20 Minutos – Edição II

Olá amigos! Nessa segunda edição do 20 minutos vamos falar sobre playoffs, o sorteio do draft, alguns dados históricos (incluindo muitos “7”) e outras curiosidades e noticias que chamaram minha atenção durante a semana. Aproveitem!

1. Começando pela pauta alternativa, enquanto todos nós estávamos concentrados no jogo 2 entre Stars x Blues e as decisões do futebol brasileiro, o Red Star Kunlun de Pequim fez seu pedido oficial para se tornar uma franquia da KHL, a famigerada liga “russa” de hóquei, a equipe deve abrigar seus jogos na LeSports Arena caso seja aprovada. Com a crise que atinge o rublo, um mercado como o chinês é muito bem vindo. Existem alguns boatos que o menino propaganda da franquia seria Ilya Kovalchuk. “Ilya na China” é um belo nome para um documentário.
2. Poucas pessoas sabem, mas, sou muito fã de hóquei feminino (tão quanto o masculino, talvez até mais), além disso, tenho um amor não correspondido pela Hilary Knight. Falando da novidade em si, Amanda Kessel (irmã de Phil, winger do Penguins) se tornou jogadora profissional e assinou com o New York Riveters da NWHL, contrato válido por um ano e 26 mil dólares de salário.
3. Infelizmente, como a liga feminina ainda está em processo de crescimento/desenvolvimento de imagem e publicidade, ela precisará percorrer um longo caminho para fornecer mais estabilidade para as jogadoras e se tornar uma liga de ponta como a NHL. Usando a questão dos salários como exemplo: Kessel, Knight e algumas outras das melhores jogadoras da liga recebem uma remuneração equivalente a média salarial da NHL em 1970 (!!). Outro problema é o teto salarial que é o máximo de 270 mil dólares, menos de 1% da liga masculina se comparada. Ou seja, o contrato de Amanda Kessel ocupa 10% do salary cap de seu novo time, montar um time de 20-22 jogadoras com um orçamento desse exige dotes mágicos.
4. Em um mundo que lutamos por igualdade todo santo dia, o esporte deve ser um dos setores que mais deve seguir esse ideal. Nossa torcida é que a liga americana cresça e que mais meninas por aqui comecem a praticar o hóquei, quem sabe não nasce uma Hilary Knight brasileira e que torça pelo Santa Cruz.
5. Ao falar de hóquei feminino, nunca se esqueçam da guerreira Denna Laing.

SPAULDING VISIT
Visita do capitão Zdeno Chara durante a recuperação de Laing em Boston. (Créditos: Boston Herald/Boston Bruins)

6. Sobre o 1* round dos playoffs, confesso que fiquei triste com a demissão de Bruce Boudreau do comando do Anaheim Ducks após a derrota no jogo 7 contra o Predators. Falamos na semana passada sobre essa possibilidade que acabou se confirmando dois dias depois do fim do confronto. Apesar de ter vencido mais de 200 partidas e faturado 4 títulos seguidos de divisão, perder quatro jogos 7 seguidos em casa queimaram a paciência da diretoria do Ducks.
7. Com a derrota para Nashville, Boudreau tem o inexplicável recorde de 1-7 em jogos derradeiros, sendo 0-6 desde o 1* round de 2009 quando Bruce, ainda no comando do Capitals, bateu o NY Rangers em tal condição.
8. Outro fator curioso, as 8 partidas do tipo que Boudreau enfrentou foram jogadas em seu mando de gelo.
9. As quatro derrotas seguidas em jogos 7 do Ducks me fizeram percorrer os famigerados livros (e cadernos) de história para confirmar se isso já havia acontecido antes. Surpreendentemente, 7 franquias já atravessaram essa experiência. Vamos dividir os casos entre “normais”, curiosos e super curiosos. Sente que lá vem (boa) história.
10. Nos casos normais: Ottawa Senators de Daniel Alfredsson e Martin Havlat que foi eliminado por 3 vezes seguidas no jogo 7 entre 01-02 e 03-04. Duas delas foram derrotas para o maior rival Maple Leafs (01-02 e 03-04, ambos jogos 7 em Toronto) e para o New Jersey Devils na final da conferência leste de 2003, jogando a partida mortal em casa.
10b. St. Louis Blues entre 96-97 e 98-99 fora eliminado em todas as temporadas no jogo 6 em casa por Detroit Red Wings (96-97 e 97-98) e Dallas Stars (98-99). A curiosidade no caso do Blues é que nesses três casos as equipes acabaram comemorando a Stanley Cup no final da jornada.

