal para trocas nesse início de temporada. Foto: Shawn Coates
  13. Conspiração 2: Times com muitas escolhas altas de draft ou muitos talentos jovens subindo ao mesmo tempo costumam enfrentar certos dilemas em um futuro próximo. Seja na assinatura de novos contratos (ver Johnny Gaudreau) ou para troca de um deles (ver Taylor Hall). O futuro do Leafs é cheio de esperança depositada nos ombros de Matthews, Nylander, Marner, Soshnikov, Kadri e outras 2-3 joias sendo lapidadas na AHL. Com todo esse futuro, lá vem a discórdia do presente: Onde se encaixa James van Riemsdyk nessa equação? Se os garotos do Leafs preencherem as expectativas, isso faz de JvR um candidato a porta ds saída? Fariam Trevor Linden, Dean Lombardi (GM do LA Kings) ou até mesmo David Poille (GM do Nashville Predators) uma troca pelo winger? Conspirem, amigos e amigas.
  14. Todos erramos na vida. Tomamos decisões que parecem boas e acabamos fazendo bobeira. Mas todos temos a chance de consertarmos esses erros. Chegou (se brincar, PASSOU) da hora dos donos do NY Islanders consertarem o erro e voltarem para o lugar de nunca deviam ter saído. O gelo do Barclays Center é pior que café frio em dia de chuva, os torcedores e torcedoras odeiam o lugar que é cheio de pontos cegos. Se brincar, até os próprios jogadores odeiam. O Islanders pertence a Long Island. #MakeTheIslandersGreatAgain

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    Mandem esse homem de volta para casa! Foto: Getty Images
  15. Quase tudo nesse ou em qualquer outro esporte é possível de ser quantificado. Mas nem sempre o papel das estatísticas podem explicar aquilo de mais importante. O goleiro não tem controle do disco que vem em sua direção e num flash desvia em um stick e lhe tira da jogada. Quando um arremessador deixa a bola sair de sua mão, ele nunca (ou quase nunca) sabe se ela vai morrer nas mãos do catcher ou cair no colo de alguém a quase 250 metros de distância. O papel não pode quantificar o coração e a coragem de Craig Anderson em seu shutout contra o Oilers, ele “apenas” registrou suas 37 defesas. E é por isso que amamos esportes. Eles nos mostram que nem tudo de mais importante pode ser achado no papel.

Escrito por Mateus Luiz, finalizado e publicado por Lucas Mendes

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