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Lance da semifinal da conferência oeste de 1999. (Créditos na imagem)

11. Casos curiosos: Logo após ganhar sua 3* Stanley Cup em 02-03, o Devils foi eliminado por 4 temporadas seguidas em séries que acabaram em 5 jogos. 03-04 contra o Flyers, 05-06 contra o Carolina Hurricanes (que levaria a Stanley Cup naquela temporada), 06-07 versus Ottawa Senators e 07-08 contra o NY Rangers. O curioso dentro do curioso é que excluindo o Rangers, todas as outras equipes chegaram no mínimo a final da conferência leste e durante esses confrontos o Devils teve uma campanha de 3-7 jogando em casa.
11b. Nesse caso, vamos voltar quase 80 anos no tempo para falar sobre a seca do Montreal Canadiens entre a temporada 37-38 e 41-42 (excluindo a jornada de 39-40 que o Canadiens não foi pros playoffs), o Habs perdeu quatro séries seguidas em 3 jogos (antigamente, as séries de playoffs eram definidas em melhor de 3/5/7, alternava de acordo com o ano) tendo como algozes o Chicago Blackhawks (37-38 – levou a Stanley Cup nesse ano – e 40-41) e o Detroit Red Wings (38-39 e 41-42) perdendo três dos quatro jogos decisivos fora de casa. Essa sequência fez parte do jejum de 13 anos do Habs sem vencer uma série de playoff e nem Stanley Cup.
12a. Super curioso parte 1: San Jose Sharks que conseguiu a proeza de ser eliminado por cinco temporadas seguidas em séries que terminaram em 6 jogos. A caminhada sombria começou em 03-04 quando a equipe perdeu a final da conferência oeste para o Calgary Flames e se seguiu em 05-06 contra o Oilers, 06-07 contra o Detroit Red Wings (única vez que sua eliminação ocorreu jogando em casa), 07-08 em confronto contra o Dallas Stars (série essa que acabou em um jogo que foi até o quarto overtime, vencido por Brenden Morrow para as estrelas) e 08-09 no embate contra o Ducks.
12b. Super curioso parte 2: Boston Bruins, única franquia da NHL a ter tal sequência por duas vezes em sua história. A primeira se deu entre a temporada 45-46 e 48-49 onde foi eliminado quatro vezes seguidas em confrontos terminados em 5 jogos, os ursos foram vencidos pelo Montreal Canadiens (SC Final de 45-46 e 46-47) e o Maple Leafs (47-48 e 48-49), essa fila fez parte dos 7 anos que o Bruins ficou sem vencer uma série de playoff. 60 anos depois, o Bruins voltou a repetir tal feito, dessa vez sendo eliminado por 4 vezes seguidas em jogos 7. A streak inversa começou em 2003-2004 quando era favorito e perdeu para o Canadiens em casa. Após 4 anos fora dos playoffs, perdeu outra série em 7 para Montreal em 07-08. Em 08-09, o top seed Bruins conseguiu finalmente eliminar o Canadiens antes de sua temporada acabar contra a zebra Carolina Hurricanes em pleno TD Garden. Na temporada seguinte, o Bruins não só perdeu a série no jogo derradeiro para o Flyers jogando em casa, mas perdeu um confronto no qual tinha a liderança por 3-0 na série e por 3-0 no jogo 7. A maldição terminou em 2011 quando Boston ganhou três de suas quatro séries em jogos 7 e conquistou sua primeira Stanley Cup desde 1972.
12c. Super curioso parte 3: Colorado Avalanche, o absurdo do aleatório, tendo 6 temporadas seguidas entre 97-98 e 02-03 acabando em um jogo 7, fosse ele o resultado positivo ou negativo. Essa série se iniciou com a derrota para o Edmonton Oilers na série de 98 na qual era super favorito (ah, o pesky Oilers dos anos 90 era time de verdade), derrota essa que custou o emprego do técnico Marc Crawford. Sob comando de Bob Hartley, Joe Sakic e companhia perderam as finais da conferência oeste de 1999 e 2000 para o Dallas Stars com o jogo derradeiro do confronto sendo disputado na casa das estrelas texanas. Em 2001, o Avs venceu Los Angeles no 2* round e o Devils na SC Final (ambas séries acabando em sete) para conquistar a segunda copa de sua história. Em 2002, todas as séries disputadas pelo Avalanche naquele ano foram ao limite. O atual campeão venceu Kings e Sharks (ambas séries com o jogo 7 sendo disputado no Colorado) antes de perder para o Detroit Red Wings na final da conferência. Ironicamente ou não, o Avs perdeu o jogo 7 para o Wings pelo placar de (wait for it…) 7-0. Karma. A odisseia do sete acabou para o Colorado Avalanche em 2003 quando o time perdeu para o Minnesota Wild (mesmo tendo aberto 3-1 no embate) e o técnico Bob Hartley foi demitido.

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A última série da grande carreira de Patrick Roy acabou em zebra na temporada de 2003. (Créditos: gonepuckwild.com) 

13. Depois da sessão história e das odisseias de séries iguais, uma nota final sobre Ducks/Predators: meses atrás, disse a um amigo que achava Pekka Rinne o goleiro mais superestimado da liga. Essa série me provou o inverso.
14. No último sábado (30) aconteceu o sorteio da ordem do draft e graças ao bom Deus, o Edmonton Oilers não venceu. O top 5 do draft de junho ficou assim: Leafs, Jets, Blue Jackets, Oilers e Canucks. A não ser que caia um meteoro no Air Canada Centre ou Brendan Shanahan tenha um pesadelo com busts do passado, Auston Matthews deve ser a escolha das folhas, Winnipeg deve levar o projeto de Alex Ovechkin que atende pelo nome de Patrik Laine, Columbus ficará com o bom Jesse Puljujarvi, Edmonton deve (pelo menos eu acho que deve) ir de Jacob Chychrun que é ranqueado como o melhor defensor do draft. A partir da escolha do Canucks, que os jogos comecem.
15. Advogado do diabo parte 1: Toronto tem Auston Matthews (se der a lógica), Nazem Kadri tem contrato até 2022, sem falar de Tyler Bozak e os garotos das categorias de base. A questão é, essa soma de fatores tira Steven Stamkos dos planos do Maple Leafs?
16. Por força de trabalhos da faculdade, a coluna acabou saindo nessa quarta, depois que o Calgary Flames demitiu o técnico Bob Hartley, eleito o melhor professor da temporada 14-15. Falaremos mais sobre isso na próxima semana, mas já posso adiantar que a demissão é controversa dependendo de que lado da moeda se olhe.
17. Round 2 dos playoffs. Eis que durante a finalização dessa singela coluna, o Stars vai tomando 5-1 do Blues depois de dois períodos do jogo três (nota do editor: a peleja terminou 6-1 para St. Louis). Como era pensado por boa parte dos analistas e torcedores, quando o Stars topasse com uma equipe melhor estruturada e menos lesionada que o Minnesota Wild (que não teve Zach Parise e Thomas Vanek no embate) teria sérios problemas, problemas esses que só aumentariam caso seus goleiros não conseguissem manter a equipe viva no jogo. A partida 4 será de decisões fortes para Lindy Ruff e companhia.

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Hands up! (Créditos: NHL.com)

18. Capitals vs Penguins, entre suspensões e todas outras polemicas e indiretas trocadas de ambos os lados, ainda é a série mais interessante desse round. Apesar das grandes estrelas estarem discretas (nesse caso, Crosby mais discreto que Ovechkin), jogadores como TJ Oshie, Eric Fehr e Nick Bonino vem roubando a cena e sendo importantes. O resultado da série até aqui me parece justo, Pittsburgh conseguiu o split em Washington mas foi superior em ambas as partidas e no jogo 3, foi um domínio absurdo do Capitals que parou nas 47 defesas de Matt Murray.
19. Advogado do diabo parte 2: Matt Murray já provou que tem seus talentos ousados e alegres, é absurdamente jovem (21) e ainda tem muito para se trabalhar. Um dia ou outro, o Penguins precisará de um dos grandes contratos que tem (nenhum desses contratos tem os nomes Crosby ou Malkin). Marc-Andre Fleury já tem seus 31 anos de idade e ainda tem muito valor ao redor da liga. A questão é, dependendo do que Matt Murray fizer nesses playoffs, isso abre uma porta para a possibilidade de uma troca envolvendo o camisa #29 do Penguins? Assim como no caso de Stamkos, o tempo dirá.
20. Todos lembram da redenção/coroação de Alex Ovechkin, Joe Thornton ou até do St. Louis Blues em caso de um possível título da Stanley Cup. Pouco se falou de Patrick Marleau, que por muito tempo foi a face do San Jose Sharks e é um dos melhores jogadores da franquia, mesmo que seu tempo no gelo tenha diminuído nessa temporada (atual winger de 3* linha), Marleau ainda é uma das vozes fortes da franquia no gelo e nos vestiários. Caso o Sharks leve a copa, não esqueçam o camisa 12.

 

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